terça-feira, 3 de maio de 2016

CRUZ VERMELHA E GABARITOS – ALERTA VERMELHO, OUTRA VEZ!


Publicamos duas postagens sobre o Projeto de Lei Complementar nº 120/2015, que visa aumentar os gabaritos de altura dos edifícios na região do bairro da Lapa conhecida como Cruz Vermelha, em pleno Centro Histórico Cidade do Rio de Janeiro.

A proposta perniciosa voltou à Ordem do Dia na Câmara De Vereadores. Portanto, as luzes vermelhas de alerta se acendem outra vez. No final do artigo reproduzido abaixo, de autoria do Ex-Prefeito e atual vereador Cesar Maia, há um apelo: “Que as faculdades de Arquitetura e Urbanismo, que urbanistas, procuradores, defensores do patrimônio histórico, moradores e políticos, soltem bem a voz, pois ainda há tempo de obstruir e sepultar definitivamente este escárnio contra a história urbana do Rio...”.

O blog procurou colaborar com as análises SEMPRE O GABARITO - A VEZ DA CRUZ VERMELHA (01/09/2015) e CRUZ VERMELHA: EM SOCORRO DA APAC (10/09/2015). O PLC faz parte do que chamamos de LEIS URBANÍSTICAS, PACOTE 2015, publicado no mesmo mês.

A palavra agora é dos vereadores.


Urbe CaRioca

 

  

UM CRIME CONTRA O CENTRO HISTÓRICO DO RIO!
Cesar Maia
Publicado originalmente no Jornal O Globo em 09/12/2015
       
1. Com a oposição do prefeito, e por iniciativa de vereadores do Rio de Janeiro, foi apresentado o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 120/2015. A reação de urbanistas foi imediata. Esse PLC liquidaria a APAC da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, pois aumentaria em 50% o gabarito na área da Avenida Henrique Valadares e Rua da Relação, e aumentaria em 500% a volumetria. E sem nenhuma precisão de pagamento de mais-valia pelo solo criado, estimado em R$ 1 bilhão de reais.
 
2. Com apoio do prefeito se tem conseguido obstruir a votação desde setembro. Mas agora o absurdo PLC volta à carga. As críticas relativas a tal aberração vieram de especialistas da Prefeitura do Rio com ampla experiência e do próprio gabinete do prefeito, que informou que era radicalmente contra a aprovação do PLC-120. Em setembro, o PLC obteve em horas, tempo recorde, parecer favorável de todas as comissões envolvidas. Na época, numa manobra de plenário, se tentou votar na frente dos vetos em pauta.
       
3. A resistência foi feita por outros vereadores por obstrução em plenário. Um mês depois, caiu de paraquedas no plenário da Câmara uma carta da Cruz Vermelha dizendo que tinha interesse na aprovação do PLC supostamente por razões ligadas às suas atividades de origem. Simultaneamente, o setor de comunicação da prefeitura enviou a vereadores uma lista de matérias publicadas pela imprensa em 2014 mostrando que a Cruz Vermelha do Rio estava sob suspeição e auditoria da Cruz Vermelha Internacional por desvios levantados. Por isso, não teria credibilidade para pedir voto para o PLC, especialmente por ir muito além da área que já controlou. Era muito estranha a tal carta.
   
4. E tudo ficou mais claro com a leitura em plenário da justificativa que acompanhou o PLC-120, apresentado por Vereadores 30 dias antes do “voo” da Cruz Vermelha local. Nada, rigorosamente nada, tinha a ver com qualquer coisa relacionada à Cruz Vermelha. Nada! Diz assim: “O Projeto de Lei Complementar em tela busca fomentar o desenvolvimento de toda zona de comércio e empresarial compreendida entre a Avenida Henrique Valadares e a Rua do Lavradio. É crescente a necessidade de infraestrutura que atenda à demanda tanto do turismo convencional quanto do turismo de negócios, bem como o incremento das zonas de comércio quando existe aumento também para diversas atividades econômicas relacionadas.” Recentemente, foi apresentada uma emenda ao PLC com apoio da maioria de todas as comissões, incluindo o uso misto — residencial além de comercial.

5. No dia 8 de setembro de 2015, o prefeito publicou o decreto 40.593, criando uma comissão especial para analisar quaisquer propostas e projetos de mudanças no Centro do Rio. O Centro é dividido em oito áreas. A área 6 é exatamente a APAC da Cruz Vermelha. Uma possibilidade de se dificultar o desastre urbano no Centro Histórico do Rio.

6. A partir desta semana, o PLC-120 estará nas pautas de votação da Câmara. Que as faculdades de Arquitetura e Urbanismo, que urbanistas, procuradores, defensores do patrimônio histórico, moradores e políticos, soltem bem a voz, pois ainda há tempo de obstruir e sepultar definitivamente este escárnio contra a história urbana do Rio, desintegrando a APAC da Cruz Vermelha.

domingo, 1 de maio de 2016

PEU VARGENS E PLC nº 140/2015 – AUDIÊNCIAS PÚBLICAS


Internet

O artigo O PLC nº 140/2015 - MAIS UM PEU PARA AS VARGENS, de Canagé Vilhena, publicada neste blog em 29 de janeiro passado voltou às postagens mais lidas nas últimas semanas. A primeira parte do texto afirma:

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS - PARTE I

A Prefeitura do Rio vai aprovar ao que tudo indica, por maioria absoluta, mais uma versão para o PEU DAS VARGENSPROJETO DE LEI COMPLEMENTAR - PLC 140 de 21/12/2015, que “Institui a Operação Urbana Consorciada da Região das Vargens e o Plano De Estruturação Urbana de Vargens, define normas de aplicação de instrumentos de gestão do uso e ocupação do solo e dá outras providências”.
Não bastaram as análises criticas em estudos científicos produzidos por centros universitários (PUC, UFRJ) para convencer a Prefeitura do Rio, e seu corpo técnico, de que a região não suporta a ocupação programada pelas duas versões do PEU das Vargens, agora repetida com o penduricalho da proposta de Operação Urbana Consorciada - OUC DAS VARGENS, a ser desenvolvida pelo grupo Odebrecht/Queiroz Galvão, com um PLANO DE OCUPAÇÃO URBANA a ser desenvolvido em 35 anos.
3ª VERSÃO DO PEU DAS VARGENS vai juntar, na mesma lei, duas propostas distintas: uma para aprovação da OUC, certamente a ser entregue ao mesmo grupo, e a outra para “requentar” o PEU DAS VARGENS aprovado em 2009, suspenso para receber a revisão agora apresentada à Câmara de Vereadores.”

A explicação para a procura provavelmente deve-se ao fato de que a Câmara de Vereadores publicou ontem, na grande imprensa, um convite para as Audiências Públicas que realizará nas próximas semanas, a partir de terça-feira, dia 03/05/2016.
Cabe lembrar que para a região foi aprovada recentemente a Lei Complementar nº 104 de 27/11/2009, o pernicioso PEU Vargens que instituiu o Projeto de Estruturação Urbana - PEU dos bairros de Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e parte dos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Jacarepaguá, nas XXIV e XVI Regiões Administrativas, aumentou expressivamente os gabaritos de altura dos edifícios e demais índices construtivos, permitiu a substituição do Autódromo do Rio pelo Parque Olímpico – futuro grande conjunto de novos prédios altos em Jacarepaguá, e permitiu a construção do condomínio conhecido por Ilha Pura – apresentado ao público como Vila dos Atletas.
Depois de realizados tais objetivos, o PLC 104/2009 foi suspenso em 2013 e as licenças de obras proibidas, salvo para construções ligadas direta ou indiretamente aos Jogos Olímpicos! O prazo do “congelamento” terminará no próximo dia 18/05.

A quem interessar, segue o convite.

Urbe CaRioca

sexta-feira, 29 de abril de 2016

MARINA DA GLÓRIA, CICLOVIA e VELÓDROMO

Foram muitos os assuntos urbano-cariocas nos últimos dia, de interesse deste blog, ainda não comentados. Nesta postagem reunimos alguns deles, com links para artigos e reportagens a respeito. Boa leitura.

Urbe CaRioca





MARINA DA GLÓRIA


Foto: Paulo Sérgio Quintanilha

O site Sonia Rabello – A Sociedade em busca do seu Direito, vem sistematicamente informa que a Marina da Glória continua a ser palco de diversos eventos privados, não obstante “decisão recente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinando que a área da Marina da Glória, no Parque do Flamengo, é de uso comum da população”.

As obras de reforma e acréscimos, que nasceram polêmicas, foram inauguradas há pouco, com resgate de parte do espaço público – antes com acesso geral vedado – para os cariocas, o que é louvável (v. O RESGATE DE ÁREAS LIVRES PARA OS CARIOCAS). Entretanto, não justifica as atividades. Enquanto isso, o esgoto continua a jorrar mesmo após a conclusão da obra da chamada galeria de cintura, evidentemente um paliativo que, em tese, serviria apenas para dias sem chuva. Ao que consta, nem isso.

Abaixo, os artigos esclarecedores de Sonia Rabello. 




CICLOVIA DA AVENIDA NIEMEYER

Foto: Revista Veja

Ontem a queda de parte da ciclovia construída ao longo da Avenida Niemeyer completou uma semana. Muito além de perdas materiais, o desastre resultou em tragédia com a morte de duas pessoas, perdas irreparáveis. As discussões que se estenderam durante os últimos dias apresentadas pela mídia em geral, apontam para falhas técnicas, em especial quanto ao cálculo estrutural e à falta de fixação dos tabuleiros aos pilares. Há que aguardar a palavra dos especialistas e a conclusão dos laudos em elaboração.

Além dos inúmeros artigos, circula na internet um vídeo apresentado por Walmar Luiz que mostra diversos pilares, vigas e sapatas com aspecto duvidoso, ferros à mostra e até sacos de areia escorando taludes. Esperamos que os técnicos também se pronunciem quanto a isso.

Vídeo divulgado nas mídias sociais pelo sr. Walmar Luiz

Selecionamos dois textos. O primeiro é de Cora Rónai, publicado ontem no O Globo, que expõe com dúvidas e sentimentos que por cento atingiram a todos os cariocas com forte impacto, como o de uma onda não prevista. O segundo é do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Além da visão da instituição, o conteúdo remete à opinião de outros profissionais.

Obs. 1O IPHAN não foi consultado. Indaga-se porque deixou de agir quando as obras começaram.
Obs. 2 – O post sobre o que consideramos uma aberração na paisagem carioca permanece adiado. Neste aspecto, foi feito um abaixo-assinado que pede a demolição da ciclovia. Consideramos o tema extremamente complexo por envolver mais gastos e perda de dinheiro público, salvo, evidentemente, se estiver condenada do ponto de vista estrutural. Quanto à paisagem da cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade exatamente na categoria Paisagem Urbana, podemos afirmar que o mostrengo jamais deveria ter sido construído, ao menos conforme aquele projeto de autoria misteriosa.

Cora Rónai – 28/04/2016 – Tragédia carioca
A cidade já sofreu demais com obras feitas a toque de caixa, sem capricho ou preocupação estética. Em qualquer outro lugar, uma joia como o Rio teria sido cuidada e preservada; mas aqui, desde a ditadura, cada governo fez exatamente o que quis, sem prestar contas a ninguém. A sanha das empreiteiras aliada à canalhice das autoridades produziu um desastre urbanístico onde, até a primeira metade do século passado, ainda existia uma metrópole invejável.

Para o presidente do CAU/RJ, Jerônimo de Moraes, o acidente é gravíssimo não só por ter provocado pelo menos duas mortes, mas também por abalar a credibilidade das obras púbicas em andamento no Estado. “Desde ontem, inevitavelmente, está sendo posta em dúvida a capacidade de o Rio de Janeiro garantir a segurança de suas obras”, afirmou. “É preciso que se apure com rigor as responsabilidades nas diferentes fases desta construção”.
Jerônimo de Moraes afirmou que o acidente reforça a importância da frequente defesa que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo faz do projeto completo como instrumento social de controle em obras pública, garantindo a segurança e qualidade delas.



VELÓDROMO

Foto: André Motta

Há dez anos tivemos a oportunidade de acompanhar algumas apresentações sobre o Velódromo do Rio construído para os Jogos Pan-Americanos e inexplicavelmente demolido pelo governo em curso. Fizemos várias postagens sobre o “Novelódromo”, que podem ser facilmente acessadas com os marcadores ‘Demolição’ e Velódromo’, entre outros. Por recordarmos com clareza que grande parte do custo da obra, na época, deveu-se ao uso necessário de piso de madeira importada da Sibéria, destacamos trecho da reportagem que está no jornal de hoje.

Esperamos que o destino desta não seja o mesmo daquela, a ser dado por algum gestor público daqui a alguns anos: o lixo.



O Velódromo do Rio e sua pista de madeira importada da Sibéria - demolidos
Foto: Internet

terça-feira, 26 de abril de 2016

A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO de Claudio Prado de Mello


Ou, O Palacete São Cornélio pede socorro!


No domingo, dia 24/04, a TRUPE PATRIMÔNIO VIVO, constituída pelos amigos e colaboradores do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro – IPHARJ, de forma voluntariosa encenou um esquete simples e bem humorado para denunciar o estado de abandono em que se encontra o Palacete São Cornélio, situado no bairro da Glória, imóvel que pertence à Santa Casa de Misericórdia.

O evento, realizado pela Associação de Moradores e Amigos da Glória AMA-Glória, pelo Grupo S.O.S. Patrimônio, e pelo IPHARJ, foi divulgado nas redes sociais e por este blog em ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM TOMBADO QUE CAMINHA PARA A RUÍNA, postagem que teve grande repercussão durante os últimos dias.

O Palacete São Cornélio pede socorro. É urgente: “A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio”.

Abaixo, o relato de Claudio Prado de Mello, Diretor Presidente do IPHARJ.

Vale conhecer também os artigos de SoniaRabello a respeito.

Urbe CaRioca



Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO

Claudio Prado de Mello

O Palacete São Cornélio, situado na Rua do Catete nº 6, bairro da Glória, teve seu telhado roubado essa semana. Calhas de cobre e até telhas foram levados! O prédio, abandonado há décadas, hoje está em “fase terminal”: a estrutura está abalada, toda a esplêndida decoração interna, de 1862, está se desprendendo dos tetos; internamente, a construção está se desmoronando. A sólida estrutura existente não resistirá se os telhados ruírem.

A Sociedade tem acompanhado pelos jornais e televisão a dor e desespero dos membros da AMA-Glória para salvar o verdadeiro PALÁCIO que agoniza!

A próxima frente fria, prevista para esta semana, trará a chuva que amolecerá os tijolos e destruirá o que sobrou das pinturas delicadas dos tetos; o peso do madeiramento aliado ao peso das telhas fará com que os telhados DESABEM, acarretando a completa destruição do bem cultural. Sem as telhas a perda será total.

É impossível que a Cidade não note o que pode acontecer em breve. Todos nós seremos testemunhas e até corresponsáveis pela perda.

O Palácio, construído em 1862 e tombado em 1938, clama e grita por socorro, pois poderá não sobreviver às próximas chuvas. Apesar das ações da Polícia Federal, no MPF, e divulgação pela imprensa, os avanços são quase nulos. Hoje há quem compre o prédio para montar um imenso espaço cultural, mas não se consegue vencer os entraves para que se possa ser vendido.

Agora - sem as calhas – o assunto passou a ser de URGÊNCIA MÁXIMA!

A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio em um gesto desesperado de defender esse Patrimônio Tombado e Esquecido de uma cidade como o Rio de Janeiro, e precisa encontrar meios de fazer a colocação. O prédio está interditado pela Defesa Civil, pois oferece risco a quem entra. As condições das partes internas estão péssimas! Chegou a hora de pedir socorro, elevar a voz, e chamar a atenção das pessoas com quem esperamos contar.

Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


Aliaram-se a AMA GLORIA, o Grupo SOS PATRIMÔNIO, o INSTITUTO DE PESQUISA HISTÓRICA E ARQUEOLOGICA DO RIO DE JANEIRO – IPHARJ, para produzir o evento do último domingo, contar uma história, e mostrar a situação precária em que o imóvel se encontra: juntaram-se cadeiras D. José, castiçais, mesas de época e todo um conjunto de peças históricas para montar o cenário de época. A encenação trouxe do passado personagens históricos como a Rainha D Maria I, Xica da Silva e a Rainha Dona Victoria de Hannover, que interagiram com personagens reais como Napoleão Bonaparte, e fictícios como Johan van Apex.

Tal esforço reflete um sentimento de Pertencimento/Comprometimento com o Patrimônio e com o Passado que independe de retorno financeiro, reconhecimento, ou qualquer outro valor que não seja simplesmente desejar que todos esses objetos da Cultura Material, e o Patrimônio Edificado sejam preservados para as futuras gerações, para que nossos filhos, netos, bisnetos, e outros consigam ver e respeitar esse legado da mesma forma que o vemos, respeitamos, amamos e procuramos preservar.


Reportagem RJTV em nov./2011 relata a deterioração do imóvel abandonado e vários furtos ocorridos.


Palacete São Cornélio 2015 - Um Registo do Tempo / A Register of Time - Malu Barra - Fotos de Alberto Cardoso
Palacete São Cornélio, construído em 1862 no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Foi residência do Comendador João Martins Cornélio dos Santos, que o deixou em testamento à Santa Casa de Misericórdia em 1894 com a condição de servir de asilo de meninas. Em 1938 foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


Foto: Marcus Alves, 24/04/2016


sexta-feira, 22 de abril de 2016

ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM TOMBADO QUE CAMINHA PARA A RUÍNA



O palácio que virou santo ...
Ou mártir?







Mais uma vez um grupo que defende o Patrimônio Cultural e a memória urbana viva, mobiliza-se por um bem tombado que continuará a caminhar para a ruína se nada for feito para sua recuperação.

Trata-se do PALACETE SÃO CORNÉLIO, situado na Rua do Catete nº 6, bairro da Glória, Cidade do Rio de Janeiro, objeto diversas denúncias sobre sua deterioração nas redes sociais, e de recente matéria publicada pela grande imprensa.

O Globo, 19/04/2016





Marconi Andrade, membro do Conselho Municipal de Cultura e Presidente da Associação de Moradores e Amigos da Glória - AMA-GLÓRIA; os membros do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro - IPHARJ (instituição privada e sem fins lucrativos, que se dedica à preservação do patrimônio cultural); e o grupo SOS PATRIMÔNIO convocam todos para uma manifestação espirituosa e descontraída que será realizada defronte ao Palacete São Cornélio no próximo domingo dia 24 de abril, às 13 horas (Há estação do metrô bem próxima ao casarão).

O objetivo do encontro é denunciar a situação de abandono em que o importante imóvel se encontra, já em estado crítico.








Todas as fotos acima são de Kiki Simone Reis, do Grupo S.O.S. Patrimônio


Essa semana todas as chapas de cobre que recebiam as águas do telhado foram roubadas.  É possível que o que resta do telhado não resista à próxima chuva.

Segundo os organizadores:

 “Vai ter gente bonita, gente vestida com roupas do Império, muita descontração e pantomima.
 Dona Maria I Rainha de Portugal estará presente!
 Xica da Silva gostou da ideia e já arrumou as malas em Diamantina e já está vindo para o Rio de carruagem!
 A Rainha Victoria, que está de passagem pelo Rio de Janeiro, disse que se o sol não estiver muito forte, também irá.
Todas essas pessoas conhecem a importância do Patrimônio, e nos dizem que temos que lutar em defesa do nosso LEGADO CULTURAL e HISTÓRICO.

O blog abraça esta causa e pede a todos a divulgação do evento.

NOTA: O texto acima foi adaptado do convite feito pelo pela AMA GLÒRIA, IPHARJ, e S.O.S. Patrimônio.


Urbe CaRioca




Fotos de outro evento em defesa do patrimônio cultural, realizado pelo mesmo grupo, em frente ao Paço Imperial - Divulgação de Claudio Prado de Mello

quinta-feira, 21 de abril de 2016

CICLOVIA DO RIO. SE FOI TRAGÉDIA ANUNCIADA, OS TÉCNICOS DIRÃO.

Atualização em 22/04/2016

Durante a obra da ciclovia, logo no início estranhei os cortes na rocha cujo "entulho" resultante pode ser visto por quem anda a pé pela ciclovia compartilhada e mesmo pelo mirante da Niemeyer, no final do Leblon. Nada comentei no blog Urbe CaRioca por imaginar que as licenças, naturalmente, haviam sido liberadas pelos governos estadual e municipal, e era decisão tomada.

Além do que consta na Resolução do INEA, a orla é APA tutelada pela Prefeitura.

Independentemente do trágico desastre, alguns locais necessariamente deveriam ser interditados durante as ressacas: por exemplo, Pedra do Leme, Mirante da Niemeyer, Pista Claudio Coutinho e, agora sabemos, a nova ciclovia. Os aspectos paisagísticos que seriam comentados em outro Post, em elaboração, hoje se tornaram secundários. A publicação fica adiada.


Andréa Albuquerque G. Redondo/ blog Urbe CaRioca


Avenida Niemeyer, em frente à Gruta da Imprensa, 21/04/2016




Um trecho da nova ciclovia do Rio de Janeiro não mais se vê!

As ondas do mar levaram e, junto com ela, parte de R$ 45.000.000,00.

Na Avenida Niemeyer, Dia de Tiradentes, em 2016.

Imagens recebidas de um internauta.

Estava em elaboração uma postagem sobre o erro de projeto do ponto de vista da paisagem urbana carioca.

Fica adiado.


Esperamos que ninguém tenha se ferido.

Atualização: 13h17min. - A imprensa já divulga que houve vítimas, infelizmente.

Urbe CaRioca





Nota: Notícia publicada há pouco no Jornal O Globo



O Globo - Foto: Custódio Coimbra

quarta-feira, 20 de abril de 2016

TERRA ENCANTADA E MISTERIOSA


A postagem AI! QUE TERRA ENCANTADA É O RIO!, de 21/02/2013, permanece, misteriosamente, entre os artigos mais lidos neste blog há muitos meses!

Foi publicado no tempo em que o empresário Eike Batista pretendia participar, junto com um grupo de fundos de pensão, do projeto de construção de um “novo bairro”  no enorme terreno onde funcionou o antigo parque de diversões Terra Encantada, situado na Barra da Tijuca.

O post gentilmente mostrou aos leitores que a lei urbanística vigente não permitia concretizar tal intento.


Internet

Como se sabe, os problemas financeiros econômicos do conhecido Sr. “X”, exauriram sua capacidade de realizar vários projetos, como os do "triângulo" explicado em 19/01/2016 no post  O HOTEL GLÓRIA, OS ÁRABES, E O TRIÂNGULO DO Sr. X.

O noticiário, por sua vez, já informara em 2014 - portanto após a paralisação dos negócios de Eike Batista - que as construtoras Cyrela e a Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário haviam comprado o terreno, e que  a primeira fase do projeto seria entregue em 2015, o que não ocorreu.

Notícias recentes na imprensa revelaram que, de fato, a construtora Cyrela pretende erguer um condomínio no local...


O Globo, 03/02/2016 - Construtora tenta erguer condomínio em área do Terra Encantada


RIO — Os moradores da Barra da Tijuca talvez não precisem conviver com o esqueleto do Terra Encantada por muito mais tempo. No mês passado, a Secretaria municipal de Meio Ambiente (SMAC) recebeu um pedido da construtora Cyrela, dona do terreno da Avenida Ayrton Senna 2.800, para construir um “grupamento residencial multifamiliar” em um dos lotes que compunham o antigo parque.
Em março do ano passado, a Cyrela já havia requisitado à secretaria o desmembramento do Lote 1 do PAL 46051, área correspondente a um dos trechos do terreno. Com a mudança, o espaço foi dividido. O pedido feito em janeiro à SMAC se refere ao lote 6, que agora faz parte da Avenida Ayrton Senna 2.600.
Inaugurado em 1998, o Terra Encantada funcionou por 12 anos e fechou permanentemente em 2010, após um acidente em um dos brinquedos causar a morte de uma cliente de 61 anos. Procurada, a Cyrela informou que “a RJZ Cyrela e a Queiroz Galvão estão em fase de desenvolvimento do projeto para o terreno onde funcionava o Parque Terra Encantada e todas as licenças estão sendo providenciadas para a sua continuidade.” (...)

... e que a demolição do parque abandonado já começou:

 


A demolição do Parque Terra Encantada, fechado desde 2010, caminha para a reta final, mas o futuro do espaço, na Barra da Tijuca, ainda é incerto. A ideia era construir empreendimentos comerciais e residenciais no local. O cenário de crise, no entanto, atrapalhou os planos das empresas Queiroz Galvão e Cyrela, que há três anos desembolsaram cerca R$ 1,5 bilhão pelo terreno. De acordo com elas, o projeto ainda está em fase de planejamento. (...)


A notícia informa ainda que o “desmembramento do Lote 1 do PAL 46051, área correspondente a um dos trechos do terreno” dividiu o espaço, que “o pedido feito em janeiro à SMAC se refere ao Lote 6, que agora faz parte da Avenida Ayrton Senna 2.600”, e que o projeto para o terreno está em desenvolvimento.

Abaixo, o desenho do PAL nº 46051 (Av. Ayrton Senna nº 2.800), cujo Lote 1, portanto, foi dividido.

Aguarda-se esclarecimentos sobre o mistério do referido Lote 6, inclusive se será proposta pelo Poder Executivo uma nova lei urbanística para, mais uma vez, mudar o Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, como foi feito, por exemplo, no caso do PEU Vargens, agraciando, entre muitos terrenos, o do Parque Olímpico e o do Condomínio de edifícios chamado Ilha Pura.

A desencantar.

Urbe CaRioca