segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mais Metrô

O carioca é tenaz. Continuam as discussões sobre a Linha 4 do Metrô, isto é, sobre a decisão do Governo Estadual de espichar a Linha 1 batizando-a de Linha 4. Na rede, não a do Metrô que o Governo não quer fazer, mas nesta, a Web, há artigos interessantes e muito esclarecedores. Abaixo alguns que devem ser conhecidos.

www.metrodorio.blospot.com.br Vale ler o post de 21/4/2012 que lista os pontos polêmicos.

http://metrodorio.blogspot.com.br/2009/04/projetos-da-linha-4-do-metro.html No mesmo blog, em 2009 mapa da Linha 4 original, A Verdadeira.
http://vejario.abril.com.br/blog/as-ruas-do-rio/estudos-sociais/o-metro-que-o-rio-precisa Em julho/2011 a Veja Rio publicou essa história em quadrinhos esclarecedora.
http://www.flickr.com/photos/carioca_da_gema/34571599/ Este link mostra um mapa da Linha 1 em 1970. As Estações Nossa Senhora da Paz e Jardim de Alah estão previstas, como mencionado na postagem anterior. A Linha 4 é outra e não um "puxadinho" na Linha 1.
Mapa Metrô 1968 - Fonte: pesquisa internet

domingo, 29 de abril de 2012

O Metrô e a Praça



Andréa Albuquerque G. Redondo
No dia de estreia do URBE CARIOCA a imprensa noticiou que o início das obras da Linha 4 do Metrô será daqui a dois meses, referindo-se ao canteiro de obras da futura Estação Gávea, cujo modelo possibilitará ou impedirá novas interligações.
Preocupações com estacionamentos provisórios e o trânsito local, transtornos inevitáveis, não devem desviar a atenção do aspecto mais importante decidido pelo Governo Estadual unilateralmente: a modificação do traçado projetado em rede, o conjunto de linhas cruzadas que, neste caso, previa a ligação Centro-Barra a partir da Estação Carioca via Humaitá, Jardim Botânico e Gávea.
O que o Governo insiste em chamar de Linha 4 nada mais é do que o prolongamento da saturadíssima Linha 1, o traço contínuo e solitário com cerca de 40km que contorna cidade pela orla da Zona Sul, começa entre Ipanema e Copacabana e termina na estação Pavuna, final da Linha 2. As manifestações contrárias a mais uma “esticada” nos trilhos - ou fora deles? -foram várias: artigos em jornais de grande circulação (ex. Na Trilha do Futuro, OG 07/11/2011), a opinião do Clube de Engenharia, apelos de moradores e políticos em audiências públicas, abaixo-assinados em favor do projeto original, o movimento de bairros O Metrô Que o Rio Precisa, inúmeros depoimentos de usuários insatisfeitos, e aspectos de natureza jurídico-administrativa constantemente apontados como questionáveis.
Proposta do movimento Metrô que o Rio Precisa  www.metroqueorioprecisa.com.br
”Nada vai mudar”: O Governo Estadual, insensível aos apelos, não apresentou estudos urbanísticos para justificar o abandono da solução original que atenderia mais bairros e pessoas, simplesmente com bifurcações e a consequente distribuição de linhas pela cidade. Por outro lado, o silêncio da Administração Municipal, única responsável pelas decisões relativas ao uso do solo na cidade, por determinação constitucional, só se explica pela mera cumplicidade política e submissão ao governo do Estado que jamais deveriam superar o interesse do Rio de Janeiro e de seus cidadãos.
Nada se ouve sobre as estações Morro S. João e Cruz Vermelha: esta, continuação da Linha 2 via Estácio-Carioca-Praça XV, esquecida; aquela, entre Botafogo e Cardeal Arcoverde, alternativa à interligação com a verdadeira Linha 4. Ambas contribuiriam para a formação da desejada rede de trilhos, hoje restrita a um pequeno ramo em direção à Tijuca.
Está longe dessas considerações qualquer intenção contrária à chegada do Metrô a Ipanema e Leblon, o que poderia confundir análises isentas que consideram o interesse geral da cidade em primeiro lugar e ser interpretado erroneamente como elitismo. Existe só a convicção de que a construção dessas estações – presentes nos estudos iniciais - deve ser adiada até que a Linha 4 Verdadeira e o prosseguimento da Linha 2 em direção às Barcas sejam prioridade.
Em meio à polêmica há a Praça Nossa Senhora da Paz. Coração do Sítio Cultural de Ipanema, espaço tradicional bem conservado e muito arborizado, a praça foi tombada definitivamente pelo Decreto nº 23161/2003. Embora o atual Chefe do Executivo tenha vetado projeto de lei que propunha a mesma salvaguarda, o tombamento está em vigor, assim como todas as Áreas de Proteção do Ambiente Cultural – APAC, entre elas a que protege o bairro. Portanto, qualquer intervenção dependerá da aprovação dos órgãos municipais responsáveis pela proteção do Patrimônio Cultural do Rio e, naturalmente, da chancela do Prefeito.
O assunto é vasto e repleto de nuances. A praça tombada será o menor empecilho caso o Estado mantenha o dito e a Prefeitura se omita: farão o Metrô de Uma Linha Só. Para reverter esse quadro há que aumentar o interesse pelo tema, o que só acontecerá se, com apoio ainda mais intenso da mídia, universidades, órgãos de classe, urbanistas e especialistas em transportes se unirem em defesa dos melhores trilhos.

                                             

quarta-feira, 25 de abril de 2012

SOBRE FECHAR VARANDAS


O texto abaixo foi publicado no Portal Vitruvius de Arquitetura e Urbanismo com várias imagens esclarecedoras, e no Blog Cidade Inteira, que podem ser acessados através dos links http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/12.139/4234 e Cidade Inteira: Sobre fechar varandas. Agora tenho a oportunidade de divulgá-lo também no blog Urbe CaRioca, e aproveito para agradecer os comentários feitos no site Vitruvius.




SOBRE FECHAR VARANDAS

                   Andréa Albuquerque G. Redondo



Varandas em balanço mantidas abertas preservam a volumetria original do prédio. Rio de Janeiro, década 1940. Foto: Andréa Redondo
                                  



O fechamento de varandas, objeto de proposta que tramita na Câmara de Vereadores, é mais complexo do que parece. Há que explicar.

Previstas na legislação urbanística da cidade pelo menos desde 1937, desde 1975 as varandas são um bônus previsto em lei. Para usufruí-lo, entretanto, há uma obrigação a cumprir: as varandas devem ser abertas e em balanço, isto é, providas apenas de guarda-corpo e sem pilares de sustentação.

Por bônus ou benefício, entenda-se que as varandas não são contadas na área máxima de construção nem na taxa de ocupação previstas para cada terreno. Por hipótese, em lote de 500m² onde se pode ocupar 70%, o andar padrão terá 350m², e mais cerca de 60m² de varandas balanceadas. Caso sejam projetadas varandas fechadas prevalecerá o limite inicial.



Conjunto de edifícios afastados das divisas, sem varandas.Rio de Janeiro, início da década de 1970.                                                                                                     Foto: Andréa Redondo
                 

Aparentemente o benefício é vantajoso para construtor e morador. Todos querem as varandas, chamariz do mercado imobiliário e objeto de desejo há décadas. Não há desinformação de nenhuma parte: a restrição quanto ao fechamento está gravada nos projetos aprovados, nas Convenções de Condomínio, e consta no Registro de Imóveis.

A vantagem não se restringe a ganhar metros quadrados. Os espaços que existem em volta dos prédios necessários para ventilar e iluminar os cômodos devem ser obrigatoriamente livres, bem como as distâncias mínimas das fachadas às calçadas. As varandas, uma exceção, podem ocupar os espaços mínimos para ventilar e iluminar as moradias, e fronteiros à rua, todos, na origem, non-aedificandi. O legislador considerou que, sendo abertos, os volumes poderiam ser projetados para fora das fachadas, sem prejudicar as condições de aeração e insolação de salas, quartos, banheiros e cozinhas, ou a vizinhança.


Edifício com varandas em balanço na fachada principal, sobre o afastamento frontal.
Guarda-corpo padrão da época, com gradil. Rio de Janeiro, final da década de 1970.
         Foto: Andréa Redondo                                       


Portanto, o fechamento desse tipo de varanda é indevido tanto do ponto de vista legal quanto conceitual e técnico: contraria o Código de Obras e afeta condições de salubridade dos cômodos prevista nas normas, e diz respeito não apenas a cada apartamento, mas aos edifícios, aos vizinhos. Afeta a quadra e importa à cidade como um todo.

Não obstante esses aspectos, de tempos em tempos e mediante pagamento ao Município a chamada “lei da mais valia” regulariza os fechamentos proibidos, procedimento no mínimo incoerente por legalizar o que não pode ser licenciado.

Surge agora o citado Projeto de Lei para permitir o fechamento das varandas que são construídas obrigatoriamente abertas, cuja ementa por si é questionável: destina-se a “possibilitar a proteção contra intempéries”. Além disso, o material tem que ser incolor e translúcido, sem necessidade de padronização. Poderá haver esquadrias, embora não explique como se farão invisíveis... Mais estranho ainda, não será permitido na Zona Sul, sem determinar que as intempéries sejam proibidas nessa região do Rio de Janeiro.



Fechamento com esquadria, detalhe, Rio de Janeiro.
 Foto: Andréa Redondo

Há mais. O fechamento não poderá resultar em aumento real da área da unidade residencial nem será permitida a incorporação da varanda aos compartimentos internos, sob pena de multa. Ora, as três afirmações são inócuas: as duas primeiras são inerentes ao fechamento. A terceira é inaplicável, pois obras internas em residências são isentas de licença e fiscalização.





O que se pretende de fato é modificar a lei para liberar o fechamento das varandas - que nasceram na condição de serem abertas – e o caríssimo pagamento da “mais valia”. Sem entrar no mérito da última, a proposta é mais um equívoco da legislação urbanística carioca, diante das condições especiais em que as varandas têm sido construídas até aqui.

Se por algum motivo as normas devem ser mudadas, que o seja para prédios novos, onde a faixa frontal à calçada e os espaços para ar e luz deverão permanecer livres. Para os prédios existentes, bambinelas translúcidas resolverão a alegada questão das intempéries.

Rio de Janeiro, 03 de janeiro de 2012.                   


Correr de edifícios com varandas abertas e em balanço sobre 
o afastamento mínimo frontal, preservando-se a volumetria
original. Rio de Janeiro, década de 1980. Foto. Andréa Redondo

                                                         
À direita, varandas originalmente abertas e em balanço,
fechadas com esquadrias ou apenas vidros sem montantes, o que, 
em ambos os casos, modifica a volumetria original.
 Rio de Janeiro, décadas de 1980 e 2000. Foto: Andréa Redondo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Twitter Urbano-CaRioca






Assuntos afetos ao Rio de Janeiro - Cidade e Estado - têm sido divulgados em www.twitter.com/andrearedondo, um Twitter também Urbano-CaRioca com eventuais variações do tema Urbanimo

Mais um espaço de comunicação e informação, em 140 caracteres.

Andréa Albuquerque G. Redondo

Blog Urbe CaRioca

Em defesa da Cidade do Rio de Janeiro


Meu nome é Andréa Albuquerque Garcia Redondo. Sou carioca e arquiteta. Trabalhei durante mais de 30 anos na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, nos setores responsáveis pelo Urbanismo relacionados à Legislação Urbanística do Uso do Solo e à Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural do Município.
Este blog destina-se a abrir um espaço para troca de informações, opiniões e sugestões que possam ser divulgadas, as quais, esperamos, transformem-se em ações que venham a melhorar o dia-a-dia de cariocas e visitantes da Cidade Maravilhosa e contribuir para o desenvolvimento urbano do Rio. Todos os interessados na Urbe CaRioca estão convidados a participar.

Um abraço,
Andréa

                                                                                   fonte: pesquisa Google