sábado, 28 de janeiro de 2017

NOVA ORLA DO RIO E ZONA PORTUÁRIA – ALÉM DAS GRADES, OBRAS DETERIORADAS, E CONCESSÃO INCERTA

Zona Portuária, gabaritos de altura


A nova orla do Rio – lugar de grande animação durante as Olimpíadas Rio 2016 – parecia ser o verdadeiro legado dos Jogos junto com a demolição da Avenida Perimetral, no escopo do projeto de revitalização da Zona Portuária, o chamado Porto Maravilha.

Embora este blog tenha questionado diversas vezes o modelo urbanístico adotado, as leis complementares que criaram gabaritos de altura com até 50 (cinquenta) andares, as inúmeras renúncias fiscais – benesses que reduzem a arrecadação de recursos públicos sem certezas quanto ao retorno para cidade e população –, a falta de habitação, e a volta das famigeradas quitinetes, o resgate da orla central e a eliminação do viaduto que degradava paisagem e bairros que atravessava foram aspectos positivos que mereceram aplausos.

Nos últimos dias, a região voltou ao noticiário. Infelizmente, com notícias negativas.

Segundo o jornal O Globo (26/01), as grades instaladas pela Marinha do Brasil em dezembro último, objeto de polêmica, continuam no local e ainda não há acordo entre Prefeitura (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro - Cdurp) e aquela Força Nacional. Cabe lembrar que a Marinha retirou apenas parte das grades inicialmente instaladas.

No mesmo dia o periódico mostrou que as obras de urbanização e embelezamento da batizada Orla Conde, já apresentava sinais de deterioração, atribuída, pela reportagem, à falta de manutenção, pelo IAB à falta de drenagem, e, por um taxista, ao peso de caminhões que usam o espaço aos sábados.


O Globo, Cartas dos Leitores, 28/01/2017


Se é possível que o motivo seja o somatório dessas hipóteses, uma coisa é certa: obra de grande porte de alto custo não pode ser feita para durar seis meses. Seja por má qualidade, mau uso, ou ambos, a situação – inadmissível – é descaso com os recursos públicos.

Para mais surpresa, nota na grande mídia de hoje afirma que “A Concessionária Porto Novo, das encrencadas OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia, emite sinais de que devolverá a concessão à prefeitura do Rio. Pelo contrato, deveria cuidar do Porto Maravilha até 2025”.


Coluna Ancelmo Góis, O Globo, 28/01/2017

Se o primeiro assunto parece apenas pressão da Marinha para que a Prefeitura cumpra os compromissos assumidos em contrapartida à liberação dos terrenos, os dois últimos são complexos e merecem atenção do jornalismo investigativo, e da nova administração municipal.

Se as obras são de má qualidade, há responsáveis por isso, na especificação de materiais, execução e aceitação. Quanto à Região Portuária, houve financiamentos públicos às empresas detêm a concessão? Quanto às renúncias fiscais, haverá cláusulas contratuais prevendo devolução aos cofres públicos em caso de rompimento?

Com a palavra... quem tiver respostas.

Urbe CaRioca


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O MÊS NO URBE CARIOCA – NOVEMBRO 2016


Sobre imagem do Google Maps, ainda sem o Campo de Golfe dito Olímpico

 

É raro um mês no Urbe CaRioca em que não se escreva sobre aumento de índices construtivos e liberação de gabaritos de altura, muitas vezes ações governamentais de interesse do mercado imobiliário, nem sempre as melhores decisões para as cidades. 



Talvez, nenhum, não se pode generalizar. Talvez alguns. Mas que o assunto é palpitante, não há dúvidas.

Em novembro/2016 os gabaritos estiveram em posts sobre o Cinema Leblon, o prédio do Banco Central na Gamboa, na região das Vargens, e, ainda, no caso do famigerado Campo de Golfe dito olímpico.

As hortas em lugares inadequados continuaram a dar o que falar.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

 

 

NOVEMBRO 2016




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O MÊS NO URBE CARIOCA – OUTUBRO 2016


Coluna Gente Boa, Jornal O Globo, 22/01/2017


O mês de OUTUBRO começou no blog com uma CrônicaRioca em dois capítulos, uma estória com final feliz, porque também as há no Rio de Janeiro.

As esperanças de que o Cinema Leblon fosse preservado, terminaram. As obras de demolição começaram. Restará a fachada emoldurada por um prédio comercial, uma das inúmeras benesses urbanísticas providenciadas pela gestão municipal anterior, após um incompreensível destombamento e a liberação de - sempre ele – o gabarito de altura – para a realização do empreendimento imobiliário no valorizado bairro do Leblon.

Hortas urbanas, que podem ser uma excelente iniciativa, surgiram em locais inadequados. Em outubro, foi na Lapa, Centro do Rio, perto dos famosos Arcos da Lapa, monumento histórico protegido pelo instituto do tombamento.

Ainda nesse quesito, o Palacete São Cornélio, na Glória/Catete, continua caindo aos pedaços. Literalmente.

Parece que todos os clubes querem estádios, desde que a Prefeitura lhes conceda os terrenos.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

 

 

OUTUBRO 2016











Slide: Claudio Prado de Mello

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CAMPO DE GOLFE DITO OLÍMPICO, POUCAS TACADAS



Com o Campo Olímpico, golfe tenta 'dar onda' e não virar marola no Brasil

Espaço surgiu sob protestos, mas pode virar ativo valioso para a CBG



A notícia publicada na seção Esportes do jornal O Globo remete a várias postagens neste blog sobre o incompreensível e inaceitável campo de golfe construído às custas de mutilar um parque ecológico e outros aspectos urbanísticos perniciosos para a cidade do Rio de Janeiro.

A quem interessar, acima está o título com o respectivo link.


Urbe CaRioca


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PEDIDO AO PREFEITO: 8 – O METRÔ NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO



Em princípio parecia que a futura administração municipal da urbe carioca apoiaria o governo estadual quanto à conclusão da obra da Estação Gávea do Metrô, com a inclusão de verbas orçamentárias na previsão para 2017 (O Globo,07/12/2016).

O prefeito havia sido eleito um mês antes desse anúncio.

Entretanto, no início do mês em curso, o já empossado prefeito do Rio de Janeiro criou uma comissão “para ajudar nas obras da Linha 4 do Metrô”, segundo noticiário na grande imprensa, com participantes das Secretarias de Transportes, Casa Civil, Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Conservação e Meio Ambiente, e Planejamento Estratégico: com novas declarações ficou esclarecido que a ajuda não seria com recursos, mas, com parcerias para apoio operacional.

Sendo o Secretário de Transportes conhecido engenheiro especialista no assunto, inclusive com participação profissional durante as primeiras fases de implantação deste modal na cidade, e crítico à escolha do trajeto que expandiu a Linha 1 – rebatizada ,pelo governo estadual, de Linha 4 - é de se esperar que a contribuição do município seja eficaz, e que ajude a definir prioridades que beneficiem a população de fato e a cidade como um todo, para além do Metrô “Olímpico”, benefícios que, por si, serão estendidos à Região Metropolitana. O Estado deve:


a) Concluir a Linha 2 (Estações Cruz Vermelha, Carioca e Praça XV de Novembro), evitando-se a gambiarra que uniu as Linhas 1 e 2 via Estação Central do Brasil até Botafogo/Ipanema;

b) Em consequência, concluir a segunda plataforma da Estação Carioca, a “Estação Fantasma”;

c) Concluir a Estação Gávea;

d) Construir a Linha 4 original, ligando Centro à Gávea via Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico;


  


É muito, por certo. Há que recomeçar a busca por Um Metrô Real e Viável para o Rio de Janeiro.

Urbe CaRioca

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

AMBIÊNCIA & ABANDONO DO CENTRO HISTÓRICO DO RIO, de Claudio Prado de Mello


Hotel Bragança, Rio de Janeiro. Fachada recuperada


Uma caminhada do arqueólogo Claudio Prado de Mello pelo Centro do Rio de Janeiro levou a uma reflexão e uma sugestão para o novo Prefeito do Rio.

A bela imagem que abre este post, infelizmente, ainda é um resultado pequeno diante do estado em que se encontra o importante Patrimônio Cultural carioca.

Que no futuro breve muitas outras construções possam também ser recuperadas. Boa leitura.

Urbe CaRioca





AMBIÊNCIA & ABANDONO DO CENTRO HISTÓRICO DO RIO

Claudio Prado de Mello

Percorrer as ruas do Rio de Janeiro a pé pode ser um passeio traumático e decepcionante.

No último dia 05, como Conselheiro do Conselho Municipal de Cultura do RJ, na cadeira Territorialidade, assisti à posse da nova Secretaria de Cultura na Praça Tiradentes e, após a cerimônia, segui andando até o setor de protocolo do IPHAN, passando pela Rua Teófilo Otoni. Depois de andar pela Avenida Rio Branco, passei pela Candelária - para conferir os danos causados pelas obras recentes -, segui pelo Beco das Cancelas até chegar ao Edifício-Garagem Menezes Cortes, protocolei documentos no Ministério Público Federal, e segui pela Rua México até o Centro Cultural da Justiça Federal, na Cinelândia.

O que vi foi uma cidade TRISTE, vazia, com lojas que acompanhei e frequentei por décadas, fechadas. Além do comércio fechado, notei muitos prédios abandonados. Na Rua Teófilo Otoni, restaurantes não existiam mais. No Largo de São Francisco, a tradicional loja Lutz Ferrando tinha tapumes entorno; a Igreja e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais - IFCS estão gradeados. Em volta deles, moradores de rua dormiam a plena luz do dia. Acima de tudo, vi FACES TRISTES.

Alguns restaurantes na Rua da Conceição, em plena hora de almoço, não tinham NENHUM CLIENTE. As mesas estavam vazias e havia um olhar de derrota nas faces dos garçons, um sorriso sem jeito como a pedir que as pessoas entrassem e consumissem.

Na Rua do Teatro o casario se arruína progressivamente. Locais que eram lojas de animais e restaurantes estão dando lugar a estacionamentos. A área, vizinha ao CORREDOR CULTURAL, está em estado deprimente: as fachadas dos edifícios remanescentes oferecem perigo total aos transeuntes, há gradis prestes a desabar e fragmentos das fachadas centenárias vão abaixo dia a dia.

A Cidade do Rio de Janeiro está perdendo o viço, sua aura de alegria e de progressividade. Foi desolador ver o Rio assim!

Isso nos remete a outra reflexão!







Em uma promoção a empresa Holandesa KLM escolheu os 50 mais bonitos lugares do Mundo para ofertar aos clientes participantes. O Brasil participa graças ao belíssimo REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA. 
(https://www.ifly2017.com/EN_BR/18). Por acaso, passamos pelo local quando a caminho do Teatro Carlos Gomes, e pudemos observar o que é hoje a AMBIÊNCIA do Real Gabinete, como segue:





1) Prédios em ruínas, na rua Ramalho Ortigão,
2) O pátio interno da Igreja de São Francisco Xavier usado como estacionamento, causa danos à igreja. A graciosa fonte de pedra está mais destruída a cada dia e não há quem o note!
3) O prédio do IFCS tem as paredes completamente pichadas, sem perspectiva de mudar.
4) Os prédios da Rua do Teatro, em ruínas, são transformados em estacionamento e suas fachadas que causam perigo, como citado.
5) Lojas fechadas no entorno do Real Gabinete e no largo de São Francisco, com imensa concentração de moradores de rua, criam ambiente inseguro e tornam o cheiro da região repugnante.
6) No Monumento dedicado a José Bonifácio, cujo gradil está cada vez mais dilapidado, as peças de ferro fundido desaparecem pouco a pouco; há receio de que se repita o que sucedeu na Praça XV (Monumento a General Osório).

Para atrair a atenção dos turistas uma cidade tem não apenas que oferecer Segurança, mas também proporcionar um contexto minimamente agradável. Passar por praças totalmente destruídas, monumentos abandonados, prédios arruinados e acima de tudo, com um ar DECADENTE, torna a visita algo deprimente.





Um parêntese: em fevereiro/2014 quando visitei NICÓSIA - capital de Chipre, invadida pelos Turcos – comovi-me ao notar o ar de derrota dos Cipriotas. Saí abatido depois de ver um ambiente tão triste e depressivo naquela cidade partida ao meio pelo inimigo. O que partiu o Rio de Janeiro?

Antes que a cidade que foi descrita como “Maravilhosa” seja um caso perdido, fica aqui a sugestão para o novo Prefeito Marcelo Crivella: criar uma Secretaria urgentemente, a SECRETARIA MUNICIPAL DE PATRIMÔNIO CULTURAL para que nosso Patrimônio Edificado, praças e monumentos recebam um olhar mais atento, antes que se percam inexoravelmente.

A cidade é um somatório de vivências e de experiências de vida, mais do que um quadro sobre os homens e suas sociedades, mais do que um espaço físico. A cidade é um território de arranjos e de somas das relações que foram desenvolvidas entre pessoas, estruturas e objetos que, ao longo do tempo, moldaram o traçado de ruas, delimitaram muros, e determinaram a necessidade de haver espaços públicos e privados. Destruir ou deixar fenecer os registros das formas de uma cidade é cortar as raízes de identidade de um povo com o seu Passado.

Em um planeta que caminha para a globalização - ou planificação de seus termos culturais -, somente o Passado será lembrado como a verdadeira matriz cultural e identidade dos povos. Há que preservá-lo e valorizá-lo.


Claudio Prado de Mello, 06 de janeiro de 2017
Arqueólogo e Historiador
Conselheiro Municipal de Cultura do Rio de Janeiro (Territorialidade)



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

PEDIDO AO PREFEITO: 7 – CEPACS? GABARITOS? SR. PREFEITO, SEJA DIFERENTE, NOVO, ORIGINAL!


Cena do filme de animação Up - Altas Aventuras, dos Estúdios Disney Pixar

A notícia ‘urbano-carioca’ estampada sexta-feira na primeira página do jornal O Globo – Projeto tenta mudar áreas degradadas - levou à espantosa explicação na reportagem respectiva (pág. 11), não menos intrigantes do que o subtítulo e os personagens reunidos, conforme a fotografia que a ilustra:

O Globo, 06/01/2017


Impressiona que no quinto dia de governo sejam apresentadas as mesmas soluções que garantem, com absoluta certeza, apenas benefícios para o mercado imobiliário, tal como foi feito, por exemplo, com o Projeto de Estruturação Urbana - PEU Vargens, e as leis para o Campo de Golfe e para a Zona Portuária, em nome das Olimpíadas. O resto são desejos, intenções e conjecturas.
Curiosamente, o autor da proposta é o Ex-Secretário Municipal de Urbanismo da primeira gestão do prefeito Eduardo Paes, engenheiro titular da pasta responsável pelo encaminhamento do projeto de lei complementar que daria origem à LC nº 104/2009, o citado e famigerado PEU Vargens que permitiu, entre outras construções questionáveis, erguer o condomínio Ilha Pura, que NEM É ILHA, NEM É PURA. Hoje a região está mais uma vez em vias de receber novas mudanças, através de uma estranha Operação Urbana Consorciada – uma OUC a caminho!
Naquela gestão também seria encaminhada à Câmara de Vereadores a proposta para modificar a lei urbanística vigente para o bairro de Guaratiba, hoje de ocupação restrita e baixa densidade. Moradores da região e algumas instituições se opuseram ao que seria o PEU Guaratiba – mais uma vez apenas mudanças de gabaritos de altura e índices construtivos para maior – e o assunto não foi adiante.

Ainda curiosamente, na última segunda-feira, primeiro dia de trabalho efetivo da nova administração, publicamos PEDIDO AO PREFEITO: 6 – E O URBANISMO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO?, onde um parágrafo premonitório dizia:

 

“Saberemos se a nova gestão será diferente da anterior – cuja marca, pode-se afirmar, foi o sem número de benesses para a indústria da construção civil, o mercado imobiliário e o hoteleiro – apenas depois das pressões desses setores. Há que aguardar o resultado dos vários projetos de lei que estão na Câmara de Vereadores prevendo grande aumento nos gabaritos de altura e outros índices construtivos”.

 

Cabe lembrar as dificuldades para a venda das CEPACs na Zona Portuária, que acabaram sendo compradas pela Caixa Econômica Federal; o que deveria ter sido uma parceria público-privada acabou por tornar-se uma negociação público-pública.

Se o novo prefeito não estiver habituado com as questões urbanísticas e imobiliárias no Rio de Janeiro, deve ficar atento. Usos alterados, gabaritos aumentados, e índices construtivos a maior não são panaceia. Resultam em marcas indeléveis na paisagem urbana, boas ou más. Haverá casos positivos. Por exemplo, equipamentos urbanos adequados onde haja demanda são fatores que podem levar animação e movimento a locais pouco procurados ou desabitados. Por outro lado, excessos volumétricos, tipologias estranhas, e usos inadequados também são responsáveis por abandono e degradação. Como bem lembra uma leitora deste blog, “apenas a vitalidade urbana pode garantir segurança à população”.
Entendam os gestores recém-chegados que nada há de espetacular nem de inédito na forma proposta para gerar receitas, mas, apenas o expediente surrado de aumentar índices construtivos sem garantia de retornos para a cidade - a velha fórmula Sempre o Gabarito!
Por isso este blog mais uma vez cita o post do dia 02/01/2017 - PEDIDO AO PREFEITO: 6 – E O URBANISMO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO? e lembra que se Vox Populi, Vox Dei, vale também outro ditado popular: “Diz-me com quem andas e te direi quem és”.

 

Urbe CaRioca

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

CINEMA LEBLON – CAUSA PERDIDA: THE END


Cinema Leblon - Fachada voltada para a Rua Carlos Góis


Apenas recentemente um grupo de moradores e outras pessoas interessadas pelo Leblon – em especial pelo único cinema de rua que reatava no bairro – se deu conta de que o prédio que abrigava o Cinema Leblon estava sendo demolido. Em diálogos apaixonados travados em rede social, os defensores da memória urbana propunham-se a organizar protestos para salvar o cinema.

Infelizmente não há o que resguardar.

Este blog tratou do assunto desde os seus primórdios até o destombamento efetuado pelo então prefeito do Rio de Janeiro em 2014.

Conforme afirmamos em ADEUS, CINEMA LEBLON! e em outros posts - “É verdade que tombamento e preservação não garantem a permanência de atividades comerciais. Mas também é inegável que a manutenção das edificações permite que outras medidas colaborem para a longevidade daquelas ou de usos similares”.

Mas, o proprietário não aceitou a sugestão do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, que se opôs ao projeto e à demolição, e propôs o acréscimo de um andar para que a inclusão de novas atividades desse suporte e viabilidade à manutenção do prédio.






O que comandou a decisão que desconsiderou o parecer do Conselho (prerrogativa do Chefe do Executivo, diga-se) benéfica ao mercado imobiliário, e que levaria à demolição do cinema, foi o aspecto apontado em PRÉDIOS CARIOCAS: VALOR CULTURAL E VALOR COMERCIAL, EIS A QUESTÃO, de novembro/2014. Dos prédios que abrigaram cinemas mostrados Os cinco primeiros - nenhum na Zona Sul - foram tombados em setembro/2014 pelo Decreto nº 39232/2014. O Cinema Leblon, de mocinhos, chanchadas, romance e aventuras, tombado em 2001, foi destombado, no mesmo mês, pelo Decreto nº 39161/2014! Que ironia!

Ficará um arremedo de memória, com um resto de fachada adornado por um edifício comercial de nove andares, o que nos remete ao antigo Convento do Carmo, onde foi plantado um espigão preto que deixa a Praça XV nas sombras.

Restam-nos as orquídeas, como bem descreveu Cleia Schiavo Weyrauch em O CINEMA E AS ORQUÍDEAS.

 

Urbe CaRioca


 






Imagem obtida na internet. Sem confirmação de fidelidade.


Sem garantias. Tomara que dure! Ao menos, será melhor do que mais uma farmácia.
NOTA: "Anexo ao Cinema" nada mais é do que um sofisma, assim como afirmar que "será preservado o emblemático Cinema Leblon".  O redator está apenas "fazendo cinema", no mau sentido. Uma chanchada, também no mau sentido.