quarta-feira, 27 de junho de 2012

UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, por Miguel Gonzalez


O Blog Urbe CaRioca convidou Miguel Gonzalez, jornalista e editor do Blog Metrô do Rio - www.metrodorio.blogspot.com.br -, para escrever sobre a história, os projetos passados e presentes dos governos, e sobre como será o futuro do Metrô Fluminense com as obras que estão em andamento.


Esta divulgação torna-se ainda mais oportuna diante da recente aprovação, pelo INEA, para as obras do Metrô na Zona Sul, noticiada em 25/6/2012, "dois dias antes do julgamento de recurso que contesta a licitude do EIA-Rima...no Tribunal de Justiça... recurso proposto pelo Ministério Público Estadual, que pede liminar contra as obras, por apontar sérias irregularidades no relatório de impacto ambiental da obra (EIA-Rima), e portanto, questionava a própria concessão de licença prévia", informação que consta no Blog da Sonia.

Com as opiniões e importantes informações do jornalista, retomamos as questões polêmicas que envolvem o nosso Metrô, dando sequência às considerações apresentadas em O Metrô e a Praça e na série Mais Metrô tendo por objetivo incentivar novas discussões, divulgar dados a respeito das decisões tomadas pelo governo estadual e as respectivas consequências para a Cidade, para os usuários desse meio de transporte, e para todos os CaRiocas.


Aos leitores, os muitos fatos para conhecer.


UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA
O METRÔ DO RIO


Miguel Gonzalez*


Cariocas e Fluminenses,
Sem devaneios, nem projetos criativos, nem tentar desenhar um mapa com o Metrô ideal para o Rio de Janeiro, decidi escrever este texto a convite de Andréa Redondo para ajudar a todos a clarear as ideias de um Metrô para a cidade, que pode não ser o ideal, mas que seria de bom tamanho e muito melhor do que o que temos hoje.
Linhas 1, 2 e 4

A LINHA 1:

A Linha 1 de hoje é a antiga Linha Prioritária. Ela foi desenhada pela primeira vez nos anos 60 e seu trajeto começaria na Estação Uruguai e terminaria na Estação Praça Nossa Senhora da Paz.


É curioso vermos que nenhuma destas estações finais ficou pronta até hoje. É importante vermos que a cidade cresceu, as técnicas de engenharia e informática se modernizaram e a Linha Prioritária ganhou novos contornos ao longo do tempo e foi modificada. Por exemplo, Copacabana teria cinco estações de Metrô (as estações Rainha Elizabeth e Constante Ramos foram cortadas), mas ficou apenas com três.


Como deveria ser a
Estação uruguai
Hoje, especialistas e usuários comuns do Metrô defendem a Linha 1 Circular, que encurtaria as distâncias entre as Zonas Norte, Sul e Central da cidade, além de distribuir o fluxo de passageiros de maneira muito mais eficiente entre as outras linhas. Esta linha 1 não teria estação inicial, nem terminal, afinal, seria circular.

A grande obra necessária para essa linha se tornar realidade é a ligação entre a Estação Uruguai, em construção na Tijuca, e a Estação Gávea, através de um túnel. Este túnel seria construído por baixo do maciço da Tijuca e ligaria as Zonas Norte e Sul da cidade, sem a necessidade de o passageiro passar por dezenas de estações até chegar ao seu destino final.


Terreno onde deveria ter sido construída a
Estação Morro de São João: Rua Ávaro Ramos,
Botafogo, próximo ao Shopping Rio-Sul


Para a Linha 1 se tornar eficiente, além das estações já existentes, é preciso concluir a Estação Morro de São João, em Botafogo, e as Estações Uruguai, Gávea, Praça Antero de Quental, Jardim de Alah e Praça Nossa Senhora da Paz.






A LINHA 2:

A Linha 2 foi projetada nos anos 70 e tampouco foi concluída. Seu trajeto original ligaria a Pavuna à Carioca. Assim, como no caso da Linha 1, hoje muitos defendem que a Linha 2 termine na Praça XV, para atender ao público das barcas (que vem de Paquetá, Niterói, Ilha do Governador e, quem sabe no futuro, de São Gonçalo).


 Uma vez que o trecho Centro seja concluído, a Linha 2 deveria ir além da Pavuna, até Belford Roxo. Há um projeto para que a Linha 2 ganhe as estações Vila Rosali, Agostinho Porto, Coelho da Rocha e Belford Roxo. A Linha 2 passaria a ser intermunicipal, pois alcançaria os municípios de São João de Meriti e Belford Roxo.



A Linha 2 ideal
Um dos grandes problemas do metrô do Rio de Janeiro é a não conclusão sequer do projeto original da Linha 2. Hoje, sua estação terminal é a Estácio. Mas a Estação Estácio é pequena e não foi projetada para ser uma estação terminal.

Muitos não sabem mas a Linha 2 deveria ter ainda as estações Catumbi, Praça da Cruz Vermelha e Carioca. A plataforma para receber os trens da Linha 2  na Carioca foi construída nos anos 70 e 80 mas nunca foi aberta ao público porque o metrô nunca chegou lá.

Diversos governadores já passaram pelo poder do Rio, mas não concluíram a obra, que é sempre tema de debate nas campanhas eleitorais – na última o candidato Gabeira defendeu a conclusão da obra. Sabe-se que cerca de 80 metros de túnel foram escavados entre Estácio e Catumbi e que as fundações da estação Cruz Vermelha também foram feitas. É preciso retomar o projeto.

Jornal O Globo - Plataforma
da Linha 2 fechada na
Estação Carioca, Centro

A Linha 1A construída pelo Governador Sérgio Cabral é uma gambiarra que juntou as linhas 1 e 2 numa só e não levou o metrô ao Catumbi e à Lapa (Praça Cruz Vermelha). Isso sem falar que a plataforma na Carioca continua abandonada.


Além disso, os trens perderam vagões e esta junção de linhas está sujeita à falha humana, pois o controlador tem que esperar um trem da linha 1 passar para autorizar a entrada do trem da Linha 2 na linha 1, e vice-versa.






A LINHA 3:
Projetada nos anos 80, a Linha 3 começaria no município de Visconde de Itaboraí, passaria por São Gonçalo, Niterói e terminaria no Rio de Janeiro, através de um túnel sob a Baía de Guanabara. O projeto visa desafogar o trânsito entre São Gonçalo e Niterói, melhorar o acesso à COMPERJ, desafogar as barcas e desafogar a Ponte Rio-Niterói.


Lotes Linha 3
De acordo com as últimas notícias, apenas o trecho entre São Gonçalo e Niterói será construído. Serão catorze estações: Estação Praça Araribóia, Estação Jansen de Mello, Estação Barreto, Estação Neves, Estação Vila Laje, Paraíso, Estação Parada 40, Estação Zé Garoto, Estação Mauá, Estação Antonina, Estação Trindade, Estação Alcântara, Estação Jardim Catarina e Estação Guaxindiba.


O segundo trecho entre a Estação Guaxindiba e a Estação Visconde de Itaboraí, via Estação Itambi deverá ser feito na sequência até 2020.
A grande questão da Linha 3 é a ligação com a Estação Carioca, no Rio de Janeiro.

O Governador Sérgio Cabral, impopular com sua política de transportes, contratou o escritório de arquitetura do renomado Oscar Niemeyer para desenhar uma estação multimodal em Niterói. A Estação Praça Araribóia seria um terminal rodoviário, metroviário e de barcas, mas da forma que ela foi desenhada, impediria uma futura ligação metroviária com o Rio de Janeiro. Isso porque sua construção seria muito próxima da Baía de Guanabara e o metrô chegaria num elevado. Para atravessar a baía, o túnel do Metrô precisa ficar pelo menos 15 metros sob a água. Ou seja, não há distância para o trem do metrô descer e chegar a esta profundidade antes das águas da baía.

É preciso manifestar-se e exigir que o governador altere o projeto.
Ligações subaquáticas são muito comuns: o trem que liga a França ao Reino Unido; Metrôs de Londres, Paris, Moscou, Nova Iorque cortam rios e mares, etc. No blog metrodorio.blogspot.com.br há um vídeo do projeto da ligação Rio – Niterói por metrô, feito em 2002 pela então governadora Rosinha Garotinho. É interessante ver as técnicas de engenharia do projeto. O link para o vídeo é:


A LINHA 4:
O projeto da Linha 4 também foi desenhado nos anos 80. O projeto original previa a Linha 4 começando na Estação Carioca e chegando à Estação Alvorada.


Em 1997, um trecho da Linha 4 foi licitado. O trecho licitado previa apenas o trajeto entre a Estação Morro de São João e a Estação Jardim Oceânico. O projeto previa estações no Largo dos Leões, Humaitá, Gávea, São Conrado.

Por conta das Olimpíadas de 2016, o Governador Sérgio Cabral decidiu tirar a Linha 4 do papel. Misteriosamente, ele alterou o projeto da Linha 4 e não respeitou o que foi licitado. A Linha 4 começa agora em Ipanema e vai até o Jardim Oceânico. Ou seja, a Linha 4, passou a ser a extensão da Linha 1. A Linha 4 modificada mata não apenas seu trajeto original, como também mata o projeto da Linha 1 circular.

Ela é terrível para o futuro metroviário da cidade.

Não há nada que defenda o que o governador está fazendo. Seu projeto não é mais eficiente, não é mais barato, não é mais rápido, não vai facilitar, não vai trazer nenhuma vantagem.

DESAPROPRIAÇÃO IPANEMA
Já com suas obras em andamento, o carioca descobriu duas aberrações: a Estação Gávea, defendida para ter dois níveis (um para a Linha 1 e outro para a Linha 4) sequer será construída; e a Estação General Osório que terá uma baldeação em si mesma. Explico: a Estação General Osório, construída por Sérgio Cabral foi construída erradamente. Ela deveria ter sido feita sob a praça homônima, mas ela é em Copacabana e apenas as saídas são em Ipanema. É por isso que o usuário anda bastante ao desembarcar na estação. O governo teve medo de desapropriar um prédio de classe média (mesmo que temporariamente) para que a estação fosse construída no lugar correto.




Pior: para esta ligação com a Barra da Tijuca, o usuário terá que desembarcar em General Osório e fazer uma baldeação para seguir em linha reta através de Ipanema, Leblon, São Conrado e Jardim Oceânico. Um absurdo! Tudo por causa de uma centena de apartamentos.


Outro ponto é que a Linha 4 não deveria acabar no Jardim Oceânico. Ela precisa chegar até o Terminal Rodoviário da Alvorada passando por diversos shoppings e recolhendo os passageiros que vêm da Zona Oeste. Se você mora longe da estação de Metrô, vai continuar usando outro meio de transporte para chegar ao trabalho. Isso acontece em qualquer lugar do mundo. Por isso, as redes metroviárias das grandes cidades são enormes.
Movimento Metrô que o Rio Precisa
Destas aberrações do atual governo nasceu o Movimento Linha 4 Metrô que o Rio Precisa, que luta pela Estação Gávea em dois níveis e pelo traçado original da Linha 4.

CONCLUSÃO:

Linha 6
Poderia me alongar neste texto falando sobre o metrô do Pan, que não foi feito, o metrô para os aeroportos, o metrô para Icaraí, e as Linhas 5 (o metrô do Pan que sairia da Ilha do Governador, passaria pelo Aeroporto Internacional, UFRJ, Rodoviária, Aeroporto Santos Dumont e chegaria à Estação Carioca) e 6 (Linha 6 - do Aeroporto Internacional ao Terminal Rodoviário através dos bairros da Leopoldina e da Zona Oeste) que viraram corredores de ônibus.

Mas vou ficar apenas nas quatro linhas que há alguma intenção de serem construídas no momento.

Não seria ainda o ideal, mas já seria bem melhor do que temos hoje.


Rio de Janeiro, 25 de junho de 2012.

*Miguel Gonzalez, jornalista e editor do blog www.metrodorio.blogspot.com.br


terça-feira, 26 de junho de 2012

SOBRE A DEMOLIÇÃO DO ELEVADO DA PERIMETRAL


A Editoria de Opinião do Jornal O Globo de segunda-feira, 18/6/2012, trouxe ao debate mais um tema de interesse do Blog Urbe CaRioca - a Remoção do Elevado da Perimetral -, com a publicação de dois artigos.

Em NOSSA OPINIÃO foi publicado o texto Caminho certo, de autoria do importante veículo de comunicação.

Em OUTRA OPINIÃO consta o texto Ampliar o debate, de autoria de Jorge Borges.

Vista aérea do trecho do Elevado da Perimetral que será demolido
Foto: Agência O Globo



O Blog publica os dois artigos, em conformidade com os assuntos que se propõe a divulgar para incentivar discussões em prol da Cidade do Rio de Janeiro. Abaixo, os dois textos por extenso. Os links estão nos títulos respectivos.


Elevado da Perimetral e Armazéns do Cais do Porto
www.estadao.com.br Tasso Marcelo

TEMA EM DISCUSSÃO:

Remoção do Elevado da Perimetral


NOSSA OPINIÃO (Jornal O Globo)


A solução de crônicas demandas urbanísticas do Rio (transportes, redirecionamento do adensamento populacional, criação de novas áreas de interesse econômico, habitação e lazer) passa pela revitalização da Zona Portuária. Desde, pelo menos, a década de 70 discutem-se projetos que reintegrem à dinâmica da cidade essa imensa e degradada área de 8,4 milhões de metros quadrados, ao longo dos bairros de Gamboa, Santo Cristo, Caju e Saúde, e que se estende até os limites das avenidas Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco e Francisco Bicalho.

Turbinada por compromissos assumidos pela prefeitura carioca para realizar no município os Jogos Olímpicos de 2016, a ideia de revitalizar essa região — onde moram cerca de 28 mil pessoas, a grande maioria de baixo poder aquisitivo e condições habitacionais abaixo dos padrões de qualidade aceitáveis — ganhou corpo e está sendo tirada do papel por um ambicioso, positivo e necessário, programa de obras.

A reurbanização da Zona Portuária é puxada pelo projeto Porto Maravilha, que prevê a recuperação física de áreas degradadas, através de uma série de intervenções que visam a resgatar a vitalidade da região. Entre as transformações propostas, e agora saindo da prancheta, as obras que legarão um novo perfil urbanístico à Avenida Rodrigues Alves, ao longo do Porto, têm como principal ação a demolição do Elevado da Perimetral, que acompanha o traçado da avenida desde o Caju até as proximidades do Aeroporto Santos Dumont.

Trata-se de polêmica opção, pelas alterações radicais que promoverão no trânsito daquela parte da cidade. Construído em partes a partir da década de 50, o viaduto foi concebido como necessária alternativa para escoar o trânsito da Avenida Brasil e desfazer os gargalos que, em face do crescimento da cidade, começavam a ser formar naquela que, à época, era a principal porta de entrada e saída do Rio. O problema é que tal demanda foi resolvida à custa do agravamento radical da degradação daquela região.

O Elevado praticamente acabou com o que ainda havia de dinamismo na Zona Portuária. De um lado, segrega uma área confinada em ruas sem preservação, imóveis antigos cujos proprietários não se animam a investir na sua recuperação, por falta de perspectivas de retorno, engarrafamentos diários nos dois níveis de pistas (no viaduto e na Rodrigues Alves) etc; por outro, subtrai da vista dos bairros ali encravados a beleza da Baía de Guanabara. Como resultado, é praticamente zero o potencial turístico, comercial, residencial e de lazer do entorno da via — e, por decorrência, de toda a área a ela colada, com prejuízos para os moradores e falta de estímulos a empreendimentos econômicos.

A decisão da prefeitura de recuperar essa região do Centro obedece a uma lógica urbanística aplicada com sucesso em diversas cidades — Barcelona, Nova York e Buenos Aires entre elas, que revitalizaram suas zonas portuárias, reintegrando-as à vida urbana como pulsantes módulos de ocupação, em alternativa a regiões já saturadas. Seria um contrassenso reurbanizar o Porto e lá deixar encravada justamente uma construção que ajudou a degradar todo o seu entorno. É positivo também que, estando adiantadas as obras viárias concebidas como alternativa para o trânsito do viaduto, o município tenha decidido antecipar a remoção. O caminho da modernização do Centro já está (bem) traçado, e ganha a cidade nele entrando o mais cedo que puder.

www.portomaravilha.com



OUTRA OPINIÃO


JORGE BORGES

Não se trata apenas de discutir a demolição da Perimetral, pois teremos também a extinção da Avenida Rodrigues Alves e uma total redefinição das ligações viárias ali existentes. Estamos falando da “esquina da metrópole”. Um pedaço da cidade onde temos a confluência entre a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil e algumas das principais ligações viárias do Centro, e deste com a Zona Sul. Isso tudo leva esse trecho a suportar um número de viagens diárias que passa facilmente da casa dos milhões.

A ideia da demolição não é nova e reaparece na atual gestão com uma total e absoluta falta de transparência. O projeto nunca foi apresentado publicamente, seus custos estão subdimensionados e os efeitos sobre a mobilidade são discutíveis. Quase ninguém sabe o que será feito, muito menos como, nem quando ou por quanto.

Projetos alternativos poderiam ser elaborados de modo a melhorar os aspectos estéticos, o conforto acústico e a integração da estrutura do elevado com a paisagem do entorno — inclusive com os novos empreendimentos previstos para a região. Pesquisadores da FAU/UFRJ chegaram a elaborar uma proposta que reunia essas e outras características, mas sequer foram ouvidos pela prefeitura. O diálogo não está em pauta.

A relação do poder público com a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (CDURP) e o consórcio Porto Novo ganha contornos de psicopatologia. Alardearam o projeto Porto Maravilha como uma ação financiada predominantemente com recursos privados, através dos Cepacs, e a CEF banca tudo com os recursos do FGTS. Anunciaram a demolição da Perimetral a custo zero e agora já se fala em R$1,2 bilhão. A prefeitura repassa por lei direitos, obrigações e prerrogativas exclusivas do poder público para a CDURP, esta repassa tudo por contrato para o consórcio, e este, para dar conta de parte dessas obrigações, contrata empresa... da prefeitura!

As últimas ações no reordenamento do tráfego urbano, principalmente na região do Centro, tem apontado para uma estratégia, no mínimo, inadequada. Uma série de inversões de direção, além de fechamentos e realocações de acessos, tem levado ao desvio das principais rotas de automóveis e linhas de ônibus. Com isso, algumas vias que tinham um papel estruturante na rede viária passam a ser meras alimentadoras. Por um lado, essas vias têm seu fluxo diário bastante diminuído. Por outro lado, as demais vias estruturais passam a receber uma carga muito maior, levando à formação de novos gargalos e pontos de retenção que duram o dia inteiro e não apenas os horários de pico.

Pelos poucos dados disponibilizados até agora, esse mesmo processo já está sendo gestado na região portuária. A combinação da demolição da Perimetral com a criação do Binário e a reconfiguração da malha viária da região apontam para a formação de um certo enclave territorial, onde os principais fluxos de longo curso serão desviados e concentrados para fora dali, transferindo os engarrafamentos já quase insuportáveis para áreas com menos visibilidade e, pelos critérios dos nossos atuais gestores, importância. A demolição da Perimetral trará consequências muito sérias para quem mora no Rio. Precisamos cobrar a ampliação desse debate.

JORGE BORGES é especialista em Planejamento Urbano e mestre em Planejamento de Transportes.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A SEMANA – 18/6/2012 a 22/6/2012

Segunda semana da Conferência Rio + 20


Lista as postagens da semana que passou
com os links respectivos.



NO FORTE DE COPACABANA
 
www.mcopacabana.com 

www.istoe.com.br



NA AREIA E NO MAR

www.eliasjornalista.wordpress.com
www.gazetadosmunicipios.com.br


 

Segunda, 18/6/2102


[ URGENTE,URGENTE, RIO LANÇA SELO VERDE ]
[ VERDE,QUALIDADE DE QUÊ? ]
[ BOLINHO MIXTO ]




Terça, 19/6/2102


Artigo publicado no Jornal O Globo na Editoria de Opinião em contraponto à visão do jornal expressa com o artigo VOLTA PARA O FUTURO, ambos publicados na página 6 em 18/6/2012. A postagem contém os dois textos.


Quinta, 21/6/2012

O "poeminha" foi o primeiro de uma série de três, divulgados na Web a partir de 2010, criada com base na observação de mudanças expressivas na forma e conteúdo das leis urbanísticas da cidade iniciadas  no ano de 2009. O tema continua atual.


BARBOSA E O COCO, CUIDADO COM O MEIO AMBIENTE.
Nelson Polzin, Junho 2012
 Sexta, 22/6/2012


CrôniCaRioca

O Blog Urbe CaRioca louva a iniciativa da campanha do Jornal O Globo - Mar sem Lixo, Mar com Toninha -, sobretudo pelo seu caráter educativo, o que, todavia, não invalida a ideia de uma CrôniCaRioca bem humorada cujo protagonista, em crise de mal humor, reclama, mas colabora ao seu modo, e mostra que ainda há muito por fazer, em contraponto à atitude do amigo otimista e participativo, que nada questiona.


Notas da Semana:
  • Encerrada a Conferência Rio + 20.
  • O Blog recomenda a leitura do texto Oba-Oba Sustentável, de Guilherme Fiúza.
  • O Blog torce para que o macaco Muriqui seja a mascote das Olimpíadas 2016. Explicações em breve.
  • Inaugurado o Parque de Madureira, um PosT.zitivo para a Zona Norte e para a Cidade do Rio de Janeiro. O Blog deseja que o parque seja um sucesso e que se torne um espaço agradável de convivência e encontro para muitos CaRiocas. Que tenha policiamento e que seja mantido adequadamente.
  • Câmara dos Vereadores volta à ativa - atenção às leis urbanísticas perniciosas a caminho. "Benesse Urbanística" e Torre para o BNDES na pauta.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

NEM MAIS UMA TONINHA!*

Segunda Semana da Conferência Rio + 20

CrôniCaRioca

*O Blog Urbe CaRioca louva a iniciativa da campanha do Jornal O Globo - Mar sem Lixo, Mar com Toninha -, sobretudo pelo seu caráter educativo, o que, todavia, não invalida a ideia de uma CrôniCaRioca bem humorada cujo protagonista em crise de mal humor, reclama, mas colabora ao seu modo, e mostra que ainda há muito por fazer, em contraponto à atitude do amigo otimista e participativo, que nada questiona.

Ao amigo Nelson meu muito obrigada pelas ilustrações primorosas!

PAPO NO CALÇADÃO
Nelson Polzin, Junho 2012 

NEM MAIS UMA TONINHA!*               

Andréa Albuquerque G. Redondo


Foi na Praia de Copacabana, dia do Mutirão de Limpeza.
Lá estava eu tirando lixo da areia quando vi meu amigo caminhando pelo calçadão, esquisito, cara amarrada, passo apressado...
_ “Ô, Barbosa!”, disse. “Vem cá ajudar a catar lixo!”, e fui ao encontro dele. “Que cara é essa, Barbosa, nunca te vi assim, vem pro Mutirão!”.
_ “Não vou, tô revoltado!”.
www.ecoviagem.uol.com.br
_ “Mas, meu amigo, vamos salvar as toninhas!”.

_ “Ô, Almeida, vai me desculpar, mas eu salvo toninha desde que nasci”.

_ “Larga de mentira, Barbosa! Nunca teve mutirão prá salvar toninha, é a primeira vez!”.
www.skycrapercity.com
_ “Almeida, nunca joguei lixo na rua, muito menos na praia. Lá em casa era assim: lugar de lixo é na lixeira. Fiz igualzinho com meus filhos e eles, agora, ensinam aos meus netos. Não podiam jogar nada pela janela do carro. Nem papelzinho de bala, nem cuspir chiclete. Tinham que segurar o papel na mão até a casa. Quem mandou pedir chiclete, ficar igual a um ruminante? Ou continuava mastigando ou deixava grudado no dedo até encontrar uma lixeira. Pode perguntar a eles!
Agora fica esse povo catando porcaria dos outros. Garanto que só tem gente boa, consciente... feito você e eu. Os porcalhões estão em casa, rindo. Sujam tudo e deixam para os bobos limparem”.
www.flickr.com
_ “Mas, Barbosa...”
_ “Não tem mas, mas... Nessa cidade parece que está tudo pelo avesso! Esses que quebram os óculos do poeta devem rir igualzinho. Burrice! É o dinheiro dos impostos – nossos e deles - que paga tanto conserto. Vai ver se ensinassem poesia no colégio, explicassem quem foi Drummond...


Olha o caso do Metrô.
Vagão das Mulheres
www.blogdoodi.com.br
Não bastando ficar o povo todo espremido e mal atendido, tinham uns caras sem-vergonha se encostando nas mulheres. Em vez de pegar os caras, levar para a delegacia, anotar a ficha dos sujeitos, multar, fazer uma advertência... Qualquer coisa para educar, ensinar um pouco de civilidade... O que fizeram?

Um vagão feminino!!! Cor-de-rosa! Onde já se viu? Ficam as coitadas disputando um lugar apertado no vagão de mulheres e os malandros numa boa, atrás de outras vítimas, fora do trem do Metrô. Em seis vagões, só um para mulheres, e com horário certo: de manhã e à tardinha. Será que mulher não pega Metrô  ao meio-dia? No Rio de Janeiro tem muito mais mulher do que homem, né? Devia ter mais vagão para elas, então, e menos para os marmanjos!
  
Parada vagão das mulheres e horário
www.arealidadeelouca.wordpress.com
Tem mais: Em vez de terminar a Linha 2 atéa Carioca construir a Linha 4 Verdadeira, esticam a Linha 1 dando a volta ao mundo para chegar na Gávea e Barra, sem fazer a tal da rede como em todas as outras cidades! Isso não é Transporte de Massa, Almeida, é Transporte de Amassa”!



 _ “Ô coroa ranzinza, como reclama”!
Quartel da PM - OG 22/5/2012
_ “É sério, Almeida, tudo ao contrário.
Querem tirar os postos da orla porque as áreas ocupadas de Copacabana são de interesse público. Foi o governo que disse, está lá no jornal, é só conferir. Não entendo. Os postos estão lá quietinhos, não atrapalham nada e são úteis. E o Quartel da Rua Evaristo da Veiga, não é de interesse público? Importante para a Cidade? Claro que sim! Tem História! E o mesmo governo quer pôr abaixo prá vender”.
_ “Grande Barbosa, deixa de conversa e vem ajudar! Olha quanta criança participando, uma beleza de campanha, estamos ensinando e educando do mesmo jeito que você ensinou aos seus filhos”.


Cartaz de Alexandre Esteves - vencedor do
concurso do Globo, Quero Ver Toninha
Divulgação Globo On Line
_ “Não insiste, Almeida, já disse que não vou. Foi uma vida inteira salvando milhares delas! Chega! Nem mais uma toninha! Aliás, prá mim é golfinho mesmo.
Está tudo ao contrário. Quem não suja vem limpar. Deviam chamar quem sujou, ora pipocas! Escuta essa:
Semana passada, tava pegando sol na areia, quis beber água de coco. Pedi um coco ao barraqueiro. Na hora de ir embora chamei o rapaz, paguei, e pedi para ele levar o coco, já devidamente vazio, para aquela lixeira grandona, cor-de-abóbora, aquela que o Paulo** inventou junto com as pequenininhas que ficam nos postes, que ideia boa! O rapaz disse assim mesmo: Não vou levar não, fica aí, depois o gari*** pega.

BARBOSA E O COCO, CUIDADO COM O MEIO AMBIENTE.
Nelson Polzin, Junho 2012

Fiquei uma fera! O cara vive disso, trabalha usando a área pública que é a praia, não paga luz, água, aluguel, não dá nota fiscal, e tenho que ouvir: o gari pega! Que cara de pau, nem ao menos por respeito aos meus cabelos brancos... E lá fui eu, velho, dor nas juntas, dor em tudo, carregando cadeira, chinelo, barraca, sacola, saquinho de lixo COM O MEU LIXO... e O COCO, equilibrando tudo até à lixeira!”.

_ “Prá que cadeira, meu amigo, tem para alugar...”.
_ “Cadeira de aluguel dá micose! Meu dermatologista adora, fica assim de cliente. Melhor levar a minha cadeira para a praia”.
_ “Tá bem, Barbosa, leva tua cadeira, mas temos que participar, ajudar à campanha, é legal, tem as toninhas, e além do mais...”
Wikipedia
_ “Nem por um decreto! Vou continuar a minha caminhada antes que destombem o calçadão e a areia, como querem fazer com a Praça Nossa Senhora da Paz, e ponham tudo à venda para construir edifício. Já estou até vendo o anúncio – A nova Princesinha do Mar! Vista livre para as Cagarras!
Tchau, amigo Almeida, e obrigada pelo convite! Melhor voltar para sua tarefa. Eu preciso me exercitar para ganhar músculos e conseguir levar meus cocos até a lixeira no calçadão”.


NOTAS:

**Paulo Carvalho, ex-presidente da Comlurb que teve a boa ideia de instituir as lixeirinhas cor-de-laranja presas nos postes da cidade, no âmbito de amplo projeto educativo.
***GARI - Pedro Aleixo Gary. Durante o Império, assinou o primeiro contrato de limpeza urbana no Brasil. Costumava reunir, no Rio de Janeiro, funcionários para limpar as ruas após a passagem de cavalos. Os cariocas, que se acostumaram com esse trabalho, sempre mandavam chamar a "turma do gari". Aos poucos e de tanto repetir, a população associou o sobrenome de Aleixo Gary aos funcionários que cuidam da limpeza das ruas (Fonte: Wikipedia).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

VENDO O RIO - Poeminha da Especulação Imobiliária


Em tempos de GABARITOS, SEMPRE ELES - A VEZ DO BANCO CENTRAL, a possível venda de terreno e prédio histórico do Batalhão da PM situados na Rua Evaristo da Veiga, Centro da Cidade (VENDO O RIO - QUARTEL DA PM E BIGORRILHOS; QUARTEL DA PM, A ENORME PEQUENEZ e QUARTEL DA PM, UM BOM COMBATE), aumento de gabarito para empresa cinematográfica que instalada em Botafogo que mudará o conceito de ocupação do solo vigente para sedes de empresas, clínicas e escolas dos bairros de Botafogo e Humaitá (BENESSE URBANÍSTICA), e o recente anúncio de outras vendas de ativos imobiliários pelo Governo Estadual, os versos de VENDO O RIO estão cada vez mais de acordo com o momento presente.

DELEGACIA DO LEBLON - O Globo On Line



2º BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR,
BOTAFOGO, RIO
www.destakjornal.com.br
O "poeminha" foi o primeiro de uma série de três, divulgados na Web a partir de 2010, criada com base na observação de mudanças expressivas na forma e conteúdo das leis urbanísticas da cidade iniciadas  no ano de 2009, 445º Ano de Fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.


A série continua atualíssima, por isso a nova divulgação, agora no Urbe CaRioca.




Nas próximas semanas a sequência será publicada .


Nota: Um aspecto positivo da Rio + 20, despercebido: ontem entrariam na pauta da Câmara de Vereadores, para votação, a citada Benesse Urbanística para empresa cinematográfica de Botafogo, e o aumento de gabarito para construção de um anexo ao prédio do BNDES. Não aconteceu. Há tempo para cancelar o prosseguimento e evitar novos equívocos prejudiciais ao Rio de Janeiro.



 VENDO O RIO




Vendo o Rio, Especulo,
Preservar ficou lá atrás.
Só aumento o gabarito,
Leva aquele que der mais!

É lei torta, não importa
Nem importa o lugar.
Vargem Grande e Pequena
O que vale é arrecadar!



Enchente de Vargem Grande, abril 2010
www.enchentedavargemrande.fotosblogue.com

Construção é bom negócio,
Centro, Barra e Camorim.
É a vez do Catumbi,
Vendo o Rio até o fim!

Morro de Santo Antônio
Talude remanescente
do desmonte
Reportagem Jornal O Globo
Torre para Eletrobrás, LAPA, Rio de Janeiro
www.blogdogaviao.blogspot.com.br



Torre para BNDES
Reportagem Jornal O Globo
Penso, escrevo, assino já,
Todo dia tem benesse. 
Charco, morro, alagado,
Eletrobrás, BNDES.


Deixo logo publicado,
Não importa o MP.
Protegido ou tombado,
Vale a pena oferecer!


Dou a praça e acho graça,
Não importa a Lei Maior.
Fiz de morto, dei o Porto,
Dei a Lapa sem ter dó.




LAPA
Imagem - www.defender.org.br
Afinal, nada aparece,
O mal surge devagar.
Adiante já vou longe,
Não dá mais prá consertar.