terça-feira, 30 de julho de 2013

O “BRAINSTORM” DO ALCAIDE


‘GUARATIBA, E AGORA, QUE O PAPA FOI EMBORA?’








Internet


 Este seria o título de nova análise sobre o bairro para onde o Rio se expande como já foi explicado neste blog em
A CIDADE CRESCE PARA... GUARATIBA.

Os últimos acontecimentos que culminaram com a transferência dos eventos finais da Jornada Mundial da Juventude da Zona Oeste para a Praia de Copacabana e o impressionante anúncio da Prefeitura feito em primeiro lugar pela voz dos religiosos inspiraram o ‘poeminha’ abaixo, que pretende abrir série sobre mais um desmando legislativo-urbano carioca.




Um passarinho que contou como, na cabeça do alcaide, tudo se passou.


Blog Urbe CaRioca


Guaratiba, Campo da Fé, Julho 2013
Imagem: Conexão Jornalismo


O BRAINSTORM DO ALCAIDE

Andréa Albuquerque G. Redondo



“Chove chuva, chove sem parar”!* E a lama? E a lama?
Diz o Tom que só em março “É a lama, é a lama”!
“E o vento, ventando”* - Justo lá no Campo Santo?
Tenha dó, caro Jobim, já é Julho, é o fim!
“Pois eu vou fazer uma prece”*, diz Ben Jor,
Faço para o outro Jorge, para o Papa de tão longe!
Diz que é do fim do fim-do mundo, é a terra do alfajor.


O aspone me pergunta, sem rodeio nem receio.
_ “Sim. Nada. Guaratiba nada em lama, nada em água”,
Penso, aflito, quase solto um nome feio!


Mas que “zebra”, mas que “mico”! E agora, como fico?
É limão do mais azedo, pior que limão galego.
Quem podia imaginar? Como hei de consertar?
Pensar, pensar... Falta pouco, antevejo!
Se Tempesta é Tempestade, um brainstorm há de ajudar!


Guaratiba, o povo longe, parecia a perfeição.
Papa Pop, o povo sofre, lama... água... limão... nada...
Sim, agora enxergo, já vislumbro! Farei uma limonada!
Pop vem de popular, vamos capitalizar!


Ninguém sabe, é complicada, essa tal de lei urbana.
Já estava até previsto, condomínio prá bacana!
Mudo um pouco, sutileza, é sucesso, com certeza!
Um concurso de projeto, democrático, é maneiro!
Andem logo, façam o PEU! Que não tenho o dia inteiro!
Ninguém sabe e nem entende, todos acham uma beleza!




Sou sabido, é de graça, aproveito o patrocínio.
Nem preciso propaganda prá milhares me aplaudirem.
Nem Cabral nem Dona Dilma. Eu faturo! Não concorrem!
Vamos lá, sem alarido, vou fazer uma surpresa!
Para ser muito querido, basta usar de esperteza!


Como fez o Garotinho lá em Nova Sepetiba,
Faço outro parecido, quase igual, em Guaratiba!
Arquiteto é que não gosta... Paciência! É bonitinho...
Que me importa se afundar? E se for um manguezal?
É arcaico? Nem te ligo, o que vale é canetar! Sou mais eu, eu sou o tal!


Um detalhe ainda falta, é lote particular.
Afinal, se paga imposto! Verba é feita prá gastar!
E o dinheiro da igreja? Como vou justificar?
Fez aterro, virou lama! Haverá de se importar?
Ela é rica, benfazeja! É prá pobre, há de dar!


Resolvido o problema!
Acabei com o dilema!
Adiante com a mentira!
Essa é minha, ninguém tira!
Eu me amo, sou benquisto!
Acabemos com esse quisto!


VOU FALAR COM NOSSO BISPO!





ÁGUAS DE MARÇO, de Antônio Carlos Jobim
Tom Jobim e Elis Regina, 1974



NOTAS

Wikepedia - Brainstorming is a group or individual creativity technique by which efforts are made to find a conclusion for a specific problem by gathering a list of ideas spontaneously contributed by its member(s). The term was popularized by Alex Faickney Osborn in the 1953 book Applied Imagination.Osborn claimed that brainstorming was more effective than individuals working alone in generating ideas, although more recent research has questioned this conclusion.[1] Today, the term is used as a catch all for all group ideation sessions.

Obs: Em tradução livre podemos dizer que é “uma tempestade no cérebro”.


** Das músicas Chove Chuva, de Jorge Bem, e Águas de Março, de Antônio Carlos Jobim




segunda-feira, 29 de julho de 2013

SEMANA 22/07/2013 a 26/07/2013 - MARINA DA GLÓRIA, CIDADE INFORMAL, E O PAPA NO RIO



Na Jornada Mundial da Juventude o Papa Francisco, sem ouro ou prata, arrebatou brasileiros e estrangeiros de todas as idades.



“A chuva escondeu o azul do céu do Rio,
fez o mar cinza-chumbo,
 maltratou os peregrinos, e fez mais.
Transformou o Campus Fidei em um lamaçal
 e expôs a fragilidade ambiental de Guaratiba.”



Jornada Mundial da Juventude, 2013. Praia de Copacabana
Foto: Notícias r7


Publicações da semana que passou
e textos mais lidos.


Os posts imediatamente anteriores; o artigo de Sonia Rabelo sobre os novos perigos que rondam a Marina da Glória com links de textos do blog que esclarecem o assunto; uma análise sobre as diferenças entre a dita ‘cidade formal’ e as comunidades, sob o ponto de vista da atuação dos órgãos municipais e dos empreendedores da construção civil.

A CrôniCaRioca passeia com o Papa Francisco pelo Rio de Janeiro e acha que a chuva foi benvinda. Boa leitura.

Blog Urbe CaRioca



Segunda, 22/07/2013







Embiruçu-da-mata.
Parque do Flamengo, Rio de Janeiro.
Foto: Ivete Farah




Terça, 23/07/2013



Internet




Quinta, 25/07/2013



Problemas de cidade. Em Rio das Pedras já é possível ver
várias construções com quatro pavimentos.
E o canal está assoreado. / Custódio Coimbra
Legenda e foto: O Globo, 21/07/2013



Sexta, 19/07/2013



O Papa, o Papamóvel e o Povo
Rio de Janeiro, Julho 2013 - 
Imagem: Uol Notícias




Os 10 posts mais lidos da semana
Para acessar copie o título na caixa de pesquisa acima.


O PAPA NA URBE CARIOCA

PEDRAS PORTUGUESAS E CARIOCAS

DEMOLIÇÕES 2 – RENOVAÇÃO URBANA E A ‘CIDADE INFORMAL’

Artigo: PREFEITO DO RIO PRETENDE DEFINIR PARÂMETROS EDILÍCIOS PARA PARQUE PÚBLICO! , de Sonia Rabello

UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, por Miguel Gonzalez

RIO DE JANEIRO – HOTÉIS EM REFORMA, EM CONSTRUÇÃO, EM PROJETO OU EM ESTUDOS

A CIDADE CRESCE PARA... GUARATIBA

PACOTE OLÍMPICO 2 - O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI

DEMOLIÇÕES – O NOVO NO LUGAR DO EXISTENTE E O PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA

RIO + 20 LEIS URBANÍSTICAS


sábado, 27 de julho de 2013

O PAPA NA URBE CARIOCA


CrôniCaRioca

Andréa Albuquerque G. Redondo


Papa Francisco
Internet


Católico, ateu, agnóstico, outra religião, tanto faz.

Impossível é deixar de emocionar-se ou, ao menos, impressionar-se com a comoção causada pela visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, que acontece aqui graças a Bento XVI, devemos lembrar.

Problemas, falhas? Sim, muitos, visíveis todos os dias. Os naturais transtornos para quem vive Réveillons e Carnaval eram esperados. Trânsito caótico, falta de segurança, falta de transporte e engarrafamentos que no Rio são crônicos, pioram.... Pane no Metrô e horas para conseguir o kit-peregrino são inadmissíveis.

Emoção e alegria? Sim, em profusão. A cidade fervilha com a juventude colorida e alegre. O Pontífice com poucos meses de pontificado irradia simpatia e carisma. Só inspira bons sentimentos. O Papa argentino é Pop. Querem tocá-lo, abraçá-lo, receber uma bênção, atiram bilhetes – pedidos de oração, por certo – a multidão corre atrás do papamóvel, aplaude, grita, chora...

Exagero? Talvez, que importa? É emoção extravasante, genuína e gratuita!

Nos dias atuais, que outro representante, homem público, levaria milhares às ruas sob frio, chuva ou sol? Em suas palavras, “não trouxe ouro nem prata”. Não paga nem pede como tantos pseudo-líderes que arrebanham claques em troca de diárias e lanches, ou vendem o Reino dos Céus. Francisco pede só fraternidade, diálogo, e uma sociedade mais justa.


Acolhimento
Imagem: Último Segundo


O aspecto de ‘show’ e os aplausos em algumas passagens causa-me certo incômodo, criada que fui com ambientes religiosos onde o silêncio e a contrição eram obrigatórios... Deixa prá lá! O Papa pede esperança e alegria, hoje se canta, batem-se palmas, tudo muda mesmo! Devo confessar que o som das Bachianas de Villa Lobos, a encenação do Círio de Nazaré, os jovens com bandeiras de todos os países fazendo reverência diante do antes cardeal Jorge Bergoglio – agora um símbolo -, a mistura de idiomas nas vozes da juventude, a Via Sacra apresentada e encenada com extremo bom gosto cenográfico e textos primorosos – além dos Evangelhos, esclareça-se – e a inclusão geral dedicando-se aos deficientes, aos jovens, aos surdos, ao trabalhador... O conjunto foi arrebatador.

Ainda não tivemos um Papa brasileiro. João Paulo II se disse ‘carioca’. Francisco, portenho, simpático e carismático, se carioca de coração não vier a ser, certamente não esquecerá o povo do Rio de Janeiro, os brasileiros e os estrangeiros da JMJ, e levará todos no seu cuore de Bispo de Roma.

Por falar em coração, o primeiro ‘passeio’ papal no Brasil foi pelo coração do Rio de Janeiro, o Centro, onde ficou ‘engarrafado’ em seu carro popular! Centro, Sumaré, Botafogo, Copacabana, Tijuca, Manguinhos (favela da Varginha), São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), Glória, Flamengo, Centro, Centro, Centro... Entre as visitas, a ida a Aparecida do Norte, pura emoção.

Copacabana
Imagem: Foxsports


Ia a Guaratiba. Não mais irá.

A chuva escondeu o azul do céu do Rio, fez o mar cinza-chumbo, maltratou os peregrinos, e fez mais. Transformou o Campus Fidei em um lamaçal e expôs a fragilidade ambiental de Guaratiba. Decepcionou os moradores da Zona Oeste, é verdade – mas, não pelos motivos imprevisíveis retratados na triste história real contada no filme ‘O Banheiro do Papa’. A chuva revelou a escolha do lugar errado, do que os órgãos públicos tinham ciência.

Guaratiba é um bairro ainda rural, afastado do Centro do Rio, longe da urbe carioca mais adensada. Foi escolhida para receber os dois últimos eventos da jornada, a vigília e a missa do envio. O lamaçal reacendeu questionamentos anteriores e mistérios sobre a opção pelo bairro quase ‘roça’.

A chuva fez mais ainda: trouxe o Papa Francisco e os peregrinos de volta ao seio da urbe carioca. Missa e vigília acontecerão também na praia símbolo do Rio de Janeiro, e a peregrinação veio para o coração da cidade, da Central do Brasil até Copacabana, tudo onde muito mais habitantes moram, trabalham e se divertem. Assim, aos peregrinos poderão se juntar milhares de outras pessoas que não teriam condições de se deslocar para a distante e descampada área na Zona Oeste.

Como se vê, a chuva fez muito mais do que enlamear o Campo da Fé e jogar na lama sabe-se lá o quê mais irão descobrir.

Pode ter sido providencial. Se houve o dedo de Deus não se pode dizer, mas a voz do povo diz ‘O Homem Põe e Deus Dispõe’.


A JMJ ainda não terminou, mas tenho certeza de que o Papa Francisco já marcou a todos, religiosos ou não, com sua simpatia irradiante e genuína generosidade, e por certo guardará para sempre o calor humano contagiante com que os cariocas receberam o Peregrino da Simplicidade.


O Papa, o Papamóvel e o Povo
Rio de Janeiro, Julho 2013
Imagem: Uol Notícias

quinta-feira, 25 de julho de 2013

DEMOLIÇÕES 2 - RENOVAÇÃO URBANA E A ‘CIDADE INFORMAL’


Problemas de cidade. Em Rio das Pedras já é possível ver várias construções com quatro pavimentos. E o canal está assoreado Custódio Coimbra / Custódio Coimbra
Legenda e foto: O Globo, 21/07/2013


Em 19/07 o post DEMOLIÇÕES, O NOVO NO LUGAR DO EXISTENTE E O PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA relacionou, entre outros aspectos, a renovação urbana e o adensamento populacional exacerbados pelos incentivos à construção civil. Dizia:

“As demolições de imóveis na cidade com vistas à renovação urbana são o melhor indicador do adensamento populacional efetivo a que determinados bairros da cidade estão sujeitos, considerando-se que, invariavelmente, as construções existentes são substituídas por outras de maior porte (...)” e “Não se aborda neste texto o caso da cidade informal, que cresce sem controle, nem os incentivos à ocupação de áreas vazias, como é o caso da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, região das Vargens e, em breve, Guaratiba”.

Coincidentemente, dois dias depois o jornal O Globo publicou matéria sobre o crescimento do número de imóveis na favela Rio das Pedras, de 69% em dez anos. Como no resto da cidade, além da expansão territorial, lá o adensamento também se dá pela ‘renovação urbana’, isto é, pela substituição de construções existentes por outras maiores, o que não é privilégio desse local: a favela da Rocinha teve um prédio com 11 andares... Do mesmo modo, nas áreas ocupadas irregularmente e incorporadas à urbe carioca, a construção de prédios habitacionais e comerciais – lojas, escritórios e até hotéis –, não mais corresponde à fabricação da casa feita pelas mãos de cada família para resolver a função primordial do morar. Sabidamente, a maioria das construções serve a negócios imobiliários.
Sob a ótica estrita da construção civil há semelhanças entre o que ocorre nos bairros oficiais e aquelas áreas.



O PARQUE OLÍMPICO - BENESSES NAS ALTURAS


Nos primeiros as construções são aprovadas com base em leis urbanísticas que, invariavelmente, incentivam a renovação e a expansão da malha urbana construída. As Áreas de Proteção do Ambiente Cultural - APAC são uma exceção.
As normas legais pressupõem a existência de infraestrutura necessária para atender aos novos habitantes - transportes, saneamento, equipamentos urbanos públicos, etc. Na prática, a concessão de licenças de obras se dá mesmo que aquela condição fundamental inexista ou seja precária. É exemplo o adensamento dos bairros da Freguesia e vizinhança, tratado neste espaço em três artigos.
No segundo caso o processo construção/substituição acontece espontaneamente e à margem das normas, seja pela omissão deliberada dos gestores públicos ou, simplesmente, pela impossibilidade de fiscalizar tantos territórios gigantescos onde a dificuldade de acesso e problemas relacionados à falta de segurança o impedem. Informações da matéria citada confirmam o que se percebe há décadas: a expansão é contínua.

Cabe lembrar que várias favelas, agora chamadas comunidades, foram alçadas oficialmente à categoria de bairros e dispõem de regras de construção estabelecidas, muito embora não se tenha notícia sobre licenciamento, fiscalização e multas por obras irregulares. Para as metas de arrecadação traçadas pela Prefeitura certamente essas regiões também não estão no mapa. E nem poderiam, pois a presença do Estado é incipiente em todos os sentidos.
Ainda assim, em visão peculiar pode-se dizer que há paridade entre o que se convencionou chamar de “cidades formal e informal”: o empreendedorismo ligado ao espírito mercantil.


br.freepik.com
As iniciativas dos empresários do mercado imobiliário que atuam na primeira contam com índices urbanísticos especiais, leis que regulam obras ilegais como a ‘mais valia’ e, recentemente, a ‘mais valerá’ (!), perdão de dívidas, benefícios fiscais e até a vergonhosa doação de área pública para um Campo de Golfe!

Aos empreendedores da segunda ‘cidade’ falta o carimbo oficial.


A criação de leis urbanísticas perniciosas voltadas exclusivamente para a indústria da construção civil embute decisões que: carreiam recursos para Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, região dasVargens e Guaratiba; estimulam a construção de torres em estilo ‘Dubai’ na Zona Portuária (condenando-a a continuar sem moradia, enquanto o Elevado da Perimetral será demolido e o Metrô foi descartado); e concedem isenções fiscais para a indústria hoteleira, entre outros exemplos, em detrimento das áreas pobres da Zona Norte e da Zona Oeste carentes de tudo.
Enquanto ambos os processos prosseguem consolidam-se e acentuam-se cada vez mais as diferenças territoriais na urbe carioca.


O Globo

Exemplo atual é a proposta de um complexo gastronômico e de exposições de grande porte na Floresta da Tijuca - reserva ambiental tombada – como ampliação do antigo Hotel das Paineiras: terá 395 vagas, dois restaurantes, botequim, loja e dois centros de exposições. E não será hotel!




Internet


Tal como no caso da Marina da Glória, novamente o órgão de Patrimônio Cultural ‘aprova’ um projeto sem considerar a lei de uso do solo. Em que diferirá das várias ocupações irregulares com favelas/comunidades no Alto da Boa Vista? A origem da iniciativa, a concordância do poder público, alguma lei urbanística específica a ser feita – nem as leis prejudiciais do “Pacote Olímpico 1” amparam a proposta –, e as assinaturas oficiais (v. o artigo Hotel Paineiras - Mais um projeto mal intencionado).

Por óbvio, não se trata de fazer apologia à irregularidade, sejam construções, invasões de terras ou acréscimos de andares sem licença, muito ao contrário. Tampouco a norma urbana correta seria a panaceia carioca, pois a perfeição não existe. Porém, as opções inadequadas, sem dúvida, são um veneno que destrói a boa vida urbana, ainda que lentamente.

O alerta que a imprensa nos dá com as estatísticas sobre o crescimento e a renovação urbana nas favelas chama a olhar com a mesma acuidade para o resto da cidade que cresce com a tutela oficial.

Que essas reflexões possam reacender os debates institucionais e da sociedade civil sobre a questão urbana e habitacional na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, e sobre as prioridades das políticas públicas que têm sido adotadas usando-se como pano de fundo os grandes eventos que vimos recebendo, e que ainda chegarão.

Os eventos passarão. O futuro do Rio é o que interessa.


Montagem sobre proposta para 'bigorrilhos' nos táxis.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Artigo: PREFEITO DO RIO PRETENDE DEFINIR PARÂMETROS EDILÍCIOS PARA PARQUE PÚBLICO! , de Sonia Rabello


Internet


NÃO ENTENDERAM. Foi o título do artigo do jornalista Merval Pereira publicado no jornal O Globo no dia 04 último.

Na mesma data Everardo Maciel nos brindou com artigo O ESTADO NÃO ENTENDEU AS RUAS, publicado no Blog do Noblat.

Aos dois textos – excelentes e claros - somamos o da jurista e professora de Sonia Rabello que, diante da publicação do Decreto nº 37354 de 02/07/2013 (DOM 03/07/2013), afirma que “... é de elementar compreensão que uma comissão não pode definir parâmetros edilícios e paisagísticos, nem de uso e ocupação para um parque público, indivisível e juridicamente afetado ao uso comum do povo!”, e que “O Parque do Flamengo, e sua área Marina da Glória, não é um empreendimento. É um parque público. Será que é tão difícil entender essa situação jurídica e pública?”, entre outras considerações.

Ou há um embotamento geral, ou – o mais provável - nossos governantes, conscientes, fecham os olhos, tapam os ouvidos, e abrem a boca apenas para sofismar.

Internet


Quanto à Marina da Glória, sugerimos ao alcaide da Cidade do Rio de Janeiro consultar (1) o texto abaixo, (2) as análises publicadas no site www.soniarabello.com.br e (3) neste blog, por exemplo, os artigos ESTE PROJETO É IMPOSSÍVEL e LUGAR DE BARCO, entre muitos outros.

Boa leitura!


URBE CARIOCA


Prefeito do Rio pretende definir parâmetros edilícios para parque público!

Sonia Rabello


4 | Julho | 2013


Parque do Flamengo, Marina da Glória:


Nesta quarta-feira, dia 3, o prefeito do Rio publicou mais um decreto criando uma Comissão com competências, digamos, esdrúxulas, e que indicam que, no mínimo, não se interessou em mandar estudar minimamente a situação.


E aí, mais uma vez, materializou o que vem sendo uma característica de sua administração: ações rápidas e mal feitas. E dane-se o futuro.


Vejamos o decreto do prefeito:


a. Duas das três competências da referida Comissão seria a de definir “parâmetros edilícios e paisagísticos (…), [ bem como] parâmetros de uso e ocupação da Marina da Gloria, que deem viabilidade ao empreendimento”…


Ora, prefeito, a área da Marina da Glória integra uma área maior – o Parque do Flamengo -, bem de uso comum do povo, com projeto paisagístico, e de uso e ocupação já definidos no projeto Reidy – cujo conteúdo de programa de uso e ocupação é objeto de tombado pelo IPHAN a nível federal!


Portanto, é de elementar compreensão que uma comissão não pode definir parâmetros edilícios e paisagísticos, nem de uso e ocupação para um parque público, indivisível e juridicamente afetado ao uso comum do povo!


Parâmetros de uso e ocupação só podem ser definidos por lei, para áreas urbanizáveis, parceladas; e só estas área privadas, urbanizáveis é que podem ser objeto de “empreendimento”! 


O Parque do Flamengo, e sua área Marina da Glória, não é um empreendimento. É um parque público. Será que é tão difícil entender essa situação jurídica e pública? 


A terceira competência da tal Comissão seria definir um “termo de referência para a promoção de concurso público internacional de arquitetura para a Marina“.  Para o interferir 
no projeto tombado do Reidy?!  É mesmo de arrepiar.  


(Aliás, concursos públicos internacionais, que escritórios estrangeiros sempre ganham, é um ótimo pretexto para exportação de divisas. Ou não?)


Vige para a área da Marina da Glória um contrato entre o Município e uma empresa privada para administrar as instalações da marina (não é um empreendimento!).


Há fortíssimos indícios de graves descumprimentos de obrigações contratuais, inclusive de obras irregulares já confirmadas pela Justiça Federal, e retirada de vegetação do Parque, conservação inadequada da área pública, uso inadequado para eventos incompatíveis com a náutica e com o Parque.


Cabe à Prefeitura não devanear, mas cumprir sua obrigação de fiscalizar o rigoroso cumprimento as obrigações contratuais e, se for o caso, rescindir o contrato por descumprimento de obrigações, assumindo a restauração e conservação daquela área, para devolvê-la, corretamente, ao uso público da população carioca.


Sem tergiversões. Com mais competência administrativa e menos enganação!