sexta-feira, 28 de setembro de 2012

AO FUTURO PREFEITO DA CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO


CrôniCaRioca

Prezados candidatos,

Os senhores e a senhora devem ter notado, pois o nome revela: este espaço dedica-se essencialmente aos assuntos urbano-cariocas, tema que, de fato, porta certa universalidade. Afinal, vida citadina e urbe são uma coisa só. Tudo o que diz respeito à cidade interessa ao seu morador. E vice-versa.


LEITE
Internet


Por isso não se falará aqui de Educação e Saúde, temas fundamentais sem os quais o resto ou não existe ou é precário. Outros blogs e outras cartas que tratem disso há de haver! Alguém deve cuidar do leite das crianças...






Predominam as questões sobre o uso do solo e as normas que o regem – leis, decretos, etc. – porque se pretende entender o resultado prático dessas sobre a paisagem e o cotidiano, ou seja, a produção dos espaços públicos e privados, e o seu uso, o que engloba desde a conservação das ruas e calçadas, até transporte e mobilidade, por exemplo.


Nos últimos quatro anos houve uma explosão de novas normas urbanísticas, tema exaustivamente tratado por este Blog. Todas aumentaram as áreas e o número de andares que podem ser construídos, em vários bairros e regiões. Todas. A consequência não é imediata. Aparecerá primeiro na Zona Oeste - Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Vargem Grande - e na Zona Portuária, função dos eventos internacionais a caminho. O resto, nos próximos anos ou décadas. Urbanistas e sociólogos farão críticas ou elogios sobre o boom imobiliário do século XXI mais adiante, talvez daqui a meio século. Foi assim com Brasília e com a citada Barra da Tijuca.




ASPÁSIA
Internet
Porque o Urbe CaRioca deseja que o Rio seja cada vez melhor, pede ao futuro prefeito que dê trégua a este processo que em que índices urbanísticos cada vez maiores são uma bandeira, longe de ser panaceia ou o único modo de fazer cidade, muito pelo contrário, pode ser remédio que fica amargo, um veneno, comprova a experiência internacional. Melhor fazer jardins, plantar aspásias.





FREIXO
Internet
O Blog pede que se olhe pela cidade inteira, na escala do território e nos detalhes: que controle a expansão urbana e as ocupações irregulares, e que cuide das pedras portuguesas; que incentive a construção onde seja adequado e não prejudicial; que deixe sossegadas as áreas consolidadas, e evite a renovação urbana exagerada; que preserve o patrimônio cultural e o meio ambiente; que plante ipês, acácias, jacarandá, pau-brasil, paineiras... quem sabe um freixo?




Se não for pedir demais, o Blog também requer a revisão das mais de vinte leis urbanísticas aprovadas há pouco. Haverá tempo, sim, o fim do mundo previsto pelo calendário maia já foi desmentido.


MAIA
Internet

Tempo de sobra, até para evitar novas benesses a caminho e fazer um novo Plano Diretor, pois este, aprovado às pressas – também e somente para aumentar as construções na cidade –, deixou a desejar, embora possa ter atendido a alguns desejos.








E que deixe Guaratiba continuar verde.


Recreio dos Bandeirantes,
Serra da Grota Funda e Guaratiba

Diário do Rio, 2007

Ao futuro prefeito, que cobre do governo estadual ações em prol do Rio, que bata pé quanto ao Metrô em rede e determine aonde os trilhos devem chegar primeiro. Afinal, quem mandará na cidade, depois do povo, é claro?




O Blog vota pela Linha 4 verdadeira (Centro/Barra via Botafogo/Humaitá/Jardim Botânico), e pela conclusão da Linha 2 também de verdade, não o arremedo que fizeram juntando tudo na Central.



Que o prolongamento da Linha 1 fique para depois que os mais necessitados estiverem atendidos. Assim a Praça poderá ficar em paz por mais alguns anos, poderão ser estudadas alternativas para salvar as árvores e escolher o melhor caminho para o Metrô.



PAZ
O Globo on Line

E por falar em cariocas que sofrem no transporte público, que se una ao Estado também para cuidar dos trens, uma vergonha no território municipal.

Por fim, pede que o interesse público prevaleça sempre, aliás, nada além de uma obrigação.

Boa sorte.

Atenciosamente.

Urbe CaRioca

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ARTIGOS: CRESCER PARA DENTRO, por Sérgio F. Magalhães e RIO EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES, por Luiz Fernando Janot





Em 25/9/2012, foi publicado neste espaço o texto A CIDADE CRESCE PARA... GUARATIBA, relato sobre a expansão urbana do Rio de Janeiro a partir da década de 1970 em direção à Zona Oeste, pela Barra da Tijuca. A análise fez analogia com as prováveis consequências de leis urbanísticas incentivadoras da ocupação do solo - via aumento do potencial construtivo dos terrenos -, somadas à facilidade de acesso à região com a abertura do Túnel da Grota Funda, que estão a caminho. 

Na sequência, hoje o Urbe CaRioca reproduz artigos dos importantes arquitetos, urbanistas e professores Sérgio Ferraz Magalhães e Luiz Fernando Janot, publicados originalmente no jornal O Globo de 08/09/2012 e em 15/9/2012, respectivamente.

Entre outros ensinamentos, o primeiro, também divulgado no Blog Cidade Inteira - cidadeinteira.blogspot.com.br - nos diz que “É ilusório achar que se constrói o futuro quando simultaneamente se permite a perda de densidade demográfica nas cidades.

Na visão acurada do autor, o segundo artigo nos demonstra a importância de inúmeros aspectos da vida cotidiana da cidade que precisam ser corrigidos e cuidados coordenada e permanentemente, para que a urbanidade seja alcançada, e o Rio se torne humano e acolhedor.

Boa leitura!


CRESCER PARA DENTRO
Sérgio Ferraz Magalhães

A formação clássica da família,‘casal com filhos’, deixou de ser maioria no Brasil, segundo o IBGE. Hoje, outros tipos de família formam a maioria. São famílias pequenas: casais sem filhos, um genitor e filhos, ou unipessoais.

Qual a influência dessa nova constituição familiar em nossas cidades?

blog espaçoeducar-liza

Na década de 1930, Frank Lloyd Wright, notável arquiteto americano (autor do projeto do Museu Guggenheim, em Nova York), que considerava a vida gregária como escravizadora, concebeu um modelo de cidade onde cada família teria um grande lote, quase meio hectare, para “a formação de uma nação de homens livres e independentes”. Tal “urbanismo naturalista” estimulou o subúrbio norte-americano, de baixa densidade, homogêneo e monofuncional, moldado pelo automóvel – de fato, a anti-cidade. O modelo teve larga repercussão, e também é matriz do hoje conhecido condomínio fechado.

Mas, neste século 21, as cidades se consolidam como lugar do desenvolvimento, do conhecimento e da inovação. A mudança na constituição familiar reflete os avanços sociais, sanitários, culturais, políticos e econômicos que têm a cidade como fonte. Para a nova família, a conexão com os equipamentos e serviços urbanos precisa estar à disposição com maior presteza e intensidade do que se fazia necessário quando a família era extensa. A casa será menor, mas mais equipada, mais bem inserida no contexto urbano. Moradia e cidade formam um só corpo.

Em simultâneo, embora os sistemas eletrônicos absorvam grande parte da comunicação interpessoal, paradoxalmente, o deslocamento físico sofreu grande impulso. A mobilidade tem aumentado no tempo e em proporção ao tamanho das cidades. São mais oportunidades de convívio, mais interesses dispersos, que produzem uma interação mais rica –e que exigem mais deslocamentos. Não apenas casa-trabalho, mas em múltiplas direções; não em linha, mas em rede –tal como nas comunicações eletrônicas. Isto é, um tecido urbano mais complexo.

sapo.pt
Com a família menor, a cidade com diversidade urbanística e arquitetônica é ainda mais desejável. A família pequena precisa do apoio das disponibilidades coletivas, para ela torna-se essencial uma cidade bem mantida, bem conservada. Uma cidade mais densa, um espaço público com vitalidade.

A cidade extensa, com território infinito, não se sustenta nesse novo panorama. É ilusório achar que se constrói o futuro quando simultaneamente se permite a perda de densidade demográfica nas cidades. Não se conseguirá dotar esse futuro com os requisitos da sua contemporaneidade. Novos bairros, grandes conjuntos, grandes condomínios, homogêneos socialmente e monofuncionais como os subúrbios de Wright, mesmo que verticalizados, se isolados da cidade, já nascem obsoletos.

Como afirma Renzo Piano, grande arquiteto italiano (co-autor do projeto do Centro Pompidou, em Paris): “Uma cidade não acontece construindo mais e mais na periferia. Se você tiver de crescer, cresça dentro.”

A família contemporânea, pequena, deseja ainda mais cidade.

***

RIO EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES

Luiz Fernando Janot




Durante a primeira metade do século XX o Rio viveu um dos períodos mais significativos da sua história. A condição de capital federal atraía para a cidade um expressivo contingente de pessoas em busca de ascensão econômica e social. Pelas ruas movimentadas do Centro circulavam, lado a lado, figuras eminentes da sociedade, profissionais liberais, políticos, funcionários públicos, comerciantes e prestadores de serviços.

Museu da República, Antigo Palácio do Catete
flickr.com

O Rio vivia, naquela época, o seu grande apogeu político. Com a transferência da capital para Brasília e, mais tarde, a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a cidade, aos poucos, foi perdendo o seu prestígio. As tentativas isoladas para reverter essa situação geralmente esbarravam na falta de recursos financeiros. Instalou-se, dessa forma, um longo período de decadência que se refletiu implacavelmente no contexto urbano da cidade.
Felizmente, após um longo período de letargia e apreensão, a onda de pessimismo foi se esmaecendo diante do interesse manifestado por grupos empresariais envolvidos na economia globalizada.

Museu da República - detalhe
Ciência Hoje
O principal catalisador para elevar a autoestima da população carioca teve origem na escolha do Rio como sede de grandes eventos esportivos internacionais. 


Simultaneamente, a área central da cidade passou a receber diversas empresas relacionadas com a exploração de petróleo no litoral fluminense.
Ao se estabelecerem nessa localidade promoveram a recuperação do ambiente urbano e a valorização do extraordinário patrimônio histórico ali existente. Para elevar ainda mais a autoestima dos cariocas, o Rio recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana. Esse conjunto de conquistas vislumbra para a cidade um próspero caminho em direção à construção de uma nova realidade social e urbana.
Todavia, essa possibilidade de sucesso não pode ser comemorada prematuramente. Há que se evitar o imediatismo dos interesses particulares nas decisões políticas e no planejamento das obras que serão realizadas. Nunca é tarde para enfatizar a importância da urbanidade na vida cotidiana de uma cidade.

Portal Rio de Janeiro
Para que esse aspecto sutil não passe despercebido pela população e pelos governantes, várias ações coordenadas deverão ser empreendidas para impedir o retorno da violência nas favelas e nos espaços públicos, a extorsão praticada por flanelinhas, a ocupação das calçadas por camelôs, a venda e o consumo escancarado de drogas nos espaços públicos, a ação predatória dos pichadores, a desordem urbana e a balbúrdia nas ruas até altas horas.

Da mesma forma, não se pode ser condescendente com o crescimento descontrolado das favelas, com o comprometimento ambiental das praias e lagoas, com as enchentes periódicas das ruas, com calçadas em péssimo estado de conservação, com o traçado fajuto das ciclovias, com a agressividade dos motoristas de vans, com a irresponsabilidade dos motociclistas, com os ciclistas circulando na contramão, com a poda indiscriminada de árvores, com a presença de navios cargueiros fundeados no mar de Copacabana, com as iluminações cenográficas coloridas que desvirtuam e comprometem a qualidade estética dos monumentos históricos da cidade.

Enfim, em época de eleições, isso é o mínimo que se pode esperar dos candidatos para que a cidade se torne, de fato, mais humana e acolhedora.


Blog Zun

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A CIDADE CRESCE PARA... GUARATIBA

                                                                                                   Andréa Albuquerque G. Redondo



Recreio dos Bandeirantes, Serra da Grota Funda e Guaratiba
Diário do Rio, 2007


Urbanistas têm repetido: a expansão desenfreada do território resulta em cidades inviáveis porque a execução desse modelo urbano demanda a aplicação constante de recursos públicos para infraestrutura: novas ruas, serviços e equipamentos – transporte, escolas, hospitais, etc. – e cria mais gastos permanentes devido à necessária manutenção das áreas recém-urbanizadas e construções de apoio.

No caso do Rio de Janeiro recomenda-se que a cidade cresça “para dentro”, isto é, com o aproveitamento de regiões dotadas de infraestrutura que estejam subutilizadas ou abandonadas. Porém, isto somente acontecerá se, ao mesmo tempo, houver estímulo à ocupação dessas regiões dando-lhes qualidade, e a expansão do território urbano for contida, tanto quanto possível, através de leis e fiscalização.

Na primeira hipótese, infelizmente e salvo exceções, o único viés adotado tem sido despertar o interesse da indústria da construção civil mediante o aumento de índices construtivos. Foi o que aconteceu, por exemplo, ao longo da Avenida Brasil, e no bairro da Penha, onde os gabaritos de altura cresceram e foi eliminada área que protegia a visibilidade da famosa Igreja.

Mas, os recursos da construção civil, como os de qualquer outro empreendimento, correm apenas para onde há retorno garantido. O investidor não irá para locais degradados, abandonados ou inseguros, mesmo que as áreas de construção tripliquem.


rioforpartiers.com


O melhor incentivo é dotar os lugares escolhidos com boas condições para habitar - infraestrutura, segurança adequada e serviços públicos -, o que explica os enormes investimentos de verba pública em obras de urbanização na Zona Portuária, simultaneamente à lei nova que prevê prédios com até 50 andares, isto talvez desnecessário, certamente um exagero.

Ainda assim, a concorrência com a Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, até aqui, tem sido perdida (v. PEU Taquara - Antes que Seja Tarde Demais!): o apelo do novo é muito forte; o expressivo aumento de índices urbanísticos é feito sob medida para os interesses imobiliários; para medo e insegurança, cancelas e condomínios fechados; para a falta de transporte enfrentam-se os engarrafamentos; quanto à infraestrutura invariavelmente precária, o governante de plantão costuma deixar para o futuro.

Nos anos 1970 a cidade cresceu para a Baixada de Jacarepaguá. O Plano Piloto de Lúcio Costa, por mais criticado que seja, teve o mérito de preservar as áreas agrícolas a noroeste, Zona Rural do antigo Distrito Federal, o que pode ser visto e comprovado no premiado filme curta-metragem ‘A Cidade Cresce Para a Barra’. As leis e as invasões - ocupações irregulares - têm decretado o fim das áreas agrícolas.



A CIDADE CRESCE PARA A BARRA - 1970
Totem Filmes
Direção: Paulo Roberto Martins
Texto Original: Lucio Costa


As palavras de Lucio Costa, narradas, dizem: “Durante muito tempo ainda deixe-se a várzea tal como está, com gado solto pastando, e só quando a urbanização da parte restante,... se adensar, quando a infraestrutura, organizada nas bases civilizadas e generosas que se impõem existir, e a força viva da expansão o impuser,... terá chegado o momento de implantar o novo centro...”.

Não houve adensamento populacional: ao contrário, a cidade foi espraiada, prédios e casas afastados uns dos outros em outra escala, pelos longos percursos da Barra e de Jacarepaguá. Nem se vê infraestrutura em bases generosas ou civilizadas. Quanto à força viva... esta foi o interesse econômico.


Internet / Google Maps

Abrir território gigantesco foi pouco. Em 2009, outra lei - o Projeto de Estruturação Urbana para Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e parte do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Jacarepaguá -, concedeu novos índices urbanísticos, a maior, é claro.

Ainda foi pouco. Em 2011 o polêmico Plano Diretor definiu que o município do Rio de Janeiro é integralmente urbano. Foi sutil ao preparar o caminho: as normas das áreas agrícolas e de ocupação residencial restrita que sobraram já podem ser modificadas, promovendo-se mais uma expansão do território.

Assim é que já se anunciou o PEU Guaratiba para breve, uma nova lei – mais uma - que avançará sobre o último reduto carioca com características de área rural e verde, quem sabe o futuro filé mignon da construção civil pós-olimpíadas.

O Plano Diretor não foi aprovado às pressas impune ou inocentemente. Os caminhos para a especulação em Guaratiba foram abertos duas vezes: pelo túnel da Grota Funda e por leis urbanísticas recentes e discretas.

Já estão pavimentados.


GUARATIBA




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A SEMANA – 17/9/2012 a 21/9/2012


Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Best Brasil Blog

Postagens da semana que passou,
com links, e textos mais lidos.



Segunda, 17/9/2012



Hotel Nacional, São Conrado
Skyscrapercity

No link acima, os posts imediatamente anteriores, que foram:


[POSTAGENS 03/9/2012 a 07/9/2012]

[O HOTEL NACIONAL E O PACOTE OLÍMPICO]

[DIVERSOS – 13/9/2012 – H.Nacional + Cartazes de Propaganda + Poeminha]

[UM OLHAR CARIOCA SOBRE FILIPÉIA, por Ailton Mascarenhas - CrôniCaRioca]

[OS CANDIDATOS E A URBE CARIOCA]



Terça, 18/9/2012

OUTRAS CIDADES DA MÚSICA


Sidney Opera House, Australia

Três palavras bastam. As imagens falam por si.



Quinta, 20/9/2012

VENDO O RIO, 3 – POEMINHA DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA



SOTHEBY'S IN RIO
Ilustração: NELSON POLZIN


O Blog divulga o terceiro e último “poeminha” da série criada em 2010 para registrar as mudanças significativas que ocorreram nas leis urbanísticas da cidade - quantidade, forma e conteúdo - desde o início de 2009. Os anteriores estão nos links  VENDO O RIO – POEMINHA DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, e VENDO O RIO, 2 – POEMINHA DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.



Sexta, 21/9/2012

O TATU-BOLA TEM BULA

CrôniCaRioca, por Andréa Redondo


TATUBOLAFORA
Nelson Polzin, setembro 2012


Antes foi a Bola da Copa. O assunto agora é o apelido do Tatu-Bola que leva a Bola da Copa na mão...

Divirtam-se! E não deixem de ler até o final: o Urbe CaRioca fez um convite!


Tatu-bola - globoesporte.com

***


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O TATU-BOLA TEM BULA


CrôniCaRioca

Antes de tudo temos que dizer: escolher o tatu-bola para o mascote da Copa foi o máximo! Uma ideia feliz! Que boa lembrança, chamar a atenção para a necessária preservação da espécie ameaçada, e salvar o bichinho que se transforma literalmente em uma bola quando precisa se proteger... de ameaças.

Perfeito!

OHIM - Divulgação


Mas, como dizem por aí, alegria de pobre dura pouco: estragaram tudo com os apelidos que querem dar à figurinha simpática criada para simbolizar o evento de 2014. Só mesmo uma bula para explicar de onde saíram Amijubi, Fuleco e Zuzeco!

Sabiamente batizado à sua imagem e semelhança, o pobre do bicho será rebatizado com um desses nomes impossíveis! Vá lá, apelido é apelido e pode ser inventado... Mas, não foi uma invenção qualquer. Segundo as notícias tudo tem explicação, é ler para crer.

Sigam a bula que está na internet.


AMIJUBI
Amijubi é a união das palavras “amizade” e “júbilo”, duas características marcantes da personalidade do nosso mascote e que refletem a maneira de ser dos brasileiros. Além disso, esse nome tão original está ligado ao tupi guarani, em que a palavra “juba” quer dizer amarelo – a cor predominante no mascote!

Lanternas japonesas
Blog Prazer de Morar

Esse ficaria bom para uma bola japonesa, né? Amijubi-san. Amizade com júbilo? Pelo amor de Deus! Jubi é amarelo, quem sabe disso? Um Júbilo Amarelado? Triste... Amarela a CaramBola também é e nem por isso escolheram o nome – também perfeito, modéstia do Blog à parte – para a pelota!

O narrador japonês dirá ‘Amijubi-san entla no campo com Blazuca no mano, né?’
Socorro, Prof. Pasquale! Como se pronuncia isso? Amíjubi, Amijúbi ou Amijubí? Até lembrei de um caso que me contaram. Uma vez uma mulher teve trigêmeas. Batizou as meninas de Maria, Mária e Mariá. Prático, não? Nada a convenceu de que criaria uma confusão! Por falar em professor, ao Pasquale ou ao Prof. Sérgio Nogueira, uma pergunta: é tatu bola, tatubola ou tatu-bola?

FULECO
Fuleco é a mistura das palavras “futebol” e “ecologia”, dois componentes fundamentais da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O nome do nosso mascote mostra como essas duas palavras combinam perfeitamente e ainda incentivam as pessoas a ter mais cuidado com o meio ambiente.

Tatu-bola - globoesporte.com

Ora, pipocas, com futebol + ecologia deveria ser futeco. Bom, ia parecer futuca... Mas, se tatu futuca o chão, por que não? E se tatu é bicho cavador, quem sabe inspira os jogadores a cavarem muitos gols? Tomara que não seja um time fuleiro.
De qualquer jeito, acho que esse vai ganhar, igualzinho a eleição que só tem candidatos ruins. Acaba que a gente escolhe o “meno male” porque pior é anular o voto...


ZUZECO
Zuzeco foi formado dos elementos principais de “azul” e “ecologia”. Azul é a cor dos mares da maravilhosa costa brasileira, dos rios que cruzam o país e do nosso lindo céu. E é também, claro, a cor da carapaça especial do mascote. Ele sabe que pertence a uma espécie vulnerável e por isso, também sabe o quanto é importante divulgar e incentivar a conscientização ecológica entre seus amigos do mundo inteiro.

Portal do Professor

Os criativos marqueteiros vão me desculpar, mas ‘zuz’ não lembra azul de jeito nenhum! Está mais para SUS, essa coisa brasileira que não funciona e mata. Ou um zumbido. De abelha, porque tatu não zumbe. Aliás, não sei que som faz o tatu. No Houaiss não tem. Nem o Google, que tudo resolve, sabe o que faz o tatu. Parece que é mudo. Se for, não faz mal. A torcida brasileira gritará pelo tatu-bola: GOOOOOOL!
Zuzeco... Não bastou o nome da bola nada a ver? Ah! Já sei, é para combinar com o horrível Brazuca: os dois têm Z de Brazil. O narrador argentino dirá ‘Ssasuca adentra el campo de fútbol con la Brassuca en las manos!

Blog Aquimero

Muito curiosa essa preocupação em pôr o ‘eco’ da Ecologia no nome do tatu, enquanto derrubam o Maracanã e constroem milhões de estádios por aí. Haja compensação ecológica!
Por falar em nomes, está lá no BOLO DE FUTEBOL: como foi dito, o Blog sugeriu Carambola para o nome da bola e é claro que não deu em nada. Nem outra sugestão para o nome do tatu-bola será aceita.


Bem, não custa tentar...

Que apelido o querido leitor daria para o tatu-bola mascote da Copa? Com que justificativa, que não seja um nome hermético que precise de bula, ok?
Se os leitores do Blog se animarem a mandar sugestões, as respostas serão transformadas na CrôniCaRioca da próxima semana!

E se eles não quiserem nossas ideias, paciência, tá tudo bem... Ôpa! Olha aí a primeira sugestão: TATU-DO-BEM! Que tal?

Escrevam! O Urbe CaRioca espera!