quarta-feira, 26 de abril de 2017

METRÔ DO RIO - A LINHA TRIPA 1 + 2 + 4 e o Tolypeutes parado


Tripa (Dicionário Houaiss, acepção 5)
Regionalismo: Brasil - Uso: informal - O que apresenta formato alongado e estreito; tira.
Ex.: uma t. de pano



Taxonomy - Tolypeutes matacus (Southern three-banded armadillo)
O Tatu-Bola


Segundo o blog Metrô do Rio (Não oficial) “A mudança no traçado, a necessidade da compra do tatuzão, entre outras lambanças nunca foram explicadas tecnicamente. Suas respostas começam a aparecer”. O texto está na postagem que tem título forte: Corrupção na Linha 4.

A primeira parte do comentário refere-se à mudança no traçado original da Linha 4 - diversas vezes explicado neste blog – que ligaria o Centro à Barra da Tijuca via Botafogo/Humaitá/Jardim Botânico, dando-se início ao que poderia ser considerada uma pequena rede de metrô, trajeto trocado pela inexplicável extensão da Linha 1, da Estação General Osório (Ipanema) à Estação Jardim Oceânico (Barra da Tijuca). Da Linha 4 original foi construído apenas o trecho Gávea-Barra da Tijuca, ainda incompleto, pois a Estação Gávea teve as obras paralisadas.

A segunda parte refere-se às investigações da Operação Tolypeutes, um desdobramento, no Rio de Janeiro, da conhecidíssima operação Lava-Jato, que investiga fraudes em contratos da Linha 4 do Metrô do Rio, ou, a Linha 1 em Ipanema e Leblon, rebatizada de Linha 4 por motivos ainda misteriosos.

O nome Tolypeutes é referência ao “Tatuzão”, apelido dado ao gigantesco equipamento importado que escava o solo abaixo do nível do terreno para a construção respectiva dos túneis do Metrô. Tolypeutes matacus é o nosso conhecido tatu-bola, nada mais nada menos do que o bicho escolhido para ser o mascote da Copa do Mundo, batizado com o horrível nome de Fuleco, ao invés de simplesmente Tatu-Bola ou Tatu-do-Bem, como sugerimos em 2012!

Pode haver algo em comum entre as obras da falsa Linha 4 do Metrô e as obras dos estádios da Copa do Mundo – com a destruição do Maracanã, que foi quase totalmente reconstruído - além de um simpático tatu, o bicho (OG, 14/4/2017).

Porém, não é o que interessa, no momento, a este blog, mas, as más consequências para a cidade e sua população decorrentes do traçado equivocado, não prioritário em termos de mobilidade urbana e capacidade, e a descaracterização de um ícone carioca e brasileiro, o ‘Maraca’. Por isso, voltemos aos aspectos urbano-cariocas não policiais.

Mais uma vez, o atento blog Metrô do Rio confirma – como já havíamos comentado - que temos uma única linha de metrô: “A linha em tripa foi concluída no sábado, 25 de Março com o fim da baldeação na Estação General Osório. Agora, pode-se ir da Estação Uruguai ou da Estação Pavuna diretamente à Estação Jardim Oceânico. As Linhas 1, 2 e 4 se transformaram numa só”. Vale conhecer os demais comentários que “não saem na mídia” em Fim da Baldeação publicado no último dia 11 por Miguel Gonzalez.


"Problemas e soluções do metrô": discussão sobre a nova linha 1A do metrô
(v. fala aos 3 minutos de vídeo)
Youtube, 2010

Vale também recordar o que o engenheiro Fernando MacDowell dizia, em 2010, ao criticar o projeto do metrô: “Não vejo reação por parte do governo... O governo finge que não está ouvindo”; que, em 2012, o mesmo especialista analisou o projeto da Linha 4, criticando a mudança do traçado, a concepção operacional, e a construção da Estação General Osório em outro nível, então sem permitir a continuidade da Linha 1 (General Osório-Antero de Quental), entre outros aspectos, e afirmou: “o metrô tem que ter uma visão sistêmica”.

De nada adiantaram os pedidos dos participantes da Audiência Pública realizada em fev./2013 que apoiavam o traçado original para a Linha 4, também defendido pelo CREA-RJ, única instituição que pediu a manutenção do projeto, divulgada pela grande imprensa, além de alguns políticos da oposição e técnicos. A jornalista Julia Michels também fez memória daquela audiência relembrando sua postagem de 2012 Metrô Linha 4: audiência pública dura seis horas.


Fernando MacDowell critica Projeto da Linha 4 do Governo
Youtube, 2012

A obra foi feita. Embora não adiante “chorar o concreto derramado”, é importante lembrar que o mesmo engenheiro especialista em transportes, que reafirmou a prioridade de se construir o trecho Estácio-Carioca, hoje, na qualidade de vice-prefeito e Secretário de Transportes do Município do Rio de Janeiro, pretende aumentar ainda mais o metrô-tripa, estendendo-o até o Recreio dos Bandeirantes ou Jacarepaguá, criando serviço para o Tatuzão, o Tolypeutes que está parado.

Esta postagem relembra que o mundo dá muitas voltas e é hora de pedir novamente ao ‘governo’ que “ouça”, “reaja” e, em especial, que defenda o que de fato seja prioritário para a população e para a cidade, do ponto de vista técnico. Ou parecerá que aqueles argumentos nos anos de 2010, 2011, 2012, não eram verdadeiros.

Agora não há mais a desculpa de que é “pra Olimpíada”. Não cabem mais mentiras.

Agora tem que ser para o cidadão.
Urbe CaRioca


NOTA: o governo reduziu temporariamente o preço da passagem e faz promoção para atrair passageiros para os congelantes vagões chineses da “Linha 4”, que operam com ocupação abaixo da esperado. Além das grandes distâncias a percorrer, em determinados trechos, a falta do bilhete-integração encarece os gastos com transporte e afasta os usuários.


domingo, 23 de abril de 2017

BLOG URBE CARIOCA COMPLETA CINCO ANOS E TRAZ NOVIDADES!


Internet

Cinco anos! Obrigada, leitores!



Hoje o blog Urbe CaRioca completa cinco anos de sua criação.

Desde o início, nosso espaço busca a troca de informações e opiniões que, através de ações conjuntas, poderão transformar-se em projetos para tornar melhores o cotidiano do Rio de Janeiro - a nossa Cidade Maravilhosa! - e o seu desenvolvimento urbano: esse foi o objetivo, nosso desejo. Um sonho!

Para comemorar todo esse tempo juntos, durante o qual inúmeros temas protagonizaram debates coletivos, estamos preparando uma novidade para os nossos leitores e parceiros.

Além da busca permanente por conteúdos de qualidade, que representem aquilo em que acreditamos ser o melhor para a nossa cidade, nosso blog está sendo reestruturado e, em breve, será reinaugurado como site, com uma linguagem visual mais moderna e atraente, em plataforma funcional, com maior acessibilidade e total integração com as redes sociais, fortalecendo a interatividade com você, amigo leitor que se interessa pela urbe carioca.

O site Urbe CaRioca terá total compatibilidade com todos os tipos de telas, facilitando e aprimorando, inclusive, sua versão mobile, mais ágil e com melhor visualização e fácil navegação.

Teremos postagens com destaques e classificações aprimorados, uma seção dedicada exclusivamente aos artigos dos nossos parceiros e colaboradores e um espaço feito especialmente para a divulgação de comentários e informações de interesse geral sobre a prestação de serviços públicos; pedidos de providências da parte dos gestores públicos; ordem urbana; denúncias sobre obras irregulares e má conservação dos espaços públicos; opiniões sobre leis urbanísticas existentes, em elaboração ou em votação na Câmara de Vereadores.

O Urbe CaRioca contará ainda com uma área para divulgação e eventos relacionados aos temas debatidos – seminários, palestras, lançamentos de livros, etc. -, além de canais de comunicação mais aprimorados e ajustados às novas tecnologias e mídias. Aguardem!

Hoje também é dia de agradecer a todos os que têm apoiado e prestigiado o blog durante estes cinco anos. Afinal, leitores, vocês são a razão de ser destas páginas virtuais e reais ao mesmo tempo!


Urbe CaRioca


A Caneca Urbe CaRioca!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

SOBRE URBANIZAR A FAVELA RIO DAS PEDRAS


Ou, Os gabaritos e os CEPACs. Sempre eles.


Há algo estranho no céu urbano-carioca. Não é um pássaro, nem um avião – como dizia um antigo seriado na televisão -, nem é o Super-Homem: é o super-gabarito, sempre ele, mais recentemente acompanhado de seu inseparável parceiro, o Certificado de Potencial Adicional de Construção, o CEPAC, mecanismo que foi aplicado na Zona Portuária, ainda não plenamente eficaz, e assunto de vários posts neste blog.

O Urbe CaRioca sugeriu ao prefeito do Rio que abandonasse a ideia de aumentar o gabarito das construções na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, mediante a venda dos tais certificados, para, com o dinheiro arrecadado, construir mais uma extensão da Linha 1 + 4 da Estação Jardim Oceânico até o Recreio – v. post METRÔ PARA O RECREIO? CEPACS? PREFEITO NOVO, IDEIAS VELHAS, PROPOSTAS QUESTIONÁVEIS.

Já havíamos pedido que o novo Chefe do Executivo fosse original e deixasse o lugar comum de seu antecessor, responsável por diversas leis urbanísticas prejudiciais à cidade, sempre para aumentar índices construtivos. Por exemplo, no caso do equivocado PEU Vargens – v. PEDIDO AO PREFEITO: 7 – CEPACS? GABARITOS? SR. PREFEITO, SEJA DIFERENTE, NOVO, ORIGINAL!.

Mais uma vez, ele, Sempre o Gabarito!
Mais uma vez, acompanhado dos alardeados Cepacs! A dupla remete exatamente aos itens 7 e 8 da lista de pedidos que está no post da última sexta-feira.”, dissemos em 28 de março último.

Agora, retorna a mesma ideia – aumento de gabaritos (onde?) + CEPACs  – para, com o dinheiro arrecadado, executar a urbanização da favela Rio das Pedras, mais uma triangulação questionável: ‘Para combater desordem, prefeitura pretende urbanizar Rio das Pedras’ (OG, 17/04).

A reportagem abrangente e completa de Selma Schmidt lembra a insalubridade do lugar, os constantes alagamentos, e o esgoto a céu aberto em que se transformou o rio que dá nome à ocupação irregular que nasceu na década de 1970 (o primeiro registro de ocupação é de 1951 – fonte: Instituto Pereira Passos), entre muitos outros aspectos. Menciona que na favela existem edifícios com até 11 andares com apartamentos que custam mais de R$130.000,00. Quase tudo, naturalmente, é irregular. Impressiona a quantidade de estabelecimentos comerciais. Segundo a Associação de Moradores são “780 escritórios e consultórios e 6.798 empreendimentos comerciais, dos quais de quatro mil a cinco mil têm algum tipo de legalização ... bares e restaurantes ... estima que sejam três mil. Salões de beleza são mais de 300. A favela também já teve dezenas de lojas de construção, mas muitos desistiram do negócio por causa da concorrência com dois gigantes ... com preços imbatíveis”.


                 1º Registro                   de ocupação

                                      Histórico


         1951

A área que abrange a comunidade era pantanosa devido à proximidade do Rio das Pedras. Os próprios moradores fizeram os aterros necessários para a construção das suas casas. Em maio de 1964, foram ameaçados de remoção. Pessoas que se diziam donas do terreno tentaram remover os moradores. O governador Negrão de Lima desapropriou o local transformando-a em área de interesse social. Noventa e seis famílias foram beneficiadas. A partir de 1966 houve uma considerável expansão da favela. Por volta de 1981 um novo surto de expansão.

                                                                                              Fonte: Ano - Com base em depoimentos de moradores e líderes comunitários
                                                  Histórico - Com base em depoimentos de moradores e líderes comunitários


O prefeito pretende verticalizar ainda mais o local, medida que foi criticada pelo IAB-RJ, e sugere outras ações estruturais: ‘Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil critica verticalização de Riodas Pedras’ (OG, 17/04).


Segundo dados do IPP, a população passou de 39.506 habitantes - 12.101 domicílios no ano 2000 para 54.776 habitantes -18.692 domicílios em 2010. Segundo a reportagem, a prefeitura estima a população hoje em 80.000 habitantes, número que salta para 144.000 pela voz da associação de moradores local.

Corrigir o que começou erradamente há mais de 40 anos é tarefa hercúlea e quase impossível. Aplica-se a muitas outras favelas gigantescas, verdadeiras cidades dentro da que se chama Cidade do Rio de Janeiro, em especial à favela Rio das Pedras, construída sobre solo instável, terreno pantanoso, de turfa, que exigirá obras vultosas de aterros, drenagem e estabilidade em paralelo ao saneamento.

Quanto aos novos gabaritos trocados por CEPACs “que permitirão construir empreendimentos residenciais e comerciais acima dos atuais gabaritos, em terrenos vazios ou que sejam desocupados na região” (OG), afirmamos, de antemão, que é mais uma ideia equivocada, que nada garante e pode causar prejuízos aos locais escolhidos para o aumento de índices construtivos.

Rio das Pedras precisa de ajuda. Que o caminho escolhido não coloque mais pedras no caminho do desenvolvimento de outro Rio, o Rio de Janeiro como um todo. O alerta vale para todas as ocupações irregulares da cidade.


Urbe CaRioca

quarta-feira, 19 de abril de 2017

PLANETÁRIO DO RIO DE JANEIRO – TOMBAMENTO NÃO GARANTE ATIVIDADE


Planetário do Rio - Imagem: ArtRio


O Planetário do Rio de Janeiro foi inaugurado em novembro de 1970. Portanto, existe há 46 anos. É o que informa o site da Empresa Pública.

Ontem, 18/04, após quase meio século de existência, a grande mídia informou que o equipamento público – que pertence ao Município do Rio de Janeiro – foi construído sobre terreno da antiga CEHAB pertencente ao Estado do Rio de Janeiro e cedido ao primeiro. Mais: que o terreno iria a leilão para pagar uma dívida trabalhista em processo movido por um funcionário contra a CEDAE!

Evidentemente, uma confusão interplanetária, uma ficção científica de quinta categoria que esconde algo mais, provavelmente o modo de levar algum recurso para a combalida caixa do estado - como afirma a reportagem do jornal O Globo -, esvaziada em meio à perda de royalties do Petróleo e a escândalos de corrupção. Segundo a primeira notícia o imóvel está avaliado em R$41,8 milhões, vale R$150 milhões, e a indenização ao funcionário está estimada em R$940 mil, iria a leilão. A manobra geraria um belo troco, e a possível compra do imóvel pelo mercado imobiliário. Ora, quantos terrenos e imóveis o Estado terá disponíveis para venda e quitação da dívida, que não tenham o Planetário da Cidade sobre eles? Quem sabe alguma joia comprada com recursos públicos possa servir?

Evidentemente, o caso não iria adiante dessa forma. Ontem mesmo o juiz titular da 11ª Vara do Trabalho suspendeu o leilão.

Para complicar a batalha, ontem, no mesmo dia 18, um vereador da cidade e um deputado estadual propuseram o tombamento do prédio através de projetos de lei, um na Câmara de Vereadores e outro na ALERJ. O Prefeito do Rio, por sua vez, com uma nave espacial mais veloz – a prerrogativa de editar decretos – providenciou rapidamente o tombamento do imóvel.



Nesta confusão celeste o Secretário cogitou providenciar um terreno do município que seria permutado com o terreno do Planetário, obrigação que a Prefeitura não cumpriu desde que detém a cessão de uso do terreno na Gávea, por contrato de 1986! Ora, independente desse buraco negro, hoje quem tem a dívida é o Estado/Cehab. Cada esfera de governo que cumpra sua obrigação! Que o Estado pague sua dívida com o funcionário e que o Município pague ao Estado - via recursos ou permuta - pelo justo valor de um terreno na Gávea que tem um Planetário sobre ele, e não sobre um hipotético aproveitamento com a construção de condomínios, impossível devido à existência daquele equipamento urbano.

São muitos equívocos de gestores públicos ao longo de décadas.

Um, em especial, chama a atenção: infelizmente, mais uma vez trata-se de mau uso do instituto do tombamento. Tombamento não garante atividade, mil vezes já disse este blog. E também não impede a venda do imóvel tombado. Neste caso, o instituto servirá apenas para que o leilão – novamente marcado – não tenha interessados.

Quem quereria comprar o Planetário do Rio? Pensando bem, dá para dividir o terreno: prédios de frente para a Rua Marquês de São Vicente, esquina com Rua Vice-Governador Rubens Berardo, e prédios de frente para a Rua Vice-Governador Rubens Berardo a partir do prédio do Planetário até à parte voltada para a Av. Padre Leonel Franca.

O decreto deveria ter mencionado especificamente a proteção da área que envolve o prédio do Planetário. Apenas “imóvel” pode dar margem a outras interpretações.


Urbe CaRioca


Notas:

- A legislação urbanística para o bairro da Gávea é definida pelo Decreto nº 2.735 de 20 de agosto de 1980. Consta que o gabarito máximo de altura para construir é de quatro andares de qualquer natureza, em prédios afastados das divisas.
- Em 2008 foi inaugurado o Planetário de Santa Cruz, com o equipamento antes utilizado no Planetário da Gávea, que foi substituído por um novo .


O decreto de tombamento

DECRETO RIO Nº 43039 DE 18 DE ABRIL DE 2017 (Publicado no DOM de 19/04/2017)
Determina o tombamento provisório do imóvel do Planetário da Gávea, situado na Rua Padre Leonel Franca, 240 e Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100, Gávea – VI RA.
O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor,
CONSIDERANDO o valor arquitetônico do referido bem, representante da arquitetura moderna e projeto dos irmãos Renato e Ricardo Batalha Menescal;
CONSIDERANDO a importância do equipamento cultural inaugurado em 19 de novembro de 1970 para divulgação da cultura, ciência e astronomia à população carioca e visitantes;
CONSIDERANDO a necessidade de salvaguardá-lo de ações que prejudiquem sua integridade.
DECRETA:
Art. 1º Fica tombado provisoriamente, nos termos do Art. 5º da Lei 166 de 27 de maio de 1980 e do Art. 134 da Lei Complementar nº 111 de 1º de fevereiro de 2011, o imóvel do Planetário da Gávea situado na Rua Padre Leonel Franca, 240 e Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100, Gávea – VI RA.
Art. 2º Quaisquer intervenções físicas a serem realizadas no bem tombado deverão ser previamente aprovadas pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2017; 453º ano da fundação da Cidade.
MARCELO CRIVELLA

segunda-feira, 17 de abril de 2017

À PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO, PARA CUIDAR DAS PESSOAS, EM BOTAFOGO


E uma triste realidade carioca,
na linda e triste poesia de Alberto Cardoso.
  

Lapa, à noite. Imagem: Revista Trade Clube

No último dia 14 a Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo - AMAB, Regina Chiaradia, publicou uma lista de ruas, praças e jardins situados no bairro, onde existe grande concentração de moradores de rua.

Quase simultaneamente, Alberto Cardoso transformou em poesia o quadro que encontrou caminhando pela urbe carioca, desde a região da Cruz Vermelha até o bairro do Catete. Entre tantas faces estão a dos “carros de polícia que zelam parados pela paz do crime”, e a das “gentes nas filas nas portas dos shows” que “nem incomodam os que dormem”.

A seguir a poesia, e, em seguida, a lista da AMAB.

A Cidade e suas gentes precisam realmente de cuidados.

Urbe CaRioca


Arcos da Lapa - Foto: Alberto Cardoso, 2011


Da Cruz Vermelha ao Catete

Alberto Cardoso

Putas baratas, mendigos nas portas
Bares cheios
Tanta gente nas ruas
dormindo
Nem todos estarão mortos
no mês que vem
Nem todos vão se molhar
quando começar a chover

Tanta gente procurando o futuro
nos sacos de lixo
Tanta gente nos bares
Nem todos vão deitar sós
Tanta gente bebendo
Nem todos
vão
Continuar tristes

Gentes nas filas nas portas
dos shows
Nem incomodam os que dormem
Na calçada

Tantas latinhas catadas
Nos sacos pretos enormes
que perambulam
Nas costas magras
Tanta gente se mostrando
Ninguém se vê

Táxis e táxis esperando
Enfileirados
Pra quando acabarem
As festas
Os shows
As ‘naites’
nas velhas ruas
Onde, de novo, só os bares
Tanto álcool
Luz e barulho

Travestis seminuas
Siliconadas
fantasias
De homens
Que gostam
De homens
Que fingem

Luzes luzem em cima
Dos carros de polícia
que zelam
Parados
Pela paz do crime
passo
Passeio
pela cidade onde já fui
Tantos

Ruas onde morei
em tempos de outros
Eus
Ruas em que passei
Carregando livros
Fartos
Responsabilidades
Sonhos

Rua onde nasci
Ruas onde já foi o mar
Onde já trabalhei
Onde o gato pulou do motor
na hora em que liguei o carro
E fui

_________________________________________________________



                                                        
Moradores de rua em Botafogo, abril 2017

Mapeamento das áreas de Botafogo e Humaitá com grande concentração de população em situação de rua

Regina Chiaradia


- Viaduto Santiago Dantas na Praia de Botafogo que dá acesso a Rua Pinheiro Machado.
- Imediações da basílica Imaculada Conceição na Praia de Botafogo.
- Nos jardins em frente ao Edifício Argentina na Praia de Botafogo.
- Na Praça Nicarágua.
- Na Praça Marinha do Brasil.
- Na Praça Chaim Weizmann, na Rua Farani.
- Na Praça Nelson Mandela.
- Na Praça Mauro Duarte.
- Na Rua Voluntários da Pátria, esquina com Nelson Mandela (do outro lado da praça).
- Na Cobal do Humaitá.
- Em frente ao prédio da CEDAE na Rua Mena Barreto, 76.
- Rua Voluntários da Pátria, na altura da Cobal.
- Em frente ao Colégio Santo Amaro, na Rua Dezenove de Fevereiro 170, quase esquina com General Polidoro.
- Em frente ao Supermercado Campeão e ao Shopping dos Sabores, na Rua General Polidoro.
- Rua Voluntários da Pátria, bem em frente a C&A.
- Rua Voluntários da Pátria com a Rua Dezenove de Fevereiro, na lateral do restaurante KFC.
- Rua Voluntários da Pátria, esquina com a Rua General Dionísio, em frente as Lojas Americanas.
- Rua Muniz Barreto, perto do Botafogo Praia Shopping.
- Rua Martins Ferreira, esquina com Voluntários da Pátria.
- Rua Dona Mariana, esquina com a Rua Voluntários da Pátria (próximo à padaria).
- Rua Sorocaba, esquina com Rua Voluntários da Pátria.
- Rua das Palmeiras em frente aos Correios.
- Em frente ao Supermercado Pão de Açúcar, na Voluntários com Dona Mariana.
- Praça do Largo dos Leões, no Humaitá.
- Rua Barão de Lucena quase esquina com São Clemente (em frente a clínica odontológica que fechou).
- Rua Guilhermina Guinle quase esquina com a Rua São Clemente (em frente ao Refricentro).
- Rua Theodor Hersl, no meio do quarteirão.
- Em frente ao Spoleto, na Rua Voluntários da Pátria.
- Em frente a um terreno baldio, na Rua Humaitá 77.
- Rua Mena Barreto entre Dona Mariana e Sorocaba. Furnas.
- Rua Conde de Irajá coma Rua Voluntários da Pátria em frente ao prédio da Rio Urbe.
- Rua Voluntários da Pátria 231.
- Rua Ministro Raul Fernandes nº 120, em frente ao portão da Light.
- Em frente ao Shopping Rio Sul e também em frente ao Pinel.
- Rua Arnaldo Quintela, próximo ao número 10 - especificamente em frente à loja Kia. Quase na esquina com a Rua da Passagem.
- Nas escadas ao lado do túnel do Pasmado.
- Rua São Manuel.
- Rua General Góis Monteiro, 125 (calçada da Concessionária Citröen).
- Rua Bambina, bem no início, quase esquina com São Clemente.

Moradores de rua em Botafogo.
Foto: AMAB

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A NOVA MODA: UM CONSELHO DA MODA NA URBE CARIOCA


Ou, E o Urbanismo?

Linha, Agulha e Tesoura de Costura - internet


Alguém disse que o novo governo da prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro ainda não começou. Depende do ponto de vista.

Quanto ao Urbanismo e a mobilidade urbana, podemos dizer que começou, sim. Começou mal. Desde a ideia de cobrar pedágio na Linha Vermelha até à de estender o metrô-tripa até o Recreio dos Bandeirantes. Nunca é demais lembrar que a cidade não possui uma rede de Metrô, mas, praticamente uma linha única – a tripa - que une as Linhas 1, 2 e 4 para dar a volta ao Rio enorme volta, passando pela Zona Norte, Centro, Zona Sul e início da Zona Oeste (Jardim Oceânico, Barra da Tijuca). Ainda neste aspecto, o Secretário de Urbanismo anunciou que retiraria da Câmara de Vereadores os inúmeros projetos de lei complementar, encaminhados pela gestão anterior, para serem revistos, o que poderá ser uma boa medida, conforme o que mudar: sabe-se que todas as propostas tratam de aumentar índices construtivos – para maior – neste Rio já tão adensado! Aguardemos propostas mais responsáveis e benéficas para a cidade, não apenas visando a arrecadação, tônica de todos os PLCs.

Ontem o País, Estado e Município voltaram às páginas da grande mídia com temas relevantes e assustadores, tal o montante de verbas públicas desviadas exatamente por quem desses recursos cuidar, em favor da população, cabendo lembrar que há que aguardar o resultado das investigações e prováveis julgamentos dos citados.

Curiosamente, no mesmo dia, o Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro publicou um decreto inusitado. Trata-se do Conselho Municipal da Moda, cuja criação “tornou-se imperativa”, segundo o decreto.

Para o mundo da Moda, o governo começou.

É inquestionável a importância do setor para a economia, assim como é claro que o setor sempre demonstrou ter força e através de seus criativos empreendedores. Será necessário um Conselho para intervir?

Causa estranheza que com tanto a fazer pelo Rio, a cada dois meses pelo menos quatro servidores municipais se reúnam para discutir calendários, políticas e ações de estímulos à Moda e outras atividades para “promover, incentivar, desenvolver e dar sustentabilidade” ao setor. Que não proponham isenções fiscais! Ao contrário, que se exija, por exemplo, a emissão de notas fiscais, figuras raras no varejo!


OS 10 PRIMEIROS PEDIDOS AO NOVO PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO – RESUMO (24/03/2017, Blog Urbe CaRioca)


Para além do mundo da Moda, é hora de recordar OS DEZ PRIMEIROS PEDIDOS AO NOVO PREFEITO DO RIO, desejando que, ao contrário do que disse a grande mídia o governo municipal comece e seja efetivo, que entre na moda cuidar das escolas, dos hospitais, das áreas públicas, do meio ambiente, e do bom urbanismo.

Que costure nossa cidade partida. Que as linhas sejam as de um bom sistema de transportes e de um Metrô em rede. Que os caminhões vestidos de ônibus sejam substituídos gradativamente por ônibus de verdade, confortáveis como um bom tecido, macios e silenciosos como um bom sapato.

Essa moda é primordial.

Urbe CaRioca

Nota: O decreto da moda está no final do post.

Trajeto dos antigos bondes na Cidade do Rio de Janeiro