sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A SERRINHA ZIGUEZAGUE E O MIRANTE DO ALBUQUERQUE

CrôniCaRioca
Andréa Albuquerque G. Redondo


No texto PAIS CARIOCAS, uma CrôniCaRioca em homenagem ao Dia dos Pais, o Blog contou sobre um passeio de carro que, em determinado trecho, assustava as crianças. Era uma serrinha em ziguezague que o Ford 1950 subia bem devagar, carregando suas 1,5 toneladas mais os passageiros, a cada curva pairando a dúvida, “Será que vai”? 



Ford 1950 - Crestliner
Imagem: Legacy Motors

O trecho dizia:


...o que faria depois de curtir a família? Um passeio pela cidade, é claro! Desta vez eu  ... o levaria Rio afora.
Acho que estranharia o Metrô lotado e os engarrafamentos diários. Gostaria dos edifícios construídos na Cidade Nova e na Avenida Chile. Não reconheceria a Barra da Tijuca e Jacarepaguá com tantas construções, sem a areia e as mangueiras, mas gostaria de chegar a Guaratiba mais depressa, sem precisar subir a serrinha em ziguezague* que nos dava tanto medo, parecia que o Ford ia despencar!


Graças às mágicas da internet e do Google Maps, a serrinha apareceu! Os olhos do satélite a encontraram e eu também! É um trecho da antiga Estrada da Grota Funda que ligava o Recreio dos Bandeirantes aos bairros de Barra de Guaratiba, Guaratiba e Pedra de Guaratiba, todos na XXVI Região Administrativa do Rio, que se chama... Guaratiba!



Antiga Estrada da Grota Funda
O primeiro trecho, desativado, é a
 Serrinha em “Ziguezague”.
Na imagem a subida está à esquerda da Avenida das Américas em frente ao entroncamento desta com a Estrada dos Bandeirantes. Provavelmente era a continuação da Estrada dos Bandeirantes.
























Vale explicar.


A estrada sinuosa que liga o Recreio “às Guaratibas” é o prolongamento da Avenida das Américas, que começa no Canal de Marapendi, ainda no início da Barra da Tijuca. O trecho mais recente, que atravessa a Serra da Grota Funda depois da enorme reta ao longo da Barra e do Recreio, foi construído na década de 1970. Nos passeios de PAIS CARIOCAS - início dos anos 1960 -, para chegar a Guaratiba via Zona Sul ou Jacarepaguá o caminho era feito pela antiga estrada da Grota Funda, que também cruzava as montanhas e foi substituída pela continuação da ‘Américas’.


Fomos lá conferir, e ela, antes perdida no mato, estava agora 'achada'!


A SERRINHA ZIGUEZAGUE
Final do Recreio dos Bandeirantes - Serra da Grota Funda
Foto:  Urbe CaRioca


A Avenida das Américas cortou a antiga estrada ao meio, bem no cocoruto. A primeira parte praticamente desaparecida é a Serrinha Ziguezague, em subida  para quem segue até Guaratiba: as curvas fechadíssimas se parecem mais com ângulos agudos. A mancha do que foi uma via ainda é visível, de longe. Não encontramos a entrada, mas ela pode estar ainda por lá. Achamos a saída, no alto do morro, o que foi confirmado por um senhor que estava por perto: “Isto foi um caminho, minha filha, há 30 anos”..., com certa nostalgia na voz.



Estrada da Grota Funda
A Serrinha em “Ziguezague” – O trecho em aclive começa no entroncamento da Avenida das Américas com a Estrada dos Bandeirantes e prossegue  até encontrar novamente a Avenida das Américas, que, nos anos 1970,  cortou a Estrada da Grota Funda e a dividiu em duas partes.



O início da segunda parte está lá, bem visível e acessível, à direita da pista. Já em descida, segue até a Estrada da Ilha e é usada por moradores: ‘Ilha’ é como é conhecido um trecho de Guaratiba – que não é uma ilha – região onde ficam inúmeras chácaras de plantas ornamentais e que, segundo consta, tem esse nome devido a um antigo proprietário, o Sr. William, que acabou virando... ‘Sr. Ilha”!


Quanto à "Serrinha", hoje é caminho só para ciclistas radicais, note-se, morro abaixo! E pensar que o Ford 50 enfrentava o trajeto-pirambeira, morro acima!







Planet Bike - Descida da estrada antiga da Grota Funda




Agora, com a construção do Túnel da Grota Funda, a tendência é que a passagem pela Avenida das Américas fique em segundo plano. Aliás, já o está, mostra o asfalto em péssimas condições... E Guaratiba que se cuide, pois o PEU vem aí!!! Já vejo o anúncio: "Oportunidade única! Venha morar onde o Papa Bento XVI rezou a missa campal!"


Caso seja bem tratada e conservada, a Américas morro acima pode ser transformada em uma estrada-parque. Um belo projeto paisagístico homenagearia seu antigo vizinho Burle Marx e lembraria as citadas chácaras que abastecem o Rio de plantas e flores.


Quanto à serrinha, deverá, é claro, ser incorporada ao projeto: a subida íngreme pode conter vários mirantes intermediários e ser coroada com um platô principal de onde também se poderá apreciar a Baixada de Jacarepaguá de outro ângulo. 
O nome sugerido está no título desta crônica:

'O Mirante do Albuquerque'.

ALTO DA SERRINHA ZIGUEZAGUE
LUGAR PARA O MIRANTE DO ALBUQUERQUE
Foto: Urbe CaRioca



São Francisco, USA
Lombard StreetImagem: Internet


Para inspirar a Prefeitura, outras "serrinhas" famosas!

Mas, pelo amor de Deus, senhor prefeito! Nada de fazer mais leis urbanísticas mirabolantes para  deixar construir ao lado da Serrinha Ziguezague e do Mirante do Albuquerque... (Xi!! O Blog nem devia ter dado ideia...).


Por favor, senhor alcaide, veja a outra foto, abaixo!







Imagem: Internet





quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ARTIGO: PARA QUE SERVEM CONSELHOS POPULARES? por Canagé Vilhena



Blog Brasil e Cidadania Ativa
O Urbe CaRioca publica artigo do arquiteto Canagé Vilhena, muito oportuno nestes tempos de decisões que têm modificado substancialmente os parâmetros urbanísticos que regem o uso do solo urbano carioca - o aumento de gabaritos de altura; alterações no traçado de ruas existentes; supressão de vias projetadas; desapropriações para a construção de vias expressas e redução de faixas de rolamento em detrimento do transporte sobre trilhos; extensão da Linha 1 do Metrô mentirosamente chamada de Linha 4; o abandono da Linha 2 e da verdadeira Linha 4; a venda de áreas públicas, próprios municipais e estaduais; aumento exacerbado do tamanho dos hotéis; benesses urbanísticas especiais para terrenos específicos; a mutilação da APA Marapendi; e a proposta de garantir eternamente áreas de construção  a serem transferidas para Barra da Tijuca e Recreio com a permissão de acréscimo de andares aos previstos pelo Plano Piloto de Lúcio Costa - , tudo permeado pela ausência de debates públicos substanciais. 

Boa leitura!



PARA QUE SERVEM CONSELHOS POPULARES?


                                                                            Canagé Vilhena*


Blog Jornal RJ


Durante todo o século XX o espaço urbano nas cidades brasileiras foi conformado segundo a vontade dos governantes de plantão sem apreciação dos legislativos estaduais ou municipais.

As normas urbanísticas e edilícias eram formuladas através de decretos, decretos leis, ordens de serviços, produzidos pela combinação da vontade dos donos do poder e os mercadores imobiliários, com auxilio dos técnicos (advogados, engenheiro e arquitetos) ocupantes de cargos de confiança.

NIEMEYER, no seu livro “RIO” (p. 40 - Avenir Editora – 1980), denominou isto de “confraternização imobiliária”.

Isto é, UMA FESTANÇA PROMOVIDA PELO MERCADO IMOBLIÁRIO.

Foi assim desde PEREIRA PASSOS (com auxilio dos médicos sanitaristas) que aprovou os primeiros Regulamentos de Construção, depois sustentado pelo DECRETO 6000, DE 1937, o CÓDIGO DE OBRAS DO DISTRITO FEDERAL, todo remendado até 1967.

Com NEGRÃO DE LIMA foi aprovada a LEI DE DESENVOLVIMENTO URBANO DO ESTADO DA GUANABARA, LEI 1.574 de 1967, apelidada de CÓDIGO DE OBRAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, que instituiu a nova sistemática de ordenação do uso e ocupação do solo, repetindo o processo do DECRETO 6.000/37. Esta lei é remendada até os dias de hoje, apesar das diretrizes aprovadas na POLÍTICA URBANA DA CONSTITUIÇÃO DE 1988, apesar do PLANO DIRETOR DE 1992 e do PLANO DIRETOR de 2011 que determina novos prazos para aprovação de nova legislação.

Apesar disto o novo prefeito continua formulando normas para uso e ocupação do solo, junto com sua base política ao arrepio dos interesses sociais.

Somente após a aprovação do ESTATUTO DA CIDADE, EM 2002, foi possível trazer para a organização material das cidades a tentativa de GESTÃO DEMOCRÁTICA com aprovação de PLANOS DIRETORES PARTICIPATIVOS e normas de desenvolvimento urbano que deveriam ter origem no debate entre o poder publico e a sociedade.

Foram realizadas anualmente várias CONFERÊNCIAS DAS CIDADES e criados diversos CONSELHOS MUNICIPAIS e ESTADUAIS para tratarem de POLÍTICA URBANA E POLÍTICA AMBIENTAL.

No entanto a nossa DEMOCRACIA NÃO PARTICIPATIVA permite, nos dias de hoje, que o mesmo velho processo que se desenvolveu durante todo o século passado continue através da manipulação da CÂMARA DE VEREADORES que aprova tudo que "seu comandante mandar".

Uma vez ou outra, a CÂMARA se rebela contra o prefeito em causa de seus próprios interesses, como aconteceu na votação para o PEU DAS VARGENS no tempo de Cesar Maia, que queria incluir a obrigação para o mercado imobiliário pagar pelo aumento do gabarito, enquanto os vereadores não queriam ONERAR os lançamentos imobiliários.

Mas isto raramente acontece.

Nesta DEMOCRACIA REPRESENTATIVA da vontade da minoria dos eleitores cadastrados deve-se perguntar para que servem os CONSELHOS DE POLÍTICA URBANA- COMPUR e de MEIO AMBIENTE – CONSEMAC (este foi contra o autódromo em Deodoro. E daí?)

Enquanto a pauta principal dos meios de comunicação é o debate tratando das intervenções perigosas para o equilíbrio do ambiente urbano, nada se ouve dos tais conselhos populares. NEM UM PIO!

Então, para que servem?

A quem me servem?

A quem representam?

Parece-me que discussão sobre a POLÍTICA URBANA atual passa necessariamente pela avaliação desta representação, dita da sociedade, junto ao poder público.

*Canagé Vilhena é Arquiteto e Urbanista

Charge: Santiago


No entanto a nossa DEMOCRACIA NÃO PARTICIPATIVA permite nos dias de hoje, que o mesmo velho processo que se desenvolveu durante todo o século passado continue através da manipulação da CÂMARA DE VEREADORES que aprova tudo que "seu comandante mandar".
Uma vez ou outra, a CÂMARA se rebela contra o prefeito em causa de seus próprios interesses, como aconteceu na votação para o PEU DAS VARGENS no tempo de Cesar Maia, que queria incluir a obrigação para o mercado imobiliário pagar pelo aumento do gabarito, enquanto os vereadores não queriam ONERAR os lançamentos imobiliários. Mas isto raramente acontece.
Nesta DEMOCRACIA REPRESENTATIVA da vontade da minoria dos eleitores cadastrados deve-se perguntar para que servem os CONSELHOS DE POLÍTICA URBANA- COMPUR e de MEIO AMBIENTE – CONSEMAC (este foi contra o autódromo em Deodoro. E daí?)
Enquanto a pauta principal dos meios de comunicação é o debate tratando das intervenções perigosas para o equilíbrio do ambiente urbano, nada se ouve dos tais conselhos populares. NEM UM PIO!
Então, para que servem?
A quem me servem?
A quem representam?
Parece-me que discussão sobre a POLÍTICA URBANA atual passa necessariamente pela avaliação desta representação, dita da sociedade, junto ao poder público.
imobiliários, com auxilio dos técnicos (advogados, engenheiro e arquitetos) ocupantes de cargos de confiança.
NIEMEYER, no seu livro “RIO” (p. 40 - Avenir Editora – 1980), denominou isto de “confraternização imobiliária”.
Isto é, UMA FESTANÇA PROMOVIDA PELO MERCADO IMOBLIÁRIO.
Foi assim desde PEREIRA PASSOS (com auxilio dos médicos sanitaristas) que aprovou os primeiros Regulamentos de Construção, depois sustentado pelo DECRETO 6000, DE 1937, o CÓDIGO DE OBRAS DO DISTRITO FEDERAL, todo remendado até 1967.
Com NEGRÃO DE LIMA foi aprovada a LEI DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO DA GUANABARA, em 1967, apelidada de CÓDIGO DE OBRAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, que institui a nova sistemática de ordenação do uso e ocupação do solo, repetindo o processo do DECRETO 6.00/37 é remendada até os dias de hoje, apesar das diretrizes aprovadas na POLÍTICA URBANA DA CONSTITUIÇÃO DE 1988.
Somente após a aprovação do ESTATUTO DA CIDADE, EM 2002, foi possível trazer para a organização material das cidades a tentativa de GESTÃO DEMOCRÁTICA com aprovação de PLANOS DIRETORES PARTICIPATIVOS e normas de desenvolvimento urbano que deveriam ter origem no debate entre o poder publico e a sociedade.
Foram realizadas anualmente várias CONFERÊNCIAS DAS CIDADES e criados diversos CONSELHOS MUNICIPAIS e ESTADUAIS para tratarem de POLÍTICA URBANA E POLÍTICA AMBIENTAL.
No entanto a nossa DEMOCRACIA NÃO PARTICIPATIVA permite nos dias de hoje, que o mesmo velho processo que se desenvolveu durante todo o século passado continue através da manipulação da CÂMARA DE VEREADORES que aprova tudo que "seu comandante mandar".
Uma vez ou outra, a CÂMARA se rebela contra o prefeito em causa de seus próprios interesses, como aconteceu na votação para o PEU DAS VARGENS no tempo de Cesar Maia, que queria incluir a obrigação para o mercado imobiliário pagar pelo aumento do gabarito, enquanto os vereadores não queriam ONERAR os lançamentos imobiliários. Mas isto raramente acontece.
Nesta DEMOCRACIA REPRESENTATIVA da vontade da minoria dos eleitores cadastrados deve-se perguntar para que servem os CONSELHOS DE POLÍTICA URBANA- COMPUR e de MEIO AMBIENTE – CONSEMAC (este foi contra o autódromo em Deodoro. E daí?)
Enquanto a pauta principal dos meios de comunicação é o debate tratando das intervenções perigosas para o equilíbrio do ambiente urbano, nada se ouve dos tais conselhos populares. NEM UM PIO!
Então, para que servem?
A quem me servem?
A quem representam?
Parece-me que discussão sobre a POLÍTICA URBANA atual passa necessariamente pela avaliação desta representação, dita da sociedade, junto ao poder público.
No entanto a nossa DEMOCRACIA NÃO PARTICIPATIVA permite nos dias de hoje, que o mesmo velho processo que se desenvolveu durante todo o século passado continue através da manipulação da CÂMARA DE VEREADORES que aprova tudo que "seu comandante mandar".
Uma vez ou outra, a CÂMARA se rebela contra o prefeito em causa de seus próprios interesses, como aconteceu na votação para o PEU DAS VARGENS no tempo de Cesar Maia, que queria incluir a obrigação para o mercado imobiliário pagar pelo aumento do gabarito, enquanto os vereadores não queriam ONERAR os lançamentos imobiliários. Mas isto raramente acontece.
Nesta DEMOCRACIA REPRESENTATIVA da vontade da minoria dos eleitores cadastrados deve-se perguntar para que servem os CONSELHOS DE POLÍTICA URBANA- COMPUR e de MEIO AMBIENTE – CONSEMAC (este foi contra o autódromo em Deodoro. E daí?)
Enquanto a pauta principal dos meios de comunicação é o debate tratando das intervenções perigosas para o equilíbrio do ambiente urbano, nada se ouve dos tais conselhos populares. NEM UM PIO!
Então, para que servem?
A quem me servem?
A quem representam?
Parece-me que discussão sobre a POLÍTICA URBANA atual passa necessariamente pela avaliação desta representação, dita da sociedade, junto ao poder público.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

APA MARAPENDI: CAMPO DE GOLFE, UM VÍDEO DE INTERESSE




Barra News


Dentre os quatro artigos aqui publicados sobre o segundo PACOTE OLÍMPICO – novo conjunto de propostas para mudar leis urbanísticas enviadas pelo Poder Executivo aos vereadores – , a mais acessada até aqui foi PACOTE OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI.

A análise restringiu-se a aspectos relacionados a índices urbanísticos, ao traçado das ruas na Barra da Tijuca e às consequências sobre a delimitação da Área de Proteção Ambiental do Parque Municipal Ecológico de Marapendi, a APA MARAPENDI propriamente dita, que será reduzida.

Ontem circulou na internet um vídeo que aborda outros aspectos da questão, estes de natureza jurídica e fundiária.

O blog decidiu divulgar o vídeo por entender que as questões de interesse da cidade – portanto, de interesse público - estão acima de preferências político-partidárias.

O objetivo da divulgação é enriquecer os debates sobre o caso do Campo de Golfe a ser construído na APA Marapendi. A veracidade das afirmações nele contidas, por óbvio, dizem respeito apenas aos protagonistas.

A foto-montagem que ilustra este post está em Campo de Golfe para Olimpíadas será na Barra da Tijuca, notícia publicada em 07/03/2012, na Web.

No mais, vale ao menos conhecer as imagens da Reserva Ambiental – a mesma que vários gestores afirmam estar degradada...

Urbe CaRioca



ESPN: Campo de golfe em questão


terça-feira, 27 de novembro de 2012

ARTIGOS: Construir sem Predação, Jornal O Globo / Decisões sem Discussão, Bruno Miragaya


Pacote Olímpico 1
Zona Portuária, Gabaritos de Altura, Hotéis, Isenções de Impostos
Imagem: Internet


Nas duas últimas semanas este Blog publicou uma série de artigos sobre as novas propostas de leis urbanísticas enviadas pelo Executivo à Câmara de Vereadores, mais uma vez propostas que aumentam o potencial construtivo de muitos terrenos na cidade, mais uma vez com a alegação de ‘necessidade’ diante dos grandes eventos mundiais que o Rio de Janeiro receberá. Para quem não teve a oportunidade de conhecer, os textos foram:





Em 21/11/2012 Editorial do Jornal O Globo apresentou em ‘Nossa Opinião’ visão a respeito das mudanças que acontecerão na Barra da Tijuca – entre elas sobre “projetos sólidos de instalação de equipamentos urbanos”, e “criar condições de explorar o grande potencial econômico — inclusive imobiliário — da região”.

O Blog entende que, infelizmente, faltam argumentos consistentes à defesa  apresentada pelo jornal, equivocada inclusive quando afirma que não há planejamento para a Barra da Tijuca. Melhor seria falar em planejamento inadequado.

Diante das observações sobre o caos já instalado, isto, sim, correto, construir cada vez mais na região – ao contrário do que o texto defende -, é incoerente. 

Espera-se que seja apenas a grande complexidade do tema – a cidade do ponto de vista urbanístico - o que impede a sua correta compreensão por parte de um veículo de comunicação de tal importância. Quanto à explorar o potencial imobiliário - o que vem sendo feito há 40 anos - a melhor solução seria reduzi-lo e, em alguns casos, estancá-lo!

O artigo de Bruno Miragaya em ‘Outra Opinião’ faz contraponto ao primeiro. É autoexplicativo.

Aos leitores do Urbe CaRioca, bons debates!


Pacote Olímpico 2
Zona Portuária, Mais Gabaritos de Altura, Hotéis, Isenções de Impostos, Garantia de Áreas não Construídas, Aumento de Gabaritos na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Região das Vargens, Campo de Golfe, APA Marapendi.

Imagem: Internet

***


EDITORIAL O GLOBO – 21/11/2012

PROJETOS IMOBILIÁRIOS NA BARRA
ESTIMULADOS PELO PACOTE OLÍMPICO



CONSTRUIR SEM PREDAÇÃO
O GLOBO


A Barra da Tijuca paga atualmente um alto preço pelo desenfreado (e desordenado) modo de ocupação que, a partir do último quarto do século passado, transformou completamente essa região da Zona Oeste do Rio. Como consequência inevitável do previsível adensamento populacional decorrente desse fenômeno, o bairro incorporou graves mazelas urbanísticas. Ali verificam-se engarrafamentos quase diários, o sistema de transportes é incapaz de atender à demanda, há um comprometimento ambiental que se reflete, principalmente, na poluição de boa parte do espelho d’água das lagoas, a rede sanitária ainda é insuficiente para dar conta das crescentes necessidades de residências e comércio locais.

São problemas que reclamam soluções nem sempre fáceis de serem adotadas, em razão não só da complexidade das intervenções já consolidadas, mas também porque exigem investimentos vultosos. Com a escolha daquela região para receber a parte mais substancial dos inversões com as quais o Rio se comprometeu para sediar as Olimpíadas de 2016, abriram-se novas oportunidades para a Barra. Desta vez, no entanto, a partir de um novo protocolo urbanístico, no qual o planejamento está no centro das transformações propostas (e necessárias).

Com isso, a Barra tem a chance de experimentar uma nova e mais racional forma de ocupação. É o que se vê, por exemplo, com a expansão e modernização dos sistemas viário e de transportes (construção de corredores seletivos de ônibus, os BRTs, obras para a chegada do metrô à região, projetos sólidos de instalação de equipamentos urbanos — inclusive aqueles que servirão aos Jogos Olímpicos e, depois, permanecerão como legados do evento para a cidade).

É dentro desse novo parâmetro de intervenções urbanísticos que devem ser avaliados os projetos de adaptação da Barra como território preferencial do Rio como cidade olímpica. A cidade não pode perder a oportunidade única de, ao mesmo tempo em que procura dar ordem ao caos da antiga ocupação desordenada, criar condições de explorar o grande potencial econômico — inclusive imobiliário — da região. São modos de intervenção que não se anulam; antes, podem se completar. Caso, por exemplo da área de 45 mil metros quadrados à entrada da Praia da Reserva, onde será instalado um complexo imobiliário, com um condomínio residencial e um hotel, obra prevista no Pacote Olímpico da Barra como parte dos estímulos oficiais para melhorar a rede hoteleira do município e atender à demanda que será gerada pelas Olimpíadas.

Construir não implica necessariamente fazê-lo pelo viés da predação. Ao contrário, quando há planejamento e racionalização do uso do solo, intervenções imobiliárias podem ser feitas com respeito ao meio ambiente e com projetos que equacionem demandas subsequentes — como transportes, rede sanitária e preservação da qualidade de vida.


Barra da Tijuca
Imagem: Internet



DECISÕES SEM DISCUSSÃO
Bruno Miragaya


A APA de Marapendi foi instituída em 1991, ano anterior à conferência Rio-92, no Rio de Janeiro. A preocupação com o meio ambiente ganhava força. Passadas duas décadas, a sociedade se mostra cada vez mais engajada nas questões ambientais. A crescente consciência da preservação vem gerando significativas mudanças no comportamento da sociedade. Ainda assim, há locais da cidade em que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e o consequente dever de preservação do poder público estão sendo suplantados pela especulação imobiliária, acabando com alguns dos santuários verdes que ainda restam.

O prefeito Eduardo Paes vem afirmando que pretende criar um parque abrangendo toda a reserva de Marapendi, proibindo novas construções, transferindo o potencial construtivo para outras áreas da Barra. Tal iniciativa é louvável, mas não abrange a área da futura construção do complexo hoteleiro e residencial Hyatt, situado na APA de Marapendi, numa área de preservação entre a lagoa e o mar, que serve de abrigo para inúmeras espécies animais. Os abastados hóspedes e moradores do empreendimento, onde uma cobertura pode chegar a custar 50 milhões de reais, desfrutarão deste imenso parque, ao mesmo tempo em que desmatarão parte da vegetação da APA para a construção do seu próprio complexo.

A viabilização desse projeto foi possível porque a Câmara de Vereadores aprovou em 2005 a Lei Complementar 78, que flexibilizou os critérios de construção na área, permitindo o seu uso hoteleiro e residencial, aumentando o gabarito para construção de pavimentos, além do incremento do índice de aproveitamento do terreno e da sua taxa de ocupação. Em que pese no ano de 2000 já houvesse sido editada a Lei federal 9.985, que prevê que as áreas de proteção contem com plano de manejo, órgão gestor e conselho, tais instrumentos, que permitiriam ampla participação popular, não foram implementados na APA de Marapendi, alijando a comunidade das decisões que afetam a área. Também ajudou na liberação da área uma doação de R$ 10 milhões da empresa construtora à prefeitura.

A construção de um hotel e dois prédios residenciais pode trazer vantagens para a cidade, como geração de empregos e aumento da oferta de acomodações. Porém, não se pode utilizar tais argumentos como meio para se degradar a cada vez mais escassa área preservada da cidade. O complexo seria bem-vindo em outro local que o comportasse de maneira mais adequada, mas não naquela região. Para além da questão ambiental, também deve ser observado o imenso problema do trânsito na localidade, que não parece suportar um empreendimento deste porte. Os mais de 600 apartamentos talvez inviabilizem a já sobrecarregada estrutura viária local.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A SEMANA – 19/11/2012 a 23/11/2012


Publicações da semana que passou
e textos mais lidos.

Concurso para o Campo de Golfe, lançado meses atrás, já indica
a área aumentada sobre a Reserva Ambiental, conforme proposta
enviada à Câmara de Vereadores apenas há cerca de 10 dias.

Imagem: Internet

Notícia O Globo: Projeto de Paes muda parâmetros ambientais para
setor privado construir campo de golfe na Barra




Dispensa legenda
Internet

Segue a saga urbano-legislativo-carioca: os posts imediatamente anteriores, a dois artigos sobre a APA Marapendi – o caso do Hyatt (hotel e prédios residenciais), e o mistério dos gabaritos que serão sem nunca terem sido – além de uma sugestão à multinacional General Electric.




Excepcionalmente a CrôniCarioca da semana não foi publicada, tal a quantidade de leis novas a caminho ao apagar das luzes deste mandato legislativo: imprescindível comentar.



Boa leitura!



Segunda, 19/11/2102



[PACOTE OLÍMPICO 2- O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI]

[ELOGILDA, RECLAMILDA E O METRÔ DO RIO]

[ENTREVISTA SOBRE MUDANÇAS URBANÍSTICAS NA BARRA DA TIJUCA]


O DIA ON LINE
Basta acompanhar a linha verde (Que ironia!) ao norte da Lagoa de Marapendi: é nítida a interrupção da Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, antiga Via 2 projetada por Lúcio Costa.

Basta ir ao local ou consultar o Google Maps: a Reserva não está degradada.


Terça, 20/11/2012


PACOTE OLÍMPICO 2 – O HOTEL HYATT E A APA MARAPENDI


Blog Rede Democrática - artigo



Quinta, 22/11/2012


Antiga Fábrica da General Electric em Maria da Graça
Internet



Sexta, 23/11/2012

PACOTE OLÍMPICO 2 – APA MARAPENDI:O “PARQUE” E AS BENESSES URBANÍSTICAS


Internet

 

***

 

Posts mais lidos da semana
Para acessar, copie o título na caixa de pesquisa acima.

PACOTE OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI

PACOTE OLÍMPICO 2 – O HOTEL HYATT E A APA MARAPENDI

SOU TIJUCANA “DA GEMA”, Sonia Fragozo

PACOTE OLÍMPICO 2 – APA MARAPENDI: O “PARQUE” E AS
BENESSES URBANÍSTICAS

MANGUINHOS X GE – DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

O PACOTE OLÍMPICO 2 E A ZONA PORTUÁRIA

ANTIGA FÁBRICA BHERING 2 – CONFETE PARA A MÍDIA

MOBILIDADE DEVE SER A PRIORIDADE

PEDRAS PORTUGUESAS E CARIOCAS