sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

VARANDAS, MAIS VALIA E O MINISTÉRIO PÚBLICO


Centro Administrativo São Sebastião do Rio de Janeiro
Internet


O jornal O Globo informa que o Ministério Público pediu a suspensão da cobrança feita pela Prefeitura do Rio em relação ao fechamento de áreas de varandas com as chamadas "cortinas de vidro".

Muito curioso é verificar que o MP considera uma ilegalidade a cobrança de taxa por ter sido cometida uma ilegalidade perante o Código de Obras do Município do Rio de Janeiro, ilegalidade esta que a Prefeitura aceita mediante o pagamento daquela taxa, ou seja, a taxa, uma vez paga, torna legal o que as normas legais consideram ilegal, o mesmo fechamento de varandas que agora o MP diz ser legal.

Se a Justiça acatar o pedido do Ministério Público haverá uma enxurrada de pedidos de devolução do dinheiro pago à Prefeitura através da chamada "Lei da Mais Valia", instrumento que premia os proprietários de obras irregulares com o objetivo de arrecadar recursos para o Município.

Nota:

Além de ser assunto confuso por natureza, a própria notícia confunde quanto à questão da Zona Sul. Nesta região não é permitido fechar as varandas mediante autorização e pagamento prévio ao ato irregular praticado.

A mais valia foi tema de outra reportagem no O Globo em novembro/2015.

Ver outros posts no Urbe CaRioca a respeito.



Internet



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A PONTE ESTAIADA PREFEITO PEREIRA PASSOS NA ILHA DO GOVERNADOR, de Atilio Flegner



Em 30/09/2015 publicamos LINHA 2 DO METRÔ – NOTÍCIAS E ARTIGO, com texto de Atilio Flegner administra a página METRÔ QUE O RIO PRECISA, na rede social Facebook. Tal como o blog METRÔ DO RIO, de responsabilidade de Miguel Gonzalez, é fonte preciosa de análises, comentários e informações sobre esse modal carioca, meio de transporte inaugurado há mais de quatro décadas e ainda restrito a duas Linhas, recentemente transformadas em praticamente uma, com a junção das linhas 1 e 2 que contornam a cidade da Zona Norte à Zona Sul na direção Pavuna-Centro-Ipanema, via Botafogo e Copacabana.

Atento às questões que envolvem o transporte público no Rio de Janeiro, no artigo abaixo - divulgado originalmente no FB junto com a fotografia da ponte “para que pessoas de outras regiões do Rio observem como o nosso dinheiro é mal gasto em matéria de transportes” - Atilio faz comentários sobre a ponte estaiada construída na Ilha do Governador, o sistema de BRT implantado na cercania do Aeroporto Internacional, e a precariedade dos serviços de transportes para a região.

A visão do articulista sobre a obra coincide com a deste blog, pois também nos parece desperdício de dinheiro público somado à ineficiência: “uma ponte enorme, cara, nova e vazia, enquanto ao lado o trânsito fica permanentemente engarrafado”, como comprovamos várias vezes in loco, na Linha Vermelha e nos acessos à Ilha do Governador desde o final da tarde até depois das 22h.


Boa leitura.


Urbe CaRioca


Página Metrô que o Rio Precisa


A PONTE ESTAIADA PREFEITO PEREIRA PASSOS NA ILHA DO GOVERNADOR

Atilio Flegner
Jan.2016


Essa é a ponte estaiada* Prefeito Pereira Passos.

Trata-se de ligação exclusiva para passagem do BRT entre a Ilha do Fundão e a Ilha do Governador.

Todo o conjunto da ponte possui 2100 metros. Nela passa o ônibus do BRT e nada mais: não tem calçada, não tem ciclovia, não tem via para carros e nem para outros ônibus. Às demais pessoas resta o engarrafamento da entrada da Ilha passando pelas duas outras pontes, uma delas inaugurada em 1949. A cena da foto acima é ridícula: é uma ponte nova enorme, cara e vazia, enquanto ao lado o trânsito fica permanentemente engarrafado.

A estrutura fica sem uso durante a maior parte do dia, porque passa um BRT apenas a cada 30 minutos - o intervalo entre a passagem dos ônibus articulados que vão até o aeroporto. Embora a prefeitura não tenha divulgado o preço da ponte, uma estrutura como essa não custa menos do que 250 milhões de reais. Aliás, pontes estaiadas bem menores alcançam cifras na casa dos 230 milhões. A título de comparação, a estação Uruguai do metrô, custou 250 milhões de reais.

O BRT Transcarioca custou R$ 2,2 bilhões sendo 1,1 bilhão do governo federal, o restante da prefeitura, sendo os ônibus comprados pelas companhias ligadas a Fetransport.

Ficam os questionamentos: será que o governo federal não tinha algum lugar mais útil onde desperdiçar 1,1 bilhão de reais? O projeto não poderia prever na ponte nova, melhorias de tráfego, calçadas e ciclovias, por exemplo?

O BRT não serve aos cerca de 220 mil moradores da Ilha do Governador, porém recebeu vultosos investimentos. Note-se que as Linhas 5 e 6* do Metrô não saíram do papel.

Existe ainda na Ilha do Governador uma linha de barcas que opera desde 2006 no Cocotá e nunca recebeu um centavo em melhorias. Sobre este assunto o governo do estado fará uma audiência publica na próxima segunda feira dia 01 de fevereiro as 19h no Esporte Club Cocotá *.

______________

*Notas:

1.      Ponte Estaiada (Wikipedia) - Ponte estaiada (português brasileiro) ou ponte atirantada (português europeu) é um tipo de ponte suspensa por cabos constituída de um ou mais mastros, de onde partem cabos de sustentação para os tabuleiros da ponte.

2.      Linha 5 - Estação Cocotá, Estação Jardim Guanabara, Estação Aeroporto Internacional do Galeão, Estação UFRJ, Estação Rodoviária Novo Rio, Estação Carioca e Estação Aeroporto Santos Dumont.

3.      Linha 6 - Estação Aeroporto Internacional do Galeão, Estação Penha, Estação Vila da Penha, Estação Irajá, Estação Madureira Shopping, Estação Campinho, Estação Taquara, Estação Jacarepaguá, Estação Cidade de Deus, Estação Casa Shopping, Estação Shopping Via Parque, Estação Hospital Lourenço Jorge e Estação Alvorada (Obs. 1 -  METRÔ: QUEM DIRIA, A LINHA 4 VIROU LINHA 5!; Obs. 2 – as duas linhas citadas serviriam também à Ilha do Governador).
4.      Segundo o autor, na reunião ocorrida em 01/02/2015, “organizada pelo governo do estado (...) não havia slides nem respostas objetivas; o governo, por meio do técnico Alexandre Velloso e do secretário Carlos Osório, prometeram uma série de coisas sendo: após a chegada das 7 embarcações chinesas, os 4 catamarãs HC18 serão transferidos para a Ilha do Governador; o terminal Ribeira será reativado e haverá um novo terminal no Fundão; serão adquiridas novas embarcações catamarã de 450 lugares com velocidade máx. de 32 nós; nada foi dito sobre prazos, assim, soa como uma grande balela; os HC18 são lentos, quentes e barulhentos, precisariam passar por uma reforma – perguntei a respeito e eles responderam; faltou objetividade.
5.      Observação do blog - não é de admirar-se, pois é sabido que Osório Segue Prometendo Metrô para Todo Mundo (blog Metrô do Rio 10/12/2015).

Ilha do Governador, 01/02/2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

EU SOU O PEU DO MAL!


CrôniCaRioca

Desenho: Celso Felipe

Em breve a Câmara de Vereadores retomará os trabalhos após o recesso de fim-de-ano. Esta época olímpico-urbano-carioca será movimentada para além do Parque Olímpico, de arenas esportivas, Campo de Golfe, pistas de Atletismo, parques aquáticos, Lagoa Rodrigo de Freitas, velódromo destruído, e a Baía de Guanabara poluída com a polêmica sobre a Marina da Glória, durante os Jogos Olímpicos 2016.

Em discreta modalidade “indoor”, haverá corrida praticamente sem obstáculos para a aprovação de vários Planos de Estruturação Urbana – PEU em análise naquela Casa de Leis, e outros em elaboração na Prefeitura (obs.: o Plano Diretor de 2011, o Plano Frankenstein, alterou a nomenclatura desse instrumento urbanístico de Projeto para Plano de Estruturação Urbana, mantida a sigla original), todos com viés de arrecadação, conforme retratado aqui em diversas postagens e poeminhas.

Em tempos de folia carnavalesca, para abrir o ano legislativo na Cidade do Rio de Janeiro e o mês de fevereiro neste blog convidamos os caros leitores a cantarem a letra abaixo ao som de 'Lobo Mau’, de Braguinha*, a conhecida música da história infantil Chapeuzinho Vermelho (começa aos 1min30seg do vídeo).

Divirtam-se!

Urbe CaRioca



Internet



EU SOU O PEU DO MAL!

Uma paródia musical-urbano-carioca


Eu sou o PEU do MAL,
PEU do MAL, PEU do MAL!
Eu mando no seu bairro,
Faço um Carnaval!

Hoje estou contente,
Vou fazer lambança,
E ponho tudo na poupança!



Eu sou o PEU do MAL,
Mudo a lei, é legal!
A meta é fazer caixa
Chego e sou mortal!

Planto carro e sombra,
Edifício em vez de casas.



Eu sou o PEU do MAL,
PEU do MAL, sou letal!

Acabei com as Vargens,
Porto ou Taquara,
Ninguém liga se é feio!



Eu sou o PEU do MAL,
Mais calor, não faz mal!
Aqueço o Planeta,
Também sou Global!

Eu já fui à Penha,
Lá eu fui de graça!
Escondi a Igreja,
Fiz no peito e na raça!



Eu sou o PEU do MAL,
Sou legal, oficial!
Na Ilha ou Guaratiba,
Eu sou mesmo o tal!

Tudo é por dinheiro!
Chego e devasto,
O seu Rio de Janeiro!



*Lobo Mau (Braguinha)

Eu sou o lobo mau,
Lobo mau, lobo mau
Eu pego as criancinhas
Pra fazer mingau!

Hoje estou contente,
Vai haver festança
Tenho um bom petisco
Para encher a minha pança

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O PLC nº 140/2015 - MAIS UM PEU PARA AS VARGENS, de Canagé Vilhena

O último post sobre as mudanças de parâmetros urbanísticos para a região de Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, parte da Barra da Tijuca, do Recreio dos Bandeirantes e de Jacarepaguá foi O MUSEU CASA DO PONTAL E O PEU VARGENS, com comentário do arquiteto Canagé Vilhena, que já contemplou este blog com outras análises sobre o assunto, inclusive OPERAÇÃO ESQUISITA: ESPOLIAÇÃO URBANA NAS VARGENS, de outubro passado.

A notícia divulgada em ATENÇÃO ZONA OESTE!ATENÇÃO REGIÃO DAS VARGENS! Foi confirmada com o envio à Câmara de Vereadores, pelo Poder Executivo, do Projeto de Lei Complementar nº140/2015, que propõe nova versão para o Projeto de Estruturação Urbana das Vargens – ou, PEU Vargens – analisada e comentada por Canagé conforme artigo a seguir.

Ontem o Jornal O Globo publicou reportagem sobre a proposta.

Boa leitura.

Urbe CaRioca


Foto: Arquiteta Bárbara Teireira


O PLC Nº 140/2015 - MAIS UM PEU PARA AS VARGENS

Canagé Vilhena

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS - PARTE I
A Prefeitura do Rio vai aprovar ao que tudo indica, por maioria absoluta, mais uma versão para o PEU DAS VARGENS, o PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR - PLC 140 de 21/12/2015, que “Institui a Operação Urbana Consorciada da Região das Vargens e o Plano De Estruturação Urbana de Vargens, define normas de aplicação de instrumentos de gestão do uso e ocupação do solo e dá outras providências”.
Não bastaram as análises criticas em estudos científicos produzidos por centros universitários (PUC, UFRJ) para convencer a Prefeitura do Rio, e seu corpo técnico, de que a região não suporta a ocupação programada pelas duas versões do PEU das Vargens, agora repetida com o penduricalho da proposta de Operação Urbana Consorciada - OUC DAS VARGENS, a ser desenvolvida pelo grupo Odebrecht/ Queiroz Galvão, com um PLANO DE OCUPAÇÃO URBANA a ser desenvolvido em 35 anos.
A 3ª VERSÃO DO PEU DAS VARGENS vai juntar, na mesma lei, duas propostas distintas: uma para aprovação da OUC, certamente a ser entregue ao mesmo grupo, e a outra para “requentar” o PEU DAS VARGENS aprovado em 2009, suspenso para receber a revisão agora apresentada à Câmara de Vereadores.

Foto: Canagé Vilhena

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS - PARTE II
A estranha miscelânea apresentada no PLC 140/2015 - 3ª EDIÇÃO do PEU DAS VARGENS - tem a finalidade de fazer valer a autocrítica feita pelo corpo técnico da SMU em audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Urbanos, quando se noticiou a decretação da Área de Especial de Interesse Ambiental - AEIA das Vargens como iniciativa para remediar os inevitáveis impactos negativos no ambiente natural e na organização urbanística da região.
Mas, não foi o que aconteceu.
O prefeito formou a Parceria Público-Privada - PPP com o conhecido grupo empreiteiro para desenvolver o levantamento dos problemas da região e orientar a futura OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA- OUC DAS VARGENS.

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS > NADA INOVA - PARTE III
Uma leitura rápida do PLC 140/2015 poderá criar a ilusão de que se trata de atender às exigências da nova política urbana aprovada pela Constituição Federal de 1988, regulamentada pelo Estatuto a Cidade, e à previsão no artigo 65 do Plano Diretor de 2011, de aplicar-se um PLANO DE DESENVOLVIMENTO LOCAL para cada um das regiões do município com o objetivo de resolver os problemas infraestruturais, a falta das funções urbanas básicas (circulação, trabalho, habitação, lazer) e das funções sociais da cidade (compreendidas como o direito de todo o cidadão de acesso à moradia, transporte público, saneamento básico, energia elétrica, gás canalizado, abastecimento, iluminação pública, saúde), como medida preliminar para preparar os bairros "suburbanizados" e para não serem explorados pelo mercado imobiliário, através de uma simples legislação de controle das construções, sem alterar as condições de carências urbanísticas e sociais.

Museu Casa do Pontal
Internet


MAIS UM PEU PARA AS VARGENS > FALSA IMPRESSÃO - PARTE IV
O PLC 140/2015 enviado à Câmara de Vereadores em 21 de dezembro de 2015, prevê a aprovaçao da OUC das Vargens com o objetivo, segundo a mensagem do prefeito, de promover “intervenções com a participação dos proprietarios, moradores usuários permanentes e investidores privados para alcançar as transformações urbanísticas, sóciais e valorização ambiental em consonância com o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor de 2011 para promover o desenvolvimento urbano valorizando o meio ambiente e a qualidade de vida” (sic).
Ao contrário do previsto nestes objetivos, o PLC é mais uma produção dos técnicos da prefeitura sem qualquer consulta à população - sem atender ao Estatuto da Cidade - nem mesmo ao Conselho de Política Urbana - COMPUR e ao Conselho de Meio Ambiente – CONSEMAC.
O Corpo Técnico também não apresenta qualquer justificativa científica para manter os mesmos padrões de ocupação dos projetos anteriormente aprovados (e depois cancelados) para criação da Área de Especial Interesse Ambiental – AEIA das Vargens, e trata o desenvolvimento urbano repetindo a velha cultura de manipular padrões construtivos (altura e área máxima das construções, taxa de ocupação nos terrenos, tamanho dos lotes, área mínima das unidades e zoneamento para distribuição das atividades econômicas), o único método adotado para tratar da urbanização, sem contar com um plano geral de desenvolvimento urbano para todo o território municipal.
O cacoete metodológico perpetua-se com a idéia de que a cidade é apenas a sua arquitetura, sem relação com o urbanismo, com as condições de infraestrutura (p. ex. saneamento ambiental), sem atender às funções urbanas básicas e às funções sociais da cidade: é a velha política urbana fundada por Pereira Passos, hoje patrono do Instituto de Planejamento da Cidade do Rio de Janeiro, que a considera apenas objeto para controle das construções e abertura de novas vias para melhorar o trânsito rodoviário, tradicionalmente caótico.
Por outro lado, até hoje não foram capazes de regulamentar o Estudo de Impacto de Vizinhança, instrumento urbanístico previsto no Estatuto da Cidade, que se considerado fosse, certamente, evitaria a destruição do Museu do Pontal em decorrência da construção dos espigões ao seu lado.


PLANO PILOTO PARA A BAIXADA DE JACAREPAGUÁ, RIO DE JANEIRO
Autoria: LÚCIO COSTA      Imagem: Internet


MAIS UMA VERSÃO DO PEU DAS VARGENS > PREFEITURA NÃO DESISTE - PARTE V
Seguindo a velha cultura, neste PLC 140/2015, apenas alteraram o tamanho mínimo dos lotes que era de 360 m2 passará para 600 m2.
Na mensagem 17/2015 enviada à Câmara de Vereadores, para aprovação da 3ª Edição do Peu das Vargens o prefeito afirma que:

Assim, o Plano de Estruturação Urbana de Vargens ora apresentado, estabelece condições de uso e ocupação do solo que visam alcançar densidades, construída e demográfica, mais adequadas às características da região, com índices de aproveitamento do terreno (IAT) nunca superiores ao máximo estabelecido no Decreto 3046/81.

Tal afirmação não esclarece que o DECRETO 3046/81 veio substituir o DECRETO 324/76, a primeira versão do regulamento do Plano Lúcio Costa, revogado para atender ao interesse de maior lucratividade na especulação urbana da Baixada de Jacarepaguá, com o aumento progressivo e constante do potencial construtivo dos terrenos.

O Decreto 3046/81 é uma colcha de retalhos costurada periodicamente com novas alterações para atender ao mercado. Os interesses que motivaram sua aprovação foram um dos motivos que levaram o Prof. Lúcio Costa abandonar a coordenação do Plano Piloto e demitir-se da Sudebar.
  
Os índices de aproveitamento da área do terreno, para calcular a área máxima de construção permitida, segundo a mensagem do prefeito, são de fato os mesmos do DECRETO 3046/81 (variam de 1,0 a 1,5), mas correspondem ao dobro daqueles índices do DECRETO 324/76, (0,60 a 0,75).
Os gabaritos altos previstos para esta 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS continuam como antes, com a possibilidade de atingir 6, 8, 9, e até 18 pavimentos, desde que o interessado pague pelo solo criado.
A região das Vargens, com um sistema viário sem grandes opções de mobilidade, haja vista o grande número de logradouros fechados ou ocupados, e muitos outros previstos no Plano Lucio Costa jamais construídos, não suporta prédios com mais de 3 (três) pavimentos.
É interessante destacar que os lucros da venda dos solos criados deveriam ser destinados ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, de cujo montante e aplicação ninguém, fora da alta direção da Prefeitura, tem conhecimento, apesar da existência de diversos conselhos municipais com “representação da sociedade”, sem poder deliberativo, que apenas servem para ouvir o “senhor prefeito”.

Internet

PARTICIPAÇÃO POPULAR “DE ARAQUE” PARA O PEU DAS VARGENS - PARTE VI
A OUC prevista no PLC 140/2015 será acompanhada por um CONSELHO CONSULTIVO, formado por seis representantes do Poder Público, (5 da Prefeitura e 1 do Estado), mais 3 representantes da sociedade civil. Estes serão escolhidos pelos representantes do poder público e apenas duas dessas pessoas devem ter atuação na área de abrangência de 6 bairros: Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Jacarepaguá.
Portanto, será mais um conselho com as mesmas características daqueles criados para tratar de Política Urbana (COMPUR), da Política Ambiental (CONSEMAC) e o CONSELHO DA CIDADE, isto é, apenas para ouvir e “fazer figuração” nas reuniões comandadas pelos agentes políticos da prefeitura que impõem suas decisões de cima para baixo. Certamente a prefeitura conseguirá implantar seu domínio nesse CONSELHO CONSULTIVO com a participação, sem poder de decisão, dos “representantes populares” (?) escolhidos de acordo com a conveniência dos agentes públicos.
A elaboração do texto do PLC 140/2015 - que deveria contar com a participação popular para atender aos princípios da gestão democrática da cidade estabelecidos no Estatuto da Cidade - desconsidera o respeito à democracia na formulação de políticas públicas por parte da Prefeitura.
Não será a velha fórmula de composição daquele Conselho Consultivo que poderá democratizar a implantação do PEU DAS VARGENS, nem garantir o desenvolvimento urbano sustentável com vistas a melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH da região.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

NORMAS DA AERONÁUTICA E AS TORRES DO PORTO MARAVILHA - CONFLITOS POTENCIAIS


Internet

Em julho/2014 entrou em vigor a Portaria nº 957/GC3 de 09/07/2015 do Ministério da Defesa – Comando da Aeronáutica, que “Dispõe sobre as restrições aos objetos projetados no espaço aéreo que possam afetar adversamente a segurança ou a regularidade das operações aéreas, e dá outras providências”. Entre os ‘considerando’ destacamos os que se relacionam a índices construtivos na vizinhança de aeroportos, heliportos e helipontos:



CONSIDERANDO que a segurança e a regularidade das operações aéreas em um aeroporto ou em uma porção de espaço aéreo dependem da adequada manutenção de suas condições operacionais, que são diretamente influenciadas pela utilização do solo;
CONSIDERANDO que a existência de objetos, aproveitamentos ou atividades urbanas que desrespeitem o previsto nas normas vigentes pode impor limitações à plena utilização das capacidades operacionais de um aeroporto ou de uma porção de espaço aéreo;
CONSIDERANDO a importância da aviação para as atividades sociais e econômicas, requerendo o constante aprimoramento dos mecanismos que estimulem a coordenação entre os órgãos de âmbito federal, estadual e municipal, visando ao cumprimento das normas e à adoção de medidas para regular e controlar as atividades urbanas que se constituem, ou venham a constituir, potenciais riscos à segurança operacional ou que afetem adversamente a regularidade das operações aéreas (...).


Tema complexo para quem não lida com as questões da aeronáutica, a longa portaria apresenta gráficos e tabelas que, entre vários aspectos, definem as alturas máximas de obstáculos permitidas na vizinhança de aeródromos, helipontos, em rotas especiais de aviões, helicópteros, e em zonas de proteção de auxílios à navegação aérea (v. artigo 1º). As medidas determinarão eventuais restrições, por exemplo, para as zonas de influência dos aeroportos do Galeão, Santos Dumont, e de Jacarepaguá. Artigos publicados em sites ligados à indústria da Construção Civil e ao Mercado Imobiliário demonstram preocupações a respeito:


O site da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro – ADEMI-RJ também informa que é possível verificar se os empreendimentos pretendidos estão nas áreas de influência definidas pela Portaria 957/GC3 através do site do DECEA na página:


Reproduzimos abaixo trecho da Portaria nº 957/GC3 e o link para o texto na íntegra.

Resta saber se as novas regras atingirão os terrenos do Porto Maravilha e suas torres projetadas com até 150,00m de altura e as pretendidas quitinetes que voltarão à cidade quase meio século após terem sido banidas da legislação urbanística do Rio de Janeiro.

Aos interessados, a informação.

Com a palavra, os especialistas.

Urbe CaRioca






Trecho:
(...)

Superfície de Aproximação

Art. 13. A superfície de aproximação constitui um plano inclinado ou uma combinação de planos anteriores à cabeceira da pista que pode ser dividida em até três seções e cujos parâmetros e dimensões estão estabelecidos nas Figuras 3-1A e 3-1B e na Tabela 3-4.
I - Os limites da primeira seção da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da cabeceira e determinada largura, localizada a uma determinada distância anterior à cabeceira da pista;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e divergindo a uma determinada razão a partir do prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada a uma determinada distância da borda interna.
II - Os limites da segunda seção da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da borda externa da primeira seção e determinada largura, localizada no final da primeira seção;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e divergindo a uma determinada razão a partir do prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada a uma determinada distância da borda interna.
III - Os limites da seção horizontal da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da borda externa da segunda seção e determinada largura, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada no final da segunda seção;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e se estendendo paralelamente ao plano vertical que contém o prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa paralela à borda interna, localizada a uma determinada distância dessa borda.
§ 1º A seção horizontal tem início no ponto em que o gradiente da segunda seção intercepta o plano horizontal de 150 metros acima da elevação da cabeceira, ou o plano horizontal que passa pelo topo de qualquer objeto que define a menor altitude e/ou altura livre de obstáculos(OCA/H) publicada, o que for mais alto.
§ 2º Os limites da superfície de aproximação devem variar por ocasião de aproximação com desvio lateral, em especial, suas bordas laterais, onde a divergência a uma determinada razão, deverá ocorrer a partir do prolongamento do eixo do desvio lateral.
§ 3º Os gradientes da primeira e segunda seção devem ser medidos em relação ao plano vertical que contém o prolongamento do eixo da pista de pouso e devem continuar contendo o eixo de qualquer desvio lateral.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A GARAGEM POULA, de Luiz Eduardo Pinheiro


BEM TOMBADO MUNICIPAL - RIO DE JANEIRO

GARAGEM POULA - Imóvel
Rua Gomes Freire, 306, 306-A e Rua do Senado, 57/59
Decreto nº 6.606 de 05/05/87 - DOM de 06/05/87



Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Crédito: Luiz Eduardo Pinheiro


Era uma vez um imóvel tombado chamado GARAGEM POULA, situado na Avenida Gomes Freire.

Era uma elegante e antiga garagem de cocheiras que teimava em permanecer na cidade!

O processo de abandono do imóvel começou lá pelos anos 1990.

Na primeira década do século XXI a empresa WTORRE o adquiriu como parte do entorno do seu empreendimento erguido na Rua dos Inválidos.

Começaram a tratá-lo como um depósito de obras e demoliram quase sua totalidade.

Sobraram cacos. Talvez irrecuperáveis.

Restauração?

Ninguém comenta a respeito, ninguém o exige.

Quando não houver mais nada a fazer, o choro dos hipócritas inundará as páginas dos jornais.

De quem é a culpa?


__________________

Luiz Eduardo Pinheiro é arquiteto


GARAGEM POULA
Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Imagem divulgada em 08/11/2012 na Coluna Ancelmo Gois, Jornal O Globo, com a seguinte nota:

NO TEMPO DAS CARRUAGENS
Este prédio histórico, deteriorado, exemplar da arquitetura eclética de inspiração clássica e art nouveau, na esquina das ruas Gomes Freire e do Senado, no Centro velho do Rio, será, em breve, totalmente recuperado (veja na reprodução do projeto aqui acima como vai ficar). Trata-se da Garagem Poula, construída em 1910 para abrigar carruagens e uma hospedaria. Quem vai tocar a obra é a construtora WTorre, que finaliza, ali perto, o Centro Empresarial Senado, a ser usado pela Petrobras. A empresa assumiu com a prefeitura o compromisso de revitalizar parte do patrimônio arquitetônico da região, como o Solar do Marquês de Lavradio, o prédio do finado Dops e a Garagem Poula

Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Crédito: Luiz Eduardo Pinheiro
GARAGEM POULA
Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Foto obtida no site Skyscrapercity
Crédito: 
Mayara Christy



sábado, 23 de janeiro de 2016

O MUSEU CASA DO PONTAL E O PEU VARGENS

 E O COMENTÁRIO DO ARQUITETO CANAGÉ VILHENA


Internet

Nas várias postagens sobre o Projeto e Estruturação Urbana da região das Vargens – que abrange bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro – afirmamos que as mudanças na lei urbanística antes vigente seriam prejudiciais para a cidade e, em especial, para a própria localidade, reconhecidamente frágil em termos ambientais, sujeita a alagamentos nas áreas planas e deslizamentos nas encostas do maciço da Pedra Branca.

Há alguns meses a imprensa noticiou os alagamentos no terreno onde fica a Casa Museu do Pontal, atribuídos à construção de um condomínio de edifícios no terreno vizinho – possível devido aos novos índices urbanísticos criados pelo PEU Vargens.


Abaixo, o comentário do arquiteto Canagé Vilhena sobre o assunto, a notícia de que um novo projeto de lei complementar para os bairros já foi enviado à Câmara de Vereadores - com o respectivo link -, e o vídeo sobre a inundação apresentado pelo RJTV.

O post UM BATE-BOCA OLÍMPICO-GABARITADO VIA BBC E REDES SOCIAIS, de agosto/2015, contém lista com os artigos anteriores publicados neste blog.

Boa leitura.
Urbe CaRioca



O Globo


DESTRUIÇÃO DO MUSEU CASA DO PONTAL

Canagé Vilhena


A DESTRUIÇÃO DO MUSEU CASA DO PONTAL é mais um efeito desastroso da ocupação promovida pela PEU DAS VARGENS, como foi previsto em estudos científicos.

Não contente com estas conseqüências a Prefeitura insiste com a ideia de promover a ocupação de alta densidade numa região frágil, agora com a 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS, o PROJETO DE LEICOMPLEMENTAR 140 DE 21 DE DEZEMBRO DE 2015, enviado a Câmara de Vereadores, mais uma vez sem ouvir os moradores, sem ouvir o Conselho Municipal de Política Urbana - COMPUR, sem ouvir o Conselho Municipal de Meio Ambiente - CONSEMAC.

 Esta 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS tem o mesmo potencial de degradação das 2 últimas edições, apesar de diminuir a taxa de ocupação nos terrenos e prever tamanho mínimo único de lotes (600 m2).

Mas mantém a possibilidade de serem construídos 6, 9 até 18 pavimentos, com a venda de solo criado, uma forma de mais-valia.


***