quinta-feira, 29 de agosto de 2013

COMPLEXO PAINEIRAS, O ELEFANTE SUBIU O MORRO



Bem no meio da imagem, à frente do trem, o Hotel Paineiras na década de 1910. Disponível em: http://www.fotolog.com.br/tumminelli/8602242
Imagem: Blog Rio Cidade "Sportiva"




O "Elefante que estava a caminho da Marina da Glória"* encontrou novo rumo morro acima, ou, melhor, vive acima: do Parque à beira-mar seguiu para o Parque Nacional da Tijuca, pulmão da Cidade do Rio de Janeiro, em direção à Estrada das Paineiras. Literalmente da savana à floresta. 

Mais uma vez procura lugar tombado e protegido pela legislação de Meio Ambiente, tal qual o caso da Área de Proteção Ambiental de Marapendi transformada em Campo de Golfe, e da citada Marina.




O Globo
Figuras de linguagem à parte, outra vez surge um Centro de Convenções, agora na mata e para 400 pessoas.  O projeto arquitetônico objeto de concurso nacional, pode ser conhecido neste link: com mais de 20.000 metros quadrados de área construída o chamado Complexo Gastronômico prevê 400 vagas de veículos. Em tese é uma estação de transbordo para turistas, com restaurantes.



Não se trata simplesmente de aproveitar o prédio abandonado e recuperá-lo mantendo volumetria, telhado e a estrutura metálica do pátio coberto que o caracterizam, mas, acima deste será construído novo corpo equivalente a cerca de três andares, além de anexos e estacionamentos. O estacionamento ao lado, subterrâneo, requer corte no terreno e desmatamento. Segundo o autor, “um corte, relativamente pequeno se comparados à importância do empreendimento e à escala monumental da natureza”.


Notícias da época do Edital informavam que, além do complexo gastronômico, o concessionário poderia explorar um centro de visitação e eventos no prédio do antigo hotel. O projeto de arquitetura vencedor do concurso organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB mencionava a existência de hotel, ao que tudo indica não mais previsto. Quem sabe foi trocado pelo Centro de Convenções?


Na mídia não há informações sobre licenças de obras nem sobre o pronunciamento dos órgãos de Meio Ambiente e de Patrimônio Histórico do município, todos indispensáveis segundo a lei urbanística vigente.


Como a licitação ocorreu em 2011 e houve início de obras, escavações e desmatamento, provavelmente as autorizações foram concedidas - o que não impediria questionamentos: vide os casos citados da Marina da Glória e do famigerado Campo de Golfe, aprovados inexplicavelmente à revelia das normas.


Deve-se registrar que todos os projetos premiados são lindos. Todos. Podem ser conhecidos no Portal Vitruvius de Arquitetura e Urbanismo.  O projeto para a Marina da Glória também era muito bonito. Não é o que está em questão.


A estranheza se dá porque o local está incluído em Zona Especial 1 - ZE-1, área de reserva florestal, onde é permitido construir só dois andares. Como o prédio já tem três com altura de quatro, seria permitido apenas recuperá-lo, jamais acrescentar um “cocoruto” que quase dobra sua altura. Além disso, devido à idade da construção qualquer intervenção deve ser autorizada pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural.

Mesmo a permissiva Lei 108/2010, aquela das benesses para hotel, dispôs que “No bairro do Alto da Boa Vista da VIII RA – Tijuca será permitido o uso de serviço de hospedagem do tipo pousada e resort, voltados para o ecoturismo, obedecidos os parâmetros  urbanísticos definidos pela legislação em vigor para o local.



Paineiras
O Globo, 26/08/2013


Segundo notícia publicada em 27/08/2013 durante o processo de aprovação pelo IPHAN houve divergências internas e “o andar que seria construído sobre o prédio do hotel e um dos pavimentos de garagem foram suprimidos”, embora as imagens do projeto indiquem três níveis a mais sobre o prédio do antigo hotel. O jornal também informou que “Para dar lugar ao futuro empreendimento, 232 árvores serão derrubadas. Muitas já foram ao chão. O consórcio, porém, comprometeu-se a replantar 336. O muro e o telhado do hotel já foram postos abaixo. Janelas e portas também foram retirados. Ontem, apesar do embargo, havia operários no local. Mas o gestor do consórcio, Luiz Fernando Barreto, garante que eles arrumavam materiais para evitar acidentes durante eventuais chuvas” (?).


Foto disponível em: http://www.fotolog.com.br/sorio/37797248
Imagem: Blog Rio Cidade "Sportiva"

Algo estranho há: “arrumar materiais” não é motivo para embargo pelo IPHAN... e paralisação de obras.


A recuperação do prédio de mais de cem anos - mesmo modificado - e do local são bem vindas, por óbvio. E organizar o estacionamento se não puder ser dispensado, também.





Do mesmo modo lucrar com os investimentos é inerente ao empreendedor. Porém, se os negócios que envolvem patrimônio público e áreas públicas não são lugar comum, mais especiais se tornam quando interferem em ícones do Rio de Janeiro: Floresta da Tijuca, paisagem, as Paineiras e a construção centenária inaugurada junto com o primeiro trecho da Estrada de Ferro Corcovado.


Nesses casos o equilíbrio da equação investimento x lucro é delicado. O retorno não pode ser alcançado a qualquer preço ou a dita parceria público-privada, concessão, permissão - seja qual for a figura jurídica adequada -, não deverá ser realizada, permanecendo os encargos de única responsabilidade do poder público. Mais uma vez a solução oferecida é “eu cuido desde que possa explorar, modificar, demolir, construir... etc.”, com o desequilíbrio que vimos no Maracanã, Parque do Flamengo, e agora, quer chegar à Floresta da Tijuca.


Que se recupere prédio e as Paineiras com respeito à legislação urbanística e de Meio Ambiente, e com a indispensável proteção ao nosso maior bem: a paisagem urbana do Rio de Janeiro. E que não se culpe os empresários ou a “ganância” empresarial. Esses farão apenas o que os gestores da cidade autorizarem.


Impor limites é dever inafastável do Poder Público. Não ultrapassá-los, também.

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*Posts sobre a Marina da Glória (outros: v. marcadores Marina da Glória, Parque do Flamengo e Tombamento).

MARINA DA GLÓRIA: ESTE PROJETO É IMPOSSÍVEL

MARINA DA GLÓRIA x IPHAN: ÍNDICES IGUAIS OU MENORES. MAIORES, JAMAIS!


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LEI COMPLEMENTAR nº 108/2010

Art. 21. No bairro do Alto da Boa Vista da VIII RA – Tijuca, será permitido o uso de serviço de
hospedagem do tipo pousada e resort, voltados para o ecoturismo, obedecidos os parâmetros

urbanísticos definidos pela legislação em vigor para o local.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ZONA PORTUÁRIA SEM HABITAÇÃO + HOTÉIS = PACOTE OLÍMPICO 1



Pacote Olímpico 1

Zona Portuária, Gabaritos de Altura, Hotéis, Isenções de Impostos
Imagem: Internet

Analisamos o que chamamos de ‘enxurrada hoteleira’ em RIO DE JANEIRO - HOTÉIS EM REFORMA, EM CONSTRUÇÃO, EM PROJETO OU EM ESTUDOS e em DEMOLIÇÕES 3 – OS HOTÉIS E O PACOTE OLÍMPICO 1, quando mencionamos as leis urbanísticas aprovadas pelo atual prefeito e pela Câmara de Vereadores na gestão 2009-2012.

Tais normas aprovadas no final de 2010 ficaram conhecidas por PACOTE OLÍMPICO 1 e destinaram-se exclusivamente a criar os ditos "benefícios" para a Zona Portuária - ZP e para a construção de hotéis benesses na forma de índices urbanísticos especiais – aumento expressivo de andares e área a construir – e isenções fiscais, a título de incentivar o mercado imobiliário na região do porto e a indústria hoteleira em praticamente toda a cidade. A justificativa era atrair investimentos para o projeto de revitalização da ZP e aumentar a capacidade de receber hóspedes durante os eventos Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos 2016.

Quando os projetos de lei respectivos ainda estavam em tramitação na Câmara de Vereadores escrevemos o artigo Benefícios duvidosos, publicado no Jornal O Globo em 18/10/2010. Passados três anos a ausência de projetos habitacionais na Zona Portuária tem sido objeto de muitas críticas: lá prevalecem empreendimentos comerciais de grande porte - era a intenção - e o único prédio residencial, de iniciativa do governo, é fruto de pressões.

O assunto foi apresentado com muita propriedade no artigo Porto do Rio sem habitação: encenação governamental, da professora Sonia Rabello, cuja leitura recomendamos. Seguem dois trechos:


Cena 3: Durante o meu mandato como vereadora, proponho o projeto de lei destinando, obrigatoriamente, um percentual mínimo de 10% dos recursos públicos do potencial construtivo vendidos para serem aplicados em habitação social. E a destinação de um mínimo de 10% da área também para habitação social.


Cena 4: Após tramitar pelas várias comissões da Câmara de Vereadores, o projeto para destinação de habitação social é, finalmente, incluído na pauta de votação. Quando está para ser votado, o líder do governo Paes e atual vice-prefeito do Rio (PT) apresenta uma emenda ao projeto (apoiada por outros 16 vereadores) que suprimia a destinação dos 10% dos recursos do CEPACs à habitação social. Com isso, também tira o projeto da pauta de votação.



Com o tema da Habitação na berlinda e devido às várias menções ao PACOTE OLÍMPICO 1 que temos feito em textos neste blog, reproduzimos o artigo de 2010 para melhores esclarecimentos, lembrando que à época o novo Plano Diretor ainda não havia sido aprovado e o antigo Hotel Meridien ainda estava abandonado. O Hotel Nacional, porém, continua vazio.




Guaratiba, Campo da Fé, Julho 2013
Imagem: Conexão Jornalismo

Quanto à possibilidade de construir pousadas e resorts em Guaratiba e no Alto da Boa Vista, imaginada então como positiva, é imperioso esclarecer que o cogitado na época em nada se pareceria com o que está por chegar naquele bairro da Zona Oeste – o anunciado projeto Minha Casa Minha Vida no terreno gigantesco que virou um lamaçal (v. GUARATIBA: DE ZONA RURAL A LAMAÇAL – Parte 1) – muito menos com o empreendimento de grande porte que se pretende construir no lugar do antigo Hotel Paineiras, dois enormes erros, na nossa visão.



Os hotéis, o empreendimento comercial na Floresta da Tijuca, e a região de Guaratiba ainda serão objeto de novas considerações.

Quanto à falta de habitação na região do Porto, o alcaide agora pretende 'consertar' a opção feita deliberadamente como declarado. Falta de aviso não foi (v. a opinião do presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB em ARTIGOS: ZONA PORTUÁRIA - OUTROS PONTOS DE VISTA e o post O PACOTE OLÍMPICO 2 E A ZONA PORTUÁRIA).

Resta saber se o Prefeito e sua bancada mudarão a lei de 2010, o que é improvável devido a compromissos assumidos, por exemplo, com a venda das CEPACs, hoje propriedade da Caixa Econômica Federal. Até aqui, as declarações são apenas confete para a mídia.

Feitos os esclarecimentos, abaixo, o artigo cujo foco foi a benesse para os hotéis. A questão habitacional foi mencionada em outro artigo publicado no mesmo jornal e na época divulgado aqui no blog. O título: SEMPRE O GABARITO.

Boa leitura.

URBE CARIOCA





Pacote Olímpico 2

Zona Portuária, Mais Gabaritos de Altura, Hotéis, Isenções de Impostos, Garantia de Áreas não Construídas, Aumento de Gabaritos na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Região das Vargens, Campo de Golfe, APA Marapendi.

Imagem: Internet





Andréa Redondo

Artigo publicado no Jornal O Globo em 18/10/10


Enquanto o Plano Diretor do Rio tramita desde 2006, o projeto de lei para incentivar a indústria hoteleira - o Pacote Olímpico - está na iminência de ser aprovado pelos vereadores. Um recorde. A necessidade de acomodações visando à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 justificaria o alegado incentivo, contexto em que espantoso texto anônimo foi inserido na proposta do PD. Entre as estranhezas, seria permitida a construção de hotéis como nos anos 1970, quando volumetria, altura do prédio e ocupação do lote eram ilimitadas.

O texto foi cancelado após clamor geral, mas, reeditadas, as medidas constam no Pacote do Poder Executivo que incidirá em parte dos bairros, da Ilha ao Centro e Copacabana, da Barra da Tijuca a Guaratiba; no Alto da Boa Vista e em Realengo; no Sambódromo e na Zona Oeste.

Se o caráter do benefício era explícito, agora as regras são sutis. Ao contrário da afirmação de que os índices urbanísticos vigentes serão mantidos, mais uma vez liberam-se os gabaritos dos hotéis, agora com norma intrincada: escadas, corredores, elevadores, dependências, estacionamentos, áreas de lazer e convenções são excluídos da área de construção e do volume fixados para cada bairro.

O aspecto das futuras construções é imprevisível, pois o tamanho dos prédios dependerá do programa hoteleiro, da criatividade de empreendedores e arquitetos, e de uma boa calculadora. Quanto maior a proporção entre áreas de apoio e de quartos, maior a construção. Simplificando: quanto mais cômodos que "não contam" houver, mais o projeto crescerá. Portanto, devido aos espaços desconsiderados, afirmar que os parâmetros urbanísticos serão obedecidos é irreal e enganoso.

Para usufruir dos benefícios e isenções fiscais será necessário gravar a finalidade do edifício, isto é, não importa o futuro: uma vez hotel, sempre hotel, obrigação imponderável, razão provável para não haver sanções pelo seu descumprimento. O gravame é inócuo e a realidade remete ao abandono dos hotéis Meridien, Nacional, São Conrado Palace e Gávea Tourist. Deveria haver estudos técnicos comprovando que sem a oferta os hotéis não seriam construídos. Afinal, a demanda fruto da Copa e dos Jogos é real, ainda que os eventos, passageiros. Por outro lado, eternizar uma atividade é argumento que não resiste aos riscos dos negócios e à dinâmica da cidade.

Mais adequado seria respeitar a lei vigente e permitir a transformação dos hotéis em residências, escolas, hospitais e escritórios. É ilógico conceder privilégios, criar obrigação incontrolável, e marcar o perfil do Rio em troca de um suposto proveito para a cidade cujo retorno sequer foi demonstrado.

Certamente há méritos no pacote. Fora eventuais excessos volumétricos, permitir hotéis na Avenida das Américas e em outras vias estruturais da região pode ser positivo, pois inexplicável é o Plano Piloto da Baixada de Jacarepaguá ter restringido a atividade à orla marítima. Incentivar pousadas voltadas para o ecoturismo e resorts em Guaratiba e no Alto da Boa Vista parece adequado, se autorizadas mediante submissão à proteção do meio-ambiente e evitados impactos negativos.

Mas qualquer aspecto favorável nunca poderia ser prejudicial à cidade ou passar ao largo do Plano Diretor. A nova lei passa ao largo do PD e é dita provisória. O resultado será perene, bem como o desperdício de preciosos recursos públicos.

ANDRÉA REDONDO é arquiteta.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SEMANA 19/08/2013 a 23/08/2013 – HOTÉIS, DEMOLIÇÕES, ESTAÇÃO GÁVEA, E O METRÔ-TRIPA EM 2016


“Em tempos de manifestações, aguardemos as opiniões das instituições ligadas ao urbanismo e ao meio ambiente, e da academia, sobre a enxurrada hoteleira e a invasão predadora da Floresta da Tijuca, enquanto o Hotel Nacional continua abandonado. E de juristas sobre tantos benefícios fiscais...”.


Trecho de DEMOLIÇÕES 3 – OS HOTÉIS E O PACOTE OLÍMPICO 1

 



Internet


Publicações da semana que passou
e textos mais lidos.


Os posts imediatamente anteriores; a enxurrada de hotéis incentivados pelo Pacote Olímpico 1, a Estação Gávea do Metrô – prometida em dois níveis, agora plataformas paralelas – e o que estará funcionando do Metrô de uma Linha Só em 2016, do Blog Metrô do Rio, de Miguel Gonzalez.


Blog Urbe CaRioca


Segunda, 19/08/2013















Terça, 20/08/2013



Rua Francisco Otaviano 131, Ipanema - Antigo Colégio Isa Prates

COMPRADO POR UM PREFEITO PARA SER ESCOLA PÚBLICA,

VENDIDO POR OUTRO PREFEITO PARA CADEIA HOTELEIRA
Imagem: O Globo


Quinta, 22/08/2013


METRÔ - 6 PESSOAS/m²
Foto: psipanema



Sexta, 16/08/2013



Imagem: Veja Rio

Os 10 posts mais lidos da semana
Para acessar copie o título na caixa de pesquisa acima.


METRÔ: O VAI E VEM DA ESTAÇÃO GÁVEA

UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, por Miguel Gonzalez

RIO DE JANEIRO – HOTÉIS EM REFORMA, EM CONSTRUÇÃO, EM PROJETO OU EM ESTUDOS

DEMOLIÇÕES 3 – OS HOTÉIS E O PACOTE OLÍMPICO 1

PACOTE OLÍMPICO 2 – APA MARAPENDI E O “PARQUE DAS BENESSES”

PACOTE DE NOVAS – OU VELHAS – LEIS URBANÍSTICAS, COM OS VEREADORES

SEMANA 12/08/2013 a 16/08/2013 – TOMBAMENTOS INCRÍVEIS, Artigo JANOT, e MENOS UM TRAMBOLHO


GUARATIBA: DE ZONA RURAL A LAMAÇAL – Parte 1

RIO + 20 LEIS URBANÍSTICAS

ANTIGA FÁBRICA BHERING, UMA CONFUSÃO ACHOCOLATADA


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Blog Metrô do Rio (não oficial): Operação do Metrô a Partir de 2016


Ontem publicamos o texto METRÔ: O VAI E VEM DA ESTAÇÃO GÁVEA.

Teve boa repercussão. Começava dizendo “Sabe-se que a propagandeada Linha 4 do Metrô que o governo do Estado diz executar não é a verdadeira”, tema já exaustivamente discutido e explicado neste blog, por exemplo em MAIS METRÔ 8 - LINHA 1 + LINHA 4 + PRAÇA + ÁRVORES = MISTURA CONFUSA.

Hoje encontramos novas informações sobre o traçado do Metrô no Blog Metrô do Rio (não oficial) cujo responsável, jornalista Miguel Gonzalez, já nos brindou com o excelente artigo UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, um dos mais lidos desde a sua publicação aqui no Urbe CaRioca em 27/06/2012, há mais de um ano, portanto.

Segundo os dados a Linha 1 deixaria de ser circular, entre outras estranhas novidades.

Para encerrar a semana no mesmo tema, seguem as informações e o mapa esquemático que acompanha o texto OPERAÇÃO DO METRÔ A PARTIR DE 2016. É assunto para ser destrinchado.



Urbe CaRioca






MIGUEL GONZALEZ



A última proposta do Metrô Rio prevê a Linha 1 indo da Estação Uruguai até a Estação Jardim Oceânico sem passar na Estação Gávea. 

A Linha 2 sairia da Estação Pavuna e iria até a Estação General Osório.

A Linha 4 seria dividida em duas.

A Linha 4A sairia da Estação General Osório até a Estação Gávea.

Já a Linha 4B sairia da Estação Gávea e iria até a Estação Jardim Oceânico.

Lembrando a todos que a Estação Gávea será construída para receber duas linhas e que esta simulação da futura operação ainda não é definitiva...


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

METRÔ: O VAI E VEM DA ESTAÇÃO GÁVEA E A LINHA 4




Sabe-se que a propagandeada Linha 4 do Metrô que o governo do Estado diz executar não é a verdadeira.

A Linha 4 está no papel.  Projetada, ligará Botafogo à Barra da Tijuca através dos bairros do Humaitá e Jardim Botânico até encontrar a Estação Gávea para daí seguir em direção à Barra/Zona Oeste. O trecho Ipanema (Estação General Osório)-Leblon-Gávea pertence à Linha 1, prevista para ser circular unida à Tijuca (Estação Uruguai) pela ligação deste bairro também à Gávea, em túnel por baixo do Maciço da Tijuca.

Portanto o que está sendo feito no momento da Linha 4 é apenas o trecho Gávea-Barra (Estação Jardim Oceânico).

Quando a polêmica foi instalada, associações de bairros, especialistas em transportes e algumas poucas instituições – o CREA, por exemplo - defenderam o traçado original do metrô para a Barra da Tijuca. De nada adiantaram os apelos e audiências públicas, realizadas apenas para cumprir formalidades. O Governo Estadual nada mudou, mesmo com questionamentos quanto à ausência de licitações e à ampliação de contratos de concessão.

As justas preocupações dos moradores de Ipanema em relação à destruição da Praça Nossa Senhora da Paz contribuíram para desviar o foco do trajeto abandonado.

Os interessados em construir o prolongamento da Linha 1 souberam carimbar as reivindicações sobre salvar árvores e manter a integridade da Praça de discurso elitista, transformando o que poderia salvar a Linha 4 verdadeira elegendo-a prioritária, em luta para manter os bairros ditos mais nobres livres da obra que, em verdade, conduz todos os caminhos aos desejados Ipanema e Leblon, na Zona Sul, ao criar a linha única ampliada de fato com a ligação da Linha 2 à Estação Central e Estação Botafogo (Linha 1), em vez de concluí-la no trecho Estação Estácio-Estação Carioca.

O tiro, infelizmente, saiu pela culatra.


Praça Nossa Senhora da Paz, Ipanema - 2012
Foto: Urbe CaRioca


Para acalmar os ânimos dos inconformados o governador prometeu que a Estação Gávea seria construída em dois níveis, o que, segundo especialistas e os próprios governantes, permitiria a posterior execução da Linha 4 em direção a Botafogo.




Mais uma etapa das obras da Linha 4 do Metrô (Ipanema - Barra da Tijuca) teve início na Zona Sul do Rio. Um canteiro de obras começou a ser instalado no campo de futebol da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de onde serão escavados túneis do metrô. Já a Estação Gávea - que será em dois níveis e ficará sob um terreno do Governo do Estado onde funciona parte do estacionamento da PUC - começará a ser construída no segundo semestre de 2013.
...

Metrô Gávea - Centro

A Estação Gávea é estratégica para a futura ampliação do sistema metroviário do Rio de Janeiro. Em setembro de 2012, o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, anunciou que o Governo do Estado iniciou os estudos para a contratação de projeto de expansão do metrô que ligará a Gávea ao Centro, passando pelos bairros de Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras.

- Queremos deixar esse projeto pronto e licitado para que, no futuro, quando terminar a obra da Linha 4, seja possível ao Governo do Estado utilizar o 'Tatuzão' (equipamento que vai construir os túneis do metrô na Zona Sul) nessa nova linha - disse Regis Fichtner.



Agora, um novo recuo. Ao contrário das des-demolições do Parque Aquático Júlio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e do Antigo Museu do Índio, todos vizinhos ao Maracanã, desta vez o governador recua para o mal.

A Estação Gávea Não mais será construída em dois níveis. O anúncio anterior era, portanto, confete para a mídia e para a população.




Esta e tantas outras são decisões incompreensíveis, mais ainda diante do caso da Estação General Osório que não seria feita em dois níveis, cujo projeto foi alterado para construção da segunda plataforma destinada a resolver o “puxadinho” da Linha 1 que passará sob o canal do Jardim de Alah e obrigará os passageiros a fazer baldeação na mesma linha, para seguir em frente!





São decisões prejudiciais à população que mais precisa do transporte público e afasta deste meio de transporte os que conseguem comprar um carro a perder de vista, sobrecarregando cada vez mais as nossas congestionadas vias públicas com mais automóveis e mais linhas de ônibus.

Perdemos tudo: árvores na Praça Nossa Senhora da Paz, a Praça e a Linha 4.

Ficou o trajeto do Metrô escolhido “Prá Olimpíada”: o mais caro, o mais vultoso, o que não cria a rede metroviária, e que menos atenderá à população da Zona Norte.


Internet

É difícil saber o que causa mais espanto: os desmandos do governador ou o silêncio e a submissão àquele do prefeito. Ele, o gestor da cidade, nada fez para que a Linha 4 verdadeira saísse do papel, assunto de interesse do município que, em tese, comanda.

O governo do Estado que decide sobre o Município afirma que a decisão não impedirá a execução da Linha 4 até Botafogo.

Aguardemos a opinião de técnicos sobre a nova mudança e a veracidade dessa afirmação.