segunda-feira, 29 de agosto de 2016

CLUBE FLAMENGO DA GÁVEA QUER DERRUBAR TRINTA ÁRVORES, de Evelyn Rosenzweig


Foto: AMA Leblon, agosto 2016

No último sábado publicamos CLUBE FLAMENGO - ÁRVORES, ARENA E SANDUÍCHES sobre a intenção do Clube Flamengo de construir uma arena de basquete em parte do terreno de propriedade do Estado do Rio de Janeiro, do qual o clube tem a cessão de uso.

Além de sérios aspectos urbanísticos apontados em CLUBE FLAMENGO – UMA ARENA, UM NÓ DE TRÂNSITO, E UM BEM TOMBADO (Urbe CaRioca, 13/03/2015) a questão do corte emergiu após a divulgação pelo jornalista Ancelmo Gois no O Globo e suscitou discussões nas redes sociais, mesmo após a declaração do prefeito de que a obra estava autorizada..

O artigo de Evelyn Rosenzweig reproduzido a seguir traz esclarecimentos importantes.

NOTA: Se o conjunto arbóreo não tem serventia para o clube, e a construção da arena com 3500 lugares é questionável, este blog sugere que aquele trecho da propriedade do Estado seja resgatado pelo Governo Estadual e repassado ao Município, que, assim, poderá destiná-lo ao uso público, em uma espécie de prolongamento do Parque dos Patins, do futuro Parque Radical e do Estádio de Remo da Lagoa, com portões e fechamento similar ao do Jockey Club, vazado, ampliando a paisagem e as visadas para as montanhas que emolduram a região, inclusive o Corcovado e o Cristo Redentor.

Urbe CaRioca

 


Foto: AMA Leblon, agosto 2016


CLUBE FLAMENGO DA GÁVEA QUER DERRUBAR TRINTA ÁRVORES

Evelyn Rosenzweig


Estamos na iminência de perder quase 30 árvores plantadas há décadas dentro do Clube do Flamengo para dar lugar à construção da Arena Multiuso do Clube, patrocinada pela Rede Mc Donald's, que em contra partida da derrubada desta flora e fauna terá uma enorme loja fastfood na Av. Borges de Medeiros.

 Nem vou comentar o possível impacto no trânsito, porque, segundo a CET-RIO, não haverá problema algum, já que concedeu a licença, assim como a Secretaria de Urbanismo. A Secretaria de Meio Ambiente, contrariando a informação que me forneceu há 2 semanas, quando o secretário garantiu não concederia a licença, está fazendo um estudo técnico para promover a mudança das árvores de onde estão para outro local dentro do próprio clube. Chega ser risível. Mas é patético, porque não estão lidando com leigos.

 Mas o que me surpreende mais do que a ousadia e insensibilidade do Clube e seu patrocinador é o silêncio da imprensa e da sociedade, dos moradores do bairro do Leblon.

 Para sermos justos, agradecemos à coluna Gente Boa, o único espaço da mídia que noticiou o assunto, escrito pela parceira jornalista Fernanda Pontes.

 Também agradecemos a solidariedade da Andréa Albuquerque G. Redondo, que repercutiu esse crime no seu blog.

 Na minha ingenuidade, apesar dos meus 61 anos de idade, imaginei que os pouquíssimos sócios e moradores que pediram o apoio da AMALEBLON teriam a óbvia e natural indignação e solidariedade da maioria dos vizinhos, que normalmente se manifestam irascivelmente a qualquer poda de galho de uma árvore, que seja. Mas, não...

 Estamos recebendo turistas do mundo inteiro para a realização do evento esportivo mais importante e de visibilidade do planeta, cujo mote das festas de abertura e encerramento da Olimpíada foi a importância da preservação da natureza.

 Quanta incoerência!

 Vamos ver qual será a reação da população quando alguém ouvir o barulho da primeira motosserra que começar a rasgar uma dessas árvores, irreversivelmente. Será de cortar o coração.

 Quem, em sã consciência, em pleno século XXI, remove um conjunto arbóreo desta magnitude para execução de uma obra de interesse pontual?

 Sem esquecer que este terreno é do Flamengo por cessão de uso pelo Estado do Rio de Janeiro.

 Mas nós, da AMALEBLON, estamos tomando todas as providências que estão ao nosso alcance. Contratamos o escritório de especialistas em Meio Ambiente, Lima Feigelson Advogados, que estão nos representando pro bono.

 Interpelamos o Clube do Flamengo e nesta próxima semana faremos uma "reclamação" na prefeitura e uma denúncia no Ministério Público.

 "AMALEBLON denuncia derrubada de árvores no Clube do Flamengo no MP. As árvores marcadas para morrer têm uma fita vermelha em seu tronco."

Saiba mais: http://portaldoleblon.com.br/kuuc


sábado, 27 de agosto de 2016

CLUBE FLAMENGO - ÁRVORES, ARENA E SANDUÍCHES





Há alguns dias a Associação de Moradores e Amigos – AMA Leblon informou pelas redes sociais que o Clube Flamengo previa o corte de árvores existentes no terreno que utiliza no bairro do Leblon, junto da Lagoa Rodrigo de Freitas, árvores que já estão marcadas com uma fita vermelha. 

Conforme também noticiado em nota na coluna Gente Boa (O Globo, 24/08), o clube disse que “as árvores marcadas são parte de um estudo que será enviado à Secretaria de Meio Ambiente relacionado à construção da Arena Multiuso do clube”.


A construção de uma arena ou um estádio foi tema de vários posts neste blog:

06/04/2016 - CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO?

26/07/2016 - FLAMENGO: UM TRAMBOLHO NO PRÉDIO ABANDONADO - FIM DO MISTÉRIO

 


De acordo com declaração do prefeito do Rio a obra foi autorizada – uma arena de basquete com capacidade para 3500 lugares. Portanto, as exigências, em tese, foram atendidas. É importante saber se a altura máxima permitida foi cumprida; se o IPHAN concordou com a construção de mais um volume de porte no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas; se o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural do Município autorizou a obra; e se os impactos sobre o trânsito caótico constante na região foram considerados.

Agora não é mais possível usar a desculpa de que é “Pra Olímpiada”.


Urbe CaRioca






quinta-feira, 25 de agosto de 2016

POLUIÇÃO DAS LAGOAS DE JACAREPAGUÁ – BIÓLOGO MÁRIO MOSCATELLI CONVIDA CANDIDATOS

Atualização em 29/08/2016 às 19h45min (informação de Mário Moscatelli)

CONFIRMADOS PARA A VISTORIA TÉCNICA NO SISTEMA LAGUNAR DA BAIXADA DE JACAREPÁGUA de 30/08/2016:

 1-Tomas Pelosi Filho - vice de Carmem Migueles
 2-Carlos Osório - vice Aspásia
 3-Marcelo Freixo
 4-Roberto Anderson - vice de Alessandro Molon
 5-Edson Santos - vice de Jandira Feghali
 6-Índio da Costa

AUSENTES:

 1-Crivella
 2-Pedro Paulo
 3-Flávio Bolsonaro
 4-Thelma Bastos

 5-Cyro Garcia

Lagoa da Tijuca, Barra da Tijica, Rio de Janeiro
Foto: Mário Moscatelli, divulgada em 18/08/2016 via Facebook


Como é sabido, a despoluição da Baía de Guanabara, e das lagoas, rios e córregos da Cidade do Rio de Janeiro não tem sido alcançada durante décadas, embora seja anunciada nas propostas de sucessivos governos, inclusive com vistas à realização dos Jogos Pan-Americanos 2007 e, mais recentemente entre as metas previstas para os Jogos Olímpicos Rio 2016, recém-terminados. Para além da baía, temos as eternas línguas negras na orla marítima que surgem depois das chuvas, os despejos no costão do Vidigal, e os mesmos problemas em Guaratiba e na Baía de Sepetiba, por exemplo.

Medidas paliativas adotadas - como a construção da galeria de cintura na enseada da Glória que evitaria o despejo de esgoto na Marina da Glória nos dias sem chuva -, e a colaboração do clima durante o período dos Jogos minimizaram o problema, e a condição das águas foi considerada aceitável. Entretanto, a ausência de saneamento universalizado na cidade e o crescimento constante das ocupações irregulares, acabam por reduzir eventuais conquistas.

Tendo em vista as próximas eleições municipais que escolherão novo Prefeito, e vereadores, o conhecido biólogo Mário Moscatelli convida, via redes sociais, os candidatos à Prefeitura do Rio para uma VISITA TÉCNICA AO SISTEMA LAGUNAR DA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ.

Segue abaixo o convite, que pedimos seja divulgado por quem estiver de acordo. 

NESTE LINK estão mais algumas imagens feitas pelo biólogo, que acompanham o convite.


Urbe CaRioca



Mancha de poluição é vista na Lagoa de Jacarepagua, que fica ao lado do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca
Ricardo Borges/Folhapress - Folha de São Paulo, 04/07/2016



PREZADOS E PREZADAS,

 Solicito para aqueles que considerem o assunto ambiental em nossa cidade uma questão relevante que encaminhem por meio de seus contatos, o convite que tenho feito pela rede social Facebook aos senhores e senhoras candidatas:

QUARTA-FEIRA - 31/08/2016 - 8:00 - VISITA TÉCNICA AO SISTEMA LAGUNAR DA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ.

 Maiores informações do ponto de encontro por meio de: mangue@domain.com.br

 Como não disponho de qualquer assessoria de comunicação, dependo exclusivamente da colaboração de amigos e amigas do FB e dos contatos que disponho na imprensa.

 Agradecido em nome dos que não votam: lagoas, rios e sua fauna residual.

Mário Moscatelli



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO TERMINAM COM FESTA MARAVILHOSA!


“Hoje, véspera da abertura oficial para os Jogos da Rio 2016 o Urbe CaRioca não poderia deixar de registrar o desejo de que o maior evento esportivo internacional que ora se realiza em nossa querida cidade seja um completo e absoluto sucesso, desejo que sempre esteve presente desde que o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas, independentemente de qualquer questionamento. Que os atletas brilhem e superem suas marcas e recordes espetaculares; Que o público, os turistas e demais visitantes se emocionem com as conquistas esportivas; Que as torcidas vibrem com alegria e entusiasmo e aplaudam os atletas e suas equipes, nas vitórias ou derrotas, demonstrando educação, civilidade e espírito esportivo, porque esse evento só deve ser compreendido como uma festa fraternal, no qual o adversário da manhã é o amigo do passeio pela cidade à tarde; Que a torcida brasileira com suas demonstrações alegres e calorosas nas vitórias, saiba demonstrar altivez nas eventuais derrotas de nossas equipes, aplaudindo a todos, como prova de sua reconhecida hospitalidade e bom humor”.

Trecho de OLIMPÍADAS RIO 2016 NO RIO DE JANEIRO, A URBE CARIOCA! - 04/08/2016



Internet - Getty Imagens / David Ramos


O Rio ficou "de alma lavada". Figurada e literalmente.

A chuva que insistiu em cair durante quase todo o Domingo Olímpico não diminuiu o brilho de mais uma festa impecável, nem a animação de público e atletas que se despediam dançando ao som de ritmos brasileiros tradicionais variados, uma feliz seleção de músicas que transmitiram alegria, exaltação à cidade, aos cariocas e à saudade já presente!

É difícil nomear os momentos de maior graça, beleza e emoção, tal a força do conjunto. No primeiro quesito ficamos com as pinturas da Serra da Capivara, o retorno de Santos Dumont e a aparição de Carmen Miranda, todos símbolos de pioneirismo; no segundo – a beleza - estão os ícones do Rio formados por gente e cores,  os bonecos de barro artesanais de Mestre Vitalino ganhando vida, as mulheres rendeiras, grupos de bailarinos que remetiam à terra e dançarinas de frevo tinham energia também atlética! Para celebrar o terceiro quesito - a emoção – escolhemos o Hino Nacional na voz das crianças logo transformadas nas Estrelas-Estados da Federação, luzes na nossa bandeira lembrando que é hora de renovarmos as esperanças de um Brasil melhor a cada dia!


jconline

www.ebc.com.br


O ritmo frenético das competições disputadas simultaneamente durante duas semanas - quase sempre com temperatura amena e céu azul -, as conquistas dos brasileiros, motivo de enorme orgulho, e a alegria que se espalhou pelo Rio de Janeiro com a mistura de idiomas e festas de todas as cores nos espaços públicos lotados, foram mais um alento para nossa cidade que convive com tantos problemas estruturais e conflitos diários: cariocas e brasileiros receberam um sopro de alívio, dias de descanso em tempos confusos na Política e difíceis na Economia, esta que tanto tem maltratado nossas famílias.

Desde os primórdios da ideia de trazer as olimpíadas para o Rio, sediar o evento tinha o objetivo de resgatar a imagem da cidade, vista em processo de declínio desde a mudança da capital do país para Brasília, em 1960. Panaceia por certo os Jogos não seriam; úteis para dar impulso à execução de projetos urbanísticos, sem dúvida. Foi o caso da demolição do Elevado da Perimetral com o resgate da orla marítima no Centro do Rio - de visão e acessos obstruídos pelo enorme viaduto há mais de meio século - ideia sonhada desde a década de 1990, inviável então devido à falta de alinhamento entre as três esferas de governo, e que só pode ser concretizada quando a conjuntura política reuniu os três gestores. Por acaso, ou sorte, na época em que o Rio foi escolhido para receber os JO.

João Havelange e Roberto Marinho - os idealizadores que não estão mais aqui - organizadores, profissionais de todas as áreas, técnicos, arquitetos, engenheiros e operários que ergueram todos os equipamentos, voluntários, órgãos de segurança, Força Nacional, responsáveis pela logística, Prefeitura, COI e Empresa Olímpica, merecem tantos aplausos quantos receberam os atletas olímpicos. Ao ex-prefeito Cesar Maia o reconhecimento por ter realizado os Jogos Pan-Americanos 2007, preparando o caminho para que o Rio sediasse as Olimpíadas. E, é claro, ao Prefeito do Rio, Eduardo Paes que, não obstante algumas decisões estranhas do ponto de vista urbanístico e ambiental, prioridades questionáveis, e mentirinhas convenientes,  entre dúvidas sobre a qualidade de algumas obras, aparentemente demonstrou determinação e capacidade de gestão. Que se perdoem as muitas gafes cometidas desde cangurus até mencionar o belíssimo quimono japonês, e o dispensável chapeuzinho de malandro usado na cerimônia final!

Problemas na chamada Ilha Pura, a Vila dos Atletas durante os Jogos foram resolvidos. Falhas eventuais na organização foram contornadas. Os esquemas de trânsito e a segurança funcionaram a contento. A morte do soldado da Força Nacional é inaceitável como todas as que ocorrem pelos mesmos motivos. O acidente que levou o treinador alemão foi uma fatalidade ou irresponsabilidade. Foram notas tristes e lamentáveis em meio a tanta festa. Nossa solidariedade aos familiares e agradecimento à família do técnico que ajudou a salvar alguns brasileiros.

Mas, ainda estamos de ressaca, ainda inebriados por festas, vitórias, medalhas, e também derrotas vitoriosas após muita garra e empenho, por que não?

E eis que o tempo muda na Urbe CaRioca, céu e mar se rebelam, chegam ventos fortes, grandes ondas, e frio, que pouparam o Rio durante os Jogos! A ressaca de emoções começa a ser substituída pela ressaca do mar, como se fosse uma chamada para o Rio real.

Para além de questões urbanísticas e investimentos prioritários ou não, o principal legado desejado por este blog foi construído: o Rio de Janeiro deixou saudades e muitos pretendem voltar.

Que a Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, fique melhor, segura, alegre e em paz, como foi durante o Rio de Agosto de 2016.

Com ou sem Olimpíadas.


Urbe CaRioca


NOTAS:

1 - É imprescindível comentar a parte da cerimônia criada pelo comitê organizador dos próximos Jogos, a serem realizados em Tóquio. Sob música marcante, o público viu um show de criatividade, modernidade, beleza, elegância e precisão, coroado com a “chegada” do Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, através do túnel virtual cavado entre Tóquio e o Rio de Janeiro, sob o manto do famoso personagem Mario Bros, que realizou o feito de unir Japão e Brasil trazendo o representante daquele país direto para o centro do Maracanã! Que venha Tóquio 2020!

2 - Para alimentar a alma, abaixo, Chovendo na Roseira, de Antonio Carlos Jobim, uma das belíssimas músicas tocadas durante a cerimônia, sob a chuva que lavava a alma dos cariocas.



Chovendo na Roseira, de Antonio Carlos Jobim
Youtube

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

CAMPO DE GOLFE: MUITO ALÉM DE CAPIVARAS E TACADAS


Área suprimida do Parque Municipal Ecológico Marapendi


Mesmo com os Jogos Olímpicos em curso as reportagens sobre o caso do Campo de Golfe construído sobre parte de um parque ecológico – o Parque Municipal Ecológico Marapendi – e em evidente conflito com a proteção do Meio Ambiente, continuaram a repercutir nos meios de comunicação internacional. A beleza do espaço, a curiosidade sobre capivaras, corujas, preguiças, jacarés, e as muitas tacadas olímpicas e certeiras não foram suficientes para apagar a estranha história da modalidade que não estava prevista quando da candidatura do Rio de Janeiro a sediar o evento.

O título da vasta matéria publicada ontem, 17/08, pelo site Vice Sports é direto e categórico: RIO DIDN'T NEED AN OLYMPIC GOLF COURSE, BUT THEY BUILT ONE ANYWAY. Em tradução livre: O Rio não precisava de um campo de golfe olímpico, mas, ainda assim, construíram um.

Segundo uma nota no site, Aaron Gordon, o responsável pelo artigo, “is trying to experience the real Rio”. Neste quesito pode-se afirmar que o autor estudou o processo a fundo, produzindo a cronologia dos fatos com precisão e clareza, destaque para as afirmações incoerentes sobre a recuperação do meio ambiente e incrementos na fauna e flora. Parte inicial:


Last week, in the office of Rio de Janeiro's public ministry, two biologists and a lawyer for an environmental-investigation division called Ambiental GATE patiently listened to me read from a recent Golf Digest article about the new Olympic Golf Course's positive environmental impact.

They had an intentionally blank expression, as one does when trying to keep it together when you know you're hearing nonsense.

"Opponents were certain a swamp, known as Marapendi Lagoon, was being despoiled by the course, but the environmental-impact report established the opposite."

Rodrigo Ventura Marra and Simone Mannheimer De Alvarenga, the government biologists, and Tatiana Moraes, the lawyer, neither nodded nor frowned. They slightly pursed their lips almost in unison.

"Native vegetation has increased by 167 percent, and the number of animal species in the locale has more than doubled since June 2013."
They had just spent two hours carefully explaining to me in detail why the exact opposite is true: that the Olympic Golf Course destroyed protected land, reduced biodiversity, and was built in violation of Rio's environmental laws.

I asked them what they thought of Golf Digest's assessment. Alvarenga politely smiled.

"We have heard these words before. Those words are from the city and the developers."



O artigo de Aaron Gordon acima reproduzido, e o artigo de Alex Cuadros publicado na revista The Atlantic - The Broken Promise of theRio Olympics - How a chance to remake the city for ordinary Brazilians ended uplining the pockets of the rich instead, devem ser lidos por todos que quiserem conhecer outras faces de algumas decisões tomadas em nome dos Jogos, especialmente aquelas voltadas para beneficiar o mercado imobiliário, dando prioridade ao interesse privado sobre o público, e que, ainda, descartaram as questões ambientais.

Nota: Infelizmente nenhuma das reportagens menciona a supressão também de parte da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, em fase final de implantação, como foi mencionado e explicado diversas vezes por este blog, desde 2012, inclusive em várias entrevistas concedidas a jornalistas.

Boa leitura.

Urbe CaRioca



terça-feira, 16 de agosto de 2016

O CAMPO DE GOLFE E AS CAPIVARAS!


Urbe CaRioca, 2012


O blog Urbe CaRioca não podia deixar de comentar as notícias do último fim-de-semana sobre o Campo de Golfe ‘olímpico’, isto é, o campo de golfe que serve aos Jogos Olímpicos 2016, ainda em curso.

O blog afirmou que as capivaras do Parque Municipal Ecológico Marapendi - seccionado e mutilado para construção de um empreendimento imobiliário sob o véu da alegada necessidade olímpica – seriam expulsas do seu habitat natural, encontrando muros divisórios que impediriam o ir e vir ao qual estavam acostumadas.

Eis que houve uma surpresa!

Não apenas os roedores gorduchos procuraram seu antigo espaço como entraram no campo - “Capivaras viram celebridades em jogos de golfe da Rio 2016” (Jornal O Dia, 12/08/2016) – para conquistar público e atletas, fora um ou outro estranhamento.

No dia seguinte outros bichos fizeram companhia às novas amigas dos golfistas, que já haviam sido chamadas por estrangeiros de ‘hamsters gigantes’: Animais roubam a cena no campo de golfe olímpico / Capivaras, jacarés, cobras e pássaros (Jornal O Globo, 13/08/2016).


Golf Channel


Intrigante foi a afirmação de que “por medida de segurança, o entorno do campo foi cercado por grades”, conforme imaginamos há tempos. Por onde passaram, então, as tranquilas Capybaras? E os jacarés?

A alegria e a curiosidade sobre a fauna da Área de Proteção Ambiental – APA Marapendi não apagam a história da inaceitável criação do Campo de Golfe sobre um Parque Ecológico - infelizmente confundido com uma obra “sustentável”, porém , em verdade, destruidora - em pleno Século XXI, quando as questões ambientais têm tamanha importância e protagonismo que, ironicamente, não apenas permearam a linda cerimônia de abertura dos Jogos, como consistiram na principal mensagem que o Rio de Janeiro quis levar ao Mundo!

A reportagem "A triste história por trás das 'visitas' de animais a instalações olímpicas no Rio", da rede BBC Brasil, mostra, mais uma vez, que o Campo de Golfe que beneficiou sobremaneira o mercado imobiliário do Rio de Janeiro, é uma moeda de muitas faces.

Abaixo estão cinco postagens sobre o assunto que contêm links para os cerca de 180 artigos e análises publicados neste blog.



Urbe CaRioca




15/11/2012 -  PACOTE OLÍMPICO 2 - O CAMPO DE GOLFE E APA MARAPENDI 

27/07/2014 - EXTRA! SOBREVOANDO O CAMPO DE GOLFE e TODOS OS POSTS

30/12/2014 - GOLFE - MUITAS FACES, UMA SÓ MOEDA 

09/03/2016 - O CAMPO DE GOLFE NASCEU. O PARQUE ECOLÓGICO MORREU.





domingo, 14 de agosto de 2016

UM PAI CARIOCA MUITO CRIATIVO


Pais CaRiocas, 2016
CrôniCaRioca

O Pai CaRioca e eu
Formatura Ginasial, dez. 1967, ainda nos Anos Dourados


Tinha manias, sim, e quem não as tem?

Algumas das muitas manias do meu Pai CaRioca e Criativo eram curiosas, motivo de risadas das crianças, e piadas que só um pai paciente toleraria sem apelar para uma ou outra chinelada suave, expediente então permitido. A expressão “politicamente correto” não existia, e pediatras até concordavam que a natureza havia destinado um lugar especial para aquele corretivo moderado que, em tese, não deixava danos: o bumbum!

“A lua é um Coco da Bahia”, ele dizia, “duro por fora e com água dentro, um pedaço que se soltou da Terra moldado e soldado, a água escondida no centro! Nós, os filhos, morríamos de rir! “A lua não tem água, paizinho, todo mundo sabe! É seca, toda esburacada”. Sei lá de onde ele tirou essa teoria, mas não é que tempos depois os cientistas concluíram algo parecido?


O console de jacarandá, um dos xodòs do Pai CaRioca


Jacarandá era a melhor madeira, a mais elegante, bonita e indestrutível. Assim era que a casa toda tinha móveis e até lambri em algumas paredes, tudo de jacarandá. Um dia a Mãe CaRioca se rebelou e disse: “Meu Deus, como eu amava o seu pai! Só muito amor para deixar a casa nesse pretume e ele ficar feliz! Quero mudar, não aguento mais o ‘Pelé’!”. Nos anos 1970 “Pelé” era o apelido carinhoso de um ‘buffet’ que fazia par com a mesa de jantar, ambos de jacarandá igual a sofás, carrinho de chá, molduras de quadros, console, camas, penteadeiras, mesinhas, armário embutido no corredor, armários no banheiro... Um dia, eu não morava mais na Tamandaré, encontro uma arca modernosa forrada com madeira clara e chapas metálicas, conjunto com uma enorme mesa, tampo de vidro transparente! Não eram muito bonitas, mas o ambiente ficou mais leve, é verdade. Anos depois, já sem o Pai e a Mãe CaRioca por aqui, tentei reaver o “Pelé”, uma peça clássica, bonita e forte igual ao Edson de ébano que inspirara o apelido. Ficaria um charme em outro ambiente misturada com peças contemporâneas. Ela havia dado o móvel para a amiga Lelé, que se mudara do Rio para a Região dos Lagos. Apesar de muita busca nunca localizei nem a Lelé nem o ‘Pelé’. A essa altura Lelé deve estar o Céu das Amigas jogando pontinho com a minha mãe. O Pelé verdadeiro, a lenda do esporte, continua por aqui, graças a Deus! Já o rejeitado ‘buffet’, alguém sabe?


Internet

Bombril tinha 1002 utilidades, a principal, consertar a imagem da televisão que insistia em pular feito pipoca, linhas horizontais e verticais dançantes.

Uma bolinha de Bombril na ponta da antena, vira pra cá, vira pra lá, um jeito na posição da televisão que só o Pai Carioca conseguia encontrar, e, Voilà

Tínhamos imagem!





Na saída do trabalho minha mãe custava a encontrar o 'fusquinha' em meio a um mar de 'fuscas' que esperavam seus donos no estacionamento da Avenida Presidente Antônio Carlos. A criatividade do Pai CaRioca resolveu o problema: Pintou uma bolinha de isopor de cor-de-abóbora – hoje é “laranja” – e espetou o artefato na antena do rádio. Nós ríamos e achávamos cafona, filhos desalmados! A Mãe CaRioca ficou satisfeitíssima, até que alguém gostou da ideia e levou a bolinha. Quantas ele pintava, quantas sumiam. O jeito foi memorizar o lugar da vaga... Hoje os carros não têm mais antena externa, e as chaves eletrônicas que fazem o carro piscar e apitar – então a anos-luz de distância – dispensam as bolinhas coloridas.


Internet
Leite-de-Colônia, latão*, e Cola Araldite, um trio imbatível!

Leite-de-Colônia servia para tudo. Desodorante, limpeza da pele, pós-barba... “Um machucadinho? Picada de mosquito? Passa Leite de Colônia que passa! O que arde, cura!”.

“Se fosse de latão não teria problema, adeus ferrugem!” Assim foi que mandou fazer protetores de calota para o Ford 50, de latão! (Obs: Esclarecimento precioso trazido pelo meu irmão Alexandre: *A pedido do pai Albuquerque, foi feita pelo excepcional lanterneiro Jorge Marques, em Petrópolis, uma lanternagem completa no saudoso Ford 1950 Crestliner, em “metal amarelo”, como ele dizia, i.e., uma liga de Cobre + Zinco, abrangendo todo o perímetro do carro, evitando assim o enferrujar nas partes mais sensíveis do apelidado "Mustang".)


O escudo cheio de charme. NOTA: Este é o Ford 50 que foi do Pai CaRioca.
Foto: Blog dos Carros Antigos

“Não está firme? Quebrou? Araldite resolve!”. Quadros não ficavam bambos na parede, cola neles! Síndico, comprou uma jarrinha de Murano para enfeitar a portaria e a colocou sobre o aparador que tinha um espelho em cima, peça e moldura de jacarandá, é claro! Uma semana depois a jarrinha teve o mesmo destino das bolinhas de isopor coloridas. O Pai CaRioca não hesitou. Comprou outra jarrinha e colou-a no aparador com Araldite. Ainda deve estar lá, salvo tenham carregado o móvel junto! Ríamos todos imaginando a decepção dos gatunos ao puxarem o enfeite, sorrateiramente, e nada conseguirem!

O que ele inventaria hoje usando a criatividade engraçada para melhorar sua querida Cidade do Rio de Janeiro?

Talvez plantasse jacarandás nas Paineiras e em outras áreas desmatadas na Floresta da Tijuca, em praças e ruas cariocas, nestas em vez de um paliteiro de palmeiras que viraram lugar-comum. Talvez mandasse passar Leite-de-Colônia nas feridas superficiais causadas por balas perdidas, aquelas de “raspão”, e colasse bandidos nos bancos escolares onde ficariam até aprender que furtar, roubar e matar é proibido!

Quem sabe colaria os políticos corruptos em bancos de escolas de recuperação? Afinal, a corrupção também é proibida. E também mata.


Ao pai amoroso que não gostava de brigas.
A todos os pais amorosos, presentes e ausentes.

Andréa Albuquerque G. Redondo

  
Flor do Jacarandá
Wikipedia