sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O TÁXI, O MOTORISTA, A MALA, E O FINAL FELIZ – PARTE 2


CrôniCaRioca

“Há 40 minutos esqueci uma mala de mão vermelha no chão de um táxi, na frente do banco do carona. Ele me trouxe do Hospital (X) até bairro (X). O táxi não é de cooperativa, é modelo SPIN, motorista é um homem jovem, talvez 45 anos, cabeça raspada, e, no papo, me disse que mora em São Cristóvão. Há documentos importantes dos quais preciso. Agradeço por toda ajuda.”



Internet



PARTE 2 – PERDIDOS E ACHADOS DE VÁRIAS NATUREZAS



Com a ajuda da ala jovem da família, fomos às redes sociais via perfil, isto é, a página pessoal desta blogueira urbano-carioca, com a mensagem que abre esta crônica, divulgada também em grupos ligados ao assunto!

Em menos de uma hora o pedido já se espalhara. Amigos, Comunidades, Grupos de Bairros, Perdi/Achei, Moro em São Cristóvão, páginas de taxistas, rádios... A mobilização e o número de compartilhamentos surpreenderam, pelo que sou imensamente agradecida.

“_Você não viu a placa do táxi? Gosto de anotar!”; “­No painel tem sempre uma identificação”; “Mesmo sem ser de cooperativa eles trabalham com aplicativo, devia ter um adesivo  Há 40 minutos esqueci uma mala de mão vermelha no chão de um táxi, na frente do banco do carona. Ele me trouxe do Hospital Samaritano até o Leblon (peguei o táxi na Rua Assunção).
O táxi não é de cooperativa modelo SPIN, motorista é um homem jovem talvez 45 anos, cabeça raspada, e, no papo, me disse que mora em São Cristóvão.
Há documentos importantes dos quais preciso.
Agradeço toda a ajuda.
no vidro”; “Tentou as câmeras de segurança da rua?”; “Se nada acontecer é melhor fazer um B.O.”; “A mala tinha identificação?”; “Tomara que ele seja uma pessoa do bem!”; “A mala logo vai aparecer!”; “Tenha fé!”.

Não, eu não notara nem anotara nada. A malinha, pelo que me lembrava, estava sem identificação. O setor de Segurança do hospital poderia ajudar, igualmente, só no dia seguinte.

Em uma comunidade de taxistas um deles escreveu: “Aparece aí, colega! Olha a reputação da classe!”.

Algumas horas depois, diminuído o ‘stress’, percebi que havia dado trabalho demais a muitas pessoas. Afinal, eram documentos dos quais eu conseguiria uma segunda via, roupas e remédios que poderia repor. Sim, o equipamento eletrônico faria falta, mas, ora, era apenas um eletrônico, um dia compraria outro.

Desde o início a preocupação era com a segurança, neste Rio de Janeiro que tem tanta gente boa, mas, infelizmente muitas nem tão boas assim. É o Rio onde não se pode andar na rua com cordõezinhos de ouro, relógio de melhor qualidade, onde quem anda de carro mantém as janelas fechadas por medo de assalto, onde os pedestres caminham atentos, edifícios e casas têm grades e câmeras de segurança, e ruas instalam cancelas! Um Rio de fuzis e balas perdidas, um Rio real, triste e perigoso que não se pode ignorar!

Era isso! Os bens materiais estavam em segundo plano! Rezei para que o motorista fosse “do bem”. Até meia-noite não aparecera.

...

No dia seguinte, saindo de casa para comprar os remédios, o telefone fixo tocou e voltei de má-vontade, certa de que era mais uma das insuportáveis propagandas que incomodam tantas vezes ao dia.

“_Alô.”
“_Bom dia. D. Andréa?”
“_Sim, bom dia.”
“_Aqui é o Wellington, o motorista que deixou a senhora em casa ontem.”

Quase caí sentada!

“_Que bom ouvir o senhor, senhor Wellington!”
“_A senhora me desculpe, depois que saí peguei uma corrida para o Centro, outra para o Grajaú e só vi a sua mala quando estava saindo de lá. Cheguei em casa tarde e, como ouvi a senhora conversando no telefone dizendo que estava muito cansada, não quis telefonar para não acordar ninguém, pois a senhora devia estar dormindo”.
“_ Muito obrigada, fico até emocionada... Como o Sr. encontrou o meu telefone?”
“_Achei uma etiqueta na mala com seu nome e telefone.”

Então havia uma identificação e eu nem me lembrava!

O Sr. Wellington era mesmo “do bem”. Trouxe a mala, batemos um papo, agradeci muito, paguei a corrida e acrescentei uma gratificação ‘para que ele comprasse uma lembrancinha para o filho’ que, então, soube que tinha.

Penso que não foi apenas a etiqueta. A rede social por certo contribuiu através de amigos de amigos de amigos de taxistas, das comunidades de taxistas e de São Cristóvão, dos grupos de bairros, mas, sobretudo, o que comandou o desfecho feliz foi a correção desse motorista de táxi que – não se preocupe o colega – não mancharia a imagem da classe!

O correto motorista que se identificou dirige com cuidado um SPIN amarelo, ouve a Rádio JB FM, e roda pelo Rio de Janeiro atendendo passageiros e turistas.

Quem disse que nossa urbe carioca não tem histórias com final feliz para contar?

Bons passeios!

Andréa Redondo



terça-feira, 25 de outubro de 2016

O TÁXI, O MOTORISTA, A MALA, E O FINAL FELIZ - PARTE 1


CrôniCaRioca

Proposta de novo "bigorrilho" apresentada à Prefeitura, felizmente não aprovada.


PARTE 1 - O SUSTO

Atabalhoada, chamei o táxi. Sacolas, bolsas, e a malinha vermelha que me acompanhava há dias. Preocupações e cansaço em excesso impediam raciocinar bem.  Havia pontos de táxis por perto. Exausta, preferi buscar na rua ao lado, início de um trajeto mais curto.

Foi o primeiro que surgiu. Hesitei quando notei que não havia identificação na lateral traseira do amarelinho, coisa que só se sabe depois de chamar o táxi. Gentil, o motorista me ofereceu colocar a mala pesada à frente do banco do carona, no chão do carro. Aceitei, entrei, escolhi o caminho.

Em geral converso pouco com alguns motoristas, mais um pouco com os que gostam de trocar ideias, se coincidir que ambos – ele e eu – estejamos dispostos. Gosto de perguntar onde esses bravos trabalhadores moram e de conhecer o esforço dos que "rodam" pela Zona Sul do Rio de Janeiro, enfrentando trânsito infernal todos os dias. 

Na maioria das vezes vêm de longe: Zona Oeste, Baixada Fluminense, e até São Gonçalo. Nesse dia ambos éramos silenciosos. Nem o seu nome perguntei.

Saí dos devaneios. Notei que a música me agradava. Ele ouvia a Rádio JB FM. Arrisquei.

_"Gosto muito dessa rádio, teve uma época em que acabou, o Sr. sabia?"
_"Trabalho há vinte e cinco anos na 'praça' e sempre ouvi".

Novo silêncio, arrisco de novo.

_"Onde o Sr. mora?".
_"São Cristóvão".
_"Que bom, é perto... bem, perto para quem 'roda' pelo Centro e pela Zona Sul...".
_"A Sra. sabe, saio de casa às 5.00h e trabalho até às 21.00h".
_"É tempo demais".

...

_"Seu carro é espaçoso, que modelo é?".
_"Spin, da Chevrolet".

...

Fim de corrida junto com telefonemas da família, pagamento, troco, sacolas, bolsas...

_"Obrigada. O Sr. devia trabalhar um pouco menos... Boa noite".
_"É... Mas a vida está difícil... Boa noite".
_"Verdade, pra todo mundo".

Dois minutos depois de entrar em casa, o susto: "Minha mala ficou no táxi!". Documentos, remédios, papelada, coisas úteis só para mim. O que fazer? Era um táxi sem nome, de motorista autônomo do qual eu não sabia o nome. Vídeos das câmeras de segurança para procurar a placa do carro só poderiam ser vistos no dia seguinte. Se desse uma olhada nos papéis o motorista saberia que eram de alguém que estava hospitalizado e em que hospital.

Levaria a malinha até lá?

domingo, 23 de outubro de 2016

CINEMA LEBLON – COMEÇAM AS OBRAS


Internet

Estava nos planos deste blog pedir ao futuro prefeito da Cidade do Rio de Janeiro que revertesse alguns atos administrativos do prefeito atual, que se despedirá da cadeira de Chefe do Executivo no dia 01/01/2017.

Na lista em elaboração, estava o apelo para que o novo mandante tombasse novamente o Cinema Leblon, tombado em 2001 junto com a criação da Área de Proteção do Patrimônio Cultural – APAC Leblon, e destombado em 03/09/2014 pela administração que terminará em breve, após UM "BRAINSTORM" NO ESCURO e desconsiderando o parecer do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, que manifestou-se contrariamente ao destombamento e à demolição: mais uma das inúmeras benesses para o mercado imobiliário que caracterizaram os últimos oito anos na urbe carioca.

Não deu tempo.

Provavelmente para se precaver contra qualquer alteração que a futura administração fizesse, os interessados deram início a algumas obras.

Por enquanto retiraram o letreiro característico e instalaram tapumes cercando o prédio, que já se tornara abrigo para moradores de rua.

Será que a demolição vai começar?

Urbe CaRioca


NOTA: As diversas publicações e artigos sobre o assunto têm o marcador ‘Cinema Leblon’, entre outros.

Foto: Urbe CaRioca, out. 2016

Foto: Urbe CaRioca, out. 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

PREPARANDO A HORTA NA LAPA – FOTOS DE MARCONI ANDRADE E RAUL F. DE SOUSA


Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016


A postagem de 13/10/2016 - UMA HORTA NA LAPA? A MINHA OPINIÃO, de Claudio Prado de Mello -, fruto dos debates ocorridos nos últimos dias no grupo S.O.S.Patrimônio, teve grande repercussão.


Anteriormente, no dia 11, Marconi Andrade já fotografara a preparação do terreno, imagens que hoje deixamos disponíveis para os caros leitores.


A futura horta plantada em um dos corações do Centro da Cidade do Rio de Janeiro – sim, tão ricas são a nossa história e memória urbanas que podemos afirmar: o Rio de Janeiro tem muitos corações – ganhara as páginas da grande imprensa (exemplo: Jornal O Globo, 09/10 – várias notícias), onde era tratada também como jardim.


Horta, jardim, ou pomar, o fato é que o que pretende ser um projeto educacional e incentivador da agricultura doméstica por certo seria adequado em pequenas praças de bairros predominantemente residenciais, de modo a que os canteiros fossem abraçados e cuidados por moradores vizinhos comprometidos com a ideia, visitados por crianças.


Quanto à Horta na Lapa, há quem condene, há quem defenda. Para além da questão levantada no post anterior, com foco na Arqueologia, muito haveria o que debater antes de escolher este tipo de moldura para um dos ícones da cidade que brilha por sua singeleza imponente: os Arcos da Lapa.


E você, caro leitor, o que pensa?

 

Urbe CaRioca


 
Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016


Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016

Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016

Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016



Preparando a horta na Lapa. Foto: Marconi Andrade, 11/10/2016

Preparando a horta na Lapa, o ritual. Foto: Raul Félix de Sousa, 14/10/2016


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

UMA HORTA NA LAPA? A MINHA OPINIÃO, de Claudio Prado de Mello



Nos últimos dias, os integrantes do Grupo SOS PATRIMÔNIO têm divergido calorosamente sobre um assunto bastante polêmico. O tema foi a notícia nos jornais da cidade, de que máquinas escavadeiras estavam trabalhando na área da LAPA, e que a intenção era se fazer uma HORTA no meio daquela região, que foi urbanizada em 2012 e tornou-se uma grande Ágora urbana, local de concentração de pessoas, festas, baladas, concertos de música clássica e de encenações religiosas.


Cabe lembrar que uma URBE é o somatório de pessoas, de experiências de vida e que uma Cidade e seus espaços públicos não poderiam ou não deveriam ser alterados sem que, tanto a sua comunidade fosse ouvida, bem como estudos fossem feitos preventivamente de forma que esses impactos não repercutissem tanto na forma como no contexto ambiental de tal lugar.

Vejamos então alguns pontos:




1) A LAPA, como local nobre e privilegiado que é, conta hoje com uma grande área aberta onde shows já são realizados, e pode continuar a ter essa utilização com bons resultados - desde que fornecidos banheiros químicos. Tendo o majestoso Aqueduto ao fundo constitui uma paisagem consolidada no imaginário das pessoas; qualquer jardim, pomar, floresta ou horta constituirá uma alteração significativa na paisagem do local, cabendo lembrar que tal uso não consta no Projeto que fora encaminhado para a UNESCO, e que tramita para reconhecimento do Rio como Patrimônio da Humanidade como Paisagem.




2) Do ponto de vista da Arqueologia, há que se considerar que a LAPA, como resultado de aterros, remanejamento de entulhos de várias áreas do seu entorno, é hoje grande jazida arqueológica na qual a possibilidade de se encontrar material derivado do desmonte dos morros das Mangueiras bem como do de Santo Antônio irá trazer remanescentes do Rio Colonial; qualquer escavação na região deveria ser feita com critério e antecedência de estudos para que, no caso de constatado um sítio arqueológico, se procedesse no resgate decente desses vestígios. Fora isso, por mais que qualquer Organização Não Governamental-ONG, precisando dar visibilidade ao seu trabalho, queira demonstrar as vantagens da Agricultura Urbana, Agricultura Familiar, ou outra qualquer proposta ligada à Sustentabilidade e demais tendências atuais, há que se ter bom-senso, coerência e planejamento para que não se alterem os espaços públicos com intervenções que, claramente, darão errado.


TODOS sabemos que a Lapa é local de residência de população de rua e de dependentes de crack, e que segurança não é o forte da região. Fora isso o nível de poluentes como dióxido de carbono derivados dos milhões de veículos que transitam no seu entorno não permitirão que essas alfaces ou couves tenham qualidade para consumo e a considerar que muita coisa esta em jogo.

Caberia maior reflexão por parte da Municipalidade antes de implementar um projeto frágil como este.



Quanto à potencialidade arqueológica mostramos algumas fotos das escavações da Leopoldina que, apesar de estar em uma área que foi durante centenas de anos revirada e impactada por obras, quando a equipe de Arqueologia chegou para fazer pesquisas encontrou uma jazida surpreendente que gerou a descoberta de mais de 220 mil itens!

Surgiram ainda fundações dos prédios que um dia existiram no local como o do Matadouro Imperial, o Aqueduto de D João VI, os remanescentes da Chácara do Curtume e as Fundações da antiga Estação Alfredo Maia, verdadeiras preciosidades históricas.




Portanto, fica a humilde recomendação para que se tenha critério e cuidado neste momento, pois, mais do que visibilidade para um projeto que pode ser realizado em vários outros lugares, há que ter prioritariamente responsabilidade com a Urbe, seu Patrimônio conhecido e aquele não conhecido na sub-superfície.

Horta por horta...

Faça-se em algum local mais adequado!

Que não alterem uma paisagem e nem o que potencialmente importante pode estar abaixo do que se vê.


Claudio Prado de Mello

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO DA CIDADE DO RIO: PALACETE SÃO CORNÉLIO, de Sonia Rabello

E o relato de Claudio Prado de Mello




O Palacete São Cornélio, que fica na Rua do Catete nº 6, é bem tombado federal. Pertence à Santa Casa de Misericórdia. Está abandonado há anos.

Em abril passado os dois posts deste blog - A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO de Claudio Prado de Mello e ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM tombado que caminha para a ruína - tiveram grande repercussão. Na ocasião, a AMA-Glória conseguiu instalar uma cobertura de lona para que o telhado não desabasse em função das chuvas. No entanto, a situação precária do imóvel continua como nos mostram as imagens de Claudio Prado de Mello, anexadas ao relato ora transcrito, divulgado ontem em rede social:




No dia 29 de Setembro de 2016, o MPF determinou que a Santa Casa da Misericórdia providenciasse obras emergenciais de reparação em relação ao estado catastrófico que se encontra o prédio do Palacete São Cornélio, na Glória, RJ.
Nossa equipe esteve no Palacete meses atrás e teve a oportunidade de fotografar algumas partes do interior do prédio em que ainda se podia entrar. Todo o resto estava tão comprometido que o risco de colapso das paredes e dos forros, bem como afundamento dos pisos era imenso e, portanto, não temos fotos da parte PIOR.
A LUTA pela preservação do Palacete tem sido uma constante entre os Preservacionistas do Rio de Janeiro e em especial pela AMA GLÓRIA.
Em 2016 o IPHARJ e a TRUPE DO PATRIMÔNIO, com o apoio do Grupo SOS PATRIMÔNIO e da AMA GLORIA realizaram em frente ao Palacete um Ato Público (incluindo um Abaixo Assinado e uma Esquete Teatral evocando a Rainha D. Maria I, Xica da Silva e a Rainha Vitória) no qual a Sociedade Civil clamava em alto e bom som a relevância e a importância dele para o patrimônio da Cidade, e que queremos que ele seja preservado.
Esta semana então, o MPF, com a determinação do Procurador Dr. Sergio Suiama, veio atender uma solicitação de milhares de cidadãos preocupados com o Palacete, e a Santa Casa (que de Santa não tem nada) fica obrigada a dar uma solução no prazo de 40 dias ou responderá aos rigores da Lei.
Oxalá, consigamos que a recuperação seja efetiva e possamos ter no local um antigo projeto de um espaço cultural nos mesmos moldes da Vila Aymoré e que inclusive tem o interesse do empresário responsável pela restauração impecável da Vila - que inclusive tem disponibilidade de adquirir o Palacete e fazer as obras esperadas;
Parabéns a todos que lutaram incansavelmente nesta Cruzada em nome do palacete e em especial o Restaurador e Conselheiro do CMC Marconi Andrade que durante anos defendeu o Palacete com toda a sua energia e atitude.

Claudio Prado de Mello


A advogada e presidente da FAM-Rio, Sonia Rabello, também escreveu a respeito de ação penal ajuizada pelo Ministério Público Federal, conforme publicação no site A Sociedade em busca do seu Direito (29/09/2016), texto esclarecedor que reproduzimos a seguir.

O Palacete São Cornélio continua a pedir socorro!

Urbe CaRioca






Crime contra o patrimônio da Cidade do Rio: Palacete São Cornélio


Sonia Rabello

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação penal em face da Santa Casa de Misericórdia e do senhor Francisco Luiz Cavalvanti Horta por conta de crime ambiental praticado contra o bem tombado – o Palacete São Cornélio, que fica no Rio de Janeiro, no bairro do Catete. 
Desde 2011, o Ministério Público, por pedido das associações de moradores, já havia ajuizado ação civil pública, inclusive contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por conta do estado deplorável deste bem tombado a nível nacional e que está em ruínas há 20 anos, conforme laudos juntados nesta ação. Já houve sentença condenatória de 1ª instância.

  

sábado, 1 de outubro de 2016

FLUMINENSE TAMBÉM QUER CONSTRUIR ESTÁDIO: NA BARRA DA TIJUCA - JACAREPAGUÁ


... haverá necessidade de o Rio de Janeiro ter mais um estádio de futebol? 
Google Maps, captura em 30/09/2016


Conforme notícia publicada no Globo Esporte há três dias, o presidente do Clube anunciou que “o Fluminense chegou a um acordo por um terreno, ao lado do Centro de Treinamento, na Barra da Tijuca, para a construção do futuro estádio” (Note-se que o CT fica em área do Centro Metropolitano, em Jacarepaguá, próximo ao limite com a Barra da Tijuca).



“O primeiro passo foi dado. Não adianta ficar eufórico e pensar que agora temos um estádio. Temos de trabalhar muito para chegar lá. Para quem trabalhou muito para ter o CT, com o nível e com a localização, acho que dá para confiar. O memorando significa o seguinte: o Fluminense tem uma obrigação, que precisa da parceria da prefeitura. Trabalhando junto, se muda a regra construtiva da localização e se constrói. Temos um contrato que nos dá tempo para isso, são 18 meses renováveis. A nossa ideia é começar o trabalho amanhã, ou assim que acabar a eleição municipal. Terminado isso, começa no dia seguinte para ter as mudanças necessárias...”.


O que interessa ao blog – do mesmo modo que no caso da Arena/Estádio do Clube Flamengo – é conhecer os aspectos urbanísticos envolvidos, os eventuais impactos sobre a paisagem urbana e ambientais, e incentivar discussões a respeito, se for o caso.
De imediato chama a atenção a frase destacada acima:  Trabalhando junto, se muda a regra construtiva da localização e se constrói.

Ou seja, de antemão já se afirma que a norma urbanística vigente não permite a construção de um estádio do local escolhido!

Em segundo lugar, o trecho da reportagem - “-Lógico que tem de dar contrapartida. Tem de desenvolver projeto com a área pública para poder mudar a regra de construção. Acho que é bom para todos. A região que tem comunidades, tem canais assoreados... A construção do estádio passa pela melhoria da qualidade do entorno, dos canais. É um trabalho extenso e difícil. Envolve as pessoas. A região clama. Ela está na fronteira entre o novo que cresce e as comunidades.” (grifos nossos) – faz indagar como um estádio de futebol resolverá tantas carências, aspecto fundamental a ser esclarecido para que se conheça o custo-benefício de implantar um equipamento de grande porte ao lado do Centro de Treinamento, na Barra da Tijuca, em terreno com 60.000m², ou se a Prefeitura tem condições de resolver aquelas carências no escopo dos programas de governo.

O terreno do Centro de Treinamento – CT, inaugurado em 22/07/2016 ainda incompleto, foi doado pela Prefeitura. Em buscas na internet verificamos que em 2015 a Prefeitura também cedeu terrenos para CTs dos clubes de futebol Vasco e Botafogo, em Vargem Grande. Já o Clube Flamengo, entretanto, adquiriu o terreno do seu CT em 1984, o chamado Ninho do Urubu.

Nesse aspecto, uma curiosidade: se a Prefeitura tem colocado tantos imóveis Próprios Municipais e áreas públicas à venda, seja pela necessidade de fazer caixa ou simplesmente para se desfazer de imóveis que, em tese, são fonte de despesas, porque doar ou ceder tantos terrenos ao invés de também transformá-los em recursos públicos? 

Talvez haja dinheiro sobrando... 







Voltando ao estádio para até 42 mil pessoas que o Fluminense pretende construir, cabe lembrar que o Estádio Olímpico João Havelange - o Engenhão, no bairro do Méier, – foi construído com capacidade para 45 mil pessoas e previsão de ampliação para 60 mil espectadores, ampliação essa que foi feita para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Temos, portanto, um bom parâmetro para comparação, tanto sobre os reflexos na vizinhança desse tipo de equipamento, quanto sobre eventuais dificuldades de manutenção, considerando o recente histórico do Engenhão e do Maracanã.

Por outro lado, haverá necessidade de o Rio de Janeiro ter mais um estádio de futebol?

Com a palavra, os estudiosos, urbanistas, Instituto de Arquitetos do Brasil, Universidades, e quem mais se interessar pelo assunto.

Urbe CaRioca