domingo, 30 de agosto de 2015

RIO BRANCO x PRIMEIRO DE MARÇO - DOMINGOS NA URBE CARIOCA


RUA DIREITA, A PRINCIPAL RUA DO RIO COLONIALRua Direita do Rio de Janeiro em aquarela de Thomas Ender. ACG01828. BANDEIRA, Júlio; WAGNER, Robert. Viagem ao Brasil nas aquarelas de Thomas Ender: 1817-1818. Petrópolis: Kappa Editorial, t.2, p. 405. Imagem e legenda reproduzidas do blog Rio 450. 


Notícia publicada ontem no jornal O Globo informou que no próximo 06 de setembro a Praça Mauá, que integra as obras de reurbanização da Zona Portuária, será reinaugurada, e a Avenida Rio Branco ficará fechada para veículos todos os domingos. Segundo a reportagem o Prefeito do Rio pretende “transformar a via num grande corredor cultural, por onde os pedestres poderão circular e conhecer melhor o patrimônio histórico da cidade”.

Projeto Porto Maravilha

A escolha da Avenida idealizada por Pereira Passos e inaugurada em 07/09/1904 leva a algumas questões. Por exemplo: o Veículo Leve sobre Trilhos - VLT também não vai funcionar aos domingos para evitar conflitos e acidentes com pedestres e ciclistas? Se funcionar, as pistas para lazer serão separadas fisicamente da faixa do VLT?



As construções antigas da época da inauguração da Avenida desapareceram ao longo do Século XX, salvo exceções no entorno da Cinelândia e a antiga Casa da Moeda e a sede do IPHAN. Nesse aspecto, a Rua Primeiro de Março é um sítio histórico preservado repleto de construções tombadas e de outros bens culturais importantes. Ladeada por diversas igrejas, inclusive a antiga Catedral da Sé, recentemente restaurada, integra o Corredor Cultural - uma das primeiras Áreas de Proteção do Ambiente Cultural – APACs - da cidade. A antiga Rua Direita ligava o Morro do Castelo e o Morro de São Bento, tem valor representativo ímpar e muito a contar aos cariocas e visitantes.

O Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB e vários urbanistas haviam sugerido que o VLT passasse para Rua Primeiro de Março e o número de veículos e ônibus nessa via diminuísse para evitar danos aos bens históricos, ideia infelizmente não acolhida pela Prefeitura.

Diante desse quadro seria melhor fechar a Primeiro de Março aos domingos desde resolvida a questão viária (e sábados à tarde, por que não?), dando maior liberdade para o acesso de visitantes aos vários museus, centros culturais, igrejas, e à Praça XV, onde já foram encontrados mais pisos “pé-de-moleque", tal como no Cais do Valongo e na Rua da Constituição.





ESCAVAÇÕES NA PRAÇA XV MOSTRAM O RIO ANTIGO - O PASSADO AFLORA DURANTE OBRAS DE REURBANIZAÇÃO NA URBE CARIOCA. Fotos de Alberto Cardoso, 26/08/2015


Outros trajetos de ciclovias e ruas de pedestres indicados fariam ligações com diversos setores importantes. Por exemplo (1) Cinelândia - Biblioteca Nacional - Museu de Belas Artes - Teatro Municipal - Arcos da Lapa; (2) Museu da Imagem e do Som -  Museu Histórico Nacional - Albamar - nova orla*; (3) Rua São José - Rua da Carioca - Praça Tiradentes - Praça da República; e (4) Candelária - Arsenal de Marinha - Morro de São Bento - Praça Mauá - Valongo.

Um ditado popular diz que há males que vêm para o bem. Ao insistir no VLT pela Avenida Rio Branco a Prefeitura pode ter resguardado um belo circuito histórico, um corredor cultural pronto, patrimônio que atrairá vida para o Centro do Rio nos fins de semana.

Fica registrada a sugestão deste blog.


Urbe CaRioca
NA ZONA PORTUÁRIA DO SÉCULO XX, NA AVENIDA RIO BRANCO, NA RUA DA CONSTITUIÇÃO E, AGORA, NO CORAÇÃO DO RIO, PALCO DO BRASIL COLÔNIA, DA REALEZA, E DO IMPÉRIO



RUA DIREITA, ATUAL RUA PRIMEIRO DE MARÇO
Hildebrandt, Eduard - Aquarela  24,6 × 35 cm - 1844
Internet



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

PÉS-DE-MOLEQUE AGORA NA PRAÇA XV


NA ZONA PORTUÁRIA DO SÉCULO XX, NA AVENIDA RIO BRANCO, NA RUA DA CONSTITUIÇÃO E, AGORA, NO CORAÇÃO DO RIO, PALCO DO BRASIL COLÔNIA, DA REALEZA, E DO IMPÉRIO

Antigo Mercado Municipal, Praça XV
Internet

O post O PASSADO RESSURGE NO CAMINHO DO VLT, do último dia 10, teve grande repercussão. O tema do artigo do historiador Marcus Alves foi uma descoberta na Rua da Constituição, Centro do Rio de Janeiro, divulgada por ele e demais membros do grupo S.O.S. Patrimônio nas redes sociais: o belo piso “pé-de-moleque” que ficou à mostra depois das escavações para retirada dos antigos trilhos de bonde do século XX capeados pelo asfalto quando aquele meio de transporte foi eliminado na cidade nos anos 1960, exceção para o bairro de Santa Teresa. Ironicamente a obra se deve à instalação dos novos trilhos que receberão os trens do VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos, um bonde no século XXI.

Depois do Cais do Valongo, da Avenida Rio Branco, e da Rua da Constituição, novidades também surgem na região da Praça XV de Novembro.

No último dia 24 as professoras do DHT - Departamento de História e Teoria da UFRJ Niuxa Drago, Maria Clara Amado, Helenita Bueno, Silvana Nicolli e Juliana Guerra visitaram as obras nas imediações da Praça XV. Niuxa Drago, também membro do grupo S.O.S. Patrimônio, fez o seguinte relato:


Na altura do antigo terminal, ao lado do Museu Histórico Nacional e em frente ao Museu da Imagem e do Som, há uma escavação muito profunda, onde é possível ver vários estratos arqueológicos.

A obra foi feita rapidamente, pois havia passado ali poucos dias antes e nada chamava a atenção. As várias estruturas aparentes que podem ser vistas nas duas fotos que tirei são intrigantes.

Praça XV de Novembro, Centro, Rio de Janeiro
Foto: Niuxa Drago, 24/08/2015

Na primeira foto há três pisos identificáveis - um de ladrilho, outro de paralelepípedo e, mais abaixo, o de pé de moleque. No fundo há uma espécie de muralha ou quebra mar (antigo porto?).



Praça XV de Novembro, Centro, Rio de Janeiro
Foto: Niuxa Drago, 24/08/2015

A segunda foto mostra um pequeno pátio de pé de moleque com uma escada ao lado e uma grande peça de granito pousada ali, que pode ter pertencido a uma edificação. Salvo engano, no local ficava o antigo Largo do Moura, e como a escavação está muito profunda, podem ser estruturas do século XVIII, pois parecem estar bem abaixo do nível do antigo mercado (talvez o piso de ladrilhos mais acima seja do antigo mercado).

É importante que historiadores, arqueólogos e ou outros especialistas visitem na área o mais rapidamente possível, pois as obras feitas “a toque de caixa” farão essa parte da memória urbana do Rio, agora visível, desaparecer mais uma vez.


Em meio a tantas obras realizadas em nome dos Jogos Olímpicos 2016, muitas polêmicas e questionáveis é inegável que a demolição do Elevado da Perimetral e as respectivas obras de reurbanização fizeram o Rio Antigo aflorar. Espera-se que os gestores públicos tenham sensibilidade e respeito para com a memória da cidade e aproveitem essa oportunidade única.

Os elos coloridos dos Jogos são temporários. A ser mantido, o elo com o passado do Rio revivido pelos achados arqueológicos talvez seja o verdadeiro legado das muitas intervenções “pra Olímpíada”!


Urbe CaRioca


Rua da Constituição, Centro, Rio de Janeiro
Foto: Marcus Alves, 12/08/2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

QUESTIONAMENTOS SOBRE O NOVO PACOTE DE LEIS URBANÍSTICAS PARA O RIO




Sobre as normas que o Poder Executivo, no post do último dia 24/08 - MAIS UM PACOTE DE LEIS URBANÍSTICAS PARA O RIO DE JANEIRO – comentamos: 

É possível afirmar que as medidas, apresentadas como portadoras de melhorias gerais para a cidade e sua população, também levarão mais benesses para o mercado imobiliário: é o que se depreende do que o texto jornalístico apresenta, e que não surpreende, a considerar as propostas enviadas para os vereadores nos últimos anos - desde o Plano Diretor que deu origem à Lei Complementar nº 111/2011, a lei para Barra, Jacarepaguá, Recreio e região das Vargens, e para a Zona Portuária, até os pacotes “pra Olimpíada” e os vários PEUs.”

 

Esse aspecto foi abordado também pela Newsletter Ex-Blog em 24/08/2015 conforme análise reproduzida abaixo:


PREFEITURA DO RIO LANÇA MAIS UM PACOTÃO DIRECIONADO AO MERCADO IMOBILIÁRIO! UM ANO ANTES DAS ELEIÇÕES!
       
1. Em nome da ocupação de imóveis vazios ou subaproveitados e das necessidades habitacionais no Centro, Zona Norte e, claro, Zona Sul, a prefeitura do Rio lança mais um pacote de leis com incentivos urbanísticos e tributários. São projetos de lei que não podem ser aprovados com um rolo compressor, pois exigem análises técnicas, patrimoniais e interesse efetivo dos moradores e proprietários em áreas atingidas.         
2. Criar um fundo para construir e subsidiar moradias na área portuária é um exemplo, na medida em que o setor residencial/comercial desses bairros é protegido por uma APAC: SAGAS (Dec. 7351 – 88 e Lei 971-87. Esta APAC, consolidada pelo Decreto 7351/1988, incorpora três bairros antigos do Rio de Janeiro: Saúde, Gamboa, Santo Cristo e parte do Centro, cujas iniciais foram utilizadas para formar a sigla SAGAS. Sua ocupação expandiu-se a partir da construção da Igreja de N.S. Saúde, no início do século XVII).         
3. Autorizar a construção de prédios de 6 andares sem elevador é excluir nos andares superiores a mobilidade de pessoas muito idosas e pessoas com deficiência. “IPTU Progressivo: Será pedida prioridade para a votação de um projeto que trata da cobrança de IPTU progressivo de imóveis vazios e subutilizados, inclusive os tombados e preservados.” Isso não levará a sua ocupação num momento de crise como o que atravessamos. Das duas uma: ou o poder público assumirá esses imóveis em leilão ou o setor privado fará ótimos negócios com o proprietário asfixiado.       
4. “Será pedida urgência na votação de um projeto que concede isenção de ITBI, de IPTU (por cinco anos) e de ISS (serviços de obras) para o aproveitamento de imóveis abandonados ou com intervenções paradas.” Se o imóvel está abandonado, seus impostos estão na dívida ativa, ou seja, será uma espécie de remissão. Se há intervenções paradas, que critério será usado para o benefício fiscal? Poderá ser até um estímulo a interromper obras.     
5. “Será pedida prioridade para a votação de um projeto que permite a transformação de uso de imóveis residenciais tombados e preservados. Eles passariam de unifamiliares para multifamiliares ou hospedagem turística. Esses imóveis poderiam ainda abrigar museus, bistrôs, livrarias, consultórios, ateliês, escritórios de arquitetura e design.” Em muitos casos haverá uma mudança de área residencial para comercial/residencial. Restaurantes e Hotéis (bistrôs e hospedagem turística), alteram substancialmente o movimento na área. Exigem ampliação dos serviços de segurança e de limpeza e a revisão das redes de drenagem e de esgoto. E, claro, a vida das pessoas que devem ser consultadas.         
6. Como os textos dos projetos de lei só agora serão apresentados à Câmara Municipal e na medida em que o executivo conta com uma maioria passiva de 80% dos vereadores e que a divulgação geral das medidas como sempre doura a pílula, é imprescindível que o as Faculdades de Arquitetura e Urbanismo, o IAB, blogs especializados, arquitetos e urbanistas com foco patrimonial e histórico, e os moradores através de audiências públicas e debates locais, participem e intervenham para que não seja mais um pacote de especulação imobiliária com umas cerejas sociais para agradar os distraídos. Espera-se que não se negue aos vereadores o direito de apresentar emendas impedindo assinaturas e, com isso, pavimentando as aprovações com rolo compressor.


No dia seguinte à reportagem de domingo no jornal O Globo, o mesmo veículo repercutiu entre ‘especialistas’ conforme a notícia Medidas para incentivar projetos em áreas ociosas geram dúvidas - Projetos para ocupar a cidade devem ser transparentes e precedidos de amplo debate, dizem especialistas.
Internet

É assunto para ser analisado e debatido à exaustão, vale repetir.

Além das questões preliminares listadas no texto de segunda-feira, dia 24/08, perguntamos ao caro leitor o que pensa sobre novas leis urbanísticas que permitem construir prédios de 6 andares sem elevador. Se for para os menos abastados, é adequada tal imposição? Atualmente podem ser erguidos prédios sem elevador com no máximo quatro andares. Talvez esse item seja o “bode” do novo pacote, a ser retirado enquanto outras medidas questionáveis menos visíveis são aprovadas.

Urbe CaRioca


terça-feira, 25 de agosto de 2015

O CAMPO DE GOLFE, DITO OLÍMPICO, NA TV ALEMÃ ZDF - VÍDEO

Área retirada do Parque Municipal Ecológico Marapendi, reserva ambiental integrante da Área de Proteção Ambiental Marapendi, para a construção de um Campo de Golfe: aproximadamente 450.000,00 m², ou, 45 ha. Nessa medida está incluída a parte de 58.000,00 m² doada ao antigo Estado da Guanabara, portanto área já tornada pública e pertencente ao Parque. o restante seria obrigação do empreendedor dos condomínios Riserva também passar para a Prefeitura como parte do processo de licenciamento para construir, obrigação esta que, junto com a de construir a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, foi dispensada em mais uma benesse urbanística prejudicial à cidade com a qual proprietários do terreno e construtores foram agraciados, entre outros favores.




PACOTE OLÍMPICO 2 - O CAMPO DE GOLFE E APA MARAPENDI está entre as publicações mais lidas deste blog urbano-carioca desde a sua criação, em abril/2012.

O post é de 15 de novembro daquele ano. Para os novos leitores e para os que não conhecem o assunto, o artigo inicial é explicativo e analítico.

Mais recentemente, o caso chegou à mídia internacional, culminando com a estranha declaração do alcaide que afirmou odiar ter feito o campo – e que não queria construí-lo – no que foi imediatamente desmentido pelo presidente do COI.

Mais uma vez a polêmica sobre obra para o Campo que invadiu e mutilou uma reserva ambiental – o Parque Municipal Ecológico Marapendi, na Barra da Tijuca – sai das terras cariocas para o exterior.

O vídeo abaixo está disponível no canal ZDF, emissora de televisão alemã.




                                       



As postagens de nov./2012 a dez./2014 sobre o caso do Campo de Golfe estão listadas em GOLFE - MUITAS FACES, UMA SÓ MOEDA, de 30/12/2014, assunto que também constou da última CrôniCaRioca daquele ano: EXTRA! EXTRA! PÃO DE AÇÚCAR SERÁ DEMOLIDO!

Já os posts de 2015 estão reunidos em O CAMPODE GOLFE DITO OLÍMPICO E A CORUJA-BURAQUEIRA, publicado em julho.
Desde a criação da Página Urbe CaRioca no Facebook também são divulgados naquela rede social.
Que fique para registro. A obra inaceitável está praticamente pronta.


Urbe CaRioca

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

MAIS UM PACOTE DE LEIS URBANÍSTICAS PARA O RIO DE JANEIRO



Um novo pacote de leis urbanísticas está a caminho. Segundo reportagem de Selma Schmidt ontem no jornal O Globo, de sete projetos de leis complementares, quatro serão enviados pelo Executivo à Câmara de Vereadores e três são de 2012 (Prefeitura lança medidas para incentivar projetos em áreas ociosas - Centro do Rio tem mais de 600 lojas fechadas).


É possível afirmar que as medidas, apresentadas como portadoras de melhorias gerais para a cidade e sua população, também levarão mais benesses para o mercado imobiliário: é o que se depreende do que o texto jornalístico apresenta, e que não surpreende, a considerar as propostas enviadas para os vereadores nos últimos anos - desde o Plano Diretor que deu origem à Lei Complementar nº 111/2011, a lei para Barra, Jacarepaguá, Recreio e região das Vargens, e para a Zona Portuária, até os pacotes “pra Olimpíada” e os vários PEUs.


Por isso tão importante quanto conhecer o texto é buscar as entrelinhas, onde moram as reais intenções do legislador: exemplos foram os casos do Campo de Golfe dito olímpico e do Parque Nelson Mandela, apresentados como redentores para o Rio, mas, nada além de grandes negócios imobiliários à custa de mudanças nas leis urbanísticas e ambientais vigentes. O mesmo pode ser dito sobre a lei das quitinetes para o Porto, disfarçadas de habitação popular.



Os PLCs devem ser estudados, debatidos e analisados em profundidade. Conforme temos reiterado quanto às propostas para o PEU da Ilha do Governador, a instituiçãodo ‘Direito de Superfície’ (negócios imobiliários/imbroglio jurídico), os gabaritos novos ao longo da Transcarioca, e outras, é fundamental (1) a participação de instituições afins, universidades e associações de moradores nos debates; (2) difundir as informações e conclusões; e (3) cuidar para que o novo pacote salvador não desvie o foco de outros assuntos importantes, também em tramitação na Câmara, que podem ser aprovados em breve.

Convidamos o leitor ao debate com algumas questões iniciais: (a) O que a Prefeitura entende por áreas ociosas? (b) ao ‘permitir’ apartamentos no andar térreo (o que não é proibido) este andar passará a contar no gabarito máximo, diminuindo-se o número total de pisos, e na área máxima de construção? (c) Por que o morador de prédio popular será submetido a subir 6 andares de escada? (d) Se o proprietário particular de imóveis sem uso ou abandonados sofrerá sanções, o que se pretende fazer em relação a próprios municipais, estaduais e federais que estejam na esma situação? (e) A contrapartida na forma de construir prédios populares poderá ser substituída por doação em espécie, conforme tem sido feito no caso de outras obrigações dos empreendedores desde o PEU Vargens? (f) Como se explica que imóveis abandonados/vazios possam ficar isentos de IPTU ou sofrer a aplicação do IPTU progressivo? (g) Devido à crise econômica que se abate sobre o país, que por certo influencia o aumento de imóveis vazios, é este o momento para as sanções? (h) As sanções serão aplicadas a unidades residenciais e comerciais vazias (apartamentos, casas, lojas e salas comerciais) isoladamente?

Abaixo, trecho da reportagem citada, itens que serão comentados preliminarmente nas próximas postagens.

Urbe CaRioca

Internet


(O GLOBO, 23/08/2015) ALGUMAS PROPOSTAS

Estímulo à produção de moradia
Custo: Um projeto dispensa a construção de apartamento para zelador, alojamento e vestiários para funcionários e área de recreação (prédios com até cem apartamentos). Independentemente do número de unidades, edifícios de até seis andares não precisam ter elevador. Mesmo com estacionamento, o térreo poderá ter residências. Nos bairros atendidos por metrô, trens ou BRTs, basta uma vaga de garagem por apartamento. São obrigatórias a implantação de bicicletário para 20% das unidades, a arborização da calçada em frente ao prédio e a adoção de medidas para o uso racional da água.
Contrapartida: Outro projeto permite que a prefeitura determine que a contrapartida para licenciar a construção de imóveis residenciais, com mais de 500 unidades, e comerciais, com mais de dez mil metros quadrados, seja a doação de moradias populares no mesmo bairro do empreendimento. As residências podem ser em edificações novas ou reformadas.
Aproveitamento: Será pedida urgência na votação de um projeto que concede isenção de ITBI, de IPTU (por cinco anos) e de ISS (serviços de obras) para o aproveitamento de imóveis abandonados ou com intervenções paradas. O pedido de licenciamento da obra deve ser feito em até 24 meses após a sanção da lei.

Incentivos a negócios populares
Isenção: Para estimular a permanência do comércio tradicional, um projeto isenta de IPTU lojas de frente para a rua, que abriguem serviços e atividades como cinema, livraria, sapateiro e açougue. A medida não contempla estabelecimentos como shoppings, redes e franquias.

Transformação de uso
Preservação: Será pedida prioridade para a votação de um projeto que permite a transformação de uso de imóveis residenciais tombados e preservados. Eles passariam de unifamiliares para multifamiliares ou hospedagem turística. Esses imóveis poderiam ainda abrigar museus, bistrôs, livrarias, consultórios, ateliês, escritórios de arquitetura e design, entre outras atividades, desde que essa seja uma opção para a sua recuperação.

Combate a imóveis ociosos
IPTU Progressivo: Será pedida prioridade para a votação de um projeto que trata da cobrança de IPTU progressivo de imóveis vazios e subutilizados, inclusive os tombados e preservados. A proposta vale para o Centro e as zonas Norte e Sul. Uma emenda a ser apresentada estabelece regras. Os proprietários terão um ano após a notificação para utilizar o imóvel ou protocolar um pedido de licença para parcelamento do solo, construção, reforma ou restauração da edificação. Terão dois anos após a concessão da licença para iniciar as obras e cinco para concluí-las. O IPTU progressivo começa com 2,4% do valor venal (residências), 5,5% (comércio) e 6% (terrenos). Em 5 anos, chega a 15%.

Imobiliária Social Carioca
Aluguel subsidiado: Um projeto cria o Fundo Municipal de Locação de Interesse Social. O objetivo é aumentar a oferta de imóveis residenciais e comerciais (negócios populares e tradicionais) para aluguel subsidiado no Centro, Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Lapa, São Cristóvão e Benfica. Os benefícios serão dados a famílias com renda de até R$ 5 mil, que trabalhem na região, e comerciantes e pequenos empresários com negócios na área.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O MÊS NO URBE CARIOCA – MAIO 2015



Caros leitores,

Em MAIO tivemos artigos importantes de Jean Carlos Novaes e Sonia Peixoto, sobre questões ambientais, jurídicas e administrativas relacionadas ao Parque Nelson Mandela – o “Parque das Benesses Urbanísticas” – e o caso do Campo de Golfe construído em área de reserva ambiental. Mais uma vez, agradecemos por colaborarem com o Urbe CaRioca.

Hotel Nacional, novos questionamentos sobre o Golfe dito olímpico, o problema das águas poluídas na cidade, a Região das Vargens, e o Metrô, estiveram entre os temas analisados e discutidos.

Um destaque foi o resultado das atividades do grupo S.O.S. Patrimônio que levaram à ALERJ e à grande imprensa a situação precária de dezenas de bens culturais fluminenses e cariocas. Neste tema, a APAC de Botafogo pode estar em risco.

E, não podemos esquecer que mães sempre são pioneiras, inclusive as Mães CaRiocas, é claro!


Notas:

1 - Devido ao comentário divulgado na Coluna Ancelmo Gois do jornal O Globo em 26/05, o post de 2013 VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO - PELA DEMOLIÇÃO, OU... voltou a ser um dos mais lidos nos últimos dias do mês.

2 - Em setembro acontecerão as oficinas sobre o Plano de Manejo o chamado Parque Nelson Mandela, neste blog rebatizado de "Parque das Benesses Urbanísticas". Lista das postagens sobre o tema reunidos AQUI.

Oficinas do PNM Nelson Mandela, na sede do Parque de Marapendi
2/9 e 3/9 - oficinas de diagnóstico (dia inteiro)
7/10 - oficina de especialistas (dia inteiro)

4/11 e 5/11 - oficinas de planejamento (dia inteiro)

Urbe CaRioca



Artigo - DE MAR A MAR, MODERNIDADE E TRADIÇÃO: CIDADE E CAMPO NO RIO DE JANEIRO, de Cleia Schiavo Weyrauch

O PRÉDIO DO FLAMENGO, OUTRA VEZ



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O METRÔ QUE O RIO PRECISA – O QUE ESPERAR APÓS AS OLIMPÍADAS



O movimento O METRÔ QUE O RIO PRECISA defendeu a construção da Linha 4 original com trajeto pelos bairros de Laranjeiras, Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico e Gávea, e, a partir desta estação em direção à Barra da Tijuca, ao invés da simples extensão da Linha 1, ou, a "falsa Linha 4" como divulgamos em diversas postagens neste blog.

A página do grupo na rede social Facebook publica análises sobre este modal tão importante e necessário para a Cidade do Rio de Janeiro e Região Metropolitana.

Reproduzimos a seguir texto divulgado no último dia 17/08, antevisão detalhada sobre o funcionamento do Metrô carioca na “Era pós-Olimpíadas”.

Boa leitura.

Urbe CaRioca



Metrô que o Rio Precisa

O METRÔ QUE O RIO PRECISA – O QUE ESPERAR APÓS AS OLIMPÍADAS

Para 2016 não esperamos muitas novidades significativas no Metrô do Rio. De fato, chegar à Barra - com atraso de seis meses em relação ao prazo inicial - será um marco histórico e uma pequena novidade momentânea. Mas, assim que passar o “oba-oba” da inauguração voltaremos à programação comum de paradas para aguardar o tráfego à frente, intervalos longos, com trens e estações lotados nos horários de pico.

Por falar em trens lotados...

Hoje o intervalo da Linha 1 é de aproximadamente 5 minutos, o que oferta uma capacidade em torno de 24 mil passageiros/hora-sentido: essa capacidade equivale à da Linha 2. Os trens que saem de Ipanema no pico da tarde costumam chegar a Botafogo abarrotados. Felizmente, ou não, muitos passageiros saltam nessa estação - que não foi preparada para baldeação - e esperam os trens da Linha 2. Porém, os trens da Linha 1 voltam a encher-se nas estações seguintes, enquanto os trens da Linha 2 saem lotados de Botafogo e ao chegarem ao Centro da cidade não conseguem absorver o número de passageiros que também aguardam.


Após a extensão da Linha 1 até o Jardim Oceânico, na Barra, os intervalos continuarão os mesmos, visto que o “congelamento” dos intervalos se deve ao fato de que a Linha 2 “entra” na Linha 1 pela rampa de acesso construída com a única função de permitir a saída dos trens para as oficinas. Devido aos mesmos longos de 5 ou 6 minutos entre a chegada dos trens, o Metrô não terá capacidade para absorver a quantidade de pessoas que virão das estações Barra, São Conrado, Leblon, e Ipanema, além de todos que entram nos vagões em Copacabana e Botafogo.

Com a extensão da Linha 2 até Ipanema o único trecho que terá aumento de capacidade será Botafogo-Ipanema: meros 3 Km. Assim, nas estações Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos, Cantagalo e Ipanema, ao invés de um trem a cada 6 minutos, passará um a cada 3 min, sendo um para Pavuna (Terminal Linha 2) e outro para Uruguai (Terminal Linha 1). A atual baldeação caótica em Botafogo será transferida para Ipanema (Estação General Osório). Hoje a lotação da Linha 2 já está muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde-OMS. Uma vez estendida é de se esperar que os trens fiquem ainda mais lotados.

O problema da baldeação na Central não será resolvido, e só tende a piorar, pois a Supervia, bem ou mal, está aumentando a sua capacidade, enquanto o Metrô está estagnado desde 2009 quando a Ligação 1A congelou o tempo dos intervalos a 6 minutos nas pontas de linha.

Enquanto isso as estações Estácio e Carioca, projetadas para pontos de baldeação, estão vazias, sendo a Carioca/Plataforma 2 abandonada, assim como as obras na estação Gávea. Construir uma estação de baldeação é muito caro, elas costumam custar o dobro do preço das outras. No Rio as 3 estações de baldeação (Estácio, Carioca e Gávea) estão abandonadas, demonstrando incrível falta de respeito com o uso de dinheiro público!

Enquanto o governo não providenciar medidas necessárias para que as Linhas sejam independentes e em Rede, a Ligação 1A seja desfeita, e o trecho Estácio-Praça XV da Linha 2 concluído, o Metrô nunca terá o papel para o qual foi projetado: servir bem à cidade e à população.