segunda-feira, 30 de maio de 2016

O PATRIMÔNIO CULTURAL REQUER ATENÇÃO! LISTA INICIAL

PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO, RJ
Foto: Kiki Simone Reis, do Grupo S.O.S. Patrimônio

No post MEC x MINC x PATRIMÔNIO CULTURAL, publicado no último dia 25, convidamos os leitores para criar um movimento em defesa do Patrimônio Cultural que representa a Memória Urbana viva das cidades e outras ocupações: prédios e construções protegidos ou com valor para preservação quer em âmbito nacional ou de interesse local.

O Grupo S.O.S. Patrimônio respondeu de imediato ao convite do blog. Vários membros daquela rede social indicaram bens culturais que precisam ser restaurados ou recuperados.

As sugestões não se limitam à Cidade ou ao Estado do Rio de Janeiro. Chama-se a atenção para o Patrimônio Cultural brasileiro em geral, no caso, bens culturais materiais: prédios e outras construções, pois a iniciativa ocorreu a partir da discussão sobre a fusão do Ministério da Cultura - MINC ao Ministério da Educação – MEC, cancelada, voltando-se àquela pasta específica.

Abaixo, a primeira lista que consta da enquete elaborada pelo S.O.S. Patrimônio, que pode ser acessada na Página Urbe CaRioca do Facebook. Posteriormente as construções poderão ser separadas por região.

Participem!

 

Urbe CaRioca


NOTA
Para quem não conseguir votar via Facebook: indicar nos comentários, aqui ou na página Urbe CaRioca, os bens culturais escolhidos. O S.O.S. Patrimônio computará o voto na contagem final.


BENS CULTURAIS CONFORME ENQUETE EM ANDAMENTO:

1.           Palacete São Cornélio, propriedade da Santa Casa no RJ
2.           Capela São Pedro de Alcântara, UFRJ
3.           Conjunto arquiteônico da ex-Colônia Juliano Moreira, Jacarepaguá, RJ
4.           Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro
5.           Palacete do Barão de Vassouras, Vassouras, RJ
6.           Convento do Carmo na Praça XV Centro
7.           Palacete do Visconde do Itamaraty
8.           Imperial Escola Agrícola da Bahia, São Francisco do Conde, Bahia
9.           Museu Nacional da Quinta da Boa vista , Rio de Janeiro
10.     Estação Leopoldina, Rio de Janeiro, RJ
11.     Convento São Bernardino de Sena, Angra dos Reis, RJ
12.     Vila de São Francisco de Paraguassu, Cachoeira, Bahia
13.     Igreja Matriz de São João Batista, Itaboraí -RJ
14.     Casa de Aluísio de Azevedo em São Luis, MA
15.     Antigo Museu do Índio, Maracanã, RJ
16.     Igreja de São Joaquim da Grama, Rio Claro – RJ
17.     Hospital São Francisco, da UFRJ, Av. Pres. Vargas, Rio.
18.     Casa de Chiquinha Gonzaga
19.     Museu do Primeiro Reinado, Casa da Marquesa de Santos
20.     Parque Capivara, Piauí
21.     Campus Praia Vermelha, Rio de Janeiro.
22.     Engenho Monjope, Pernambuco
23.     CASA ELÉTRICA Porto Alegre RS
24.     Cavalariças de Dom Pedro II na Lapa RJ
25.     Solar da Fazenda Mandiquera, Quissamã-RJ
26.     Casa Grande e Capela da Fazenda Colubandê, São Gonçalo, RJ
27.     Igreja do Senhor do Bonfim - Caju Rio de Janeiro
28.     Automóvel Clube (sede do antigo Automóvel Clube do Brasil – Passeio Público)
29.     Vila Ferroviária de Paranapiacaba, São Paulo
30.     Antiga Escola Nacional de Engenharia, Lgo. São Francisco, Rio de Janeiro
31.     Ferrovia Madeira-Mamoré
32.     Toda a obra do pintor de botequins Nilton Bravo
33.     Estação Ferroviária de Guia de Pacobaíba e a Reativação da 1ª Estrada de Ferro do Brasil, Mauá, Magé-RJ
34.     Fundação Museu do Homem Americano - Parque Nacional da Serra da Capivara -I
35.     High Life, Glória, RJ
36.     Casarão do Visconde de Vasconcellos na Lapa
37.     Solar Notre Revê - Niterói, RJ.
38.     Capela e Cemiterio do bairro do Cantagalo, sepultura da Condessa, em Três Rios, RJ.
39.     Igreja Nossa Senhora do Rosário, Morro do Rosario em Paraiba do Sul, RJ
40.     Mansão Amarela, do Morro do Rosário, em Paraiba do Sul, RJ
41.     Antiga Estação Ferroviária de Japeri, Japeri - RJ
42.     Igreja de N. S. da Piedade de Inhomirim (onde fora batizado o Duque de Caxias), Magé - RJ
43.     Casa da Fazenda do Viegas, Senador Camará, Rio de Janeiro-RJ
44.     Casa da Fazenda Capão do Bispo, Del Castilho, Rio de Janeiro-RJ
45.     Cais Mauá - Porto Alegre, RS
46.     Engenho Suassuna Pernambuco.
47.     Fazenda São Bernardino, em Nova Iguaçú
48.     Catedral Nossa Senhora da Oliveira - Vacaria, RS

quarta-feira, 25 de maio de 2016

MEC x MINC x PATRIMÔNIO CULTURAL

ATUALIZAÇÃO EM 27/05/2016:
A lista inicial já está na página Urbe CaRioca do Facebook, na forma de enquete. É possível votar, conforme preferências, em vários bens culturais. A página é pública e divulga as postagens do blog, que podem ser acompanhadas também por aquela rede social.


Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro
Wikimedia


Durante a polêmica instalada no início do governo federal interino quando da fusão do Ministério da Cultura - MINC com o Ministério da Educação (que voltaria a ser o antigo MEC, Ministério da Educação e Cultura, abrigando as funções do MINC em uma Secretaria Especial), este blog refletia sobre um aspecto fundamental da cultura brasileira que não foi mencionado em uma única reportagem, ou um único protesto contra a “extinção” do MINC: a Memória Urbana representada pelo Patrimônio Histórico e Cultural edificado, seja em âmbito nacional ou de interesse local.

O movimento criado por artistas, cineastas e outros profissionais, basicamente ligados às artes cênicas, ao cinema, à música, e às artes plásticas, ganhou voz através das chamadas “celebridades”, figuras conhecidas pela maior parte da população especialmente através da televisão e do 'show business'.

O MINC voltou. E o silêncio sobre bens culturais construídos continuou. 

A ideia era fazer um post aberto a partir de levantamento inicial de bens culturais tombados, preservados, ou passíveis de proteção, e convidar os leitores a darem continuidade à lista.

Coincidentemente – ou não – o jornal O Globo de hoje publicou reportagem extensa que mostra o abandono de prédios pertencentes à Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com imagem da importante Capela São Pedro de Alcântara, na antiga Reitoria da Universidade, que sofreu um incêndio em 2011 e até hoje não foi recuperada, entre várias construções que estão em estado crítico.


Incêndio na Capela São Pedro de Alcântara, Praia Vermelha, Rio de Janeiro
Imagem: Rio e Cultura

A Cultura que demanda atenção não passa apenas pelo teatro, cinema, música e tradições históricas. Nosso Patrimônio Cultural edificado está permanentemente em risco. E nem sempre pode esperar.

Talvez as vozes dos artistas, indignados com a perspectiva de mudança na estrutura administrativa de ministérios da República, possam ajudar a defender também o patrimônio cultural brasileiro e carioca.

Além dos imóveis indicados na reportagem citada, abrimos a lista no blog com o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, situado no bairro da Gávea, que está fechado há seis anos, e com o Palacete São Cornélio, de propriedade da Santa Casa de Misericórdia, que fica no bairro da Glória.


Urbe CaRioca


segunda-feira, 23 de maio de 2016

SOBRE O VEÍCULO LEVE SOBRE TRILHOS E OS PÉS-DE-MOLEQUE QUE SOBRARAM

UtilitáRio

Atualização em 25/05/2015
Acrescentamos um segundo mapa com o traçado de VLT atualizado, conforme esclareceu o leitor Ricardo Lafayette, a quem agradecemos:

“A linha que passava ao largo do pátio (da Supervia) de São Diogo, não mais será construído. Uma pena, pois ligaria a Central do Brasil à Leopoldina, margeando os trilhos da Supervia. O segundo trecho alterado foi a ligação Praça XV - Aeroporto Santos Dumont que não mais será feita pelo impasse entre Prefeitura e III COMAR, já que haveria necessidade de um recuo nos limites do muro do III COMAR, e isso não foi permitido. A solução foi o prolongamento da linha que vai até a Cinelândia, passando esta agora a ir até o aeroporto Santos Dumont”.

Internet
Mapa atualizado - site da Prefeitura em 25/05/2016

Cariocas e visitantes, muita atenção!

Reportagem publicada no jornal O Globo no último dia 15 mostrou o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT, modal que seria inaugurado ontem, 22/05/2016. A inauguração que levará um “ar” de Primeiro Mundo a uma parte do Centro do Rio (trecho Praça Mauá – Aeroporto Santos Dumont), no entanto, foi adiada para o próximo dia 05 de junho.

O trajeto pela Avenida Rio Branco foi bastante criticado por urbanistas e historiadores, que sugeriram a Rua Primeiro de Março. Do mesmo modo, a destruição do calçamento com mais de 200 anos de idade encontrado na Rua da Constituição foi considerado uma enorme perda por historiadores, urbanistas e defensores do Patrimônio Cultural. Um pequeno trecho com 15.00m de extensão foi reposto e ficará à vista.

A ser mantido, o piso de pedras “Pé-de-Moleque” que aflorou durante as escavações teria mostrado a memória urbana viva do Rio de Janeiro, mas, a oportunidade única de criar um verdadeiro legado em tempos de "tudo é pra Olimpíada", foi descartada. Os posts sobre o piso de pedras “Pé-de-Moleque” foram recordistas de acessos neste blog.

Durante a semana passada, porém, surgiu outra questão: o Ministério Público do Rio de Janeiro – MPRJ “ajuizou uma ação civil pública para que as operações regulares do modal só começassem depois que uma série de determinações de segurança fossem cumpridas” e que “o VLT só entre em funcionamento quando o sistema de sinalização sobre os passeios e vias públicas for plenamente instalado, testado e aprovado” (Jornal Extra 20/05/2016).

A Prefeitura, por sua vez, pede a pedestres, motoristas, ciclistas e motociclistas, que “andem com mais atenção” para evitar acidentes, pois o VLT é uma novidade e emite pouco ruído.

Por isso, vale repetir: Cariocas e visitantes, muita atenção!

Abaixo, links para a primeira reportagem citada, de Guilherme Ramalho, que ilustra e conta a história dos bondes no Rio de Janeiro e para os artigos sobre o “Pé-de-Moleque” (Obs. - A rua indicada como Sete de Setembro, no mapa da reportagem é, na verdade, a Rua da Constituição, justamente a do calçamento “Pé-de-Moleque” destruído em um fim-de-semana chuvoso).


Urbe CaRioca



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10/08/2015 O PASSADO RESSURGE NO CAMINHO DO VLT, de Marcus Alves

12/08/2015 UM PÉ DE MOLEQUE NO CENTRO (Coluna Ancelmo Góis)

28/08/2015 PÉS-DE-MOLEQUE AGORA NA PRAÇA XV

30/08/2015 RIO BRANCO x PRIMEIRO DE MARÇO - DOMINGOS NA URBE CARIOCA

28/09/2015 RUA DA CONSTITUIÇÃO, PÉ-DE-MOLEQUE SOBRE PÉ-DE-MOLEQUE

05/10/2015 PÉS-DE-MOLEQUE DO RIO ANTIGO - PASSADO REVIVIDO, RIO A PRESERVAR

 

09/10/2015 CONSTITUIÇÃO, A DOS PÉS-DE-MOLEQUE, EM ‘PROSPECÇÕES CASUAIS’ de Eduardo Cotrim

17/10/2015 O Globo - PISO HISTÓRICO SERÁ PRESERVADO NA RUA DA CONSTITUIÇÃO

18/10/2015 PÉ-DE-MOLEQUE - MOBILIZAÇÃO COMEÇA A SURTIR EFEITO

26/10/2015 PÉ-DE-MOLEQUE DA RUA DA CONSTITUIÇÃO: DESCOBERTA, DIVULGAÇÃO, MOBILIZAÇÃO, TELEVISÃO, MAS, EM VEZ DA POSSÍVEL PRESERVAÇÃO, DESTRUIÇÃO E INDIGNAÇÃO!

27/10/2015 DESTRUIÇÃO DO PÉ-DE-MOLEQUE COM MAIS DE 200 ANOS NA GRANDE IMPRENSA

30/10/2015 VLT DO RIO ATROPELA A LEI E O PATRIMÔNIO CULTURAL DA CIDADE, de Sonia Rabello

02/11/2015 ACHADOS E PERDIDOS URBANO-CARIOCAS

05/11/2015 O MÊS NO URBE CARIOCA – SETEMBRO 2015

01/12/2015 PRAÇA XV e RUA DA CONSTITUIÇÃO - PÉS-DE-MOLEQUE x CONCRETO

07/12/2015 - O MÊS NO URBE CARIOCA – OUTUBRO 2015

31/12/2105 - QUE 2016 TRAGA BOAS NOTÍCIAS PARA A URBE CARIOCA!

14/01/2016 - O MÊS NO URBE CARIOCA – DEZEMBRO 2015

sexta-feira, 20 de maio de 2016

REGIÃO DAS VARGENS - REUNIÃO AMANHÃ, DIA 21/05/2016



Imagem: Filme de animação Up - Altas Aventuras

Como vem sendo noticiado pela grande imprensa, a Prefeitura elaborou proposta para uma nova lei urbanística (uso e ocupação do solo) para parte da Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro conhecida como Região das Vargens.

As licenças para novas construções estão suspensas naqueles bairros há alguns anos - Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, e parte da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes - com exceção das obras ligadas direta ou indiretamente aos Jogos Olímpicos 2016.

A proposta consiste em criar uma Operação Urbana Consorciada, nos moldes do que ocorreu na Zona Portuária, segundo o noticiário. 

Já divulgamos várias análises e artigos sobre esta região desde a criação do blog, com respeito à edição do polêmico PEU Vargens, a lei de 2009. Recentemente publicamos mais um artigo de Canage Vilhena e divulgamos o calendário de audiências públicas já em realização.

Ontem o jornal O Globo apresentou extensa reportagem sobre o tema, que pode ser conhecida NESTE LINK.

Amanhã, dia 21/05/2016, será realizada a Reunião Ampliada por um Plano Popular para as Vargens.

A quem interessar:

Local - Associação de Moradores e Amigos de Vargem Grande - Estrada do Pacuí n. 80, Vargem Grande
Horário - 9h30min




Urbe CaRioca

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O SAMBA E A PRAÇA ONZE, de Cleia Schiavo Weyrauch


Internet

No último domingo, quando preparamos este artigo da conhecida socióloga para publicar no blog, escolhemos os vídeos com os sambas sobre a Praça Onze indicados pela autora.
De início, o ‘Rancho da Praça Onze’ seria apresentado com a gravação de Dalva de Oliveira. Mas decidimos trocar pela interpretação de Cauby Peixoto, o cantor icônico e original, de vozeirão aveludado inconfundível. Pela manhã de segunda-feira, dia 16/05, já estava em todos os noticiários e redes virtuais a notícia sobre a morte do cantor único, que estava com 85 anos.

Nossos agradecimentos a Cleia Schiavo Weyrauch, e uma homenagem a Cauby Peixoto, sem demérito para a grande Dalva de Oliveira! 

Urbe CaRioca


Herivelto Martins e Grande Otelo - Praça Onze - com imagens - Youtube



O SAMBA E A PRAÇA ONZE
Cleia Schiavo Weyrauch

CIDADE E CULTURA
As obras de modernização do Porto do Rio, a abertura da Avenida Central e, mais tarde, da Avenida Presidente Vargas alteraram profundamente a dinâmica sócio-espacial da Cidade do Rio de Janeiro nos primeiros 50 anos do século XX.
 No entorno da Avenida Central, a área dos bairros Gamboa, Saúde, Santo Cristo, Estácio serviu de refúgio à população pobre deslocada pela construção da avenida em face da destruição de estalagens e habitações improvisadas nas quais residiam imigrantes estrangeiros, migrantes nacionais e trabalhadores locais. Por força da intervenção urbana, esse contingente transferiu-se para a área citada, vizinhança do Porto, também em obras, que poderia absorver mão de obra disponível, além daquelas ligadas à dinâmica própria do Cais. A importância político-econômica dada ao Porto sugeria a possibilidade de inserção daqueles grupos no mercado de trabalho. Nada mais ilusório, já que as possibilidades reais de trabalho, ali, levavam a população apenas a esquemas de sobrevivência social como aqueles dos estivadores, foguistas, carvoeiros etc., ao pequeno comércio da região, e a conseguir biscates em geral.
Mas, do ponto vista cultural, a contiguidade da pobreza que unia negros, portugueses, ciganos, italianos, e outros europeus fez nascer uma cultura popular que, pouco a pouco, passou a ter brasilidade.
O samba, por exemplo, de ritmo maxixado ([1]) ganhou outro contorno ao ser cantado por Ismael Silva, fundador da primeira Escola de Samba de nome Deixa Falar ([2]). O gênero de canção também ampliou seu público mediado pelo rádio que o promoveu difundindo-o através dos lares da cidade.

A ZONA DO CAIS: UMA REFERÊNCIA
A história sócio-cultural  da região do  Cais do Porto da cidade do Rio de Janeiro na primeira metade do Século XX destaca a presença de negros com suas tradições africanas, sua religiosidade, comidas, danças e receitas de viver o cotidiano. Mas, embora a herança negra revele forte e significativa  presença, no  que  se refere  ao modo de vida inscrito na vida social da região, outras experiências históricas tiveram importância decisiva como a de Ingleses ([3]), imigrantes pobres - sobretudo europeus -, ciganos ([4]), americanos, e até orientais, que contribuíram para formar  uma cultura local característica que Mary  Karash, ao ampliar o arco de relações entre a zona portuária e a cidade,  denominou de “afro-carioca”.  Na área do Cais casarões tornaram-se  cortiços que abrigaram famílias pobres que para ali se dirigiram. Outras subiram os morros como o da Providência, do Pinto e o da Conceição.
Os trabalhadores que habitavam cortiços, estalagens, casas e favelas em torno do cais, ao mesmo tempo em que lideraram protestos, promoveram relações culturais que produziram expressões estéticas que hoje simbolizam nosso país, das quais o samba é uma das mais conhecidas.

A PRAÇA ONZE
Mas, a relação da cidade com a Cultura é dinâmica e ultrapassa os guetos, sobretudo quando mediada pelos intelectuais e pelo Rádio, como foi até os anos 1950.  Assim, dos encontros na Pedra do Sal aos da casa da tia Ciata, na Praça Onze o samba ganhou uma forma própria como mostra Ismael Silva neste vídeo sobre a “Deixa Falar”.

                                                                                                             Youtube
A Praça Onze ficava entre Cais e a Lapa, as duas áreas ligadas por um emaranhado de ruas. Mas, a tão falada Praça não existe mais. Ponto da reunião de artistas e boêmios nela e nas redondezas habitaram muitos judeus, italianos, espanhóis, outros imigrantes de várias procedências, e negros, muitos oriundos da Bahia.
O progresso levou nova onda de modernização ao Centro da cidade e, para desespero de mais cariocas deslocados de suas moradias, em 1941, a Prefeitura começou as demolições para a abertura da Avenida Presidente Vargas. Aquela malha urbana contínua foi interrompida e as ruas destruídas, em parte, com a abertura da Avenida, na década de 1940 ([5]). Este traçado já tinha sido previsto pelo urbanista Alfred Agache na década de 1930, mas foi realizada apenas na administração do Prefeito Henrique Dodsworth.
Mil imóveis foram derrubados - um outro “bota-abaixo” que ocorreu no espaço  mais cosmopolita da cidade, mas, mesmo assim, a Praça Onze deu sua resposta  musical, como fizeram Herivelto Martins e Grande Otelo com o  samba Praça Onze. Mais tarde Chico Anísio e Roberto Kelly fizeram o mesmo dizendo da saudade da praça boêmia em Rancho da Praça Onze.
Hoje a praça permanece em cartões-postais antigos e no imaginário carioca, e especialmente, na memória dos mais antigos que vivenciaram o Samba e o Carnaval em época distante dos holofotes e câmeras de televisão, sequer sonhados.
Cleia Schiavo Weyrauch é Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da UERJ.




[1] O samba amaxixado Pelo telefone, de domínio público, mas registrado por Donga e Mauro Almeida, é considerado o primeiro samba gravado, embora Bahiano e Ernesto Nazaré tenham gravado pela Casa Édison desde 1903.
[2] A Escola de Samba Deixa Falar foi fundada em 1928.
[3] Os ingleses da igreja metodistas fundaram no inicio do seculo XX o Instituto Central do Povo  importante instituição que fundou uma escolar regular de ensino , um jardim de infância  alem de cursos de datilografia e mecânica , novas profissões de uma sociedade que se modernizava . Em colaboração com o Médico – Sanitarista Dr. Oswaldo Cruz, foi lançada a Campanha contra a febre amarela e depois contra a tuberculose; - O primeiro Dispensário do País (consultórios médico e dentário, farmácia e laboratório e as primeiras classes de enfermagem e primeiros socorros); - Em convênio com o Distrito Federal estabeleceu o primeiro consultório de higiene infantil, embrião dos Postos de Saúde Pública no Brasil; : http://imas-icp.webnode.com.br/quem-somos/o-inicio/
[4] Os ciganos atuaram como leiloeiros de escravos até a proibição do tráfico negreiro
[5]  As obras da Presidente Vargas foram iniciadas em 1941 e concluídas três anos depois.




Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo
Interpretação: Emilinha Borba

Praça Onze, de Herivelto Martins & Grande Otelo
Vão acabar com a Praça Onze
Não vai haver mais Escola de Samba, não vai
Chora o tamborim
Chora o morro inteiro
Favela, Salgueiro
Mangueira, Estação Primeira
Guardai os vossos pandeiros, guardai
Porque a Escola de Samba não sai

Adeus, minha Praça Onze, adeus
Já sabemos que vais desaparecer
Leva contigo a nossa recordação
Mas ficarás eternamente em nosso coração
E algum dia nova praça nós teremos
E o teu passado cantaremos



Rancho da Praça Onze, de Chico Anysio e João Roberto Kelly
Interpretação: Cauby Peixoto

Rancho da Praça Onze, de Chico Anísio e João Roberto Kelly
Esta é a Praça Onze, tão querida
Do carnaval a própria vida
Tudo é sempre carnaval
Vamos ver desta Praça a poesia
E sempre em tom de alegria
Fazê-la internacional

A Praça existe alegre ou triste
Em nossa imaginação
A Praça é nossa e como é nossa
No Rio quatrocentão

Este é o meu Rio boa praça
Simbolizando nesta Praça
Tantas praças que ele tem
Vamos da Zona Norte a Zona Sul
Deixar a vida toda azul
Mostrar da vida o que faz bem
Praça Onze, Praça Onze