terça-feira, 30 de outubro de 2012

ARTIGO: PRECISAMOS DE CIDADES COMPACTAS, por Sérgio Magalhães



Na sequência de A CIDADE CRESCE PARA... GUARATIBA, de autoria deste blog, e dos artigos CRESCER PARA DENTRO e RIO EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES, de autoria dos urbanistas e professores Sérgio F. Magalhães e Luiz Fernando Janot, respectivamente, este espaço reproduz agora a entrevista concedida pelo professor Magalhães, atual presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, ao jornalista Mauricio Meireles, publicada em 27/8/2012 na Revista Época.

As opiniões contém críticas ao projeto olímpico, ao programa Minha Casa Minha Vida e ao trajeto de algumas linhas do BRT, fundamentadas. Por outro lado, indicam o que deve ser melhorado, em especial quanto aos sistemas de transportes da Cidade do Rio de Janeiro.

O Blog Urbe CaRioca espera que os textos sensibilizem e inspirem os governantes do Rio de Janeiro. Talvez, quem sabe?

Boa leitura!


GREENSTYLE
Imagem: texto de Rafael Saraiva





O arquiteto diz que o projeto olímpico do Rio de Janeiro tem uma concepção errada de crescimento urbano

Como secretário de Habitação do Rio de Janeiro, entre 1993 e 2000, o arquiteto Sérgio Magalhães concebeu o projeto Favela-Bairro, que previa a urbanização das favelas. Recém-empossado como presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Magalhães continua preocupado com a relação entre o uso dos espaços nas cidades brasileiras e a qualidade dos serviços públicos. Para ele, as cidades brasileiras sofrem com a baixa densidade: quanto mais espalhados os habitantes pelo espaço urbano, mais caro e difícil é levar os serviços públicos a eles. Magalhães é um crítico do projeto olímpico do Rio, que, segundo ele, reincide nesse problema. Professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele recebeu ÉPOCA para esta entrevista numa antiga casa de bondes da Zona Sul da cidade, sede do IAB e resquício de uma era em que o país ainda não abandonara o transporte sobre trilhos em benefício dos automóveis.


ÉPOCA – O senhor faz críticas às intervenções urbanísticas feitas no Rio de Janeiro para preparar a cidade para a Olimpíada de 2016. Quais são os problemas do projeto olímpico?
Sérgio Magalhães O projeto estimula a baixa densidade urbana. O que aconteceu no Rio? Depois de deixar de ser capital federal, a cidade cresceu três vezes em área ocupada, enquanto a população nem chegou a dobrar. Isso aconteceu em todas as cidades brasileiras, em benefício do automóvel e do ônibus. Com o fim do sistema de transporte coletivo urbano por trilhos, por trens e bondes, as cidades se expandiram porque deixaram de se organizar ao redor das linhas. Os pneus entram em qualquer lugar. Com trens e bondes, isso é mais difícil. Agora a população das cidades brasileiras tende a estabilizar. Quanto mais nos expandirmos, mais difícil será manter a qualidade de vida. As pessoas, porém, ainda estão no oba-oba do crescimento infinito. As cidades não podem se esticar infinitamente. Não temos recursos infinitos.


ÉPOCA – O que poderia ter sido planejado de forma diferente?
Magalhães Defendi a concentração da maior parte possível dos equipamentos olímpicos no Porto do Rio. Lá, caberia tudo. Quando a candidatura do Rio foi apresentada, não havia um entendimento entre as esferas municipal, estadual e federal que possibilitaria usar aquele espaço. Nas circunstâncias, não havia essa opção. Depois que virou uma possibilidade, o certo seria levar as coisas para lá. (A maior parte das instalações olímpicas no Rio ficará longe do centro da cidade – na Zona Norte ou na Barra da Tijuca.) Para a Olimpíada, uma grande intervenção necessária é despoluir a Baía de Guanabara. Essa medida pode mudar um destino que parece inexorável para o Rio: a expansão em direção ao subúrbio e à Zona Oeste. A baía articula a região metropolitana.


COPACABANA, LAGOA, IPANEMAflickr.com

ÉPOCA – A alta densidade costuma ser associada à má qualidade de vida, poluição, engarrafamentos e outros problemas urbanos. Por que o senhor a defende como algo bom para a cidade?
Magalhães Densidade não quer dizer edifício alto, espigão. Quer dizer mais gente num território onde os serviços públicos são viáveis. Paris é uma cidade muito densa, mas não tem prédios altos. No Rio, os quarteirões entre Ipanema e Lagoa, com prédios de cinco andares, têm alta densidade, mas alta qualidade de vida. Precisamos de cidades compactas. Assim, você cria espaços de convívio, com serviços de mais qualidade. Serviço público custa muito. Com as pessoas espalhadas, é mais difícil atendê-las. Na prática, só se atende quem tem mais poder, as áreas mais ricas. Tome o exemplo da Barra da Tijuca, no Rio, que tem baixíssima densidade.


ÉPOCA – Para a Olimpíada, o Rio está construindo os Bus Rapid Tranportation (BRTs), corredores de ônibus, com estações, apelidados de “metrô sobre rodas”. O que o senhor acha desse projeto?
Magalhães – Os BRTs são um dos modos possíveis de transporte coletivo. A Colômbia tem usado. Em Curitiba, caso mais notório no Brasil, é uma experiência bem-sucedida. Lá, os trechos mais importantes agora virarão metrô. O importante para os BRTs, como transporte de massa, é passar onde as pessoas estão – por mais óbvio que isso pareça. A Transcarioca (que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador) é boa. A Transoeste (que ligará os bairros de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, à Barra da Tijuca) nem tanto, porque passa por áreas vazias e desertas e pode estimular a ocupação de baixa densidade.


TRANSOESTE
Portal Guaratiba


ÉPOCA – A zona portuária do Rio é uma região vazia e deteriorada no centro da cidade, um problema que ocorre em outras grandes cidades brasileiras. Como enfrentá-lo?
Magalhães – Na zona portuária há inúmeros prédios gigantescos desocupados. São áreas públicas ou de irmandades religiosas, de quando o Rio era capital federal. Há também uma infinidade de pequenos imóveis abandonados. Um imóvel abandonado deteriora a vizinhança. É uma contaminação, uma doença. Ele acaba com seu entorno. Se forem vários, pior ainda. É preciso reocupar os centros das cidades. Para que um lugar tenha vida, é preciso que algo funcione quando o comércio e os serviços são interrompidos. É a habitação que faz isso.


"O Minha Casa Minha Vida é arcaico. Em vez
das famílias, o governo e as empreiteiras
decidem o que fazer, onde e em que condições"


ÉPOCA – Qual o maior desafio para o urbanismo hoje no Brasil?
Magalhães – É a necessidade de tornar a cidade disponível para toda a população. O Brasil cresceu nas últimas décadas fazendo a cidade subsidiar seu desenvolvimento, mas nunca a tratou de forma central. Os capitais investidos em moradia foram canalizados para a indústria. Houve crescimento demográfico sem políticas de habitação. Em nome da indústria automobilística, o sistema de transporte sobre trilhos, com bondes e trens urbanos, foi desconstruído. Também veio o estímulo, nos anos 1960, ao agronegócio – mas com uma legislação trabalhista que acabou expulsando as pessoas do campo. Elas foram recebidas na cidade sem políticas de habitação, transporte e saneamento. Essas pessoas tiveram de ocupar a cidade da forma mais predatória, a ocupação de baixa densidade, em locais sem infraestrutura, criando enormes periferias. Mesmo assim, a cidade é vista como o lugar do futuro pelas pessoas. No século XXI, o desenvolvimento é pautado pelo conhecimento, pela educação, pelas invenções e pela criatividade. Tudo isso pressupõe uma vida urbana. É a cidade que dá condições para o conhecimento florescer. Para isso, precisamos democratizar nossas cidades, conquistando transporte adequado, superando nosso enorme passivo ambiental.


ÉPOCA – Que intervenção o senhor faria nas cidades brasileiras?
Magalhães – Como medida urgente, melhoraria o transporte, claro. É desumano o que as pessoas passam. Aqui no Rio, os trens poderiam ser transformados em metrô sem que seja necessário criar novas linhas. Por um preço mais barato, sem novos corredores. Os trens atendem 70% da zona metropolitana. Outro ponto seria conter a expansão da cidade. A cidade sem densidade é inviável.


CONSTRUSENIOR

ÉPOCA – Como o senhor avalia o programa do governo federal Minha Casa Minha Vida?
Magalhães – É arcaico. Em vez das famílias, o governo e as empreiteiras decidem o que fazer, onde e em que condições. As famílias deveriam ter autonomia para escolher onde e como morar – contando com financiamento. Hoje, o morador tem de aceitar o que é oferecido. Do ponto de vista urbanístico, o que é oferecido é muito antigo. São grandes conjuntos residenciais em lugares muito distantes, sem infraestrutura, o que faz a cidade perder qualidade. É importante existir financiamento e participação do governo. Mas hoje é considerado que os recursos são um favor do governo para a família. Está errado. As pessoas vivem e vendem sua força de trabalho na cidade, gastando muito dinheiro com moradia. No mundo desenvolvido, o cidadão não precisa de um novo programa de financiamento para comprar uma casa. Quando quiser, sabe que o dinheiro estará disponível: para comprar, construir, fazer o que quiser.


ÉPOCA – Como o senhor vê os novos edifícios construídos no Brasil?
Magalhães – Não gosto quando a construção tem muita autonomia. Ela só faz sentido se você olhar sua relação com o espaço público, como cada edifício se encadeia na proposta de melhorar a cidade. Essa onda de condomínios fechados é um atraso de vida. Admito que haja formas de ocupação diferentes – mas acho ruim. Eles degradam o espaço público, diminuem as áreas de encontro entre as pessoas. Muitos edifícios não estão atentos para isso. A legislação impõe parâmetros ruins, em desacordo com a qualidade de vida. Quando um prédio é obrigado a colocar nos primeiros andares a garagem, a moradia é afastada da rua. E isso cria uma vizinhança ruim. O olhar das pessoas sobre a rua – e da rua sobre elas – desaparece. O papel do edifício é ajudar o coletivo.



GREENSTYLE
Imagem: texto de Rafael Saraiva





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A SEMANA – 22/10/2012 a 26/10/2012



Publicações da semana que passou e textos mais lidos.


MARACANÃ - O GIGANTE ANTES DA MUTILAÇÃO CONSENTIDA E DAS NOVAS DEMOLIÇÕES ANUNCIADAS
Internet

Os posts imediatamente anteriores, as demolições em torno do Maracanã, mais considerações sobre o Metrô de Uma Linha Só, e, na CrôniCarioca, um passeio pela memória da Tijuca!


MARACANÃ - SEM A MARQUISE E AINDA COM O PARQUE AQUÁTICO E O CAMPO DE ATLETISMO
Lance Net




Segunda, 22/10/2102


[Postagens de 08/10/2012 a 12/10/2012]

[RIO DE JANEIRO PRESERVADO, MUITO PRAZER]

[ARTIGO: CONCLUIR A LINHA 1 E CONSTRUIR A LINHA 4 ORIGINAL – INDISPENSÁVEL, por Miguel Gonzalez]

[EXTRA! EXTRA! BENESSE URBANÍSTICA E TORRE ATRÁS DO CONVENTO PODEM SER APROVADOS HOJE]

[TUDO AO CONTRÁRIO ou, Uma Crônica no Espelho – CrôniCaRioca, por Andréa Redondo]

 

Terça, 23/10/2012

MARACANÃ: MAIS MUTILAÇÃO



Quinta, 25/10/2012

MAIS METRÔ 11 – LINHA 1, ESTAÇÃO N. S. DA PAZ e LINHA 4



Sexta, 26/10/2012

SOU TIJUCANA ‘DA GEMA’

CrôniCaRioca, por Sonia Fragozo

 ***

 

Posts mais lidos da semana

SOU TIJUCANA “DA GEMA”
MARACANÃ: MAIS MUTILAÇÃO
ANTIGA FÁBRICA BHERING, 2 – CONFETE PARA A MÍDIA
MAIS METRÔ 11 – LINHA 1, ESTAÇÃO N. S. da PAZ E LINHA 4
A SEMANA – 15/10/2012 a 19/10/2012



NINGUÉM DISSE ADEUS AO MARACANÃ
Texto publicado no Blog À Sombra das Colunas Imortais

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

SOU TIJUCANA “DA GEMA”


CrôniCaRioca

Uma declaração de amor ao bairro da Tijuca,
Rio de Janeiro, por Sonia Fragozo.

Blog Patota Carioca


SOU TIJUCANA “DA GEMA” 

Sonia Fragozo*


Venho de uma família de tijucanos: pai, mãe, avós paternos e maternos, tios, etc. Todos tijucanos de carteirinha.

Fui criada na Tijuca, onde estudei e fiz os amigos que me acompanham até hoje. Amigos de primário e ginásio - era como se chamava o ensino fundamental naquela época - Amigos da Tijuca. Sim, AMIGOS! Como Wanderléa, Roberto e Erasmo Carlos; Tim Maia e Jorge Babulina, hoje Ben Jor, todos originários da Tijuca que também é terra de Ivan Lins e Gonzaguinha, Aldir Blanc e Cesar Costa Filho, etc.


Bar Divino - Blog Patota Carioca

Podemos, com orgulho, afirmar que a Jovem Guarda teve o seu berço na Tijuca, no antigo Bar Divino, na Rua Haddock Lobo, esquina com a Rua do Matoso.




Ali se reuniam, para tocar e cantar Elvis, os “tremendões” que embalaram as tardes dos sábados da nossa Jovem Guarda.



Igreja São Francisco Xavier, 1583 - Portal Geo
Não temos praias, mas temos florestas, temos cascatas, praças, clubes e até serra, pertencemos à antiga freguesia do Engenho Velho – o primeiro engenho de cana de açúcar da região, posteriormente denominada de São Francisco Xavier do Engenho Velho, devido à construção, pelos jesuítas, da Igreja de São Francisco Xavier em 1583, de acordo com GERSON, Brasil, História das Ruas do Rio, 1965, p.442.



Site Paróquia São Francisco Xavier
E olha só... essa mesma Igreja, com mais de 400 anos, várias vezes reconstruída,  testemunhou fatos muito importantes em minha vida. Palco do casamento de meus pais em 1950, da comemoração de suas Bodas de Prata e ainda da celebração das missas de 7º dia dos dois – parece mesmo que eles escolheram iniciar e terminar sua caminhada juntos ali, na Capelinha dos Jesuítas. A Igreja ainda enfeita, com imponência, nossa paisagem, resistindo às agruras da modernidade e servindo de cenário para as histórias dos tijucanos de carteirinha, como eu.


Ah... e os bondes da Tijuca. Eram muitos e cruzavam todo o bairro. Enfeitados e barulhentos, no carnaval eram só alegria. Passavam lotados de bate bolas, tiroleses, piratas, havaianas e até gregos... Mas eu gostava mesmo era do bonde do Alto da Boa Vista – esse significava PASSEIO. Serpenteando a Av. Edson Passos, o bonde subia a serra, enquanto o vento fresco batia em nossos rostos ansiosos, até chegarmos à praça com a escultura do leão, pano de fundo de tantas fotografias de nossa de infância.


Bonde do Alto da Boa Vista - slideshare.net


    Ali brincávamos, corríamos, gritávamos e acabávamos por descansar aos pés da exuberância do leão talhado em mármore branco. Por falar em esculturas, a cultura sempre foi forte em nosso bairro. 


Colégio Santa Teresa - stateresa.com.br
        
Importantes e tradicionais colégios, públicos e particulares estão aqui localizados.  Cursei o ensino fundamental (primário e ginásio) no Colégio da Cia. Santa Teresa de Jesus, criado e dirigido pelas irmãs Teresianas, num casarão onde existiu o primeiro internato do Colégio D. Pedro II, em 1858.  Nossos uniformes com saia de lã “pied de poule”, blusa branca e gravata, deram lugar às calças jeans e as “T shirts” coloridas, mas a escola, ainda tradicional do bairro, continua contribuindo com o mesmo padrão de educação para crianças e jovens.

              Vários são os colégios de importância ainda existentes na velha Tijuca, dentre eles está o tradicional Colégio Militar, de 1889, que em seu processo de modernização, abriu suas portas ao público feminino, introduzindo assim charme e delicadeza à antiga instituição.


portalfeb.com.br
   

                                                                                     
oglobo.com
                 Não se pode deixar de falar do famoso Instituto de Educação que, durante décadas, alimentou o sonho de tantas jovens em se tornarem normalistas – profissionais dedicadas à educação básica.  Infelizmente, apesar de a Escola ainda existir no bairro, o sonho da profissão parece ter saído dos anseios das jovens da atualidade.

                                               
      Como não se lembrar dos cinemas da Tijuca?  Nas primeiras décadas século XX, as salas de projeção proliferaram em nosso bairro que chegou a oferecer quase 10.000 lugares em cinemas. Só o lendário cinema Olinda, inaugurado em 1940, oferecia 3.500 lugares, segundo o livro “A segunda Cinelândia Carioca - cinemas, sociabilidade e memória na Tijuca"  de  Talitha Ferraz.

Nessa “pequena Cinelândia”, assisti a deliciosos filmes com Doris Day e Rock Hudson, me encantei com a história de My Fair Lady  e  até, levada por minha mãe, me emocionei com  nosso Mazzaropi em Zé do Periquito. 
                    
        Os cinemas emolduraram por muito tempo a popular Praça Saens Peña que centralizava o lazer do bairro.

Por conta deles – os cinemas -, algumas turmas de jovens se formaram ao longo dos anos, eram as “gangs” de nossa época.  Existia a “turma do Bob’s” composta de jovens de vários bairros que ali se reuniam para esperar as meninas saírem dos cinemas e a turma do Palheta formada pelos rapazes mais velhos que disputavam com a turma do Bob’s as mesmas meninas.



carlosadib.com.br

Com o passar dos anos, a Tijuca caiu nas teias da modernidade: ganhamos metrô, prédios altos, shopping, muitas lojas e... um crescimento desordenado foi ocupando as encostas que são muitas em nosso bairro.

www.marciollio.com

Perdemos em de qualidade de vida.


Com o ocaso de nossa Cinelândia, as salas de projeção passaram a fazer parte do Shopping... e a velha Praça perdeu a alegria dos domingos e das férias escolares.



         Nossa Praça, destruída com as obras do metrô, depois de longos anos dilacerada volta ao cenário totalmente remodelada, incorporando essa nova modalidade de transporte à rotina do bairro.


Praça Saens Pena, Tijuca
                Imagem: Imprensa RJ



E a Praça ganhou outro tipo de usuário. Trocou a garotada barulhenta dos finais de semana por nossos idosos, que ali se reúnem, todas as tardes, para jogar um carteado amigo. Ganhamos também a “rua das flores”, linda com suas barraquinhas floridas todos os dias e em todas as estações – não conheço outro bairro que dedique uma rua inteira ao colorido das flores.


www.marcillio.com
 Vários outros aspectos, menos pitorescos, foram sendo incorporados à vida dos tijucanos, aspectos do dito desenvolvimento: o caos no trânsito pelo excesso de carros, os maus tratos, pela falta de manutenção de nossas ruas e calçadas, buracos em nossas pedras portuguesas, bueiros que explodem e a insegurança do “ir e vir”. Mas nada disso é um privilégio do meu bairro.

         
        Muitos tijucanos saíram do bairro e, buscando a antiga qualidade de vida, desembarcaram na Barra da Tijuca. Será que acharam o que procuravam? Ou será que acabaram trocando “seis por meia-dúzia”? Ganharam a praia e perderam a facilidade do andar a pé e ter tudo pertinho, de conhecer os vizinhos, de olhar vitrines de rua, cumprimentar o jornaleiro... e se fecharam em redomas gradeadas.  Talvez alguns pensem ter ganhado em “status”, mas há controvérsias.  O que talvez nem todos saibam é que, fugindo de suas origens na Tijuca, acabaram por cair no local que originou o nome de nosso bairro...  é isso mesmo,  o nome TIJUCA vem do tupi -Ty-iuc,  significa lama , terreno alagadiço, pântano, fazendo referencia ao lado de lá da Serra, lado da Lagoa da Tijuca na Baixada de Jacarepaguá, por ser  uma terra alagadiça.

        Acabamos por constatar que temos fortes raízes dessa origem tijucana, mesmo quando passamos para o lado de lá do Maciço.
  
E olhem o que escreveu nada mais nada menos do que José de Alencar – aquele da Iracema - a virgem dos lábios de mel, a Machado de Assis – de Bentinho e Capitu, apresentando Castro Alves – o do Navio Negreiro.

“Felizmente estava eu na Tijuca. O senhor conhece esta montanha encantadora. A natureza a colocou a duas léguas da Corte, como um ninho para as almas cansadas de pousar no chão. — Aqui tudo é puro e são. O corpo banha-se em águas cristalinas, como o espírito na limpidez deste céu azul. — Respira-se à larga, não somente os ares finos que vigoram o sopro da vida, porém aquele hálito celeste do Criador, que bafejou o mundo recém-nascido.” 

 (Carta de José de Alencar à Machado de Assis apresentando Castro Alves; 18 de fevereiro de 1868).

Somos sim, “tijucanos da gema”, temos o amarelo ouro da gloriosa época da aristocracia da nobre Tijuca, talvez por isso tenhamos a fama de bairristas e conservadores e ... POR QUE, NÃO?



*SONIA FRAGOZO é arquiteta e ‘Tijucana de Carteirinha’.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MAIS METRÔ 11 - LINHA 1, ESTAÇÃO N. S. DA PAZ, e LINHA 4



Na semana passada o Urbe CaRioca publicou o texto de
Miguel Gonzalez intitulado CONCLUIR A LINHA 1 E
CONSTRUIR A LINHA 4 ORIGINAL - INDISPENSÁVEL.
Seguem algumas considerações a respeito da obra polêmica.


Urbe CaRioca



TRAÇADO ORIGINAL da Linha 4, licitado em 1998: a Barra da Tijuca seria conectada à Botafogo, via Jardim Botânico. Uma outra alternativa seria ligar a Barra diretamente à estação Carioca, via Laranjeiras.
Blog As Ruas do Rio, em 2010 - O mapa também indica o trecho não construído da Linha 2.

Em toda a série sobre o Metrô – cerca de 12 posts publicados aqui desde O Metrô e a Praça – temos defendido que a decisão adotada pelo governo estadual de prolongar a Linha 1 até à Gávea, após construir o trecho que falta dessa mesma Linha (General Osório - Jardim de Alah), é uma prioridade equivocada. Um resumo pode ser visto em Mais Metrô 8 e Mais Metrô 10.


Também temos esclarecido, à exaustão, que a obra denominada pelo governo de Linha 4 não compreende a Linha 4 prevista desde os projetos iniciais para a Rede Metroviária do Rio, isto é, a ligação original Centro-Barra da Tijuca via Botafogo-Humaitá–Jardim Botânico, ou, conforme sugeriu o movimento LINHA 4 QUE O RIO PRECISA, Centro–Barra da Tijuca via Laranjeiras–Botafogo-Humaitá-Jardim Botânico.


O Blog considera que a Linha 4 original é o melhor a ser feito pela população do Rio com base em diversos depoimentos de técnicos de transportes e na avaliação de várias associações de moradores.


Proposta do Clube de Engenharia - 2011
Imagem: O Globo

Embora houvesse esperança de que os administradores do Rio – estado e município – revejam a decisão, não se pode ignorar que as sondagens em Ipanema e Leblon prosseguem e que a chegada do ‘tatuzão’ – equipamento importado que permitirá, ao que consta, cavar os túneis pelo subsolo – foi anunciada. Além disso, no último fim-de-semana já foram instalados tapumes de obras em três praças.


O Blog Metrô do Rio divulgou o vídeo de apresentação do projeto para construção da Estação Praça Nossa Senhora da Paz, da Concessionária Rio Barra S. A. / Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A quem interessar, o filme está abaixo. As imagens em 3D são muito bonitas e o fundo musical é de bom-gosto. O filminho, bem-feito, quis passar a impressão de paz e civilidade. Crianças poderão brincar em um cantinho da praça durante a obra da estação... que depois de pronta servirá, ao que parece, a pouquíssimos usuários.



Estação Botafogo, fevereiro 2012
O Globo

Bem, o vídeo não poderia mostrar os trens e as estações superlotados, como ocorre hoje, é claro.


Tudo seria aceitável, desde que a Linha 4 verdadeira e a conclusão da Linha 2 chegassem antes.





Link:


Vídeo:
Estação Nossa Senhora da Paz, Ipanema
Vídeo divulgado pela concessionária