sábado, 28 de fevereiro de 2015

NO ANIVERSÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 450 GENTILEZAS!


CrônicaRioca


Internet

Amanhã, Domingo, dia 01/03/2015, o Rio de Janeiro completará 450 anos de sua fundação por Estácio de Sá, ‘entre os Morros Cara de Cão e Pão de Açúcar’, como aprendíamos no antigo curso Primário.

A cidade que nos presenteia merece um presente!

No século XVI, ao escolher o sítio, os portugueses brindaram de antemão gerações futuras de “cariocas” com as terras magníficas que abrigariam a cidade a ser chamada de Maravilhosa no século XX, o lugar que quase quatro séculos e meio depois receberia o título de Patrimônio da Humanidade na categoria Paisagem Urbana.

De fato, a exuberância da vegetação, as águas do mar, baía e lagoas, as praias, as montanhas de pedra ou cobertas de verde, e o céu azul dos dias claros formam um conjunto que até emociona!




Pensar em um presente para a cidade nos remete a memória ao “Profeta Gentileza”, figura singular e bondosa que habitou diariamente as sombras da antiga Avenida Perimetral na década de 1980 e iluminou a cor cinza dos pilares de concreto com frases de incentivo ao respeito e à solidariedade, pintadas à mão com letras de desenho único, das quais a mais conhecida é ‘Gentileza Gera Gentileza’.




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Se a Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro já nos presenteou com a paisagem encantadora, as cores, e o clima sem extremos - os verões de 2014 e 2015 não contam! - cabe a nós retribuir com gentileza e respeito a ela para termos igual resposta.






Nessa imagem figurada o Rio nos tratará bem se for bem tratado. Na vida real, concreta e evidentemente, o Rio nada fará, pois não pode, embora a Natureza, às vezes, se rebele...

Na vida real os gestores públicos e nós, os moradores, somos os responsáveis pelo retorno, o produto final que recebemos e vivemos todos os dias: o desenho urbano, a paisagem, o perfil construído, as redes de transporte público e viárias, os equipamentos urbanos - de assistência médica, educação, cultura e outros –, os espaços livres e áreas de lazer, e o cuidado com o ambiente natural, para citar alguns aspectos, além dos comportamentais, é claro! Alguém já disse que “A cidade somos nós!”.

Voltando ao Profeta Gentileza e à metáfora, o Rio de Janeiro responderá a contento quando as perguntas, isto é, as escolhas e prioridades para seu desenvolvimento urbano e humano, forem adequadas.

Mas, uma folga às questões urbano-cariocas, fiquemos com as humanas, amanhã é dia de festejar!

Para “presentear” a aniversariante – nada além de nos presentearmos – o Urbe CaRioca deseja aos cariocas e visitantes um Rio menos violento, menos desigual, e mais civilizado, o que será conseguido com educação, instrução, oportunidades, respeito mútuo e exemplos. E faz uma sugestão ao alcaide da Cidade Maravilhosa:




Amanhã, após todos cantarem “Parabéns a Você!” na Rua da Carioca, que o tradicional Bolo de Aniversário - com 450 metros de comprimento – seja distribuído aos convidados – a população – em pratinhos com talheres descartáveis, de preferência biodegradáveis, por um grupo de 150 garçons voluntários: um para cada 3,00m de bolo. Os felizes cariocas aguardarão a vez de saborear a iguaria sem pressa e organizadamente.



Depois de se deliciarem todos deixarão pratos e garfos nos contêineres da Comlurb que estarão disponíveis em número suficiente. Tudo acontecerá em ambiente alegre ao som de boas músicas que simbolizam a cidade – Samba do Avião, Valsa de uma Cidade, Ela é Carioca, Rio 40 Graus, Garota de Ipanema, Do Leme ao Pontal, Aquele Abraço, Cariocas, e Cidade Maravilhosa, por exemplo. Quem sabe, no início da festa, distribuir folhetos com as letras das músicas para quem quiser cantar?




Que a partir dos 450 anos a festa seja mais feliz, e a cidade mais gentil e humana a cada dia.


Feliz Aniversário, Rio de Janeiro!

Feliz Aniversário, cariocas!



Urbe CaRioca



Parque do Flamengo, Marina da Glória
Foto: Urbe CaRioca - 2006



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CASO DO CAMPO DE GOLFE CONTINUA A REPERCUTIR AQUI E NO EXTERIOR


Ocupa Golfe

O Movimento Ocupa Golfe mantem-se ativo desde o início de dezembro/2014. Tem chamado à atenção. O caso do campo de golfe de muitas faces, dito olímpico, continua a repercutir aqui e no exterior.

Depois de GOLFE ABERRAÇÃO – NOTÍCIAS INTERNACIONAIS, PELÉ E SILVIO TENDLER e GOLFE NA RESERVA AMBIENTAL – NOTÍCIAS MUNDO AFORA, e LUAU, no último dia 20 o site Golfe Channel publicou RIO MAYOR TO FACE INQUIRY OVER OLYMPIC COURSE MISCONDUCT.

Embora o assunto - se concretizado – não afete a construção (“Because the inquiry does not challenge the legality of golf course, it will not affect its construction.”) a reportagem dá visibilidade ao projeto que carrega inúmeros aspectosquestionáveis os quais ser resumidos em uma frase: foi decisão extremamente prejudicial para o Rio de Janeiro; ou em uma palavra: vergonhoso.


The golf course for the 2016 Olympics is being built in
this ecologically sensitive area, which is supposed to
be protected by law. (Photo by Elena Hodges)

No dia 23/02 a Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo - ‘PÚBLICA’ divulgou ótimo artigo de Anne Vigna, texto bem completo e esclarecedor com o título “O Sol nasce para todos, mas não com essa vista”, alusão a um dos motes da propaganda do empreendimento imobiliário viabilizado pela construção do Campo, aquele o objetivo embutido na autorização que mudou o traçado de ruas, altura dos edifícios, e destruiu parte significativa de uma reserva ambiental resguardada há meio século, em fase final de implantação.

Trechos da reportagem: “Identificada como jornalista, a repórter da Pública teve o acesso negado aos estandes da Cyrela. De fora, dava para ver as pessoas bebericando champagne enquanto assistiam à apresentação do empreendimento composto por 23 edifícios de luxo, cada um deles com 22 andares. Para fazer o campo de golfe – “no horizonte” do “Riserva Golf”-, a prefeitura do Rio de Janeiro reduziu a área de proteção ambiental do Parque de Marapendi, através da Lei Complementar Municipal 125/2013, e a cedeu à construtora. Sem realizar licenciamento ambiental”. (...) Parecia lógico, portanto, que em vez de construir outro campo fossem feitas as adaptações necessárias no Itanhangá, respeitando inclusive o compromisso do Comitê Olímpico Internacional (COI) de buscar soluções econômicas e ecológicas para organizar o evento. Mas o Itanhangá Golf Club sequer foi procurado pelo Comitê Olímpico Internacional como revelou seu presidente, Alberto Fajerman, em uma carta à prefeitura do Rio, agora publicamente conhecida. 

Para conhecer na íntegra este é o link.

Boa leitura*.

Urbe CaRioca


Área retirada do Parque Municipal Ecológico Marapendi, reserva ambiental integrante da Área de Proteção Ambiental Marapendi, para a construção de um Campo de Golfe: aproximadamente 450.000,00 m², ou, 45 ha. Obs. Nessa medida está incluída a parte de 58.000,00 m² doada ao antigo Estado da Guanabara, portanto área já tornada pública e pertencente ao Parque. o restante seria obrigação do empreendedor dos condomínios Riserva também passar para a Prefeitura como parte do processo de licenciamento para construir, obrigação esta que, junto com a de construir a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, foi dispensada em mais uma benesse urbanística prejudicial à cidade com a qual proprietários do terreno e construtores foram agraciados, entre outros favores.

*NOTA: Repetimos links para os também excelentes artigos de Elena Hodges publicados no site Rio on Watch em 2014, reproduzidos neste blog e recordistas de visualizações:



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

AVISO - REUNIÃO DO COMPUR CANCELADA, DEBATE SOBRE A MARINA DA GLÓRIA...

...e mais: COMENTÁRIOS DE CANAGÉ VILHENA, ANTONIO GUEDES, E BLOG URBE CARIOCA 




1 - A REUNIÃO DO COMPUR PREVISTA PARA A PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, dia 26/02, na sede da Prefeitura do Rio, foi CANCELADA, conforme suspeitava a página Urbe CaRioca, ideia mencionada na rede social FB.

O motivo oficial está expresso no comunicado enviado aos membros do grupo. Intuímos que a razão verdadeira seja a presença anunciada de integrantes do Movimento Ocupa Golfe, ambientalistas, advogados, e outros profissionais interessados nas questões urbano-cariocas, para acompanhar os desdobramentos da lei que permitiu a transferência de potencial construtivo (área e andares) dos terrenos da orla marítima da chamada Praia da Reserva (Área de Proteção Ambiental Marapendi) com aumento de gabaritos de altura, ATE e taxa de ocupação na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá.


MAPA INTEGRANTE DO SUBSTITUTIVO AO PLC Nº 114/2012
INDICA, COM HACHURAS, O SETOR II - ONDE HAVERÁ AUMENTO
DE GABARITO DE PELO MENOS 2 ANDARES, FORA ÁREAS
COMUNS, E REDUÇÃO NA TAXA DE OCUPAÇÃO DE 10%

A proposta de transferir índices urbanísticos foi apresentada como benéfica à cidade devido à possível criação do chamado Parque Nelson Mandela e anunciada como redentora da redução do Parque Municipal Ecológico de Marapendi. Mas, são apenas duas falácias que foram examinadas e explicadas em vários posts neste blog, em especial:


PACOTE OLÍMPICO 2 – O “PARQUE” DAS BENESSES URBANÍSTICAS

PARQUE DAS BENESSES NÃO APROVADO ONTEM O SERÁ HOJE, AMANHÃ OU EM BREVE,

PARQUE DAS BENESSES URBANÍSTICAS GARANTE A PRIMEIRA: O BALNEÁRIO, e

Artigo: NELSON MANDELA DEVE ESTAR INDIGNADO: O CASO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA, de Sonia Peixoto.


No conjunto de textos e artigos ficou demonstrado que um assunto não diz respeito ao outro. A semelhança está apenas no fato de serem duas decisões altamente perniciosas e prejudiciais à cidade, destinadas a beneficiar o mercado imobiliário e travestidas de "legado olímpico" conforme explicado em

MARAPENDI - O MONÓLOGO ENGANOSO E O CAMPO PESSOAL e

EXTRA! EXTRA! PÃO DE AÇÚCAR SERÁ DEMOLIDO!.

O segundo é uma crônica fantástica que traça paralelo com o caso do Campo de Golfe. A seguir o aviso da Prefeituraanálise do urbanista Canagé Vilhena:


Prezados Conselheiros,

Tendo em vista que o Decreto nº 39679 de 22/12/2014 estabeleceu como atribuição do COMPUR a participação no Controle Social da Política de Saneamento Municipal e ainda, a urgente necessidade de estabelecer os novos procedimentos para atender às disposições do referido decreto, informamos que não será possível a realização da reunião do Conselho nesta quinta-feira, dia 26.

Lamentamos pelo cancelamento e ressaltamos que, oportunamente, será definida a nova data e local para o próximo encontro. Atenciosamente,

Secretaria Executiva do COMPUR


Parque "criado" em 2011. Para justificar a redução da APA Marapendi e do Parque Municipal Ecológico de Marapendi, e transferir índices construtivos virtuais que aumentarão gabaritos de altura e reduzirão a área livre de terrenos na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá. Outra manobra para beneficiar o mercado imobiliário, tal como ocorreu com o Parque Olímpico, a Vila dos Atletas e o Campo de Golfe.


PARQUE NELSON MANDELA E SANEAMENTO BÁSICO NO COMPUR
REUNIÃO CANCELADA

Segundo a Secretaria do COMPUR a reunião para tratar do projeto do Parque Nelson Mandela foi desmarcada tendo em vista que o COMPUR tem como atribuição participar do Controle Social da Política de Saneamento Municipal, conforme Decreto nº 39679 de 22/12/2014. Este decreto, por sua vez, remete ao Decreto federal 7217/2010 que  regulamentou a Lei no 11.445, de 05/01/2007 a qual estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico.

A prefeitura projeta para este parque “a construção de quadras poliesportivas, um campo de futebol soçaite, estruturas para a prática de arvoreço, torres de observação de pássaros, ciclovias, deques para contemplação da Lagoa de Marapendi e quiosques”. (sic)

Ao que tudo indica a realização do PARQUE NELSON MANDELA nada tem a ver com política de SANEAMENTO BÁSICO, mas sim com controle ambiental e as repercussões urbanísticas da Operação Urbana Consorciada - OUC da Reserva Ambiental de Marapendi, aprovada pela Câmara de Vereadores com o nome de PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA BARRA DA TIJUCA NELSON MANDELA.

Esta Operação Urbana Consorciada prevê um conjunto de intervenções na região, com o objetivo de transferir para a prefeitura a propriedade dos terrenos particulares que ficam na área do futuro parque, e permite à iniciativa privada comprar o potencial construtivo desses terrenos. Em troca, os compradores receberão do município autorização para aumentar o gabarito de imóveis em cinco regiões da Barra, estabelecidas por técnicos da Secretaria Municipal de Urbanismo, onde os prédios poderão ganhar até mais dois pavimentos e aumentar a área construída em até 10%.

Então está em aberto o debate, mas limitado à reunião do COMPUR, sobre a realização de um empreendimento com grande repercussão ambiental e urbanística sem a participação e o conhecimento DA SOCIEDADE.

Entra as atribuições do COMPUR encontra-se o direito de solicitar à Prefeitura a realização de audiências públicas para prestar esclarecimentos à população segundo o Artigo 2º, inc., VI, da lei Nº 3957/ 2005 que criou o COMPUR:

Art. 2º O COMPUR, no cumprimento de suas finalidades, tem as seguintes atribuições:
(...)
VI - solicitar ao Poder Público a realização de audiências públicas, para prestar esclarecimentos à população;

Infelizmente, dada à composição política do COMPUR com representantes de 13 secretarias municipais, mais 1 da Câmara de Vereadores, 8 de entidades empresariais, apenas 4 de entidades profissionais afins ao planejamento urbano e 4 associações de moradores, todos com direito a voz e voto, certamente prevalecerá sempre a decisão favorável ao interesse defendido pela prefeitura. Assim funciona o jogo da democracia “representativa” na gestão municipal.

Este debate, segundo presume-se pelo tema da pauta - saneamento básico - , não vai permitir a avaliação pública do projeto do Parque Nelson Mandela na APA de Marapendi. Neste aspecto seria interessante avaliar o andamento do projeto para o saneamento básico de toda a da Baixada de Jacarepaguá e quiçá, para toda a Zona Oeste.

Canagé Vilhena


2 - DEBATE SOBRE A QUESTÃO DO PARQUE DO FLAMENGO / MARINA DA GLÓRIA:

Foto: Antonio Guedes

Reunião dos grupos envolvidos com a questão da Marina da Glória - Dia 26/2/2015, às 18:30, no Auditório do Museu da República - espaço multimídia. A entrada fica em frente à livraria do Museu, subindo-se uma escada (divulgação Sonia Rabello – FAM-Rio). Sobre o assunto, opinião de Antonio Guedes a seguir:


MARINA DA GLÓRIA/PARQUE DO FLAMENGO: A AGRESSÃO AO PAVILHÃO AMARO MACHADO COMEÇOU!


Após 01/03/2015, para "comemorar" 450 anos da fundação da Cidade do Rio de Janeiro, salas da "administração da Marina" serão esvaziadas. Lojas já o foram, e começou a grande quebradeira. Sem Audiências Públicas, vão aos aires a Democracia e a Arquitetura Social proposta e executada pelos maiores Arquitetos, Urbanistas e Paisagistas do país. A "nova marina" será para o povo brasileiro ficar a ver, pois, após a obra proposta - totalmente dispensável para as Olimpíadas - os preços serão acessíveis só aos mais ricos. Sobre o questionável espaço para Eventos e Convenções não há informações.

Cabe lembrar que se trata de área pública repassada à iniciativa privada com apoio da Prefeitura/IRPH, do IPHAN e do IAB, cuja proposta de acréscimo de grande ‘área molhada’ não passou por licitação.

O aumento do número de vagas para embarcações, apresentado como vantagem, é feito com "especulação de área", opostamente ao tombamento e à filosofia de criação do parque público, com as vagas empilhadas em três andares e a citada ampliação da área molhada.

As fotos mostram a demolição da importante escada que dá acesso ao platô de observação do Pavilhão Amaro Machado, integrando o Parque do Flamengo ao pátio central da marina onde está localizada a rampa pública de acesso às águas da Baía de Guanabara.

Antonio Guedes

Foto: Antonio Guedes

Foto: Antonio Guedes

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

MAIS LICENÇAS PARA MATAR ÁRVORES NA URBE CARIOCA


Ou, QUANTO VALE UMA ÁRVORE, QUANDO A CIDADE COMPLETA 450 ANOS?

 

Rio de Janeiro, 2015 - Ano do 450º aniversário da Cidade Maravilhosa
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras - Marina da Glória, Parque do Flamengo. 
Foto: Valéria H. Goldfeld, 
09/01/2015

O artigo de Canagé Vilhena MARINA DA GLÓRIA: LICENÇA PARA MATAR ÁRVORES, foi recordista de visualizações neste blog e na página Urbe CaRioca da rede social Facebook.

Atento às questões urbanísticas e ambientais, o arquiteto nos informa sobre os novos mecanismos burocráticos criados pela Prefeitura, em decreto publicado no Diário Oficial do Município no último dia 19 que ‘Dispõe sobre MEDIDA COMPENSATÓRIA destinada a compensar o impacto ambiental decorrente da remoção de vegetação e o impacto ambiental decorrente da realização de obras’, conforme resumiu na rede social Facebook:

“O negócio é mais ou menos assim: o interessado pagará uma taxa - PECÚNIA! - e poderá matar quantas árvores quiser. Para substituir as árvores mortas poderá plantar no terreno vários ESPIGÕES, uma ‘espécie daninha que vem decorando’ nossa paisagem urbana”.
Em tese os recursos arrecadados poderão ser usados para qualquer obra, desde que seja enquadrada nos objetivos do FUNDO DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL. Nessa ótica, questiona o articulista:
“... até para obras de remoção de comunidades para longe dos olhos dos turistas. Afinal ninguém fiscaliza o Fundo”.

As palavras fortes e verdadeiras convidam à reflexão sobre a expansão e a renovação urbana no Rio de Janeiro diante dos crescentes problemas ambientais que não são só cariocas.

Por outro lado, a defesa apresentada pela BR Marinas (OG 22/02/2015), as declarações da responsável pela empresa, e a justificativa do engenheiro florestal causaram enorme estranheza. Entre outros aspectos nada convincentes, especialmente o comentário sobre a remoção de espécies exóticas.

A arquiteta Jane Santucci observa:

“A matéria sobre o replantio a Marina publicada no Globo, chama atenção pela contradição, pois, por um lado afirma que o projeto será tocado pelo escritório Burle Marx, o que sugere precisão em relação ao projeto original, por outro lado, a declaração do engenheiro florestal Marcelo Carvalho, da Biovert, responsável pelo plantio, diz que não há razão para protestos porque a maioria das árvores abatidas era exótica e serão substituídas  por espécies nativas. Ora, é bom lembrar que o projeto original de arborização do parque, de Burle Marx e seu colaborador o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho, introduziu ao lado da vegetação nativa espécies tropicais de outros países aclimatadas em um horto no próprio parque”.


E recorda a declaração do botânico Luiz Emydgio de Mello Filho para a escolha da vegetação:


“Uma, a mais importante, o tesouro botânico representado pelo que ainda restam de nossas grandes florestas, a outra, é constituída pela massa de árvores tropicais de outros continentes que, pelo valor de sua floração e beleza de sua forma, foram domesticadas e difundidas em parques, hortos e jardins botânicos do cinturão tropical da Terra. a arborização do Aterrado, reunirá assim dois elementos. A arborização do Aterrado reunirá assim dois elementos - o autóctone e o exótico -, cuja composição exigirá a justa apreciação de seu comportamento paisagístico e de suas exigências ecológicas” (Revista de Engenharia, 1962: 9-12). Em 1992 Mello Filho realizou um inventário da vegetação e foi constatada uma redução substancial no numero de árvores - de 17000 restavam 10250 exemplares.


O Parque do Flamengo foi inaugurado em 1965, ano do Quarto Centenário do Rio de Janeiro. As árvores do Parque crescem há meio século. O Pan-Americano foi realizado a contento sem a execução de outro projeto pernicioso dito "absolutamente necessário", que falta não fez. Este também não fará falta aos Jogos. A despoluição da Baía de Guanabara, sim. Foi descartada no 450º ano da sua fundação.

Abaixo, o decreto.
Urbe CaRioca



Desenho: Canagé Vilhena

DOM-RIO DE JANEIRO DE 19/02/2015

DECRETO Nº 39771 DE 12 DE FEVEREIRO DE 2015

Dispõe sobre MEDIDA COMPENSATÓRIA destinada a compensar o impacto ambiental decorrente da remoção de vegetação e o impacto ambiental decorrente da realização de obras.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais, conferidas pela legislação em vigor,
CONSIDERANDO a necessidade de aperfeiçoar cumprimento das medidas compensatórias TORNANDO MAIS EFICIENTE A APLICAÇÃO DOS RECURSOS PROVENIENTES dessas medidas em programas ambientais de interesse público;

DECRETA:

Art. 1º Sem prejuízo das demais formas de compensação estabelecidas no parágrafo único do art. 14 da Resolução SMAC nº 567/2014, e na Resolução Conjunta SMAC/SMU Nº 14/2009, A COMPENSAÇÃO AMBIENTAL PODERÁ SE DAR ATRAVÉS DE PAGAMENTO EM PECÚNIA, que reverterá para o Fundo Municipal de Conservação Ambiental.

Art. 2º A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, através de parecer técnico, definirá os valores a título de conversão da compensação ambiental em pecúnia, submetendo à aprovação do Prefeito.

Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2015; 450º ano da fundação da Cidade.

EDUARDO PAES

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SEMANAS 09 a 13 e 17 a 20/02/2015 – JO e MEIO AMBIENTE, JO e LAGOA, GOLFE e MPRJ, NOVA AMÉRICA, BICICLETÁRIOS E ENGENHÃO x MARACANÃ


“Pode estar a caminho mais um trambolho permanente ‘para carioca ver’ eternamente depois que os estrangeiros forem para casa.”

“Caso os promotores queiram conhecer aspectos urbanísticos e ambientais envolvidos no assunto - inclusive sobre a eliminação de uma importante avenida da Barra da Tijuca justamente enquanto a péssima mobilidade urbana na cidade é tema recorrente nas queixas da população e nas discussões entre técnicos, e está diariamente em todas as mídias  - encontrarão várias análises e artigos neste blog, mapas, vídeos e imagens do local antes e depois da devastação.”

Trecho de GOLFE – O MINISTÉRIO PÚBLICO E PREFEITO DO RIO


 

Croqui do projeto Estabike na Avenida Presidente Vargas - Divulgação

 

Semanas anteriores e textos mais lidos

Duas semanas passadas; os JO e o desperdício para o Meio Ambiente no artigo de Emanuel Alencar, os JO e os riscos para a paisagem urbana tombada – Lagoa Rodrigo de Freitas, o MPRJ e o Prefeito do Rio perante o caso do Campo de Golfe, incêndio no Shopping Nova América, os “bicicletários”, e análise do Ex-Blog sobre os estádios Engenhão e Maracanã.

NOTA:

A próxima reunião do COMPUR, em 26/02/2015, tratará do Parque das Benesses Urbanísticas. O primeiro post a respeito foi  PACOTE OLÍMPICO 2 - APA MARAPENDI: O "PARQUE" E AS BENESSES URBANÍSTICAS. Ligado ao mesmo assunto tivemos o caso do Balneário, uma incrível e estranhíssima licença de obras que foi prorrogada, apresentada em PARQUE DAS BENESSES URBANÍSTICAS GARANTE A PRIMEIRA: O BALNEÁRIO.

Mais posts sobre o tema têm os marcadores Meio Ambiente, Lei Urbanística, Índices Construtivos, Barra da Tijuca, e Câmara de Vereadores, entre outros.



ATUALIZAÇÃO EM 25/02/2015:


A REUNIÃO DO COMPUR CITADA ACIMA FOI CANCELADA, conforme previsto pela página Urbe CaRioca na rede social FB. O motivo oficial está expresso no comunicado abaixo. Intuímos que a razão verdadeira seja a presença programada de integrantes do Movimento Ocupa Golfe, de ambientalistas e outros profissionais, na reunião.

 

Prezados Conselheiros,

 

Tendo em vista que o Decreto nº 39679 de 22/12/2014 estabeleceu como

atribuição do COMPUR a participação no Controle Social da Política de

Saneamento Municipal e ainda, a urgente necessidade de estabelecer os novos procedimentos para atender às disposições do referido decreto, informamos que não será possível a realização da reunião do Conselho nesta quinta-feira, dia 26.

 

Lamentamos pelo cancelamento e ressaltamos que, oportunamente, será definida a nova data e local para o próximo encontro.

 

Atenciosamente,

 

Secretaria Executiva do COMPUR


DEBATE SOBRE A QUESTÃO DO PARQUE DO FLAMENGO / MARINA DA GLÓRIA:


Reunião dos grupos envolvidos com a questão da Marina da Glória - Dia 26/2/2015, às 18:30 , no Auditório do Museu da República - espaço multimídia. A entrada fica em frente à livraria do Museu, subindo-se uma escada.


Blog Urbe CaRioca



Segunda, 09/02/2015

SEMANA 02 a 08/02/2015 – LISTA DE SUGESTÕES, MAIS MARINA DA GLÓRIA, E BOAS NOTÍCIAS

 

SEMANA 26 a 30/01/2015 – GOLFE BOLA FORA, MOBILIDADE SEM PLANO, MARINA DA GLÓRIA

 

SUGESTÃO AO IAB-RJ, TEMAS PARA DISCUSSÃO

 

Artigo - MARINA DA GLÓRIA: LICENÇA PARA MATAR ÁRVORES, de Canagé Vilhena


APÓS A ESPANTOSA LICENÇA PARA MATAR ÁRVORES, NOTÍCIAS BOAS NA URBE CARIOCA


 

Terça, 10/02/2015

Artigo: DESPERDÍCIO PARA O MEIO AMBIENTE*, de Emanuel Alencar

 

Quinta, 12/02/2015

LAGOA RODRIGO DE FREITAS, AINDA OS TRAMBOLHOS E OS JOGOS


Sexta, 13/02/2015

GOLFE – O MINISTÉRIO PÚBLICO E PREFEITO DO RIO

 

Terça, 17/02/2015

ANTIGA FÁBRICA DE TECIDOS NOVA AMÉRICA - PERDA CULTURAL.

 

Quinta, 19/02/2015

TRAMBOLHOS JÁ VISTOS E À VISTA - BICICLETÁRIOS COM CHUVEIRO E OFICINA


Sexta, 20/02/2015

ENGENHÃO E MARACANÃ, ENTREVISTA E EX-BLOG

 

 
ENGENHÃO - fase final de construção, abril/2007
Foto: Urbe CaRioca


Os posts mais lidos da última semana
Se necessário copie o link na caixa de pesquisa acima


19/02/2015

TRAMBOLHOS JÁ VISTOS E À VISTA - BICICLETÁRIOS COM CHUVEIRO E OFICINA


13/02/2015

GOLFE – O MINISTÉRIO PÚBLICO E PREFEITO DO RIO


12/02/2015

LAGOA RODRIGO DE FREITAS, AINDA OS TRAMBOLHOS E OS JOGOS


17/02/2015


20/02/2015

ENGENHÃO E MARACANÃ, ENTREVISTA E EX-BLOG


21/02/2013

AI! QUE TERRA ENCANTADA É O RIO!

12/03/2013

RIO DE JANEIRO - HOTÉIS EM REFORMA, EM CONSTRUÇÃO, EM PROJETO OU EM ESTUDOS

08/11/2014


17/04/2014


ARTIGO: METRÔ GÁVEA-CARIOCA, de Miguel Gonzalez


02/08/2013

ANTIGA FÁBRICA BHERING, UMA CONFUSÃO ACHOCOLATADA