sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O PLC nº 140/2015 - MAIS UM PEU PARA AS VARGENS, de Canagé Vilhena

O último post sobre as mudanças de parâmetros urbanísticos para a região de Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, parte da Barra da Tijuca, do Recreio dos Bandeirantes e de Jacarepaguá foi O MUSEU CASA DO PONTAL E O PEU VARGENS, com comentário do arquiteto Canagé Vilhena, que já contemplou este blog com outras análises sobre o assunto, inclusive OPERAÇÃO ESQUISITA: ESPOLIAÇÃO URBANA NAS VARGENS, de outubro passado.

A notícia divulgada em ATENÇÃO ZONA OESTE!ATENÇÃO REGIÃO DAS VARGENS! Foi confirmada com o envio à Câmara de Vereadores, pelo Poder Executivo, do Projeto de Lei Complementar nº140/2015, que propõe nova versão para o Projeto de Estruturação Urbana das Vargens – ou, PEU Vargens – analisada e comentada por Canagé conforme artigo a seguir.

Ontem o Jornal O Globo publicou reportagem sobre a proposta.

Boa leitura.

Urbe CaRioca


Foto: Arquiteta Bárbara Teireira


O PLC Nº 140/2015 - MAIS UM PEU PARA AS VARGENS

Canagé Vilhena

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS - PARTE I
A Prefeitura do Rio vai aprovar ao que tudo indica, por maioria absoluta, mais uma versão para o PEU DAS VARGENS, o PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR - PLC 140 de 21/12/2015, que “Institui a Operação Urbana Consorciada da Região das Vargens e o Plano De Estruturação Urbana de Vargens, define normas de aplicação de instrumentos de gestão do uso e ocupação do solo e dá outras providências”.
Não bastaram as análises criticas em estudos científicos produzidos por centros universitários (PUC, UFRJ) para convencer a Prefeitura do Rio, e seu corpo técnico, de que a região não suporta a ocupação programada pelas duas versões do PEU das Vargens, agora repetida com o penduricalho da proposta de Operação Urbana Consorciada - OUC DAS VARGENS, a ser desenvolvida pelo grupo Odebrecht/ Queiroz Galvão, com um PLANO DE OCUPAÇÃO URBANA a ser desenvolvido em 35 anos.
A 3ª VERSÃO DO PEU DAS VARGENS vai juntar, na mesma lei, duas propostas distintas: uma para aprovação da OUC, certamente a ser entregue ao mesmo grupo, e a outra para “requentar” o PEU DAS VARGENS aprovado em 2009, suspenso para receber a revisão agora apresentada à Câmara de Vereadores.

Foto: Canagé Vilhena

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS - PARTE II
A estranha miscelânea apresentada no PLC 140/2015 - 3ª EDIÇÃO do PEU DAS VARGENS - tem a finalidade de fazer valer a autocrítica feita pelo corpo técnico da SMU em audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Urbanos, quando se noticiou a decretação da Área de Especial de Interesse Ambiental - AEIA das Vargens como iniciativa para remediar os inevitáveis impactos negativos no ambiente natural e na organização urbanística da região.
Mas, não foi o que aconteceu.
O prefeito formou a Parceria Público-Privada - PPP com o conhecido grupo empreiteiro para desenvolver o levantamento dos problemas da região e orientar a futura OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA- OUC DAS VARGENS.

MAIS UM PEU PARA AS VARGENS > NADA INOVA - PARTE III
Uma leitura rápida do PLC 140/2015 poderá criar a ilusão de que se trata de atender às exigências da nova política urbana aprovada pela Constituição Federal de 1988, regulamentada pelo Estatuto a Cidade, e à previsão no artigo 65 do Plano Diretor de 2011, de aplicar-se um PLANO DE DESENVOLVIMENTO LOCAL para cada um das regiões do município com o objetivo de resolver os problemas infraestruturais, a falta das funções urbanas básicas (circulação, trabalho, habitação, lazer) e das funções sociais da cidade (compreendidas como o direito de todo o cidadão de acesso à moradia, transporte público, saneamento básico, energia elétrica, gás canalizado, abastecimento, iluminação pública, saúde), como medida preliminar para preparar os bairros "suburbanizados" e para não serem explorados pelo mercado imobiliário, através de uma simples legislação de controle das construções, sem alterar as condições de carências urbanísticas e sociais.

Museu Casa do Pontal
Internet


MAIS UM PEU PARA AS VARGENS > FALSA IMPRESSÃO - PARTE IV
O PLC 140/2015 enviado à Câmara de Vereadores em 21 de dezembro de 2015, prevê a aprovaçao da OUC das Vargens com o objetivo, segundo a mensagem do prefeito, de promover “intervenções com a participação dos proprietarios, moradores usuários permanentes e investidores privados para alcançar as transformações urbanísticas, sóciais e valorização ambiental em consonância com o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor de 2011 para promover o desenvolvimento urbano valorizando o meio ambiente e a qualidade de vida” (sic).
Ao contrário do previsto nestes objetivos, o PLC é mais uma produção dos técnicos da prefeitura sem qualquer consulta à população - sem atender ao Estatuto da Cidade - nem mesmo ao Conselho de Política Urbana - COMPUR e ao Conselho de Meio Ambiente – CONSEMAC.
O Corpo Técnico também não apresenta qualquer justificativa científica para manter os mesmos padrões de ocupação dos projetos anteriormente aprovados (e depois cancelados) para criação da Área de Especial Interesse Ambiental – AEIA das Vargens, e trata o desenvolvimento urbano repetindo a velha cultura de manipular padrões construtivos (altura e área máxima das construções, taxa de ocupação nos terrenos, tamanho dos lotes, área mínima das unidades e zoneamento para distribuição das atividades econômicas), o único método adotado para tratar da urbanização, sem contar com um plano geral de desenvolvimento urbano para todo o território municipal.
O cacoete metodológico perpetua-se com a idéia de que a cidade é apenas a sua arquitetura, sem relação com o urbanismo, com as condições de infraestrutura (p. ex. saneamento ambiental), sem atender às funções urbanas básicas e às funções sociais da cidade: é a velha política urbana fundada por Pereira Passos, hoje patrono do Instituto de Planejamento da Cidade do Rio de Janeiro, que a considera apenas objeto para controle das construções e abertura de novas vias para melhorar o trânsito rodoviário, tradicionalmente caótico.
Por outro lado, até hoje não foram capazes de regulamentar o Estudo de Impacto de Vizinhança, instrumento urbanístico previsto no Estatuto da Cidade, que se considerado fosse, certamente, evitaria a destruição do Museu do Pontal em decorrência da construção dos espigões ao seu lado.


PLANO PILOTO PARA A BAIXADA DE JACAREPAGUÁ, RIO DE JANEIRO
Autoria: LÚCIO COSTA      Imagem: Internet


MAIS UMA VERSÃO DO PEU DAS VARGENS > PREFEITURA NÃO DESISTE - PARTE V
Seguindo a velha cultura, neste PLC 140/2015, apenas alteraram o tamanho mínimo dos lotes que era de 360 m2 passará para 600 m2.
Na mensagem 17/2015 enviada à Câmara de Vereadores, para aprovação da 3ª Edição do Peu das Vargens o prefeito afirma que:

Assim, o Plano de Estruturação Urbana de Vargens ora apresentado, estabelece condições de uso e ocupação do solo que visam alcançar densidades, construída e demográfica, mais adequadas às características da região, com índices de aproveitamento do terreno (IAT) nunca superiores ao máximo estabelecido no Decreto 3046/81.

Tal afirmação não esclarece que o DECRETO 3046/81 veio substituir o DECRETO 324/76, a primeira versão do regulamento do Plano Lúcio Costa, revogado para atender ao interesse de maior lucratividade na especulação urbana da Baixada de Jacarepaguá, com o aumento progressivo e constante do potencial construtivo dos terrenos.

O Decreto 3046/81 é uma colcha de retalhos costurada periodicamente com novas alterações para atender ao mercado. Os interesses que motivaram sua aprovação foram um dos motivos que levaram o Prof. Lúcio Costa abandonar a coordenação do Plano Piloto e demitir-se da Sudebar.
  
Os índices de aproveitamento da área do terreno, para calcular a área máxima de construção permitida, segundo a mensagem do prefeito, são de fato os mesmos do DECRETO 3046/81 (variam de 1,0 a 1,5), mas correspondem ao dobro daqueles índices do DECRETO 324/76, (0,60 a 0,75).
Os gabaritos altos previstos para esta 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS continuam como antes, com a possibilidade de atingir 6, 8, 9, e até 18 pavimentos, desde que o interessado pague pelo solo criado.
A região das Vargens, com um sistema viário sem grandes opções de mobilidade, haja vista o grande número de logradouros fechados ou ocupados, e muitos outros previstos no Plano Lucio Costa jamais construídos, não suporta prédios com mais de 3 (três) pavimentos.
É interessante destacar que os lucros da venda dos solos criados deveriam ser destinados ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, de cujo montante e aplicação ninguém, fora da alta direção da Prefeitura, tem conhecimento, apesar da existência de diversos conselhos municipais com “representação da sociedade”, sem poder deliberativo, que apenas servem para ouvir o “senhor prefeito”.

Internet

PARTICIPAÇÃO POPULAR “DE ARAQUE” PARA O PEU DAS VARGENS - PARTE VI
A OUC prevista no PLC 140/2015 será acompanhada por um CONSELHO CONSULTIVO, formado por seis representantes do Poder Público, (5 da Prefeitura e 1 do Estado), mais 3 representantes da sociedade civil. Estes serão escolhidos pelos representantes do poder público e apenas duas dessas pessoas devem ter atuação na área de abrangência de 6 bairros: Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Jacarepaguá.
Portanto, será mais um conselho com as mesmas características daqueles criados para tratar de Política Urbana (COMPUR), da Política Ambiental (CONSEMAC) e o CONSELHO DA CIDADE, isto é, apenas para ouvir e “fazer figuração” nas reuniões comandadas pelos agentes políticos da prefeitura que impõem suas decisões de cima para baixo. Certamente a prefeitura conseguirá implantar seu domínio nesse CONSELHO CONSULTIVO com a participação, sem poder de decisão, dos “representantes populares” (?) escolhidos de acordo com a conveniência dos agentes públicos.
A elaboração do texto do PLC 140/2015 - que deveria contar com a participação popular para atender aos princípios da gestão democrática da cidade estabelecidos no Estatuto da Cidade - desconsidera o respeito à democracia na formulação de políticas públicas por parte da Prefeitura.
Não será a velha fórmula de composição daquele Conselho Consultivo que poderá democratizar a implantação do PEU DAS VARGENS, nem garantir o desenvolvimento urbano sustentável com vistas a melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH da região.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

NORMAS DA AERONÁUTICA E AS TORRES DO PORTO MARAVILHA - CONFLITOS POTENCIAIS


Internet

Em julho/2014 entrou em vigor a Portaria nº 957/GC3 de 09/07/2015 do Ministério da Defesa – Comando da Aeronáutica, que “Dispõe sobre as restrições aos objetos projetados no espaço aéreo que possam afetar adversamente a segurança ou a regularidade das operações aéreas, e dá outras providências”. Entre os ‘considerando’ destacamos os que se relacionam a índices construtivos na vizinhança de aeroportos, heliportos e helipontos:



CONSIDERANDO que a segurança e a regularidade das operações aéreas em um aeroporto ou em uma porção de espaço aéreo dependem da adequada manutenção de suas condições operacionais, que são diretamente influenciadas pela utilização do solo;
CONSIDERANDO que a existência de objetos, aproveitamentos ou atividades urbanas que desrespeitem o previsto nas normas vigentes pode impor limitações à plena utilização das capacidades operacionais de um aeroporto ou de uma porção de espaço aéreo;
CONSIDERANDO a importância da aviação para as atividades sociais e econômicas, requerendo o constante aprimoramento dos mecanismos que estimulem a coordenação entre os órgãos de âmbito federal, estadual e municipal, visando ao cumprimento das normas e à adoção de medidas para regular e controlar as atividades urbanas que se constituem, ou venham a constituir, potenciais riscos à segurança operacional ou que afetem adversamente a regularidade das operações aéreas (...).


Tema complexo para quem não lida com as questões da aeronáutica, a longa portaria apresenta gráficos e tabelas que, entre vários aspectos, definem as alturas máximas de obstáculos permitidas na vizinhança de aeródromos, helipontos, em rotas especiais de aviões, helicópteros, e em zonas de proteção de auxílios à navegação aérea (v. artigo 1º). As medidas determinarão eventuais restrições, por exemplo, para as zonas de influência dos aeroportos do Galeão, Santos Dumont, e de Jacarepaguá. Artigos publicados em sites ligados à indústria da Construção Civil e ao Mercado Imobiliário demonstram preocupações a respeito:


O site da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro – ADEMI-RJ também informa que é possível verificar se os empreendimentos pretendidos estão nas áreas de influência definidas pela Portaria 957/GC3 através do site do DECEA na página:


Reproduzimos abaixo trecho da Portaria nº 957/GC3 e o link para o texto na íntegra.

Resta saber se as novas regras atingirão os terrenos do Porto Maravilha e suas torres projetadas com até 150,00m de altura e as pretendidas quitinetes que voltarão à cidade quase meio século após terem sido banidas da legislação urbanística do Rio de Janeiro.

Aos interessados, a informação.

Com a palavra, os especialistas.

Urbe CaRioca






Trecho:
(...)

Superfície de Aproximação

Art. 13. A superfície de aproximação constitui um plano inclinado ou uma combinação de planos anteriores à cabeceira da pista que pode ser dividida em até três seções e cujos parâmetros e dimensões estão estabelecidos nas Figuras 3-1A e 3-1B e na Tabela 3-4.
I - Os limites da primeira seção da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da cabeceira e determinada largura, localizada a uma determinada distância anterior à cabeceira da pista;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e divergindo a uma determinada razão a partir do prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada a uma determinada distância da borda interna.
II - Os limites da segunda seção da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da borda externa da primeira seção e determinada largura, localizada no final da primeira seção;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e divergindo a uma determinada razão a partir do prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada a uma determinada distância da borda interna.
III - Os limites da seção horizontal da superfície de aproximação são:
a) uma borda interna, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, com elevação igual à da borda externa da segunda seção e determinada largura, horizontal e perpendicular ao prolongamento do eixo da pista de pouso, localizada no final da segunda seção;
b) duas bordas laterais originadas nas extremidades da borda interna e se estendendo paralelamente ao plano vertical que contém o prolongamento do eixo da pista de pouso; e
c) uma borda externa paralela à borda interna, localizada a uma determinada distância dessa borda.
§ 1º A seção horizontal tem início no ponto em que o gradiente da segunda seção intercepta o plano horizontal de 150 metros acima da elevação da cabeceira, ou o plano horizontal que passa pelo topo de qualquer objeto que define a menor altitude e/ou altura livre de obstáculos(OCA/H) publicada, o que for mais alto.
§ 2º Os limites da superfície de aproximação devem variar por ocasião de aproximação com desvio lateral, em especial, suas bordas laterais, onde a divergência a uma determinada razão, deverá ocorrer a partir do prolongamento do eixo do desvio lateral.
§ 3º Os gradientes da primeira e segunda seção devem ser medidos em relação ao plano vertical que contém o prolongamento do eixo da pista de pouso e devem continuar contendo o eixo de qualquer desvio lateral.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A GARAGEM POULA, de Luiz Eduardo Pinheiro


BEM TOMBADO MUNICIPAL - RIO DE JANEIRO

GARAGEM POULA - Imóvel
Rua Gomes Freire, 306, 306-A e Rua do Senado, 57/59
Decreto nº 6.606 de 05/05/87 - DOM de 06/05/87



Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Crédito: Luiz Eduardo Pinheiro


Era uma vez um imóvel tombado chamado GARAGEM POULA, situado na Avenida Gomes Freire.

Era uma elegante e antiga garagem de cocheiras que teimava em permanecer na cidade!

O processo de abandono do imóvel começou lá pelos anos 1990.

Na primeira década do século XXI a empresa WTORRE o adquiriu como parte do entorno do seu empreendimento erguido na Rua dos Inválidos.

Começaram a tratá-lo como um depósito de obras e demoliram quase sua totalidade.

Sobraram cacos. Talvez irrecuperáveis.

Restauração?

Ninguém comenta a respeito, ninguém o exige.

Quando não houver mais nada a fazer, o choro dos hipócritas inundará as páginas dos jornais.

De quem é a culpa?


__________________

Luiz Eduardo Pinheiro é arquiteto


GARAGEM POULA
Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Imagem divulgada em 08/11/2012 na Coluna Ancelmo Gois, Jornal O Globo, com a seguinte nota:

NO TEMPO DAS CARRUAGENS
Este prédio histórico, deteriorado, exemplar da arquitetura eclética de inspiração clássica e art nouveau, na esquina das ruas Gomes Freire e do Senado, no Centro velho do Rio, será, em breve, totalmente recuperado (veja na reprodução do projeto aqui acima como vai ficar). Trata-se da Garagem Poula, construída em 1910 para abrigar carruagens e uma hospedaria. Quem vai tocar a obra é a construtora WTorre, que finaliza, ali perto, o Centro Empresarial Senado, a ser usado pela Petrobras. A empresa assumiu com a prefeitura o compromisso de revitalizar parte do patrimônio arquitetônico da região, como o Solar do Marquês de Lavradio, o prédio do finado Dops e a Garagem Poula

Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Crédito: Luiz Eduardo Pinheiro
GARAGEM POULA
Rua Gomes Freire, Centro, Rio de Janeiro
Foto obtida no site Skyscrapercity
Crédito: 
Mayara Christy



sábado, 23 de janeiro de 2016

O MUSEU CASA DO PONTAL E O PEU VARGENS

 E O COMENTÁRIO DO ARQUITETO CANAGÉ VILHENA


Internet

Nas várias postagens sobre o Projeto e Estruturação Urbana da região das Vargens – que abrange bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro – afirmamos que as mudanças na lei urbanística antes vigente seriam prejudiciais para a cidade e, em especial, para a própria localidade, reconhecidamente frágil em termos ambientais, sujeita a alagamentos nas áreas planas e deslizamentos nas encostas do maciço da Pedra Branca.

Há alguns meses a imprensa noticiou os alagamentos no terreno onde fica a Casa Museu do Pontal, atribuídos à construção de um condomínio de edifícios no terreno vizinho – possível devido aos novos índices urbanísticos criados pelo PEU Vargens.


Abaixo, o comentário do arquiteto Canagé Vilhena sobre o assunto, a notícia de que um novo projeto de lei complementar para os bairros já foi enviado à Câmara de Vereadores - com o respectivo link -, e o vídeo sobre a inundação apresentado pelo RJTV.

O post UM BATE-BOCA OLÍMPICO-GABARITADO VIA BBC E REDES SOCIAIS, de agosto/2015, contém lista com os artigos anteriores publicados neste blog.

Boa leitura.
Urbe CaRioca



O Globo


DESTRUIÇÃO DO MUSEU CASA DO PONTAL

Canagé Vilhena


A DESTRUIÇÃO DO MUSEU CASA DO PONTAL é mais um efeito desastroso da ocupação promovida pela PEU DAS VARGENS, como foi previsto em estudos científicos.

Não contente com estas conseqüências a Prefeitura insiste com a ideia de promover a ocupação de alta densidade numa região frágil, agora com a 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS, o PROJETO DE LEICOMPLEMENTAR 140 DE 21 DE DEZEMBRO DE 2015, enviado a Câmara de Vereadores, mais uma vez sem ouvir os moradores, sem ouvir o Conselho Municipal de Política Urbana - COMPUR, sem ouvir o Conselho Municipal de Meio Ambiente - CONSEMAC.

 Esta 3ª EDIÇÃO DO PEU DAS VARGENS tem o mesmo potencial de degradação das 2 últimas edições, apesar de diminuir a taxa de ocupação nos terrenos e prever tamanho mínimo único de lotes (600 m2).

Mas mantém a possibilidade de serem construídos 6, 9 até 18 pavimentos, com a venda de solo criado, uma forma de mais-valia.


***




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

DE RECLAMILDA PARA SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO

CrôniCaRioca
20 de janeiro de 2016, Dia de São Sebastião

Cristo Redentor, Rio de Janeiro
Foto: Urbe CaRioca



Querido São Sebastião, Santo Padroeiro da Mui Leal e Heróica Cidade do Rio de Janeiro,


Escrevo relutante, ainda indecisa sobre postar esta missiva no correio que leva as coisas da Terra para o Céu. Explico o porquê.

Na minha visão, o senhor, sofrido, torturado e flechado, deveria ser poupado de saber como vai a cidade que protege, a cada dia com mais problemas. Se eu contar certamente me dirá "deve haver algo de bom também, RECLAMILDA...", com a voz pausada e tranquila que todo santo tem.

Sim, São Sebastião, as há, a começar pelas pessoas boas, corretas e trabalhadoras, cariocas do bem, são muitos! Mas nossa urbe está cheia de ervas daninhas entre elas, uma pena...

A violência está insuportável, há balas perdidas, confrontos, inocentes mortos ou feridos, enquanto os hospitais, sempre lotados, não cuidam de quem precisa. A Dengue voltou e trouxe junto sua prima Zika.


Charge do cartunista Aroeira


Até que fizeram umas obras interessantes, a horrível Perimetral foi abaixo - o sr. sabe que o modelo rodoviarista saiu de moda, agora só se fala em sustentabilidade, mobilidade, urbanidade, e outras "idades" difíceis de resolver.

A Praça Mauá esta novinha em folha, toda bonitona e ganhou um museu que dizem que é do Amanhã, mas pode visitar hoje mesmo! Só que os urbanistas e os ecologistas acham que falta 'verde',  faltam árvores, e os arquitetos não são unânimes quanto ao projeto do espanhol: uns gostaram, outros acharam o prédio esquelético parecido com uma carcaça jurássica de um peixe do Reino Abissal que emergiu, foi trazida pelo mar e encalhou ali. Será que é o Celacanto que Provoca Maremoto? Mas, como se diz sobre as gentes, o que vale é o interior, dizem que por dentro é legal.

Quando fui com ELOGILDA e ANA LISA até a fila de idoso estava gigante, e desistimos! Depois que formos de novo eu conto o que achamos!

De bom também tem o Parque de Madureira e um piscinão em Deodoro fazendo o maior sucesso com a garotada!

Fora isso, tudo é duvidoso. Tem ponte estaiada por todo lado, uma bobagem só para político dizer que fez alguma coisa, muito aço, concreto e dinheiro público derramados para vencer uns vãozinhos à toa e passar um BRT devez em quando, puro desperdício! 

Enquanto isso o trânsito do Rio parece não ter mais jeito, o 'rush' dura 24 horas, o povo tem que sair cada vez mais cedo para trabalhar.

Desculpe-me, padroeiro, mas este vagão lotado me fez lembrar que o Metrô continua terrível, uma tripa esticada pela Zona Sul apelidada de Linha 4, e, veja só, a estação Gávea não vai ficar pronta Pra Olimpíada, nem isso, meu Deus do Céu!

Xi! Perdão que não se diz o nome Dele em vão! É que tem mais!

Durante os Jogos o Metrô vai ser só para quem for ver as disputas, se não curtir esporte não vai ter vez!


Ah! Lembrei de mais coisas boas. As barracas da praia estão coloridinhas, e tem a ciclovia nova na Avenida Niemeyer, ô lugar lindo! Há só um probleminha, é 'compartilhada' com pedestres, explicação bonita para dizer que pedestres e ciclistas andam e "bicicleteiam" juntos pelo mesmo lugar, um perigo. Podiam ter feito logo uma calçada separada! Também não gostei da altura que tira a vista de quem passa pela avenida.

Mais uma coisinha, São Sebastião, mas só digo se me prometer que não vai contar para São Francisco! Confio na sua discrição.

Fecharam o Zoológico do Rio, São Sebastião! Juro. Nunca pensei. Estavam maltratando os animais, um horror! Os bichos lá abandonados e sofrendo, ainda mais com calor de quase 50 graus, coitados.

Peço perdão pelas notícias tristes, mas tudo foi só para dizer que o Rio precisa da sua proteção mais do que nunca! Não nos abandone!

Assinado, sua devota,

RECLAMILDA

...

E agora? Ponho logo no correio do Céu, ou peço para Elogilda escrever primeiro?

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O HOTEL GLÓRIA, OS ÁRABES, E O TRIÂNGULO DO Sr. X



Hotel Glória após a demolição do Teatro Glória e da parte interna da construção.
Foto: Folha de São Paulo



Segundo informa o jornal O Globo de hoje, um fundo árabe adquiriu o finado Hotel Glória (e mais parte da OSX, empresa naval do grupo X), e pretende ressuscitá-lo, o que é uma ótima notícia para a Cidade do Rio de Janeiro, muito embora saibamos que a glória do Glória e o teatro de mesmo nome jamais retornarão.

Quem acompanha este blog conhece a história sobre o “Triângulo da EBX-REX” e também o polêmico Projeto Impossível que quase foi aprovado para ocupar espaços públicos na Marina da Glória com um complexo comercial.




Foto: O Globo


Resta saber se as benesses urbanísticas e fiscais eventualmente recebidas em nome dos Jogos Olímpicos serão revertidas, e o que acontecerá com os outros dois vértices do “triângulo”: o abandonado edifício do Clube Flamengo e a Marina da Glória, um equipamento público da cidade situado em área tombada - o Parque do Flamengo.



Urbe CaRioca



Governador Carlos Lacerda preocupado com o destino da Marina da Glória, no Parque do Flamengo
Montagem: Urbe CaRioca, sobre imagem publicada no jornal O Globo

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

RIO COMPRIDO, O BAIRRO QUE AMAMOS! – PARTE 1, de Sheila Castello

CrôniCaRioca

"Rio Comprido, década de 50, cruzamento Rua do Bispo com Av. Paulo de Frontin."
Foto reproduzida do Arquivo da Cidade, postada por Isis Claro em rede social.



Sheila Castello é historiadora e apaixonada pelo Rio Comprido, bairro onde morou durante vinte anos. Esse tempo dobra ao somarmos histórias e memórias de sua família que lá viveu durante quatro décadas!

Incansável na busca de melhorias para a região, neste artigo Sheila presta uma homenagem ao lugar outrora bucólico, sacrificado pela presença do Viaduto Engenheiro Freyssinet - o Elevado da Perimetral -, e aos muitos cariocas que igualmente participam de lutas diárias por mais qualidade urbana onde habitam.


Deoclécio Ferreira cuida,
 diariamente, das árvores que planta
na Praça Condessa Paulo de Frontin.

O texto, publicado originalmente em rede social no grupo Rio Comprido - Um Bairro de Presente, Passado e Futuro? é o depoimento de quem, nos anos 1970, brincava nas ruas quando estas ainda não eram perigosas, e vivenciou relações entre as diversas famílias, encontros determinados pelo “o grau de educação, respeito e dignidade”. Ao mesmo tempo é também uma homenagem aos que, entre várias reivindicações e ações em prol da comunidade, pedem a reabertura do Hospital Municipal Salles Neto.


As imagens mostram algumas das iniciativas importantes tomadas por moradores do Rio Comprido, no caso por Deoclécio Ferreira e Sandro Laureano.


Boa leitura.


Urbe CaRioca  




Sandro Laureano nasceu no Rio Comprido e é referência do bairro pelo qual também é apaixonado. Em dezembro organiza eventos para as crianças e se transforma no Papai Noel do Rio Comprido. Nesta foto, Sheila Castello e Sandro Laureano exibem o brasão da RA estampado no ‘banner’ que este mandou confeccionar. 


RIO COMPRIDO, O BAIRRO QUE AMAMOS! 

Parte 1


Sheila Castello


Ao homenagear o povo carioca, tomo como exemplo os moradores do bairro do Rio Comprido, população que já experimentou o luxo e o conforto, e hoje luta por sobrevivência, pela dignidade humana.

Pedro Nava dizia que os bairros tinham alma. O Rio Comprido manteve a sua, do típico malandro carioca. Eu afirmo: o berço do samba foi na boemia do Estácio, mas os sambistas dormiam em suas casas no Rio Comprido!

Cresci entre o morro e o asfalto. Naquela época, nos anos 1970, as únicas diferenças eram a conta bancária, a quantidade de degraus a vencer, e a temperatura do lugar.

Brincávamos todos juntos, estudávamos nas mesmas escolas públicas ou particulares, “tudo junto e misturado”, sem fronteira geográfica. O que determinava as relações das diversas famílias era o grau de educação, respeito e dignidade.

Tanto “lá embaixo”, quanto “lá em cima”, viviam trabalhadores: sapateiros, padeiros, professores, passadeira, sambista, joalheiro, advogado, taxista, médico, marceneiro, diarista, bombeiro, fotógrafo, empresário, pintor de rodapé e pintor artista, escritores, bancários, juízes, desembargadores...

Reencontrei a mesma natureza e a mesma alma nesse grupo, pessoas que se descobriram há 2 anos, a partir da luta para defender o Hospital Salles Netto e criaram o Rio Comprido - Um Bairro de Presente, Passado e Futuro?

São pessoas de poder aquisitivo variado, histórias de vida diferentes, profissões diferentes, que se encontraram e enfrentam toda a sorte de dificuldades, inclusive a delícia e a dor de trabalhar em conjunto: “aos trancos e barrancos” cresceram, criaram laços afetivos e se fortalecem nas batalhas que continuam a empreender.


ESSE É O RIO QUE EU AMO!



Sandro Laureano organiza eventos para as crianças e, em dezembro, se transforma no Papai Noel do Rio Comprido.

Bairro do Rio Comprido, Rio de Janeiro, Dezembro 2014
Foto: Ieda Raro


Rio Comprido, Rio de Janeiro, Dezembro 2014
Foto: Ieda Raro

Rio Comprido, Rio de Janeiro, Dezembro 2014
Foto: Ieda Raro

Rio Comprido, Rio de Janeiro, Dezembro 2014
Foto: Ieda Raro