domingo, 30 de novembro de 2014

MANCHETE, REPORTAGEM O GLOBO E OPINIÃO DO MOVIMENTO GOLFE PARA QUEM?

Hoje, 30/11/2014, o principal jornal da urbe carioca traz entre suas principais manchetes: Tacada Olímpica: O campo de golfe olímpico, às margens da Lagoa de Marapendi, ganha os primeiros contornos (...) O Prefeito Eduardo Paes anunciou que o local será administrado pela iniciativa privada após os Jogos.



A reportagem Prefeitura prepara modelo de concessão do campo de golfe, na Barra, para depois da Olimpíada descreve alguns aspectos do caso essencialmente o ponto de vista da Prefeitura, com declarações repetitivas do Prefeito que, infelizmente, carecem de credibilidade e servem àqueles que não conhecem o assunto em profundidade como, por exemplo, usar a figura do “Parque das Benesses” para justificar a obra do campo, entre outros sofismas.



A seguir transcrevemos dois textos: o primeiro, divulgado pelo Movimento Golfe para Quem? nas redes sociais, comenta a reportagem citada; o segundo é o artigo de nossa autoria publicado na coluna Opinião daquele jornal, em 24/02/2013, intitulado INTERESSE PRIVADO, ao qual se contrapôs o editorial BOM PARA A CIDADE, que expressa a visão do periódico, e, por conseguinte, o apoio ao empreendimento imobiliário e à supressão da reserva ambiental e da via Parque, verdadeiras faces do projeto.

E você, caro leitor, o que pensa a respeito? Certamente os muitos que apoiaram a ideia levada ao Desafio Ágora - PRESERVAR O PARQUE MUNICIPAL ECOLÓGICO MARAPENDI ÍNTEGRO concordam com a ‘nossa opinião’. Boa leitura.

NOTA: No último dia 27 o vereador Renato Cinco requereu à Mesa Diretora da Câmara Municipal a instalação de comissão parlamentar de inquérito destinada a investigar o processo de licenciamento ambiental e implantação do campo de golfe olímpico. Vários artigos neste blog podem ser de interesse para os ilustres edis.

Urbe CaRioca



INFORMAÇÃO


DEU (E NÃO DEU) NO O GLOBO!
Golfe para Quem?
30/11/2014

Qualquer cidadão brasileiro sabe que as organizações "Globo" são detentoras de um poder avassalador, capaz de influenciar a opinião pública e provocar reações na sociedade, sobretudo pela abrangência dos canais de comunicação que explora. Não é novidade também que as organizações Globo, de acordo com a conveniência de seus negócios, alinha-se a tal ou qual corrente política.

No caso de Campo de Golfe Olímpico é importante destacar que o Jornal O Globo reluta em publicar os fatos com isenção e correção, obviamente, para não comprometer os interesses do grupo político que tem ao seu ao lado na cidade do Rio de Janeiro e, sobretudo, para não prejudicar os interesses econômicos de seus grandes anunciantes, que no caso do Campo de Golfe, são as construtoras que gastarão milhões e milhões de reais com anúncios dos empreendimentos imobiliários (lembra-te que serão construídos 22 prédios de luxo de 23 andares).

Assim, fica evidente que o Jornal O Globo do dia 30/11/2014, ao tratar da questão do Campo de Golfe, omite informações importantíssimas que detém sobre o fato, deixando de informar à sociedade, por exemplo, as repercussões de ordem econômica e política.

Com efeito, a construção do Campo de Golfe não é combatida apenas pelos crimes ambientais praticados pela Prefeitura do Rio de Janeiro em associação com seus "parceiros" econômicos, cúmplices de um esquema denunciado há mais de um ano pelo movimento social "Golfe para Quem?" e outros grupos que se levantam contra os prejuízos ao erário sob falaciosos pretextos olímpicos.

Cumpre-nos lembrar o que O Globo deliberadamente omite:

1 - O prejuízo de mais de 1 bilhão de reais para a Cidade do Rio de Janeiro:

Para a execução do Campo de Golfe, o Prefeito do Rio de Janeiro propôs a doação de uma parte do Parque Marapendi, uma área de 58.000m2 de mata atlântica nativa situada na margem da Lagoa de Marapendi, avaliada em mais de 300 milhões de reais; Além da doação de uma parte do Parque Natural Municipal Marapendi, por inciativa do Prefeito, foi concedido um aumento de gabarito para construção de prédios no local, o que proporcionou uma vantagem econômica para o "parceiro privado" de mais de 1 bilhão de reais! Não bastassem as duas vantagens econômicas acima estimadas, o Prefeito do Rio de Janeiro concedeu para construtora Fiori (Pasquale Mauro) uma isenção de pagamento de uma taxa municipal no valor de R$ 1.860.000,00! Além das vantagens concedidas e perdão da dívida fiscal, o Prefeito do Rio de Janeiro negligencia sobre a arrecadação do IPTU da área, pois, o terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados na Barra da Tijuca, isto é, uma área correspondente a 100 campos de futebol, não tinha inscrição municipal e não arrecadava IPTU! Some-se então as vantagens concedidas ao particular e conclua você, se o Prefeito do Rio de Janeiro está "limpo" neste projeto e veja se O Globo está "inocente" na divulgação de apenas uma faceta do problema.

2 - A ilegalidade da licença dada pela Prefeitura a partir de uma decisão pessoal do Prefeito, contrariando pareceres técnicos da própria Secretaria de Meio Ambiente e da Procuradoria Geral do Município.

3 - A aprovação da Lei Complementar n.º 125/2013 no "apagar das luzes" de 2012, violando as Constituições Federal e Estadual, além de toda a legislação federal ambiental.

A matéria produzida pelo "O Globo" se apresenta como uma fajuta explicação pública do Prefeito, dando voz somente a ele e calando todos os argumentos que são colocados contra a construção desse campo de golfe.

Por este motivo, é extramente importante compartilharmos a verdade dos fatos pelas redes sociais e promover a repercussão de que a grande mídia, comercial e rasa, não faz.

Nossa luta pela preservação da Reserva Marapendi não é apenas por um meio ambiente melhor, mas por um país melhor, mais digno e menos sujeito à ação de políticos e empresários que se associam para saquear seus bens. Por isso, contamos com vocês na campanha pela instalação da CPI do Campo de Golfe, pois, nossa obstinação será levar este caso até as últimas instâncias, pois a nosso ver, há muito se transformou em uma questão de Estado.



INTERESSE PRIVADO
Andréa Redondo
Outra opinião, O Globo, 24/02/2014

As ações recentes do poder público no Rio de Janeiro têm sido qualificadas como “para Olimpíada”, mesmo que não o sejam, conforme declarado pelo prefeito! Os Jogos são pretexto para todo projeto, apropriado ou indevido. Nesse âmbito sobressaem-se as questões relativas ao uso do solo, objeto de inúmeros desmandos.

O caso do campo de golfe na Barra da Tijuca é recordista em aspectos danosos à cidade. O local eleito pelo Executivo, um terreno situado entre a Avenida das Américas e a Lagoa de Marapendi, destinava-se em parte à construção de casas e edifícios, englobava uma reserva ambiental e uma via projetada. Essa via foi idealizada por Lúcio Costa para resguardar a Reserva Biológica de Jacarepaguá, instituída em 1959, atual Área de Proteção Ambiental — APA Marapendi.

O proprietário construtor dos primeiros prédios deveria tê-la implantado, mas, a seu pedido, a obrigação de fazer o trecho da rua foi cancelada em 2006 para que pudesse construir um campo de golfe pequeno. Se ruim do ponto de vista urbanístico, ao menos a APA ficaria íntegra!

Em 2013, para garantir a enorme área necessária às tacadas olímpicas, o prefeito e seus vereadores mudaram a lei vigente. O zoneamento ambiental foi alterado e a APA, mutilada; uma área pública que compunha a reserva, doada à cidade por exigência legal, foi excluída do Parque Natural Municipal de Marapendi e incorporada ao campo. Liberados de doar terras — que também seriam públicas — e construir a via, os empresários do mercado imobiliário conseguiram ainda mais privilégios e favores, como tantos feitos em nome dos Jogos de 2016. A lei nova aumentou a área de construção permitida e a transferiu para a Avenida das Américas, que receberá prédios mais altos.

As benesses urbanísticas que circundam o golfe olímpico apresentam sua pior face na prevalência do interesse particular sobre o público e no descaso com aspectos urbanísticos e ambientais relevantes para o Rio. Sacrificar parte da reserva ambiental concebida há mais de meio século; bloquear o livre contorno da Lagoa de Marapendi; suprimir uma rua necessária; e aumentar gabaritos em troca de um equipamento esportivo privado, para a elite (mesmo se aberto ao público), cuja necessidade não é clara (há outros locais dispostos a receber a modalidade), será um legado nocivo das Olimpíadas.

O incentivo do governo aos empresários em detrimento do respeito ao bem comum e ao interesse coletivo é indefensável. Lamentavelmente os abusos da administração municipal só encontram obstáculo nas diligentes ações do Ministério Público pelos direitos da sociedade, que, no caso, estão em curso!

O prefeito do Rio pode reverter o jogo, manter a reserva e o caminho que a contorna. Seria uma boa notícia para levar ao C40, grupo mundial em ações climáticas que preside. Por coerência e por obrigação inerente ao cargo que ocupa.

Andréa Redondo é arquiteta


sábado, 29 de novembro de 2014

O MACACO MURIQUI, A ARARA AZUL, E A IRREVERÊNCIA DO CARIOCA


Divulgação
No início da semana prefeito e COI apresentaram os mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016: dois bonecos que de Brasil têm apenas as cores verde e amarelo. 

Teoricamente representantes da nossa Fauna e da nossa Flora, não é a imagem de flora e fauna o que transmitem, unanimidade a considerar os muitos comentários nas redes sociais e entre amigos.



Os “Teletubbies” coloridos afastaram dos Jogos o simpático Macaco Muriqui, não obstante sua enorme torcida a favor.

As sugestões do Urbe CaRioca seriam o Muriqui, também chamado macaco-carvoeiro ou macaco-de-carvão, para os Jogos Olímpicos (presente no imaginário brasileiro e na literatura infantil como, por exemplo em Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato); e a Arara Azul para os Jogos Paralímpicos 2016.


Internet

ARARA AZUL
Fotos do Mundo



O primeiro escolhido por ser um bicho forte e ágil, um atleta nato; o segundo em homenagem aos atletas do segundo grupo, aqueles que superam dificuldades inimagináveis e alcançam voos igualmente inimagináveis. Ambos são animais bem brasileiros e atualmente correm risco de extinção, condição que seria mais bem divulgada em favor da sua proteção.

Mas, tal como no caso do preterido Tatu-Bola - e de Fuleco ninguém lembrou nem mesmo durante a Copa do Mundo - aqui também o mascote preferido por muitos foi descartado.

Resta votar nos nomes sugeridos, todos terríveis. Tom e Vinícius merecem respeito!

Em protesto, a irreverência dos cariocas explode mais uma vez nas redes sociais, agora sugerindo nomes caricatos para os bonecos sem-graça, a maioria retratando o momento que o país vive. Selecionamos alguns e retiramos os que mencionam expressamente nomes de políticos hoje em evidência transformados em substantivos com conotação de natureza criminosa, que não foram poucos!

Divirtam-se!



Amarelinho e Verdinho
Arrastão e Tiroteio
Azia & Má Gigestão
Bichano e Cannabis
Bolacha e Biscoito
Caixa 2 e Propina
Camargo e Corrêa
Corrupteco e Subornildo
Coxinha & Petralha
Cruz e Credo
Dando e Recebendo
Débito & Crédito
Delação & Premiada
Delta e Odebrecht
Dourado e Amazônio
Duduzinho e Pezinho
Esquindô e Lelê
Falca & Trua
Falta & Água
Fraude & Froid
Gatomón e Alcachofra
Gatuno e Erva Daninha
Gatuno e Larápio
Gatuno e Moita
Gatuno e Verdinha
Geminha e Folhinha
Jeitinho & Propina
Lava a Jato & Ficha Lima
Lava & Jato
Manda-Chuva e Batatinha
Me Engana & Que Eu Gosto
Mendes e Junior
Mensalinho e Petrolinho
Miau e Bubassauro
Não Fui Eu & Eu Não Sabia
Pão & Circo
Papuda e Petrolão
Petrobrás e Pronatec
Petrolão e Mensalão
Prô & Pina
Propina & Dez por Cento
Propininho & Superfaturadinho
Reco-Reco e Azeitona
Sabe Nada & Nada Sei
Sabe Nada & Inocente
Sem Graça e Dejavi
Tápi e Oca
Toma Lá & Dá Cá
Tupi & Niquim
Zé Rico e Milionário
Ziri & Guidum

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Atualização - Novas sugestões recebidas ou encontradas na web:

Papuda e Propina; Mensaleco e Petroleco; Miojo e Fiasco; APA e UPA; Capenga e Xulé; Mensalito e Petrolão; Tonto e Tontinho


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

DESAFIO ÁGORA - RELATÓRIO ENTREGUE AO PREFEITO DO RIO, PRESIDENTE DO C40


NOTA 1: Ontem pela manhã tivemos ciência da decisão proferida pelo juiz Eduardo Antônio Klaunser, que, ao contrário do esperado, não atendeu ao solicitado pelo MPRJ. Entre outros aspectos considera que “Nenhum fato novo justifica a ampliação da medida deferida e a paralisação da implantação do campo de golfe para as Olimpíadas”. A decisão, entretanto, não invalida o resultado do Desafio Ágora da Prefeitura: PRESERVAR O PARQUE MUNICIPAL ECOLÓGICO MARAPENDI ÍNTEGRO foi a proposta com maior aceitação e visibilidade.

Caso o Prefeito do Rio, presidente do C40, queira ouvir a voz da sociedade civil carioca, respeitar o Parque Ecológico Marapendi, e garantir a construção da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, que protege a reserva, nada o impedirá. É a oportunidade que tem para apresentar-se como um verdadeiro estadista.



    Luti Guedes, coordenador do Ágora Rio, entrega o Relatório Final ao prefeito Eduardo Paes; 24/11/2014 - Foto: Site Desafio Ágora



DESAFIO ÁGORA - RELATÓRIO ENTREGUE AO PREFEITO DO RIO, PRESIDENTE DO C40


O relatório final do projeto Ágora com as 25 propostas apresentadas pelos cariocas – comentadas por órgãos da Prefeitura e por outros participantes – foi entregue ao Prefeito do Rio na última segunda-feira. Os leitores do blog tem ciência de que a proposta do Urbe CaRiocaPRESERVAR O PARQUE MUNICIPAL ECOLÓGICO MARAPENDI ÍNTEGRO’ foi a ideia mais debatida e comentada entre as 378 apresentadas. Em termos de pontuação foi a segunda colocada, mesmo com a enxurrada de votos negativos e estrelas sem brilho concedidos pelos predadores da cidade, que não conseguiram anular os muitos votos positivos e constelações trazidos pelos defensores da Cidade Maravilhosa, do Meio Ambiente, e do desenho urbano que contorna a Lagoa de Marapendi (v. reportagem no Globo Esporte).

A nosso pedido, os organizadores incluíram a descrição da ideia correta, antes considerada por eles, erroneamente, para “eliminar o Campo de Golfe”. A descrição inserida no documento final é:

Descrição:
Manter a continuidade da reserva ambiental ao longo de toda a margem norte da Lagoa de Marapendi, área protegida há mais de meio século, cuja parte destinada ao Parque vem sendo implantada há décadas durante sucessivas administrações públicas, mediante a doação de áreas à cidade gradativamente, na medida em que condomínios de edifícios, residências e prédios comerciais são construídos conforme códigos de obras baseados no Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, de autoria do arquiteto Lucio Costa.
A proposta também implica em garantir a possibilidade de completar a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso (antiga Via 2), idealizada por Lucio Costa para separar as terras destinadas à ocupação urbana e protege a área de reserva, além de consistir em alternativa ao trânsito da Avenida das Américas através de uma “via calma” que margeia a restinga e proporciona lazer contemplativo, passeios a pé, de bicicleta ou veículos.
Do ponto de vista urbanístico, ambiental e cultural, perder a continuidade da reserva e do parque de Marapendi é inaceitável. Quaisquer outros interesses envolvidos devem partir dessa premissa e a ela serem adaptados, inclusive a intenção de construir um campo de golfe para os jogos olímpicos de 2016, que deve, no mínimo, respeitar os limites impostos pela via parque e pela existência da restinga protegida.


Do mesmo modo, os responsáveis incluíram nossas respostas à SMAC e à Empresa Olímpica:


À Secretaria Municipal de Meio Ambiente,
Obrigada pelo comentário, do qual discordo com veemência. Não preciso explicar os motivos porque certamente vocês os conhecem. Essas afirmações são sofismas. Enganarão a muitos, pois o assunto é extremamente complexo. A cimenteira funcionou perto da Avenida das Américas e a parte mais importante da APA é a que fica mais próxima da Lagoa, protegida pela divisão criada por Lucio Costa ao projetar a Via 2, e que foi devastada pela obra do campo onde a vegetação nativa estava resguardada e não degradada. Se quiserem recordar algumas das explicações sugiram que revejam o primeiro artigo do Blog Urbe CaRioca – PACOTE OLÍMPICO 2 - O CAMPO DE GOLFE E A APA MAREPENDI 
http://urbecarioca.blogspot.com.br/2012/11/pacote-olimpico-2-o-campo-de-golfe-e.html - e vários que estão em EXTRA! SOBREVOANDO O CAMPO DE TODOS OS POSTS. Entre os mais recentes sugiro GOLFE - PARA NÃO ESMAGAR A RESERVA AMBIENTAL, HÁ  ALTERNATIVA neste link
O GOLFE, O ARTIGO, A RÉPLICA E A TRÉPLICA  neste link
Ab. Andréa Redondo / Blog Urbe CaRioca

À Empresa Olímpica,
Sugiro dirigir as explicações ao Sr. Fausto que escreveu a seguir. Obrigada pelos esclarecimentos, mas nada justifica retirar uma parte do Parque Ecológico Marapendi. Nada. Que não sugerissem o Golfe ao COI. O esporte, salvo engano, não constava do dossiê da candidatura. Ou seja, foi proposto depois da escolha da cidade. Corrijam-me, por favor, se eu estiver enganada. Se estou certa, ou não fizessem lá, ou fizessem em outro lugar. Não faltam. Japeri? Teresópolis? Itanhangá adaptado? Búzios?
Não quiseram mais um campo de golfe no Rio, mas dar viabilidade a um empreendimento imobiliário agraciado com mais valia trocada por terras públicas e o sacrifício um parque definido há meio século. Na minha visão e na de muitas outras pessoas, atos inconcebíveis e inaceitáveis. Obrigada pelo contato, mas no momento não é possível responder ponto por ponto, argumentos já explicados em várias análises publicadas, e também feito no artigo da americana Elena Hogdes - 
O GOLFE, O ARTIGO, A RÉPLICA E A TRÉPLICA


A quem interessar o relatório final pode ser conhecido neste link. Segundo a página, “no dia 4 de dezembro, às 20h, o prefeito apresentará a todos os cidadãos e cidadãs da cidade o caminho que cada ideia seguirá dali em diante através de uma videoconferência”.



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NOTA 2: “Enquanto o Prefeito lê o relatório, aguardemos a palavra do Juiz da 7º Vara de Fazenda Pública sobre o parecer do Ministério Público - RJ, que pede a suspensão da licença ambiental.” (parágrafo final deste post, retirado devido à publicação comentada ontem em O JUIZ E O GOLFE - ÚLTIMAS NOTÍCIAS: MESMO PREVISÍVEIS, DECEPCIONANTES).

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O JUIZ E O GOLFE - ÚLTIMAS NOTÍCIAS: MESMO PREVISÍVEIS, DECEPCIONANTES





A programação do blog era terminar a semana com assuntos leves e divertidos, depois das muitas barbaridades urbano-cariocas e do estranho projeto Ágora - o Pão e Circo da Prefeitura - protagonistas que ocuparam os meses de outubro e novembro/2014. Infelizmente é impossível, por enquanto. O Juiz da 7ª Vara de Fazenda Pública não acolheu o pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro e “negou o pedido de suspensão do projeto do campo de golfe...” como informa o site Surto Olímpico. A decisão:

Processo nº:
0273069-88.2014.8.19.0001

Tipo do Movimento:
Decisão

Descrição:
1 - Como reconhece o MP em réplica, a medida de urgência já foi determinada no início do processo acolhendo em parte o pretendido pelo MP e preservando a vegetação e o meio ambiente da área sub judice. Nenhum fato novo justifica a ampliação da medida deferida e a paralisação da implantação do campo de golfe para as Olimpíadas, mormente que foi formado um corredor de conectividade de 32m, deslocando-se o buraco 12, e considerando que a espécie de grama utilizada no campo de golfe possui baixo índice de fertilidade o que significa que espécimes de sua espécie não invadirão a área de mata nativa, como revela e prova a parte autora pelos documentos acostados. Isto posto, indefiro, neste ponto, o requerido pelo MP na citada réplica. 2 - Considerando que o Município do Rio já integra a lide, não há porque a associação desportiva Rio 2016 contratada pelo Município, sua preposta portanto, também vir a intervir na lide e atrasar o andamento do feito. Logo, indefiro o pedido da Fiori de que a Associação Rio 2016 venha a integrar a lide. 3 - Especifiquem as partes as provas que ainda pretendem produzir, justificadamente.

Este blog urbano-carioca - portanto com limitações de natureza jurídico-processuais - por óbvio aguardará os desdobramentos da ação que se encontra sob apreciação judicial.

Mas, qualquer resultado não apagará a vontade de inúmeros cariocas defensores da Cidade e do Meio Ambiente que têm lutado pela APA Marapendi – advogados, arquitetos, urbanistas, biólogos, engenheiros florestais, participantes do Movimento Golfe para Quem? * e cidadãos das mais diversas profissões e atividades, movidos tão somente pelo amor ao Rio e pelo respeito às leis e ao interesse público. Tampouco anulará o apoio demostrado durante o projeto Ágora da Prefeitura por muitos que levaram a ideia PRESERVAR O PARQUE MUNICIPAL ECOLÓGICO MARAPENDI ÍNTEGRO a ser a primeira mais comentada e a segunda mais votada entre 378 propostas apresentadas ao prefeito.

Por outro lado, nenhum argumento justificará a incoerência que levou aquele que deveria ser, no momento, o primeiro defensor da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – depois do santo padroeiro – que, ironicamente, foi Secretário de Meio Ambiente do Município e hoje preside o C40 (grupo criado para desenvolver propostas preservacionistas), a sacrificar um Parque Ecológico que vinha sendo implantado ao longo de sucessivas administrações públicas.

Resta ainda, como consolo, a irreverência do carioca que consegue extrair bom-humor das mais inusitadas situações, como na imagem abaixo que já passeia pelas redes sociais.

Urbe CaRioca


Nota:
*Comentário do Movimento Golfe para Quem?
Quando o juiz afirma que "Nenhum fato novo justifica a ampliação da medida deferida e a paralisação da implantação do campo de golfe para as Olimpíadas", está dizendo que uma medida foi deferida e que ela não necessita ser ampliada neste momento. Em outras palavras, ele está afirmando que, diante dos elementos dos autos, a decisão proferida anteriormente, no seu sentir, é suficiente para proteger os bens jurídicos envolvidos na causa.
É indispensável, então, lembrarmos o que foi decidido por ele na decisão proferida em 18/09/2014 para compreendermos o significado do que foi decidido hoje:
"Pelo MM Dr.Juiz foi dito que após a resposta dos réus apreciará a medida de urgência requerida pelo Ministério Público, mas frisando desde já que os réus estão proibidos de qualquer inovação na área que represente intervenção na área de mata atlântica ainda existente, com exceção da área de transplantio que deverá ser conservada, ou seja, não pode haver nenhuma nova intervenção em área que possua vegetação florestal, e mata atlântica, sem prejuízo da continuidade das obras nas áreas que já são objeto de construção e nas quais não existam mais vegetação, cabendo ao empreendedor fazer a manutenção da vegetação já transplantada e plantada, sob pena de multa a ser fixada oportunamente e responsabilização pessoal dos agentes públicos e privados envolvidos no descumprimento da ordem ...".
Assim, deve ser entendido que os continuam réus proibidos de qualquer inovação na área que represente intervenção na área de mata atlântica ainda existente, com exceção da área de transplantio que deverá ser conservada, ou seja, não pode haver nenhuma nova intervenção em área que possua vegetação florestal, e mata atlântica, sem prejuízo da continuidade das obras nas áreas que já são objeto de construção e nas quais não existam mais vegetação.
 Mas como conciliar e fiscalizar isso?
Como conciliar a decisão anterior com a atual que fala de um suposto corredor de conectividade de 32 m, deslocando-se o buraco 12, e da espécie de grama utilizada no campo de golfe?
 Em que medida os parâmetros ora utilizados em sua fundamentação garantem a efetividade da medida anteriormente dada?
Essas são as questões que o MM. Juízo deverá responder com urgência!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

METRÔ: QUEM DIRIA, A LINHA 4 VIROU LINHA 5!


Uma CrôniCaRioca Metroviária em mal alinhavadas linhas.




Foram inúmeras as postagens neste blog Urbe CaRioca relatando que a anunciada e alardeada Linha 4 do Metrô não era a Linha 4, mas, um prolongamento da Linha 1, esticada da Praça Antero de Quental, no Leblon, até a Gávea, para dali continuar em direção à Barra da Tijuca (Note-se que o projeto original da Linha 1 terminava no Jardim de Alah). Palavras ao vento...

Até o jornal O Globo, que em editorial recente havia retratado a realidade dando o nome certo ao boi, digo, à tripa, digo, à linha 1 do Metrô, acabou se rendendo à nomenclatura repetida à exaustão pelo governo estadual atribuída à construção que prossegue a passos de cágado, digo, de tatu, um enorme tatu, um tatuzão saindo da Praça General Osório (que recebeu mais uma plataforma não existente no projeto original e por isso ficou fechada durante meses!) em direção ao Leblon, que passou por baixo do Jardim de Alah, e no caminho arrancou árvores centenárias na Praça Nossa Senhora da Paz.


Em todas as placas, macacões, coletes, bonés, faixas, folders, notícias nos periódicos e televisão, loas à falsa Linha 4.


Finalmente o governo do Estado sinalizou que construirá o trecho do Metrô entre a estação Largo da Carioca, aquela que quase virou Pão Fresco, e o bairro da Gávea.




TRAÇADO ORIGINAL da Linha 4, licitado em 1998:
a Barra da Tijuca seria conectada à Botafogo, via Jardim Botânico.
Uma outra alternativa seria ligar a Barra diretamente à estação Carioca, via Laranjeiras.
Blog As Ruas do Rio, em 2010 - O mapa também indica o trecho não construído da Linha 2.

Os gestores tiveram dois probleminhas para resolver.

Primeiro, como chamar o trecho novo a ser licitado de Linha de 4 depois de repetir milhões de vezes que já a estavam construindo, a partir da Estação General Osório em direção à Praça Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Praça Antero de Quental, e dali fazendo uma enorme curva para encontrar a Estação Gávea, esta, sim, parte da Linha 4 Original até a Barra da Tijuca?

Fácil: rebatizaram o trecho entre o Centro e a Gávea, via Botafogo, de Linha 5. Mas a Linha 5 prevista era a  Galeão - Carioca, via Fundão, Leopoldina, Rodoviária e Santos Dumont, trecho espetacular e muito necessário, esquecido pelo Porto Maravilha, inexplicavelmente: região cavada, esburacada, renovada, sem a Perimetral, com túneis, sem habitação e... SEM METRÔ! Não é um problemão. Daqui a meio século, se ainda existir Metrô e essa Linha 5 for feita por certo encontrarão outro número para mais um rebatismo.

Segundo probleminha, o nome do trecho. Geralmente as Linhas são nomeadas do Centro para o destino final, por isso a Linha 4 original era Largo da Carioca – Barra da Tijuca. Agora, reduzida a um pedaço rebatizado de Linha 5, começando na Carioca, criou-se um cacófato impublicável. Como resolver? Fácil também, ora, bastava inverter o sentido e a leitura das estações. Ficou assim: Gávea – Carioca. Portanto:


Linha 4 Original: Carioca – Barra da Tijuca via Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico e Gávea.

Linha 4 Falsa: General Osório – Barra da Tijuca via Ipanema, Leblon e Gávea

Linha 5 Original: Galeão – Carioca (mas nosso aeroporto ganhou um BRT e uma linda ponte estaiada só para ele...)

Linha 5 Falsa: Carioca - ... Opa! não dá! – Gávea – Carioca, pronto, resolvido!


Será que em algum lugar do mundo a mesma linha de metrô muda de nome várias vezes? 

Vale recordar que misturaram a Linha 2 com a Linha 1, abandonado o trecho que faltava para a conclusão da Linha 2 e a Estação Morro de São João, na Linha 1.



Pergunta-se: moradores de onde, se o Metrô interessa a todo o Município do Rio de Janeiro e sua Região Metropolitana?


Com a palavra, o carioca.

Urbe CaRioca



Moradores do Leblon debatem problemas do Metrô

Em reunião realizada no Colégio Santo Agostinho engenheiros especialistas explicaram o motivo dos problemas do Tatuzão: a opção por escavar na terra, em profundidade menor, em vez de na rocha como constava nos estudos técnicos da década de 1970/1980.
NOTA - Por ser um filme longo contendo explicações técnicas melhor direcionadas a especialistas, sugerimos conhecer pelo menos a parte apresentada pelo Engenheiro Fernando MacDowell, a partir dos 49 minutos.

Julho 2014 - Filmado por Caos CaRioca
Disponível no Youtube


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COMENTÁRIOS DE LEITORES DO BLOG (ATUALIZAÇÃO EM 26/11/2014)

"A Linha 5 original era Galeão/Carioca via Fundão, Leopoldina, Rodoviária e Santos Dumont".
"Ainda vão retomar o nome de linha 4 para não precisar fazer nova licitação.."
"Triste destino dessa cidade... Descarta a plataforma existente na Carioca... Mais dinheiro público jogado fora... Destruirá a Praça St Dumont enquanto tem toda a área do Jockey para se utilizada como canteiro. É só compensar a cidade pelo novo restaurante na Jd Botânico... Destruirá os jardins do hospital da Lagoa quando em frente há um terreno vazio que poderia ser desapropriado..."
"Numa cidade onde a Linha 1 virou Linha 4; e a Linha 6 se transformou em corredor de ônibus; a Linha 2 acabou como Linha 1A; a Linha 3 só existe em sonho; nada mais justo que transformar a Linha 4 em Linha 5."