segunda-feira, 15 de setembro de 2014

SEMANA URBE CARIOCA 08/09/2014 a 12/09/2014 – GOLFE: HÁ ALTERNATIVA, ARTIGO SOBRE O PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA, E O PEDIDO DA CAPIVARA


“A área prevista para dar continuidade ao Parque Ecológico deveria ter sido preservada e resguardada através da construção da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, obrigação do empreendedor que quisesse aproveitar a parte edificável do terreno. A doação das áreas ao município também ocorre com parte do processo que permite construir nas áreas aedificandi.

As duas obrigações foram dispensadas pela Prefeitura”.

 

Trecho de GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ ALTERNATIVA

 

Wikimapia

 

 

Publicações dos últimos 07 dias e textos mais lidos
Os posts imediatamente anteriores; mídia internacional divulga que há alternativas ao Campo de Golfe que está sendo construído em APA, mais um excelente artigo de Sonia Peixoto – Parque batizado de Nelson Mandela – e uma séria brincadeira sobre o golfe predador na voz da Capivara Esperançosa.
Blog Urbe CaRioca


Segunda, 08/09/2014

SEMANA URBE CARIOCA 01/09/2014 a 05/09/2014 – GOLFE + RÉPLICA + TRÉPLICA, AUDIÊNCIA EM JUÍZO, A DECISÃO DO JUIZ + O CONDOMÍNIO VIZINHO, CINEMA DESTOMBADO TOMBARÁ, E MAIS NOTÍCIAS SOBRE O GOLFE

 


Simulação sobre imagem Google Street View,
caso os interessados comprem o prédio número 355.


SEMANA URBE CARIOCA 25/08/2014 a 29/08/2014 – MÊS DE JULHO, O VIADUTO NO RIO COMPRIDO, E O ARTIGO SOBRE O CAMPO DE GOLFE NO SITE RIO ON WATCH

 

O GOLFE, O ARTIGO, A RÉPLICA E A TRÉPLICA


GOLFE: HOJE, AUDIÊNCIA NA 7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA – E MAIS NOTÍCIAS

 

GOLFE: A DECISÃO DO JUIZ + MUNDO NOVO X RISERVA


CINEMA LEBLON DESTOMBADO: JÁ PODE SER DEMOLIDO


ALGUMAS NOTÍCIAS SOBRE O GOLFE

 

Terça, 09/09/2014

GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ ALTERNATIVA


This June 27, 2014 aerial view shows, the Rio 2016 Olympic golf course under construction near the Athletes Village for the Rio 2016 Olympic and Paralympic Games in Rio de Janeiro in Rio de Janeiro, Brazil. Olympic golf course faces an uncertain future after a court proposed Wednesday, Sept. 3, 2014 that the under-construction layout should be modified to meet environmental concerns. Judge Eduardo Klausner, hearing a lawsuit brought against the city of Rio de Janeiro and the course developer, said the defendants had to return on Sept. 17 to say if they could accept the proposal. Klausner said work on the course could continue, but no new areas of vegetation could be plowed under. (AP Photo/Leo Correa)

Quarta, 10/09/2014

Artigo: NELSON MANDELA DEVE ESTAR INDIGNADO: O CASO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA, de Sonia Peixoto


Internet

Sexta, 12/09/2014

PARE A OBRA DO GOLFE!

CrôniCaRioca – O Pedido da Capivara

Família de capivaras circula nos jardins da ciclovia da Avenida Prefeito Dulcidio CardosoFoto: Enviada para O Globo por Rogerio Travassos / Eu-Repórter.

NOTA DO BLOG - Trata-se da avenida projetada eliminada para a construção do Campo de Golfe na Barra da Tijuca no terreno em questão, único trecho da mesma entre a Avenida Ayrton Senna e o seu final, não implantado. No despacho do juiz - conforme divulgado pela imprensa - não está claro se a avenida deverá ser construída entre a área a ser doada e preservada e o terreno do campo a ser reduzido.

Os 10 posts mais lidos da semana
Se necessário copie o título na caixa de pesquisa acima.

GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ ALTERNATIVA

ALGUMAS NOTÍCIAS SOBRE O GOLFE

Artigo: NELSON MANDELA DEVE ESTAR INDIGNADO: O CASO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA, de Sonia Peixoto

SEMANA URBE CARIOCA 01/09/2014 a 05/09/2014 – GOLFE + RÉPLICA + TRÉPLICA, AUDIÊNCIA EM JUÍZO, A DECISÃO DO JUIZ + O CONDOMÍNIO VIZINHO, CINEMA DESTOMBADO TOMBARÁ, E MAIS NOTÍCIAS SOBRE O GOLFE

CINEMA LEBLON DESTOMBADO: JÁ PODE SER DEMOLIDO

EM SETEMBRO SOAM PALAVRAS PLURAIS

GOLFE: A DECISÃO DO JUIZ + MUNDO NOVO X RISERVA

PARE A OBRA DO GOLFE!

SOU TIJUCANA DA GEMA, de Sonia Fragozo

VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO - PELA DEMOLIÇÃO, OU...


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PARE A OBRA DO GOLFE!

ou, O Pedido da Capivara Esperançosa
CrôniCaRioca

Internet


Em uma das últimas postagens sobre a polêmica obra do Campo de Golfe na Barra da Tijuca da Urbe CaRioca divulgamos que há alternativa no caso de alguma eventualidade, conforme publicado no The Washington Times (v. GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ ALTERNATIVA).

Portanto, já sabemos que as tacadas olímpicas não necessariamente devem acontecer lá: há outros planos. Abaixo, o argumento definitivo que fará o juiz mandar paralisar a obra do famigerado Campo de Golfe.
Afinal, se o Campo de Golfe for feito, as capivaras não prosseguirão no passeio pelo Parque Ecológico Natural naturalmente. Terão que marchar até à beira da Lagoa de Marapendi e nadar até o outro lado do parque cortado, ou caminhar até a Avenida das Américas, contornar os condomínios Riserva e o campo, costeando os muros, e continuar pelo asfalto passando pelas duas avenidas perpendiculares à lagoa até alcançar o ‘outro lado’ da Reserva e do Riserva. Ficaria feio para o presidente do C40.
Ligue o som baixinho e divirta-se com esta brincadeira muito séria!
Urbe CaRioca

Urbe CaRioca


PARE A OBRA DO GOLFE!
Capivara Esperançosa

Por favor, pare a obra,
Senhor juiz, pare agora!

Senhor juiz, pode me dizer?
Sem esse Parque o que vou fazer?
Pois se o senhor esse Golfe aprovar,
Morta, sem meu verde, sei que vou ficar!

Por favor, pare a obra,
Senhor juiz, negue, é hora!

Senhor juiz ouça o meu lamento,
A Natureza é o nosso alento!
Salve a Reserva, ouça quem entende,
Pois nossa alegria é o Meio Ambiente!

Por favor, vete a obra!
Caro juiz, seu senso aflora!

(falado)
Senhor juiz, é de Lei e de Justiça,
Dessa APA,
A Cidade precisa,
Direito que o Rio tem,
E eu estou certa, os cariocas também!

Por favor, pare agora,
Senhor juiz, ou vou embora...

Por favor, obste agora,
Para salvar, Fauna e Flora)

(falado)
Senhor Juiz,
O Rio já sofreu demais,
Escute-me, um Parque não se desfaz,
Todo mundo sabe que o senhor é a Esperança.
Por favor, pense!
A APA está por um triz!

Pare o casamento - Youtube 

Pare o Casamento

Por favor, pare agora, senhor juiz, pare agora
Senhor juiz eu quero saber, sem esse amor o que vou fazer,
Pois se o senhor esse
Homem casar, morta de tristeza sei que vou ficar.
Por favor, pare agora, senhor juiz, pare agora
Senhor juiz esse casamento, será pra mim todo meu tormento,
Não faça isto peço por favor, pois minha alegria vive desse amor.
Por favor, pare agora, senhor juiz, pare agora
Senhor juiz, eu sei que o senhor é bonzinho, por favor,
Ele é tudo que eu amo, è tudo que eu quero,
E eu estou certa de que ele também me quer.
Por favor, pare agora, senhor juiz, pare agora
Por favor, pare agora, senhor juiz, pare agora
Por favor, não me deixe sofre assim senhor juiz,
Escute-me isto não se faz, todo mundo sabe que eu amo esse rapaz.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Artigo: NELSON MANDELA DEVE ESTAR INDIGNADO: O CASO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA, de Sonia Peixoto


Parque "criado" em 2011. Para justificar a redução da APA Marapendi e do Parque Municipal Ecológico de Marapendi, e transferir índices construtivos virtuais que aumentarão gabaritos de altura e reduzirão a área livre de terrenos na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá. Outra manobra para beneficiar o mercado imobiliário, tal como ocorreu com o Parque Olímpico, a Vila dos Atletas e o Campo de Golfe.



O parque do no título foi chamado por este blog de “Parque das Benesses”. Os aspectos de sua criação – pretendida através de uma Operação Urbana Consorciada – OUC foram analisados e explicados em  PACOTE OLÍMPICO 2 - APA MARAPENDI: O "PARQUE" E AS BENESSES URBANÍSTICAS. Outros posts trataram do tema: os marcadores são ‘APA Marapendi’, ‘Meio Ambiente’, ‘Índices Construtivos’, ‘Mercado Imobiliário’ e ‘Barra da Tijuca’. O local também foi mencionado recentemente em PARQUE DAS BENESSES URBANÍSTICAS GARANTE A PRIMEIRA: O BALNEÁRIO.

Da bióloga Sonia Peixoto já divulgamos vários artigos, entre eles a reprodução de UM CAMPO DE GOLFE OLÍMPICO NO LUGAR ERRADO, originalmente publicado no site eco – da Associação O Eco, dedicado às questões sobre o Meio Ambiente. Agora a autora expõe o questionável processo de criação de um parque que tem data certa pra se concretizar. Ou não.

Boa leitura.


Urbe CaRioca

Wikimapia

NELSON MANDELA DEVE ESTAR INDIGNADO: O CASO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA

Sonia Peixoto


Claro que todos nós adoramos dar nomes aos lugares importantes para quem tem, ou teve, um relevante papel para o avanço da justiça social e ambiental nos âmbitos local, regional, nacional, ou mesmo global. Portanto, não é sem sentido que a maior instituição brasileira que atua na conservação da natureza ser denominada de Instituto Chico Mendes em homenagem ao herói seringueiro. Mas qual é mesmo a razão do título que fala sobre Nelson Mandela, um nome de estatura ímpar mundial, ficar indignado? É simples: um personagem dessa grandeza, e que atuou na conservação da natureza em seu país, com certeza teria seguido a legislação nacional vigente e claro que ficaria indignado se soubesse que a legislação foi simplesmente ignorada. Além de não ter sido respeitado o rito legal para a criação de uma unidade de conservação, estudos prévios e consulta pública, ainda se pretende a colocação de infraestruturas na faixa marginal de proteção em uma área protegida e um balneário em seus limites, e isso em uma unidade de conservação sem Plano de Manejo participativo elaborado e, portanto, sem definição do seu zoneamento (e no caso, a faixa de preservação permanente seria uma zona na qual não seria permitida intervenção), e sem Conselho Consultivo instituído.

Apenas como lembrança, vale mencionar que a antiga Reserva Biológica de Jacarepaguá, através da Lei Municipal nº 61, de 1978, transformou a referida Reserva Biológica em Parque Zoobotânico, ou seja, reduziu a sua proteção. O histórico é o seguinte:

            ·    Em 1991, através do Decreto no 10.368, foi criada a Área de Proteção Ambiental - APA                   do Parque Zoobotânico de Marapendi, compreendendo as Áreas de Preservação                                Permanente (APP) da Lagoa de Marapendi e seus contornos.

·     Em 1993, o Decreto Municipal nº 11.990 regulamentou o Decreto nº 10.368, de 1991, que criou a APA do Parque Zoobotânico de Marapendi.

·  O Decreto Municipal no 14.098/1995 alterou o Decreto Municipal no 11.990/1993, e estabeleceu que a partir de então na Zona de Ocupação Controlada - ZOC3 seriam permitidas as atividades de caráter científico, de manejo e controle ambiental; educativas, de recreação e lazer; e comercial, tais como, restaurantes.

·       O Decreto Municipal 22.662, de 19/02/2003, renomeou as áreas protegidas de acordo com as categorias previstas na Lei que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), de 2000, e assim consolidou a categoria e a nomenclatura do Parque Natural Municipal (PNM) de Marapendi.

·       Em 2011, na chamada praia da reserva, na qual já existia a Área de Proteção Ambiental de Marapendi, iniciaram-se construções na ZOC. E, ainda, no mesmo ano, o Decreto 34.443 de 20/09/2011, criou o PNM da Barra da Tijuca, pela Secretaria de Urbanismo, e não pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, como seria de se esperar, sem estudos prévios e consulta pública conforme preconiza a Lei do SNUC.
  
·       Em 2013 a Lei Complementar 125 de 14/01/2013 estabeleceu as condições para instalação do Campo de Golfe Olímpico, ressaltando-se que no art. 4º da referida Lei houve a desafetação de 58.000 m² do PNM Marapendi para a instalação do referido campo de golfe. E, através da Lei Complementar 133 de 23/12/2013, foram estabelecidas as transferências dos potenciais construtivos, já citados, no Decreto de criação do PNM Barra da Tijuca, sendo que no seu no Art. 25 foi renomeado para PNM da Barra da Tijuca Nelson Mandela. Finalmente, destaca-se que o PNM da Barra da Tijuca, agora Nelson Mandela, foi criado como forma de compensar a área desafetada para a criação do campo de golfe, o que não tem nenhum embasamento técnico para tal compensação, além do fato que a lógica seria a ampliação do PNM Marapendi.

Ora, um Parque, Nacional, Estadual ou Natural Municipal deve ser criado em consonância com a legislação federal em vigor, no caso a Lei Federal Nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). O que a referida Lei Federal, ou seja, o documento legal que deve ser orientador para os estados e municípios, diz em relação à criação dessas unidades? No artigo 22, a referida Lei coloca que:

“a criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade.” Logo, são apenas duas simples postulações: estudos técnicos e consulta pública (grifo meu).

Também se entende que a criação de unidades de conservação, incluindo a escolha da categoria de manejo mais adequada, não pode ser realizada a partir da simples definição dos seus limites territoriais por meio de canetada burocrática, posto que no processo de criação dessas áreas inúmeras variáveis devem ser consideradas, tais como: a geografia da unidade para garantir que a dimensão efetivamente atenda ao tipo de proteção ecológica pretendida; a biodiversidade existente e corredores ecológicos; os aspectos sociais e econômicos da região; as questões referentes à pressão antrópica nos limites da unidade de conservação; os aspectos fundiários e, ainda, outras tantas variáveis – o que seria quase impossível descrever em um texto que se pretende reduzido.

Nesses termos, claro que se entende que os estudos para a criação de unidades de conservação são complexos. Isto que dizer que sistemas, como podem ser vistas as unidades de conservação, interagem com seu entorno buscando um equilíbrio, de forma que construam situações internas de manutenção e equilíbrio com esse entorno, promovendo, ainda, adaptações. E, assim sendo, uma gama de variáveis devem ser consideradas quando se postula a criação de uma unidade de conservação.

Os Parques Nacionais, Estaduais e Naturais Municipais são instituições públicas que têm como objetivo prestar serviços à comunidade na manutenção dos serviços ambientais, possibilitar a pesquisa científica e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Podem ser considerados como um sistema dinâmico e complexo que envolve troca de informações entre suas estruturas organizacionais, organizações não governamentais, institutos de pesquisa, funcionários, comunidades do entorno, tecnologias, ou seja, interagindo com outros sistemas, e se constituindo em um dos maiores desafios para os gestores públicos. Assim sendo, criar uma unidade de conservação sem levar em conta tais complexidades é, no mínimo, temeroso. Por tais razões é que se observa na cidade do Rio de Janeiro 58 unidades de conservação criadas com inúmeras e as mais dantescas sobreposições de categorias de manejo, com os limites mais estapafúrdios possíveis e sem as mínimas condições de uma gestão qualificada e protetiva do território.

Quanto à questão da consulta pública referendada na Lei do SNUC entende-se que a administração responsável por unidades de conservação deveria prover espaços para a participação da sociedade e dar publicização de seus atos, em especial, daqueles que deverão ter impacto direto sobre a sociedade, como é justamente o caso da criação de unidades de conservação. Isto pode ser chamado, de um modo bem raso, de governança, um tema explicitado no Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas (PNAP).

Instituído pelo Decreto n0 5.738, de 13 de abril de 2006, o PNAP trata, em seus eixos temáticos, de planejamento, fortalecimento e gestão; governança, participação, equidade e repartição de custos e benefícios; capacidade institucional; e, avaliação e monitoramento. Portanto, além da Lei do SNUC temos também as recomendações advindas do PNAP, ou seja, não dá para dizer que “eu não sabia” porque a Lei do SNUC já tem quase quatorze anos, e o PNAP foi publicado há oito anos, ou seja, as regras e procedimentos estão disponíveis e são claros.

Para piorar a situação, recentemente Secretaria Municipal de Meio Ambiente - SMAC concedeu Licença de Instalação para a construção de balneário em um dos terrenos do PNM da Barra da Tijuca / Nelson Mandela, com alvará válido até 2018! Pois bem, em primeiro lugar não se licencia em unidades de conservação de proteção integral, ou seja, as que só admitem o uso indireto de seus recursos naturais, pela simples razão que o licenciamento ambiental é: um procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental [1]

Ora, quem poderia pensar em colocar algum empreendimento potencialmente degradador em uma unidade de conservação de proteção integral, como é o caso do PNM da Barra da Tijuca Nelson Mandela, ainda mais sem ter um Plano de Manejo elaborado e um Conselho Consultivo constituído? Simplesmente não cabe licenciar absolutamente nada, nenhuma infraestrutura.

Agora retomo ao título dessa publicação: qual a razão pela qual se Nelson Mandela estivesse vivo ficaria indignado? Pelo o óbvio ululante: o PNM Barra da Tijuca Nelson Mandela, foi criado sem estudos técnicos adequados e sem consulta pública, conforme postula a Lei do SNUC. Novamente, reforçando a colocação, e como diria John Lennon em “God” quando nos surpreende fazendo uma pausa e repetindo seu conceito sobre Deus, repito: os ritos metodológicos e legais não foram seguidos. Agora seria o caso de rir ou chorar? Muitos choraram quando John Lennon disse, na mesma música, que não acreditava mais nos Beatles e que o sonho havia acabado.

Finalmente, espero que Nelson Mandela nos perdoe pela falta de “padrão FIFA” nos nossos posicionamentos e procedimentos, posto que além de todos os equívocos técnicos do processo de criação do PNM Barra da Tijuca ninguém pode alegar o “eu não sabia” pelas razões já expressas no texto. Além disso, licenciar, ainda mais sem Plano de Manejo e Conselho Consultivo instituído na unidade de conservação?

Bem, particularmente ainda ouço Beatles, e escrevo o texto ao som de “Helter Skelter” porque é a trilha sonora desse nosso momento.  Logo, o sonho não acabou.





Sônia Peixoto é Bióloga, M.Sc
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

terça-feira, 9 de setembro de 2014

GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ ALTERNATIVA


É o que se depreende da afirmativa feita pelo vice-presidente da Federação Internacional de Golfe publicada pelo THE WASHINGTON TIMES no dia 03/09 conforme a notícia ‘Rio court puts Olympic golf course in turmoil’.


Sobre a decisão do Juiz comentada neste blog em GOLFE: A DECISÃO DO JUIZ + MUNDO NOVO X RISERVA, não obstante o enorme passo em defesa do Parque Ecológico Natural de Marapendi, infelizmente ainda não foi determinada a paralisação das obras.

Curiosamente vale notar que uma das propostas do MPRJ – doação da faixa de terra próxima da Lagoa de Marapendi com aproximadamente 400m de largura para ser incorporada ao parque, nada mais é do que mandar obedecer à legislação urbanística da Cidade do Rio de Janeiro que foi vergonhosa e criminosamente modificada pelo Prefeito e pela Câmara de Vereadores.

Às reportagens feitas no Brasil e em outros países que no último sábado reunimos em ALGUMAS NOTÍCIAS SOBRE O GOLFE, acrescentamos outras, inclusive a que menciona que “there are contingency plans”, ou seja, os organizadores estão preparados para eventualidades.

Portanto, a reserva poderá ser mantida. A construção do campo de golfe foi apenas o pretexto para a realização de um negócio imobiliário.


Urbe CaRioca


This June 27, 2014 aerial view shows, the Rio 2016 Olympic golf course under construction near the Athletes Village for the Rio 2016 Olympic and Paralympic Games in Rio de Janeiro in Rio de Janeiro, Brazil. Olympic golf course faces an uncertain future after a court proposed Wednesday, Sept. 3, 2014 that the under-construction layout should be modified to meet environmental concerns. Judge Eduardo Klausner, hearing a lawsuit brought against the city of Rio de Janeiro and the course developer, said the defendants had to return on Sept. 17 to say if they could accept the proposal. Klausner said work on the course could continue, but no new areas of vegetation could be plowed under. (AP Photo/Leo Correa)


Rio court puts Olympic golf course in turmoil

(…)

A spokesman for the Switzerland-based International Golf Federation wasn’t immediately available for comment. However, in a recent interview Ty Votaw, vice president of the IGF, said there were alternative plans if changes demanded them.
“There are contingency plans,” Votaw said, speaking at the British Open. “What they are is not something we’re going to share right now, but there are contingency plans.”
(…)

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Golfe para Quem? 'tacada certeira' do exterior pode chamar atenção da justiça para obra de campo olímpico


COM VÍDEO - Entrevista Advogado Jean Carlos Novaes


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Jornal do Brasil
07/09 às 12h02 - Atualizada em 07/09 às 12h43

As obras ainda não foram paradas e podem afetar Área de Proteção Permanente
Nesta quinta-feira (5), o Ministério Público do Rio de Janeiro , por intermédio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA) em auxílio à 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Meio Ambiente da Capital, propôs ao Município do Rio e à Fiori Empreendimentos Imobiliários que reformulem o projeto do Campo de Golfe Olímpico na Barra da Tijuca.
A audiência, realizada na tarde desta quarta-feira (3) na 7ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal Jurídico do Rio de Janeiro (TJRJ), contou com a presença dos integrantes do movimento “Golfe Pra Quem?” que critica as ações da prefeitura e da Fiori empreendimentos no terreno que é considerado uma Área de Proteção Permanente (APA).

O MPRJ propôs, com base nos esclarecimentos prestados pela equipe técnica presente à audiência, um recuo do desenho do campo de golfe para que a sua construção se dê sobre a Zona de Ocupação Controlada com a recuperação e preservação da faixa de vegetação e ecossistema existentes anteriormente da porção sul - faixa de aproximadamente 400 metros a partir do Plano de Alinhamento de Orla.
Também foi proposto pelo MPRJ que a referida área seja doada ao município, para que seja incorporada ao Parque Natural Municipal de Marapendi, e que o mesmo apresente um cronograma para elaboração do plano de manejo e criação do Conselho Consultivo da Unidade de Conservação.

(...)

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Contra o campo de golfe olímpico no Rio de Janeiro

Opinião do movimento Golfe para quem? 

Vídeo divulgado no Youtube.com em 19/03/2014

"Entrevista com o biólogo Marcello Mello e com o advogado Jean Novaes, dois ativistas que têm lutado incansavelmente contra o empreendimento criminoso chamado campo de golfe olímpico. Um campo de golfe em plena Reserva de Marapendi, local onde não poderia ser edificado qualquer tipo de empreendimento".





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Localização


Barra da Tijuca, entre a Avenida das Américas a Lagoa de Marapendi e duas ruas perpendiculares à Avenida das Américas. A área prevista para dar continuidade ao Parque Ecológico deveria ter sido preservada e resguardada através da construção da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, obrigação do empreendedor que quisesse aproveitar a parte edificável do terreno. A doação das áreas ao município também ocorre com parte do processo que permite construir nas áreas aedificandi.

As duas obrigações foram dispensadas pela Prefeitura.