sexta-feira, 5 de maio de 2017

MORRO DO PASMADO – A FAVELA, O PARQUE, O QUIOSQUE, O MONUMENTO, E A PAISAGEM MACULADA


Morro do Pasmado, Mirante do Pasmado

O Morro do Pasmado, em passado recente, era ocupado pela favela do Pasmado. Esta foi removida, dando lugar ao Parque que recebeu o nome de um líder político israelense e israelita, primeiro ministro de Israel, Yitzhak Rabin. O local foi escolhido para receber o nome justamente por estar próximo da Associação Religiosa Israelita - A.R.I., e apenas por isso. Lá também foi instalado um busto de Yitzhak Rabin.
Polêmica recente envolve o alto do morro, lugar especialíssimo onde fica o Mirante do Pasmado, em vias de receber duas construções: um quiosque e um monumento em homenagem aos judeus mortos na Segunda Guerra Mundial, o Memorial do Holocausto. É o que afirma a notícia do último dia 03 – ‘Prefeitura e empresários entram em acordo sobre divisão de área no Mirante do Pasmado’.

Em março o prefeito criara um grupo de trabalho para elaboração de “projeto de construção do Memorial do Holocausto, como homenagem permanente da Cidade do Rio de Janeiro às milhões de vítimas do nazismo”. Segundo a notícia citada acima a licitação para ocupar o local com um quiosque é bem anterior, de novembro/2015, por isso a polêmica criada quando o atual prefeito vetou a instalação do quiosque no espaço licitado por seu antecessor, dando preferência ao projeto do memorial: ‘Divisão de área no Morro do Pasmado gera polêmica entre prefeitura e empresários’ (OG, 29/04/2017).




Agora, tudo indica que as duas construções ocuparão o cocuruto do Morro, o citado Mirante do Pasmado.





Montagem: jornal O Globo
Qualquer intervenção nesse lugar de beleza ímpar – o morro em si e a vista dali proporcionada – deveria ser cuidadosamente estudada. Até mesmo o quiosque será útil e bem-vindo apenas se o projeto for pouco volumoso, discreto, respeitar a paisagem, não empachar a vista (será possível?) e funcione apenas como ponto de apoio aos visitantes. A área de 75,00m² pode ser até excessiva.

A torre do memorial - com 22 metros de altura - é questionável, não obstante as vítimas de tragédia de tal magnitude mereçam todas as homenagens. Por que ali, tal qual uma indesejável antena de telefonia que jamais seria aprovada? O que dizem os órgãos de Patrimônio Cultural e defesa da paisagem?

A considerar a proximidade da A.R.I., um local interessante para a instalação do Memorial seria a Praça Engenheiro Bernardo Saião, ao lado daquela instituição religiosa, caso as dimensões do projeto sejam adequadas ao espaço (Obs. A Pça. Eng. Bernardo Saião foi o primeiro local cogitado para receber o nome de Yitzhak Rabin, não concretizado porque era logradouro já nominado).

Segundo o site WebjudaicaO Memorial, cujo investimento será de R$ 4.450.000,00, contará com anfiteatro (80 lugares), galeria para exposição, sala de mídia digital e estacionamento. Terá, ainda, um símbolo de 22 metros de altura que estará em uma base circular com a inscrição “Não matarás”. A programação cultural oferecida aos visitantes será elaborada por uma curadoria a ser criada pela comunidade judaica.”.


O monumento foi idealizado pelo então vereador Gerson Bergher no ano 2000, como explica o site Gerson Bergher Vive, onde podem ser vistas outras imagens do projeto. 

Houve a tentativa de instalar a torre-monumento, com altura equivalente à de um edifício de 7(sete) andares, fora a base que corresponde a mais um andar, na Enseada de Botafogo. A proposta não foi adiante por motivo óbvio: prejudicaria a paisagem da Cidade do Rio de Janeiro, ali emoldurada pelo Pão-de-Açúcar e, ao fundo, pelo Corcovado, além de ser a bela enseada, também tombada. Os governos posteriores também não aprovaram a instalação no Morro do Pasmado.

Causa estranheza que a nova administração, com apenas quatro meses de governo, tenha criado um grupo de trabalho em 20/03 com prazo de 120 dias para "elaboração de projeto de construção" e que, quase imediatamente, tenha sido liberada a construção do mesmo projeto feito há 17 anos, em local jamais autorizado em quatro gestões!

Torcemos para que a justa e tardia homenagem do Rio de Janeiro às milhões de vítimas do Holocausto encontre o merecido local de destaque, mantendo-se, assim, a integridade e o respeito à paisagem natural e à topografia da Cidade Maravilhosa.

Fica a sugestão deste blog ao Prefeito do Rio de Janeiro que, por certo, reanalisará o assunto, encontrará lugar adequado à instalação da torre-monumento, e evitará macular a paisagem carioca, como tantas vezes ocorreu, infelizmente, em diversas administrações.



Urbe CaRioca

NOTA: A ser concedida essa ou qualquer outra área pública para a construção, os responsáveis deveriam, no mínimo, se responsabilizar pela manutenção do local, e respectivos custos, muito embora não se compreenda porque os interessados não adquirem um imóvel particular para realizar seu projeto.

Primeira tentativa para construir o memorial, na Praia de Botafogo, no ano 2000.
Fonte: site Gerson Bergher Vive

Morro, túnel, e favela do Pasmado. Internet.

Um comentário:

  1. Mais uma tentativa de ocupação do espaço público, e, ainda mais, com um monstrengo de oito andares ofuscando a local bandeira do Brasil. Absurdo !

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