quarta-feira, 30 de setembro de 2015

LINHA 2 DO METRÔ – NOTÍCIAS E ARTIGO


A conclusão da Linha 2 do Metrô – construção do trecho Estácio-Carioca e ampliação até Praça XV/Barcas – foi assunto de várias postagens neste Urbe CaRioca, sendo inclusive mencionada em artigos de Miguel Gonzalez, responsável pelo blog METRÔ DO RIO, fonte imprescindível de análises e informações sobre este modal que já foi eficiente e confortável, infelizmente não mais, exceto fora dos horários de pique. Também publicamos artigo do grupo METRÔ QUE O RIO PRECISA, administrado por Atilio Flegner.

UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, por Miguel Gonzalez – jun.2012

ENTENDENDO A ESTAÇÃO CARIOCA – PARTE I, por Miguel Gonzalez – out.2012

ENTENDENDO A ESTAÇÃO CARIOCA – PARTE 2, de Miguel Gonzalez – jul.2013

O METRÔ QUE O RIO PRECISA – O QUE ESPERAR APÓS AS OLIMPÍADAS – ago.2015

 

Tendo em vista notícia recente de que o Governador do Estado do Rio de Janeiro, depois de rebatizar a Linha 1 de Linha 4 e a Linha 4 de Linha 5,  pretende executar a obra final da Linha 2 conforme publicado pela grande imprensa na última semana – uma grande notícia, diga-se! – reproduzimos a seguir novos comentários de METRÔ QUE O RIO PRECISA.


NOTA: Recomendamos também a leitura de Próxima Obra: Linha 2 , publicada hoje pelo citado blog Metrô do Rio.


Urbe CaRioca



Sobre a conclusão da Linha 2 do Metrô do Rio

Metrô Que o Rio Precisa - Admin. Atilio Flegner


Parece que o Governo do estado finalmente aceita que a tolice feita em 2009 - a Linha 1A, mais conhecida como conexão Pavuna-Botafogo -, foi, no mínimo, uma grande impropriedade operacional.

Isso não é espanto para nós, visto que desde antes de 2009 o professor e engenheiro Fernando Mac Dowell já havia alertado que unir a Linha 2 com a Linha 1 apenas provocaria aumento nos intervalos nas pontas de cada linha e diminuição da capacidade original, além de superlotação de estações que não foram feitas para baldeação, como Botafogo e a junção de passageiros de 2 baldeações (Supervia e Linha 2) na Estação Central.

Mais ainda, a Linha 1A causou aumento no tempo de viagem, pois os trens de Linha 2 precisam ficar parados na estação Cidade Nova para aguardar a liberação do tráfego da Linha 1.

Como a Linha 1 possui sistema de pilotagem automático ATO - Automatic Train Operation (onde  o trem acelera e freia sozinho e o piloto apenas monitora a operação) e a Linha 2 possui o simples sistema ATS- Automatic Train Stop (que trava o trem ao avançar o sinal), o que exige uma condução manual do trem e provoca intervalos mais irregulares, ao unir as duas linhas em uma única operação a irregularidade da Linha 2 provoca  intervalos desordenados, com alto grau de variação e consequente tráfego desigual em tempo e intensidade.

Infelizmente  em 2009 o Governo gastou cerca de R$ 1 bilhão para criar a Linha 1A e obter o incremento ridículo de 600 mil para 800 mil passageiros/dia, alcançado devido à compra de mais trens e às obras realizadas no  Centro, ou seja, o acréscimo não foi mérito da operação da Linha 1A.

Com a conclusão da Linha 2 (Estácio-Carioca e ampliação até Praça XV/Barcas) - que hoje oferta apenas 24 mil lugares/hora/sentido -, bem como com a atualização da sinalização, o Metrô do Rio poderia ofertar mais de 80 mil lugares/hora/sentido no sistema. Além do incremento de capacidade,  as estações Central e Botafogo seriam desafogadas. Além disso, haveria conexão direta entre o Metrô e as Barcas da Praça VX beneficiando os moradores de Niterói e São Gonçalo.

Ao contrário do que diz a reportagem do Jornal EXTRA a Estação Catumbi sempre esteve no projeto original de 1968.

Abaixo mapa do trecho original da Linha 2, com as estações:

1.Catumbi - 
2.Cruz Vermelha - 3.Carioca - 4.Praça XV/Barcas

Diagrama  de Atilio Flegner - set.2015 -  Metrô que o Rio Precisa

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

RUA DA CONSTITUIÇÃO, PÉ-DE-MOLEQUE SOBRE PÉ-DE-MOLEQUE


Rua da Constituição, Centro, sexta-feira, dia 25/09/2015Foto: Marconi Andrade



Com base em notícias divulgadas por membros do S.O.S. Patrimônio - grupo social que tem realizado inúmeras ações em defesa do patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro e de outros municípios do Estado do Rio, além de divulgar iniciativas exitosas em diversas cidades brasileiras - pudemos publicar o artigo O PASSADO RESSURGE NO CAMINHO DO VLT, de Marcus Alves no dia 10/08/2015, que relatou a descoberta de antigo piso de pedras na Rua da Constituição, no Centro do Rio.

O texto teve  repercussão e alcance surpreendentes.

Em seguida, no dia 28 do mesmo mês, foi a vez de PÉS-DE-MOLEQUE AGORA NA PRAÇA XV, após depoimento de professoras do DHT - Departamento de História e Teoria da UFRJ Niuxa Drago, Maria Clara Amado, Helenita Bueno, Silvana Nicolli e Juliana Guerra que visitaram as obras nas imediações da Praça XV um pouco antes.
De volta à Rua da Constituição, arqueólogos descobriram uma rua ainda mais antiga abaixo da última descoberta, ou seja, são camadas de PÉ-DE-MOLEQUE SOBRE PÉ-DE-MOLEQUE.
Hoje, no momento em que divulgamos a belíssima imagem acima, talvez as duas camadas de piso pé-de-moleque encontradas na Rua da Constituição durante as obras para instalação do Veículo Leve sobre Trilhos – VLT não existam mais.
Infelizmente uma retroescavadeira estava prestes a arrancar tudo.
A foto tirada na última sexta-feira, dia 25/09, é de Marconi Andrade, também membro do citado grupo S.O.S. Patrimônio.

São fundamentais o pronunciamento das autoridades responsáveis pelo patrimônio histórico carioca e a ação da Prefeitura pela preservação dessa importante descoberta, caso ainda haja tempo.


NOTA

Comentário de Sheila Castello, uma das administradoras do S.O.S. Patrimônio: “De todos os achados arqueológicos recentes, talvez esse seja o que mais valorizo.Sofro por sua destruição. São dois pisos sobrepostos de pé-de-moleque na Rua da Constituição que mostram a evolução do tempo, a evolução urbana de forma didática. Observem que o piso mais antigo tem as pedras com tamanhos mais uniformes e com maior desgaste, pois vão ficando lisas e arredondadas. Será destruído!”

Urbe CaRioca

Rua da Constituição, Centro, Rio de Janeiro
Calçamento "pé-de-moleque"

Foto: Marcus Alves, 10/08/2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

JOGOS OLÍMPICOS - UM DOSSIÊ POPULAR

VAI TER OLIMPÍADA!  foi postagem neste blog em 05/08/2015 recordista de visualizações, quando faltava apenas um ano para os Jogos que acontecerão em 2016 na Cidade do Rio de Janeiro. O texto faz menção a vários assuntos abordados no Urbe CaRioca sobre as obras que estão sendo realizadas em nome das Olimpíadas, entre elas o caso do Campo de Golfe construído sobre o Parque Municipal Ecológico Marapendi, a reurbanização da Zona Portuária, o Parque Olímpico, a ampliação da Linha 1 do Metrô ("falsa" Linha 4), e aquelas previstas para a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Marina da Glória.

Além das intervenções, várias leis urbanísticas aprovadas especialmente para permitir tais obras e aumentar o potencial construtivo – por exemplo, na Zona Oeste e na citada região portuária – foram questionadas por urbanistas, ambientalistas, engenheiros de transportes, e Associações de Moradores.

O grupo intitulado Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro que, conforme se apresenta, “reúne organizações populares, sindicais, organizações não governamentais, pesquisadores, estudantes, atingidos pelas intervenções da Copa e das Olimpíadas e pessoas diversas comprometidas com a luta pela justiça social e pelo direito à cidade” elaborou um dossiê para o que se considera VIOLAÇÕES DO DIREITO AO ESPORTE E À CIDADE e deixa a pergunta intrigante: CADÊ O LEGADO ESPORTIVO DAOLIMPÍADA DO RIO DE JANEIRO?

O relatório aponta “os impactos negativos dos megaeventos em diversos equipamentos esportivos da cidade, como o Estádio de Remo da Lagoa, o Campo de Golfe (Barra da Tijuca), o Parque Olímpico (Barra da Tijuca), o Maracanã, o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Parque Aquático Júlio Delamare, e a Marina da Glória (Aterro do Flamengo)”.


Para conhecer o documento, baixar no link:

https://copy.com/Resps2H1U1rBErLS

Boa leitura.

Urbe CaRioca




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PLC Nº 124/2015 E HABITAÇÃO SOCIAL – UMA PROPOSTA BEM INTENCIONADA

Ao contrário de um de seus pares, o PLC nº 123/2015 – UMA PANACEIA EMPACOTADA, aparentemente o Projeto de Lei Complementar nº 124/2015 tem algumas virtudes, coisa rara nos últimos tempos urbano-cariocas.

A proposta faz parte do conjunto de normas urbanísticas e tributárias enviadas pelo Poder Executivo à Câmara de Vereadores no final de agosto passado, comentado inicialmente em  MAIS UM PACOTE DE LEIS URBANÍSTICAS PARA O RIO DE JANEIRO e listados em LEIS URBANÍSTICAS, PACOTE 2015 – DIVULGAÇÃO no último dia 08.

Conforme a ementa o PLC “Dispõe sobre o cumprimento de obrigações para empreendimentos residenciais, comerciais e de serviços visando à produção de habitação de interesse social e dá outras providências”, um nobre objetivo.



Segundo o artigo 1º “as obrigações de cessão gratuita ao Município de terreno ou de construção de escola ou outro equipamento urbano comunitário público (...) poderão ser revertidas (...) em doação ao Município de unidades de Habitação de Interesse Social – HIS (...)”. Ou seja, a proposta prevê a possibilidade de trocar algumas daquelas obrigações – por exemplo, a construção de escola pública devida pelo empreendedor quando da construção de casas e edifícios com mais de 500 unidades residenciais - pela construção de outras unidades residenciais destinadas à habitação de interesse social. O parágrafo único do artigo 3º, por sua vez, determina que “as unidades de Habitação de Interesse Social poderão ser ofertadas em edificações existentes, inclusive com transformação de uso, reconversão ou retrofit (...)”.

O texto do PLC não esclarece se a Prefeitura poderá impor a troca ao empreendedor ou se a substituição dependerá da iniciativa daquele. Por outro lado, menciona apenas a equivalência de custos, sem entrar no mérito de avaliações sobre as carências de equipamentos públicos como escolas, creches, bibliotecas, postos de saúde e prédios administrativos em cada região, perante as deficiências de habitação para baixa renda. Nessa ótica também seria interessante prever adaptar edificações existentes, sem uso ou abandonadas, para instalação daqueles equipamentos nos bairros onde faltem.

Infelizmente a iniciativa mostra mais uma grande incoerência do gestor público que nos últimos anos tem sistematicamente vendido imóveis próprios municipais que poderiam servir aos mesmos nobres propósitos recebendo construções e/ou reformas para a instalação de habitação popular e equipamentos públicos. Quanto à forma, repete-se o erro do PLC nº 123/2015: correto seria mudar a lei pertinente e não acrescentar mais um remendo à complexa legislação urbanística da Cidade do Rio de Janeiro.


A proposta, aparentemente bem intencionada, poderá ser aprimorada se os legisladores assim entenderem. O PLC nº 124/2015 em verdade possibilita a troca de obrigações por certo vantajosa para o empreendedor, talvez para o Rio, mas, longe de ser a panaceia que proverá a cidade da falta de habitação popular ausente, por exemplo, na recente lei da Zona Portuária.  O texto está reproduzido abaixo.

NOTAS:

1 - Os Projetos de Lei nº 1443/2015 e 1444/2015, que tratam de matéria tributária - inclusive do perdão de dívidas de IPTU de clubes -, foram aprovados ontem em Sessão Extraordinária, em regime de urgência. Um vereador manifestou-se sobre a ausência de debates. Assunto para tributaristas.

 

Urbe CaRioca

 




EMENTA: DISPÕE SOBRE O CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PARA EMPREENDIMENTOS RESIDENCIAIS, COMERCIAIS E DE SERVIÇOS VISANDO À PRODUÇÃO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS
Autor(es): PODER EXECUTIVO

A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

DECRETA:

Art. 1º As obrigações de cessão gratuita ao Município de terreno ou de construção de escola ou outro equipamento urbano comunitário público, nas condições previstas pela legislação em vigor, poderão ser revertidas, no todo ou em parte, em doação ao Município de unidades de Habitação de Interesse Social - HIS, com custo equivalente às obrigações, e atendidos os padrões de construção aprovados pelos órgãos municipais responsáveis, e aplicam-se aos empreendimentos constituídos por uma ou mais edificações no lote.

Parágrafo único. O custo equivalente levará em consideração o valor do terreno, calculado com base em avaliação do órgão municipal competente, considerando os valores apurados para fins de cálculo do valor do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis e de Direito a Eles Relativos, Realizada Intervivos, por Ato Oneroso – ITBI, e o valor da escola ou equipamento urbano, atualizado na data do cumprimento da obrigação.

Art. 2° Esta Lei Complementar tem por objetivos:
I – criar oferta de unidades de Habitação de Interesse Social em áreas dotadas de equipamentos públicos, infraestrutura de saneamento, transportes, comércio, serviços e empregos;
II – promover a mescla de população de diferentes faixas de rendas nos bairros da Cidade;
III - permitir a permanência da população residente em áreas que passam por processo de requalificação urbana e valorização;
IV - possibilitar, a todos os cidadãos, o acesso à moradia em áreas que ofereçam melhor qualidade de vida, promovendo a justa distribuição dos benefícios advindos das ações do Poder Público.

Art. 3º As unidades de Habitação de Interesse Social definidas no art. 1º deverão estar localizadas no bairro do empreendimento, preferencialmente situadas até mil metros de distância de Estações Ferroviárias, Metroviárias, de Transporte Rápido por Ônibus - BRT ou Veículo Leve sobre Trilhos - VLT.

Parágrafo único. As unidades de Habitação de Interesse Social poderão ser ofertadas em edificações existentes, inclusive com transformação de uso, reconversão ou retrofit, desde que atendidos os critérios de localização e equivalência de valor definidos nesta Lei Complementar.

Art. 4º Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação.


JUSTIFICATIVA


Excelentíssimo Senhor Vereador Presidente,
Excelentíssimos Senhores Vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro,

Dirijo-me a Vossas Excelências para encaminhar o presente Projeto de Lei Complementar que "Dispõe sobre o cumprimento de obrigações para empreendimentos residenciais, comerciais e de serviços visando à produção de Habitação de Interesse Social e dá outras providências”, com o seguinte pronunciamento.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

O MÊS NO URBE CARIOCA – JULHO 2015




Caros leitores,

Em JULHO o caso do Campo de Golfe voltou ao blog com a reunião de todos os posts de 2015 sob o título O CAMPO DE GOLFE DITO OLÍMPICO E A CORUJA-BURAQUEIRA, recordista de acessos durante várias semanas. A nova polêmica sobre a Marina da Glória continuou na pauta com duas postagens. Causou indignação e tristeza a muitos moradores do bairro da Freguesia a demolição de um dos últimos casarões da Estrada do Bananal, não obstante inúmeros apelos para que a Prefeitura interviesse com a desapropriação e instalação de um equipamento urbano comunitário – um centro cultural – que poderia permanecer como um marco da história da região. 

As temerosas arquibancadas flutuantes a serem construídas sobre o espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas assombram a urbe carioca. A Ilha do Governador continua em foco. Perto dali outro projeto que tem gerado debates está a caminho: no Clube Flamengo uma arena para 4.000 lugares que, além de jogos de vôlei e de basquete certamente será local de grandes eventos, shows, bailes, etc.

No post O GABARITO DO TERRENO SITUADO NA APAC JARDIM BOTÂNICO está a análise sobre o potencial construtivo de um terreno cuja altura máxima para edificar é de 14,00 m, local que já foi cogitado para receber uma futura estação de Metrô, quando a Linha 4 Verdadeira for, um dia, construída, ligando Botafogo à Gávea.

Esses foram alguns dentre os assuntos comentados em JULHO/2015.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

JULHO 2015















domingo, 20 de setembro de 2015

ATERRARAM A BAÍA! UM ATERRO SALVO PELO PARQUE, de Sonia Rabello

PARQUE DO FLAMENGO, RIO DE JANEIRO - Em primeiro plano, o parque integrado visualmente à Praça Paris, o Monumento aos Mortos na II Guerra e a pista de aeromodelismo. À esquerda, o terreno da Marina da Glória com edificações de apoio às atividades náuticas. Ao Fundo, Praia do Flamengo, Baía de Guanabara,  Morro Cara de Cão, Pão de Açúcar, Morro da Urca e Morro da Babilônia. À direita as construções dos bairros da Glória e Flamengo, destaque para o prédio do Hotel Glória, inaugurado em 1922, demolido internamente pela empresa EBX. A imagem mostra com clareza a separação entre área urbana edificável - os bairros - e a área pública non-aedificandi, o Parque do Flamengo, bem de uso comum do povo.




Prezada Sonia Rabello,


Quando trabalhava na Prefeitura, em meados dos anos 1990 um escritório de arquitetura apresentou-me, em audiência, uma proposta salvadora para acabar com os problemas financeiros e de conservação do Museu de Arte Moderna, na época, precisando de reformas. Atenta, ouvi primeiro a lista de vantagens que o MAM teria se aprovada a tal proposta redentora.

Quando, finalmente, o arquiteto mostrou-me a solução, encerrei a audiência: um prédio de 22 andares no Parque do Flamengo, ao lado do museu modernista.

Levantei-me e expliquei a ele que uma linha delimitava o tecido urbano edificável no Rio de Janeiro, e que o Parque do Flamengo situava-se fora desse limite. Sugeri que procurasse um local na cidade para erguer o edifício comercial de escritórios pretendido.

Parabéns pelo artigo.


Andréa Redondo/Urbe CaRioca


O aterramento da Baía da Guanabara (Blog Sonia Rabello)




Sonia Rabello


A foto mostra o aterramento da Baía da Guanabara, nos anos 50.  Se fosse hoje, seria um crime ambiental, óbvio. Lota salvou a cidade desta vergonha ambiental, e fez do Aterro (como alguns ainda insistem em chamar a área) em um Parque: o Parque do Flamengo.

Vê-se, com clareza, o tamanho do que foi tomado das águas, para fazer pistas de rolamento. Isto porque a primeira proposta da obra era tão somente a construção de 8 pistas rodoviárias, para viabilizar a ida da zona sul da cidade do Rio para o centro.

Felizmente, o sonho visionário de Lota de Macedo Soares determinou que esta pedisse ao amigo, o então Governador Carlos Lacerda que lhe “desse” o trabalho, gratuito, de transformar aquela aridez em um excepcional Parque urbano – o Parque do Flamengo.

O projeto do Parque do Flamengo foi desenvolvido por uma equipe de profissionais excepcionais, capitaneada, no projeto urbanístico, por Affonso Reidy, e no projeto paisagístico por Burle Max.

Quando se luta para se conservar o projeto original do Parque tombado, se está lutando para escapar do obscurantismo de transformar áreas verdes em áreas construídas, como está sendo executado na área do Parque denominada Marina da Glória, por um projeto privado da BR Marinas, aprovado pela Prefeitura do Rio e pela presidência do IPHAN.

(...)


NOTAS:

*Artigo publicado originalmente no site Sonia Rabello – A Sociedade em busca do seu Direito em 17/09/2015.

Textos neste blog sobre o caso da Marina da Glória, publicados desde 2012 têm marcadores ‘Marina da Glória’, ‘Parque do Flamengo’, ‘Tombamento’, ‘Áreas Públicas’ e ‘Áreas de Lazer’, entre outros. Os mais recentes foram Marina da Glória, Licença para Matar Árvores, artigo de Canagé Vilhena. Marina da Glória, Obras Desautorizadas - Polêmica Antiga, Capítulo Novo, e Marina da Glória, uma obra bumerangue.


Rio, 50 graus
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras - Marina da Glória, Parque do Flamengo. 
Foto: Valéria H. Goldfeld, 
09/01/2015