sexta-feira, 29 de abril de 2016

MARINA DA GLÓRIA, CICLOVIA e VELÓDROMO

Foram muitos os assuntos urbano-cariocas nos últimos dia, de interesse deste blog, ainda não comentados. Nesta postagem reunimos alguns deles, com links para artigos e reportagens a respeito. Boa leitura.

Urbe CaRioca





MARINA DA GLÓRIA


Foto: Paulo Sérgio Quintanilha

O site Sonia Rabello – A Sociedade em busca do seu Direito, vem sistematicamente informa que a Marina da Glória continua a ser palco de diversos eventos privados, não obstante “decisão recente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinando que a área da Marina da Glória, no Parque do Flamengo, é de uso comum da população”.

As obras de reforma e acréscimos, que nasceram polêmicas, foram inauguradas há pouco, com resgate de parte do espaço público – antes com acesso geral vedado – para os cariocas, o que é louvável (v. O RESGATE DE ÁREAS LIVRES PARA OS CARIOCAS). Entretanto, não justifica as atividades. Enquanto isso, o esgoto continua a jorrar mesmo após a conclusão da obra da chamada galeria de cintura, evidentemente um paliativo que, em tese, serviria apenas para dias sem chuva. Ao que consta, nem isso.

Abaixo, os artigos esclarecedores de Sonia Rabello. 




CICLOVIA DA AVENIDA NIEMEYER

Foto: Revista Veja

Ontem a queda de parte da ciclovia construída ao longo da Avenida Niemeyer completou uma semana. Muito além de perdas materiais, o desastre resultou em tragédia com a morte de duas pessoas, perdas irreparáveis. As discussões que se estenderam durante os últimos dias apresentadas pela mídia em geral, apontam para falhas técnicas, em especial quanto ao cálculo estrutural e à falta de fixação dos tabuleiros aos pilares. Há que aguardar a palavra dos especialistas e a conclusão dos laudos em elaboração.

Além dos inúmeros artigos, circula na internet um vídeo apresentado por Walmar Luiz que mostra diversos pilares, vigas e sapatas com aspecto duvidoso, ferros à mostra e até sacos de areia escorando taludes. Esperamos que os técnicos também se pronunciem quanto a isso.

Vídeo divulgado nas mídias sociais pelo sr. Walmar Luiz

Selecionamos dois textos. O primeiro é de Cora Rónai, publicado ontem no O Globo, que expõe com dúvidas e sentimentos que por cento atingiram a todos os cariocas com forte impacto, como o de uma onda não prevista. O segundo é do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Além da visão da instituição, o conteúdo remete à opinião de outros profissionais.

Obs. 1O IPHAN não foi consultado. Indaga-se porque deixou de agir quando as obras começaram.
Obs. 2 – O post sobre o que consideramos uma aberração na paisagem carioca permanece adiado. Neste aspecto, foi feito um abaixo-assinado que pede a demolição da ciclovia. Consideramos o tema extremamente complexo por envolver mais gastos e perda de dinheiro público, salvo, evidentemente, se estiver condenada do ponto de vista estrutural. Quanto à paisagem da cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade exatamente na categoria Paisagem Urbana, podemos afirmar que o mostrengo jamais deveria ter sido construído, ao menos conforme aquele projeto de autoria misteriosa.

Cora Rónai – 28/04/2016 – Tragédia carioca
A cidade já sofreu demais com obras feitas a toque de caixa, sem capricho ou preocupação estética. Em qualquer outro lugar, uma joia como o Rio teria sido cuidada e preservada; mas aqui, desde a ditadura, cada governo fez exatamente o que quis, sem prestar contas a ninguém. A sanha das empreiteiras aliada à canalhice das autoridades produziu um desastre urbanístico onde, até a primeira metade do século passado, ainda existia uma metrópole invejável.

Para o presidente do CAU/RJ, Jerônimo de Moraes, o acidente é gravíssimo não só por ter provocado pelo menos duas mortes, mas também por abalar a credibilidade das obras púbicas em andamento no Estado. “Desde ontem, inevitavelmente, está sendo posta em dúvida a capacidade de o Rio de Janeiro garantir a segurança de suas obras”, afirmou. “É preciso que se apure com rigor as responsabilidades nas diferentes fases desta construção”.
Jerônimo de Moraes afirmou que o acidente reforça a importância da frequente defesa que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo faz do projeto completo como instrumento social de controle em obras pública, garantindo a segurança e qualidade delas.



VELÓDROMO

Foto: André Motta

Há dez anos tivemos a oportunidade de acompanhar algumas apresentações sobre o Velódromo do Rio construído para os Jogos Pan-Americanos e inexplicavelmente demolido pelo governo em curso. Fizemos várias postagens sobre o “Novelódromo”, que podem ser facilmente acessadas com os marcadores ‘Demolição’ e Velódromo’, entre outros. Por recordarmos com clareza que grande parte do custo da obra, na época, deveu-se ao uso necessário de piso de madeira importada da Sibéria, destacamos trecho da reportagem que está no jornal de hoje.

Esperamos que o destino desta não seja o mesmo daquela, a ser dado por algum gestor público daqui a alguns anos: o lixo.



O Velódromo do Rio e sua pista de madeira importada da Sibéria - demolidos
Foto: Internet

terça-feira, 26 de abril de 2016

A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO de Claudio Prado de Mello


Ou, O Palacete São Cornélio pede socorro!


No domingo, dia 24/04, a TRUPE PATRIMÔNIO VIVO, constituída pelos amigos e colaboradores do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro – IPHARJ, de forma voluntariosa encenou um esquete simples e bem humorado para denunciar o estado de abandono em que se encontra o Palacete São Cornélio, situado no bairro da Glória, imóvel que pertence à Santa Casa de Misericórdia.

O evento, realizado pela Associação de Moradores e Amigos da Glória AMA-Glória, pelo Grupo S.O.S. Patrimônio, e pelo IPHARJ, foi divulgado nas redes sociais e por este blog em ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM TOMBADO QUE CAMINHA PARA A RUÍNA, postagem que teve grande repercussão durante os últimos dias.

O Palacete São Cornélio pede socorro. É urgente: “A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio”.

Abaixo, o relato de Claudio Prado de Mello, Diretor Presidente do IPHARJ.

Vale conhecer também os artigos de SoniaRabello a respeito.

Urbe CaRioca



Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO

Claudio Prado de Mello

O Palacete São Cornélio, situado na Rua do Catete nº 6, bairro da Glória, teve seu telhado roubado essa semana. Calhas de cobre e até telhas foram levados! O prédio, abandonado há décadas, hoje está em “fase terminal”: a estrutura está abalada, toda a esplêndida decoração interna, de 1862, está se desprendendo dos tetos; internamente, a construção está se desmoronando. A sólida estrutura existente não resistirá se os telhados ruírem.

A Sociedade tem acompanhado pelos jornais e televisão a dor e desespero dos membros da AMA-Glória para salvar o verdadeiro PALÁCIO que agoniza!

A próxima frente fria, prevista para esta semana, trará a chuva que amolecerá os tijolos e destruirá o que sobrou das pinturas delicadas dos tetos; o peso do madeiramento aliado ao peso das telhas fará com que os telhados DESABEM, acarretando a completa destruição do bem cultural. Sem as telhas a perda será total.

É impossível que a Cidade não note o que pode acontecer em breve. Todos nós seremos testemunhas e até corresponsáveis pela perda.

O Palácio, construído em 1862 e tombado em 1938, clama e grita por socorro, pois poderá não sobreviver às próximas chuvas. Apesar das ações da Polícia Federal, no MPF, e divulgação pela imprensa, os avanços são quase nulos. Hoje há quem compre o prédio para montar um imenso espaço cultural, mas não se consegue vencer os entraves para que se possa ser vendido.

Agora - sem as calhas – o assunto passou a ser de URGÊNCIA MÁXIMA!

A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio em um gesto desesperado de defender esse Patrimônio Tombado e Esquecido de uma cidade como o Rio de Janeiro, e precisa encontrar meios de fazer a colocação. O prédio está interditado pela Defesa Civil, pois oferece risco a quem entra. As condições das partes internas estão péssimas! Chegou a hora de pedir socorro, elevar a voz, e chamar a atenção das pessoas com quem esperamos contar.

Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


Aliaram-se a AMA GLORIA, o Grupo SOS PATRIMÔNIO, o INSTITUTO DE PESQUISA HISTÓRICA E ARQUEOLOGICA DO RIO DE JANEIRO – IPHARJ, para produzir o evento do último domingo, contar uma história, e mostrar a situação precária em que o imóvel se encontra: juntaram-se cadeiras D. José, castiçais, mesas de época e todo um conjunto de peças históricas para montar o cenário de época. A encenação trouxe do passado personagens históricos como a Rainha D Maria I, Xica da Silva e a Rainha Dona Victoria de Hannover, que interagiram com personagens reais como Napoleão Bonaparte, e fictícios como Johan van Apex.

Tal esforço reflete um sentimento de Pertencimento/Comprometimento com o Patrimônio e com o Passado que independe de retorno financeiro, reconhecimento, ou qualquer outro valor que não seja simplesmente desejar que todos esses objetos da Cultura Material, e o Patrimônio Edificado sejam preservados para as futuras gerações, para que nossos filhos, netos, bisnetos, e outros consigam ver e respeitar esse legado da mesma forma que o vemos, respeitamos, amamos e procuramos preservar.


Reportagem RJTV em nov./2011 relata a deterioração do imóvel abandonado e vários furtos ocorridos.


Palacete São Cornélio 2015 - Um Registo do Tempo / A Register of Time - Malu Barra - Fotos de Alberto Cardoso
Palacete São Cornélio, construído em 1862 no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Foi residência do Comendador João Martins Cornélio dos Santos, que o deixou em testamento à Santa Casa de Misericórdia em 1894 com a condição de servir de asilo de meninas. Em 1938 foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


Foto: Marcus Alves, 24/04/2016


sexta-feira, 22 de abril de 2016

ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM TOMBADO QUE CAMINHA PARA A RUÍNA



O palácio que virou santo ...
Ou mártir?







Mais uma vez um grupo que defende o Patrimônio Cultural e a memória urbana viva, mobiliza-se por um bem tombado que continuará a caminhar para a ruína se nada for feito para sua recuperação.

Trata-se do PALACETE SÃO CORNÉLIO, situado na Rua do Catete nº 6, bairro da Glória, Cidade do Rio de Janeiro, objeto diversas denúncias sobre sua deterioração nas redes sociais, e de recente matéria publicada pela grande imprensa.

O Globo, 19/04/2016





Marconi Andrade, membro do Conselho Municipal de Cultura e Presidente da Associação de Moradores e Amigos da Glória - AMA-GLÓRIA; os membros do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro - IPHARJ (instituição privada e sem fins lucrativos, que se dedica à preservação do patrimônio cultural); e o grupo SOS PATRIMÔNIO convocam todos para uma manifestação espirituosa e descontraída que será realizada defronte ao Palacete São Cornélio no próximo domingo dia 24 de abril, às 13 horas (Há estação do metrô bem próxima ao casarão).

O objetivo do encontro é denunciar a situação de abandono em que o importante imóvel se encontra, já em estado crítico.








Todas as fotos acima são de Kiki Simone Reis, do Grupo S.O.S. Patrimônio


Essa semana todas as chapas de cobre que recebiam as águas do telhado foram roubadas.  É possível que o que resta do telhado não resista à próxima chuva.

Segundo os organizadores:

 “Vai ter gente bonita, gente vestida com roupas do Império, muita descontração e pantomima.
 Dona Maria I Rainha de Portugal estará presente!
 Xica da Silva gostou da ideia e já arrumou as malas em Diamantina e já está vindo para o Rio de carruagem!
 A Rainha Victoria, que está de passagem pelo Rio de Janeiro, disse que se o sol não estiver muito forte, também irá.
Todas essas pessoas conhecem a importância do Patrimônio, e nos dizem que temos que lutar em defesa do nosso LEGADO CULTURAL e HISTÓRICO.

O blog abraça esta causa e pede a todos a divulgação do evento.

NOTA: O texto acima foi adaptado do convite feito pelo pela AMA GLÒRIA, IPHARJ, e S.O.S. Patrimônio.


Urbe CaRioca




Fotos de outro evento em defesa do patrimônio cultural, realizado pelo mesmo grupo, em frente ao Paço Imperial - Divulgação de Claudio Prado de Mello

quinta-feira, 21 de abril de 2016

CICLOVIA DO RIO. SE FOI TRAGÉDIA ANUNCIADA, OS TÉCNICOS DIRÃO.

Atualização em 22/04/2016

Durante a obra da ciclovia, logo no início estranhei os cortes na rocha cujo "entulho" resultante pode ser visto por quem anda a pé pela ciclovia compartilhada e mesmo pelo mirante da Niemeyer, no final do Leblon. Nada comentei no blog Urbe CaRioca por imaginar que as licenças, naturalmente, haviam sido liberadas pelos governos estadual e municipal, e era decisão tomada.

Além do que consta na Resolução do INEA, a orla é APA tutelada pela Prefeitura.

Independentemente do trágico desastre, alguns locais necessariamente deveriam ser interditados durante as ressacas: por exemplo, Pedra do Leme, Mirante da Niemeyer, Pista Claudio Coutinho e, agora sabemos, a nova ciclovia. Os aspectos paisagísticos que seriam comentados em outro Post, em elaboração, hoje se tornaram secundários. A publicação fica adiada.


Andréa Albuquerque G. Redondo/ blog Urbe CaRioca


Avenida Niemeyer, em frente à Gruta da Imprensa, 21/04/2016




Um trecho da nova ciclovia do Rio de Janeiro não mais se vê!

As ondas do mar levaram e, junto com ela, parte de R$ 45.000.000,00.

Na Avenida Niemeyer, Dia de Tiradentes, em 2016.

Imagens recebidas de um internauta.

Estava em elaboração uma postagem sobre o erro de projeto do ponto de vista da paisagem urbana carioca.

Fica adiado.


Esperamos que ninguém tenha se ferido.

Atualização: 13h17min. - A imprensa já divulga que houve vítimas, infelizmente.

Urbe CaRioca





Nota: Notícia publicada há pouco no Jornal O Globo



O Globo - Foto: Custódio Coimbra

quarta-feira, 20 de abril de 2016

TERRA ENCANTADA E MISTERIOSA


A postagem AI! QUE TERRA ENCANTADA É O RIO!, de 21/02/2013, permanece, misteriosamente, entre os artigos mais lidos neste blog há muitos meses!

Foi publicado no tempo em que o empresário Eike Batista pretendia participar, junto com um grupo de fundos de pensão, do projeto de construção de um “novo bairro”  no enorme terreno onde funcionou o antigo parque de diversões Terra Encantada, situado na Barra da Tijuca.

O post gentilmente mostrou aos leitores que a lei urbanística vigente não permitia concretizar tal intento.


Internet

Como se sabe, os problemas financeiros econômicos do conhecido Sr. “X”, exauriram sua capacidade de realizar vários projetos, como os do "triângulo" explicado em 19/01/2016 no post  O HOTEL GLÓRIA, OS ÁRABES, E O TRIÂNGULO DO Sr. X.

O noticiário, por sua vez, já informara em 2014 - portanto após a paralisação dos negócios de Eike Batista - que as construtoras Cyrela e a Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário haviam comprado o terreno, e que  a primeira fase do projeto seria entregue em 2015, o que não ocorreu.

Notícias recentes na imprensa revelaram que, de fato, a construtora Cyrela pretende erguer um condomínio no local...


O Globo, 03/02/2016 - Construtora tenta erguer condomínio em área do Terra Encantada


RIO — Os moradores da Barra da Tijuca talvez não precisem conviver com o esqueleto do Terra Encantada por muito mais tempo. No mês passado, a Secretaria municipal de Meio Ambiente (SMAC) recebeu um pedido da construtora Cyrela, dona do terreno da Avenida Ayrton Senna 2.800, para construir um “grupamento residencial multifamiliar” em um dos lotes que compunham o antigo parque.
Em março do ano passado, a Cyrela já havia requisitado à secretaria o desmembramento do Lote 1 do PAL 46051, área correspondente a um dos trechos do terreno. Com a mudança, o espaço foi dividido. O pedido feito em janeiro à SMAC se refere ao lote 6, que agora faz parte da Avenida Ayrton Senna 2.600.
Inaugurado em 1998, o Terra Encantada funcionou por 12 anos e fechou permanentemente em 2010, após um acidente em um dos brinquedos causar a morte de uma cliente de 61 anos. Procurada, a Cyrela informou que “a RJZ Cyrela e a Queiroz Galvão estão em fase de desenvolvimento do projeto para o terreno onde funcionava o Parque Terra Encantada e todas as licenças estão sendo providenciadas para a sua continuidade.” (...)

... e que a demolição do parque abandonado já começou:

 


A demolição do Parque Terra Encantada, fechado desde 2010, caminha para a reta final, mas o futuro do espaço, na Barra da Tijuca, ainda é incerto. A ideia era construir empreendimentos comerciais e residenciais no local. O cenário de crise, no entanto, atrapalhou os planos das empresas Queiroz Galvão e Cyrela, que há três anos desembolsaram cerca R$ 1,5 bilhão pelo terreno. De acordo com elas, o projeto ainda está em fase de planejamento. (...)


A notícia informa ainda que o “desmembramento do Lote 1 do PAL 46051, área correspondente a um dos trechos do terreno” dividiu o espaço, que “o pedido feito em janeiro à SMAC se refere ao Lote 6, que agora faz parte da Avenida Ayrton Senna 2.600”, e que o projeto para o terreno está em desenvolvimento.

Abaixo, o desenho do PAL nº 46051 (Av. Ayrton Senna nº 2.800), cujo Lote 1, portanto, foi dividido.

Aguarda-se esclarecimentos sobre o mistério do referido Lote 6, inclusive se será proposta pelo Poder Executivo uma nova lei urbanística para, mais uma vez, mudar o Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, como foi feito, por exemplo, no caso do PEU Vargens, agraciando, entre muitos terrenos, o do Parque Olímpico e o do Condomínio de edifícios chamado Ilha Pura.

A desencantar.

Urbe CaRioca



sexta-feira, 15 de abril de 2016

ENQUANTO O PAÍS FERVE, A CÂMARA DE VEREADORES DO RIO APROVA A VENDA DE 15 IMÓVEIS PRÓPRIOS MUNICIPAIS


VENDO O RIO


SOTHEBY'S IN RIO
Ilustração: NELSON POLZIN


No final do mês de fevereiro passado divulgamos a intenção da Prefeitura de vender 15 imóveis Próprios Municipais nas postagens - VENDO O RIO, VERSÃO 2016 (27/02) e VENDO O RIO, VERSÃO 2016 - PARTE 2 (29/02), objeto do Projeto de Lei nº 1710/2016.



Nesta semana, enquanto o Brasil continua a fervilhar, no último dia 12 a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou o referido PL.

A emenda apresentada por um vereador para retirar da lista o edifício que fica no bairro do Humaitá, onde funciona a RIOUrbe, foi rejeitada. Vale recordar que este edifício passou a ser propriedade da Prefeitura após permuta com um terreno também PM situado no Centro Metropolitano, Barra da Tijuca.



As ponderações de outro vereador sobre a ausência de técnicos da Secretaria de Fazenda que deveriam ter comparecido àquela Casa de Leis para justificar a venda, conforme combinado, e sobre a falta de debates acerca do interesse público no âmbito do Executivo, entre outros aspectos, e o respectivo pedido de adiamento da votação por duas sessões, não foi atendido “porque o prazo da matéria já está vencido”.

Portanto, a quem interessar mais imóveis da Prefeitura estarão no mercado em breve. 

Falta a sanção do Exmo. Sr. Prefeito.

Abaixo, mapas com os terrenos e construções objeto do PL nº 1710/2016.


Urbe CaRioca




quarta-feira, 13 de abril de 2016

O “NÃO-LEGADO” DO ESTÁDIO DE REMO DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS


As polêmicas que envolvem o Estádio de Remo da Lagoa já duram algumas décadas. A mais recente surgiu após a divulgação de um projeto para construir arquibancadas flutuantes sobre o espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas – Bem Cultural Tombado - diante de necessidade alegada devido às competições durante a realização dos Jogos Olímpicos. A proposta foi descartada, ao que consta, por falta de recursos.

Agradecemos a Alessandro Zelesco - ex-presidente da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro – FRERJ (2007-2009) - pelo envio do artigo e das respectivas ilustrações, que relatam a história do Estádio de Remo e das modificações na destinação principal daquele equipamento esportivo ao longo do tempo.

Neste link pode ser conhecido o Projeto de Revitalização do Estádio de Remo da Lagoa elaborado pela FRERJ como contribuição ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 2009. Aqui estão links para outros artigos deste blog sobre a estrutura dita provisória construída sobre a segunda arquibancada há cerca de três anos, e que continua lá.

Boa leitura.


Urbe CaRioca

No dia 22 de março passado, “Dia Mundial da Água”, o Movimento SOS_EstadiodeRemo participou do Debate Público promovido pelo vereador Renato Cinco sobre a ausência do prometido legado ambiental dos Jogos Olímpicos de 2016.

No caso do Estádio de Remo da Lagoa, o legado - ou “não-legado” - ambiental, esportivo e arquitetônico-paisagístico se confundem. Há uma necessidade premente de resgatar todos estes aspectos para que efetivamente haja ali um legado de valor. Trata-se de um equipamento esportivo público que desde sua inauguração vem sofrendo sucessivos ataques de quem mais deveria cuida-lo: o próprio poder público. O processo culminou com sua privatização em 1997 e consequente descaracterização arquitetônica, um verdadeiro crime de lesa-patrimônio.

O melhor legado para o Estádio seria a correção dos sucessivos erros históricos cometidos pelos gestores públicos. Por incrível que possa parecer, o futuro do Estádio de Remo está no resgate de seu passado.  

O equipamento foi projetado como um Centro Náutico, para uso diário em prol do desenvolvimento do remo e não apenas esporádico, ou mensal, para assistência de regatas - arquibancada. Durante sua construção, foi promulgada a Lei 905/1957, ainda em vigor, que destina o Estádio para uso da Federação de Remo. Portanto, é uma área pública afetada ao esporte, e nunca poderia ter sido privatizada para outros fins.

O projeto original do Estádio, de 1954, previa 14 boxes ou garagens de remo, que nunca foram construídas na sua totalidade. Após 20 anos sem garagem alguma, em 1974 foram construídas as oito garagens existentes, que há muito se mostram insuficientes para comportar a expansão do remo no local.

Esse projeto, de excelência arquitetônica, era composto de uma arquibancada alta, vazada e correta quanto à inserção na paisagem, por permitir a vista da Lagoa (Fig. 1, acima). A outra arquibancada, mais baixa, foi projetada para abrigar garagens de remo. O conjunto estava sendo erguido sobre uma pequena península, o que permitia uma vista constante do espelho d’água por quem transitasse no seu entorno (Fig. 2). A arquibancada era voltada para a raia de remo e as garagens de barcos no seu interior eram voltadas para as águas da pequena enseada atrás do estádio. A maquete do projeto original ilustra bem a situação (Fig. 3).




O projeto, no entanto, sofreu severa mutilação na gestão do então governador Carlos Lacerda no inicio dos anos 1960. Devido a um desentendimento sobre as obras na adutora do Guandu com o engenheiro Antonio Arlindo Laviola - então Secretário de Viação e Obras e um dos idealizadores do Estádio de Remo -, Lacerda mandou aterrar o espelho d’água que ficava atrás da arquibancada baixa. Foi uma atitude mesquinha, de vingança pessoal, pois ele sabia que Laviola era um homem do remo, antigo desportista e que nutria especial carinho pela construção do estádio. Esta mutilação do projeto foi um duro golpe no desenvolvimento do esporte, pois as garagens foram projetadas levando-se em conta os clubes de regatas ainda sediados na Baía de Guanabara, que esperavam ansiosamente pelo térmico das obras para ocupa-las (Fig. 4).




O aterro que mutilou o projeto depois foi utilizado como um drive-in (Fig. 5) e academia de ginástica e hoje representa a parte mais feia da Lagoa, pois se perdeu a vista do espelho d’água por um longo trecho. Este fato não passou despercebido pelo arquiteto Ítalo Campofiorito, conselheiro do IPHAN, que na justificativa do tombamento da Lagoa, assim descrevia o trecho:

“Desde logo, basta dar a volta na Lagoa para descobrir que a proteção do espelho d’água não impediu construções, demolições e novas construções nas margens, sobretudo e, por exemplo, onde antigo Drive-in e a tradicional arquibancada para assistir a regatas foram completamente modificados por uma série de acréscimos e edículas destinadas a restaurantes, clubes e dancings de exclusivo fim lucrativo. O conjunto é heterogêneo, desarrumado urbanisticamente, precário e feio, rompendo, por longo trecho, qualquer visão do “espelho d’água”. Ou seja, o Estado do Rio (proprietário em geral de toda a área em pauta) e a Municipalidade não encontraram na proteção vigente, nada que evitasse ferir a integridade geográfica, paisagística e ambiental do bem tombado”.

Durante a década de 80 e inicio dos anos 90 do século passado, o Estádio de Remo da Lagoa voltou a ter um uso, não apenas para assistência de regatas, mas como um centro multidisciplinar de iniciação desportiva. A SUDERJ desenvolvia no local o PID – Programa de Iniciação Desportiva, com mais de 2.500 crianças e adolescentes frequentando diariamente uma área que sempre foi pública e aberta a todos. Sem explicação alguma, porém, o programa foi cancelado. O Estádio passou anos abandonado, sem manutenção. Chegou a ser chamado de “elefante branco” na imprensa (Fig. 6). Em 1997, apesar da vigência da Lei 905 que disciplinava o uso do estádio, o então governador Marcelo Alencar resolveu efetuar uma estranha “permissão de uso”, sem licitação, para uma desconhecida empresa chamada Glen, cujo sócio minoritário era ligado à família Marinho e a participação majoritária estava nas mãos de outra empresa chamada Pliwel Sociedad Inversora, sediada no Uruguai. 



Hoje, depois de passados quase 20 anos, ao lembrarmos que a permissão de uso era a título precário, ouvimos “justificativas” oficiais de que o entendimento jurídico do que seja precário mudou. No Estádio de Remo, em prejuízo para o esporte, o precário se eterniza.

Em 2002, coerente com o decreto de tombamento da Lagoa nº 9396/1990, a 6ª Superintendência Regional do IPHAN, mais uma vez, não aprovava o projeto da Glen para implantação de um complexo de cinemas, lojas e restaurantes: outros projetos megalomaníacos haviam sido negados antes. Desta vez, porém, os dirigentes da Glen não se dão por vencidos. Levando a tiracolo o antigo Secretário Municipal de Urbanismo, que era do mesmo grupo político do Ministro da Cultura Gilberto Gil, vão à Brasília e conseguem uma nefasta interferência no IPHAN, que emite então novo parecer favorável aos seus interesses e enfiado “goela abaixo” na Regional do órgão no Rio de Janeiro. Com a força do poder midiático por trás do empreendimento, qualquer obstáculo é simplesmente espanado da frente.

O parecer da 6ª Superintendência Regional do IPHAN reforçava o entendimento do decreto de tombamento de que somente instalações de apoio e atividades de lazer e recreação seriam permitidas no entorno da Lagoa. Mais ainda, defendia que:

“A vocação definida para o bem tombado em questão é o lazer contemplativo e o lazer recreativo e esportivo ao ar livre”.

E assim concluía:

“Com base no que acabamos de discorrer, nosso parecer é contrário à aprovação do projeto, que consideramos não se coadunar com o ambiente do BEM tombado, explicitando:
·         A arquibancada do estádio de remo atende ao lazer contemplativo e é o suporte essencial da atividade esportiva clássica, com reconhecimento olímpico, que é o remo, esporte que está histórica e culturalmente associado à paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas.
·         As salas de cinemas propostas para a área em nada atendem à vocação natural e característica da orla da Lagoa na cidade. Resultam num programa complexo que gerará crescente demanda por estacionamento e trânsito ainda mais intenso no local. Caso esta proposta de uso fosse consolidada, poderia ainda atrair uma nova série de usos, em nada associada à vocação e às características do BEM, e que em muito prejudicaria a qualidade do ambiente urbano na área e consequentemente a fruição da Lagoa, além da relação do vazio por ela representado com o cheio da cidade à sua volta. (...)
Finalmente, (...) parece-nos adequado que o complexo do Estádio de Remo da Lagoa venha a abrigar um centro de referência do esporte olímpico, remo, e neste caso seria admissível o uso da área sob a arquibancada (bloco 2) por clubes ligados ao REMO, desde que sem alteração do perfil atual do terreno. (...)”

As belíssimas palavras da Dra. Thays Zugliani, na qualidade de Superintendente Regional da 6ª SR/IPHAN no Rio de Janeiro, foram simplesmente jogadas no lixo, numa clara demonstração de como age o poder público quando mancomunado com interesses privados em oposição ao interesse público.

Mas os crimes contra o patrimônio público não pararam por aí. Uns dois anos antes dos Jogos Pan-americanos de 2007, o governo do estado assina um 3º aditivo ao contrato de “permissão de uso” onde se compromete a adequar o Estádio para o evento. Surge então uma estranha estória acerca da arquibancada baixa (bloco 2), originalmente projetada para receber garagens de remo: sob a alegação de que a mesma não atendia aos “requisitos da ODEPA – Organização Desportiva Panamericana” encomendam um “relatório técnico” fajuto para condenar a arquibancada existente e justificar sua demolição para construir outra no mesmo lugar com altura elevada em 1,5 metros. A encenação chegou a ser denunciada ao Ministério Público por Zezé Barros, filho do arquiteto que projetou originalmente o estádio. No dia previsto para a implosão do prédio, um oficial de justiça comparece ao local com uma liminar em mãos para suspender a demolição, mas é solenemente ignorado pelo procurador-geral do estado que, por telefone, ordena prosseguir com a implosão (Fig. 7). Mais uma vez fica patente a mesquinha cumplicidade do poder público em satisfazer interesses privados em detrimento do interesse publico. O “circo de horrores”, porém, continuava...



Com a abertura do estádio para as competições do Pan, ficou claro o motivo da destruição “na marra” da arquibancada original. A nova arquibancada não foi apenas elevada em um metro e meio em relação à antiga, mas possuía agora uma volumetria adequada para abrigar seis salas de cinema no seu interior e uma espaçosa área de eventos na cobertura que subtraía 2/3 da capacidade de assentos para assistir as regatas (Fig. 8). Foi um tremendo “favorecimento” do governo estadual com dinheiro público em benefício de um empreendimento privado. Ou seria melhor chamar isso de corrupção?



Em 2009, quando anunciaram que o Rio seria a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a comunidade do remo se encheu de esperança por entender que o Estádio de Remo retornaria enfim a ter um uso esportivo. A Federação de Remo começa então a divulgar, como contribuição ao poder público, seu projeto de revitalização do Estádio de Remo tendo em vista a preparação e legado dos Jogos Olímpicos de 2016. Mas todos estavam enganados...

Em 2011 o Comitê Rio 2016 divulga o documento Lagoa Rowing Stadium – Sports Client Brief com excelentes proposições para um legado marcante para o remo, reproduzindo inclusive recomendações da Federação Internacional de Remo para que os clubes locais fossem consultados para determinar o tamanho e a quantidade das novas garagens de barcos no local das competições. O documento do Comitê abarcava também aspectos ambientais, com restauração do ambiente natural no entorno, inclusive com a remoção de aterros. Tudo isso contribuiu para que a comunidade do remo se preparasse para discutir o planejamento do "legado que queremos", com novas garagens não apenas para o remo olímpico mas também para o remo popular e comunitário não ligado aos clubes.

No tocante à recuperação ambiental havia o precedente do legado dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver - 2010, onde áreas degradadas à beira d'água foram restauradas para o lazer da população e que, por isso, permanecem como uma lembrança viva dos Jogos na cidade. O projeto de restauração do waterfront de Vancouver foi um marco para a cidade (Fig. 9). O mesmo poderia ser feito na Lagoa Rodrigo de Freitas, em seu trecho mais feio, quando a ciclovia deixa de margear o espelho d'água, no aterro da antiga Estação do Corpo. Seria um excelente presente dos Jogos para a cidade do Rio de Janeiro. A restauração ambiental permitiria que o acesso às novas garagens fosse feito conforme originalmente projetado, numa área de península, com águas pouco profundas (70 cm), mas suficientes para a operação de diversas modalidades náuticas movidas pela força humana (Fig. 10). Ajudaria também a requalificar a área, eliminando o risco de operações de helicópteros na vizinhança de parques públicos.


O teor do documento do Comitê Rio 2016 era animador. Dizia que o resultado das intervenções e obras de adequação do Estádio de Remo para a Olimpíada visará:

1)         Transformar o Estádio de Remo da Lagoa em um complexo esportivo estado-da-arte para o treinamento desportivo e para a pesquisa de remo do Brasil. Ele também deverá tornar-se o principal local de aprendizagem, com instalações para a educação, a formação de gestores e treinadores desportivos, a pesquisa científica aplicada e a identificação de talentos.
2)         Deixar instalações desportivas legadas projetadas como instalações de treinamento estado-da-arte para os atletas do Brasil e de outros países da América do Sul.
3)         Tornar o Estádio de Remo da Lagoa um verdadeiro ícone brasileiro para remo competitivo e para uso comunitário, mostrando o Rio através de sua arquitetura e sendo uma ferramenta de transformação para a juventude.

Contradizendo os objetivos acima elencados nas primeiras páginas do documento, também aparecia ao longo do texto a manutenção do “uso misto” do estádio após a Olimpíada. 

Ora, em consequência deste funesto “uso misto” implantado no Estádio de Remo da Lagoa, é fácil verificar “in loco” que não há espaço disponível para o desenvolvimento do remo. 

Se ‘dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço’, cabe perguntar como pretendia o Rio 2016 implantar os três objetivos acima enunciados, mantendo a atual ocupação ilegítima do Estádio escondida atrás do termo “uso misto”. A resposta não tardou a aparecer e o sonho de um legado ambiental e esportivo deixado na Lagoa como um presente para a população carioca, simplesmente desapareceu.

No dia 18 de novembro de 2014, em reunião com representantes do governo do Estado no Palácio Guanabara, a comunidade do remo carioca tomou conhecimento, estarrecida, que este documento do Rio-2016 simplesmente "não é para ser levado a sério"... Até por não ter sido escrito originalmente em nossa língua, mas diretamente na língua inglesa, entende-se agora que é um típico documento "para inglês ver".

Este fato é grave.

O documento emitido pelo Rio 2016 é a primeira obrigação a ser cumprida por qualquer comitê organizador de Jogos Olímpicos. E sua elaboração, detalhando as intervenções na Lagoa durante e depois dos Jogos, realmente constava no cronograma de outubro de 2011, mas, sabemos agora, só "para inglês ver". Como pode um comitê organizador jogar por terra, tão irresponsavelmente, a imagem de seu próprio País?

O Remo brasileiro precisa para o seu desenvolvimento que os objetivos de transformação estabelecidos pelo Rio-2016 para o Estádio de Remo sejam efetivamente cumpridos e que os cinemas sejam transferidos para outro local. O Remo precisa da água. Cinemas não precisam.

Mas, o governo do Estado do Rio de Janeiro, dono da área, não pensa assim. Mesmo com uma Olimpíada chegando acha conveniente não abalar os negócios gerados por uma empresa privada que ocupa ilegalmente o Estádio de Remo e que não deixará legado algum para a população carioca.


                                                                          Movimento SOS_EstadiodeRemo